terça-feira, 16 de abril de 2019

Acompanhando a Jesus pela Via Sacra em Jerusalém

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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A Via Sacra ‒ também conhecida como Via Crucis, Estações da Cruz ou Via Dolorosa ‒ é uma devoção que consiste numa peregrinação espiritual ajudada por uma série de quadros ou imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.

A Via Sacra mais conhecida hoje é a rezada no Coliseu de Roma, na Sexta-Feira santa, com a participação do próprio Papa.

As imagens representando as cenas da Paixão podem ser de pedra, madeira ou metal, pinturas ou gravuras. Elas estão dispostas a intervalos nas paredes ou nas colunas da igreja.

Mas, às vezes podem se encontrar ao ar livre, especialmente nas estradas que conduzem a uma igreja ou santuário. Uma Via Sacra muito conhecida é a do santuário de Lourdes, França.

Nos mosteiros as imagens são muitas vezes colocadas nos claustros.

O exercício da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram espiritualmente o percurso de Jesus carregando a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando à Paixão de Cristo.

Dados históricos da devoção

A tradição afirma que a Virgem Santíssima costumava visitar diariamente os locais da Paixão de Cristo.

A Via Dolorosa de Jerusalém foi reverentemente sinalizada desde os primeiros tempos e foi uma meta dos piedosos peregrinos desde os dias do imperador Constantino.

São Jerônimo fala das multidões de peregrinos de todos os países que costumavam visitar os lugares santos e percorriam piedosamente a Via da Paixão de Cristo.

O desejo de reproduzir os lugares sagrados em outras terras, a fim de satisfazer a devoção daqueles que estavam impedidos de fazer a verdadeira peregrinação, apareceu muito cedo.

No século V, São Petrônio, bispo de Bolonha erigiu no mosteiro de São Estévão (Santo Stefano em italiano) um conjunto de capelas com as estações. O mosteiro ficou familiarmente conhecido como “Hierusalem”.

Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve forte expansão na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII).

O romeiro inglês William Wey que visitou a Terra Santa em 1458, em 1462 descreveu a maneira usual para seguir as pegadas de Cristo em Sua jornada de dores redentores.


As 14 Estações

A Via Sacra se tornou uma das mais populares devoções católicas.

O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus.

O número de estações, passos ou etapas, da dolorosa procissão do Bom Jesus, nosso Redentor, foi definido paulatinamente chegando à forma atual, de quatorze estações, ou passos, no século XVI.

As 14 estações são as seguintes: (CLIQUE PARA VER)



1ª Estação: Jesus é condenado à morte


2ª Estação: Jesus carrega a cruz às costas


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez


4ª Estação: Jesus encontra a sua Mãe


5ª Estação: Simão Cirineu ajuda a Jesus


6ª Estação: A Verônica limpa o rosto de Jesus


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez


8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém


9ª Estação: Terceira queda de Jesus


10ª Estação: Jesus é despojado de suas vestes


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz


12ª Estação: Jesus morre na cruz


13ª Estação: Jesus morto nos braços de sua Mãe


14ª Estação: Jesus é enterrado


Em cada estação é feita uma meditação sobre o passo e o costume é rezar também um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Padre.

O percurso da Via Sacra não deve ter interrupções. Mas é permitido assistir a uma Missa, confessar e comungar em meio ao piedoso exercício.



A indulgência plenária

Não existe uma devoção mais ricamente dotada de indulgências do que a Via Sacra.

As indulgências estão ligadas à cruz posta sobre as imagens que devem ser canonicamente erigidas.

Condições para ganhar a indulgência

Concede-se indulgência plenária a quem pratique o exercício da Via Sacra. Para que este se possa realizar, requerem-se quatorze cruzes postas em série (com alguma imagem ou inscrição, se possível) e devidamente bentas. O cristão deve percorrer essas cruzes, meditando a Paixão e a Morte do Senhor (não é necessário que siga as cenas das quatorze clássicas estações; pode utilizar algum livro de meditação). Caso o exercício da Via Sacra se faça na igreja, com grande afluência de fiéis, de modo a impossibilitar a locomoção de todos, basta que o dirigente do sagrado exercício se locomova de estação a estação.

Quem não possa realizar a Via Sacra nas condições acima, lucra indulgência plenária lendo e meditando a Paixão do Senhor pelo espaço de meia-hora ao menos.

(cfr. d. Estevão Bettencourt, Catálogo das Indulgências)

Ver também: O que é uma Indulgência, e as condições para ganhar a Indulgência Plenária.


domingo, 14 de abril de 2019

A entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos

Jesus entrou num humilde burrico
Luis Dufaur
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No Domingo de Ramos, comemora-se a entrada triunfante de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém.

No andor principal Nosso Senhor entra sobre um burrico na Cidade Santa.

No andor seguinte, a Mãe de Deus contempla a tragédia que se avoluma.

A entrada de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, patenteia quanto o povo O apreciava incompletamente.

Aclamavam-No, é verdade, mas Ele merecia aclamações incomensuravelmente superiores, e uma adoração bem diversa!

Humildemente sentado num burrico, Ele atravessava aquele povo, impulsionando todos ao amor de Deus.

Em geral, as pinturas e gravuras O apresentam olhando pesaroso e quase severo para a multidão.

Para Ele, o interior das almas não oferecia segredo.

Ele percebia a insuficiência e a precariedade daquela ovação.

Nossa Senhora acompanhava passo a passo a tragédia
Nossa Senhora percebia tudo o que acontecia, e oferecia a Nosso Senhor a reparação do seu amor puríssimo.

Que requinte de glória para Nosso Senhor!

Porque Nossa Senhora vale incomparavelmente mais do que todo o resto da Criação.

Este é o lado misterioso da trama dos acontecimentos da Semana Santa.

Maria representava todas as almas piedosas que, meditando a Paixão, haveriam de ter pena d’Ele e lamentariam não terem vivido naquele tempo para tomar posição a seu lado.



VÍDEO: ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM

Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI




Palm Sunday: triumphal entrance of Our Lord Jesus Christ in Jerusalem.
(english version)

>

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, abril de 2003)


terça-feira, 2 de abril de 2019

Mãe: amor, afeto, bondade e misericórdia

Mãe. Robert Walter Weir (1803 – 1889)
Luis Dufaur
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A palavra família indica uma pluralidade de pessoas.

Mas há outra palavra, de especial significado, que indica uma só pessoa: mãe.

Mãe é a quintessência da família, porque é a quintessência do amor, a quintessência do afeto; e, nessas condições, a quintessência da bondade e da misericórdia.

Assim, a alma da criança em contato com a mãe começa a compreender o que é a bondade que não se cansa, o que é a graça, o favor, o amor que não se exaure.

E também aquela forma de afeto que inclina a mãe a jamais achar tedioso estar com o filho.

Carregar seu filho nos braços, brincar com ele, soltá-lo no chão, vê-lo correr de um lado para outro, ser importunada por ele incontáveis vezes durante o dia com perguntinhas, com brinquedinhos.

Mãe do Bom Conselho, Genazzano, Itália
Mãe do Bom Conselho, Genazzano, Itália
Para a boa mãe, nisto consiste a alegria da vida.

Se alguém, no começo de sua existência, percebe o que é a alegria de ter uma boa mãe, compreende que a vida na Terra pode ser muito difícil; mas, enquanto conservar a recordação de sua mãe, guardará a lembrança paradisíaca da sua infância.

Retendo essa recordação, a pessoa mantém a esperança do Paraíso Celeste, onde a boa Mãe vai nos receber.

E assim compreendemos tudo quanto representa Nossa Senhora para nós.




(Fonte: excertos de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 24 de maio de 1995. Sem revisão do autor.)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

São Pedro Julião Eymard e o amor apaixonado pela Eucaristia

São Pedro Julião Eymard , fundador dos padres sacramentinos
São Pedro Julião Eymard , fundador dos padres sacramentinos
Luis Dufaur
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“Nosso Senhor quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele.

“Toda virtude, todo pensamento que não se termina em uma paixão, que não acaba por tornar-se uma paixão, nada de grande produzirá jamais. (...).

“O amor só triunfa quando é em nós uma paixão vital. Sem isso, podem produzir-se atos isolados de amor, mais ou menos frequentes; a vida não é tomada, não é dada. (...).

“Na Sagrada Eucaristia, decerto, Nosso Senhor ama-nos com paixão, ama-nos cegamente, sem pensar em Si, devotando-Se inteiramente por nós: é preciso corresponder-Lhe.

“Nosso amor, para ser uma paixão, deve sofrer as leis das paixões humanas.

“Falo das paixões honestas, naturalmente boas; pois as paixões são indiferentes em si mesmas; nós as tornamos más quando as dirigimos para o mal, mas só de nós depende utilizá-las para o bem.

“Ora, a paixão que domina um homem, concentra-o.

“Tal homem quer chegar a uma determinada posição honrosa e elevada. Só para isso trabalhará: dez, vinte anos, não importa.

“Chegarei, diz ele; faz unidade: tudo se acha reduzido a servir esse pensamento, esse desejo, deixa de lado tudo quanto não o conduzisse a seu objetivo.

“Eis como se chega no mundo ao que se deseja; essas paixões podem tornar-se más, e ai! muitas vezes não são mais que um crime contínuo; mas enfim podem ser e são ainda honoríficas.

“Sem uma paixão, nada se alcança: a vida carece de objetivo; arrasta-se uma vida inútil.

“Pois bem, na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera.

“Amai tal virtude, tal verdade, tal mistério apaixonadamente.

“Devotai-lhe a vossa vida, consagrai-lhe os vossos pensamentos e trabalhos; sem isso, nada alcançareis jamais, sereis apenas um assalariado, jamais um herói!

“Tende um amor apaixonado pela Eucaristia. Amai Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento com todo o ardor com que se ama no mundo, mas por motivos sobrenaturais. (...).

“Considerai os santos; seu amor os transporta, abrasa, faz sofrer; é um fogo que os consome, despende as suas forças e acaba por lhes causar a morte.

“Morte feliz!

“Mas, se não chegamos todos a esse ponto, ao menos podemos amar apaixonadamente a Nosso Senhor, deixar que nos domine o seu amor.

“Há pessoas que amam até à loucura os pais, os amigos, e não sabem amar o bom Deus!

“Mas o que se faz com a criatura, é o que se deve fazer com Deus: somente, ao bom Deus, é preciso amá-Lo sem medida, e cada vez mais. (...).

“Mas poderíamos dizer: Somos então obrigados a amar assim?

“Bem sei que o preceito de amar assim não se acha escrito; não há necessidade! Nada o diz, tudo o clama: a lei está em nosso coração. (...).

“A Eucaristia é a mais nobre aspiração de nosso coração: amemo-la pois apaixonadamente.

“Dizem: Mas é exagero tudo isso.

“Mas que é o amor, senão exagero? Exagerar é ultrapassar a lei; pois bem, o amor deve exagerar!

“O amor que nos testemunha Nosso Senhor permanecendo conosco sem honras, sem servidores, não é também exagerado?

“Quem se limita ao que é absolutamente de seu dever, não ama. - Só se ama quando se sente interiormente a paixão do amor.

“E tereis a paixão da Eucaristia quando Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento for o vosso pensamento habitual; a vossa felicidade, a de achar-se a seus pés; e vosso constante desejo, o de Lhe causar prazer.

“Vamos! Entremos em Nosso Senhor! Amemo-lO um pouco por Ele; saibamos esquecer-nos e dar-nos a esse bom Salvador! Imolemo-nos um pouco!

“Considerai estes círios, esta lâmpada, que se consomem sem deixar vestígios, sem nada reservar”


(São Pedro Julião Eymard, O Santíssimo Sacramento, Coleção “Os grandes Autores Espirituais”, nº 24, Edições Paulinas, São Paulo, 1956, pp. 27 a 32 / Pode imprimir-se: Mons. Caruso, Pró-Vigário geral, Rio, 8-7-1953).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Propaganda que explora saudades do passado revela tendências sociais e religiosas do futuro

Pão, foie gras, confitura, licor, a promessa de sucesso é que 'são feitos como antes'
Pão, foie gras, confitura, licor, a promessa de sucesso é que 'são feitos como antes'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O marketing ou técnica (nem sempre muito veraz nem leal) para empurrar a venda de um produto, está obrigado a impressionar os eventuais compradores.

Com esse objetivo procura sondar as apetências profundas dos consumidores para atrai-los (ou engana-los).

E as empresas de marketing constataram que no momento presente é ledo engano achar que as apetências profundas do público evolucionam a uma velocidade vertiginosa para o mais moderno, recusando a tradição, o passado e os gostos antigos que evocam tempos antigos.

Hoje essas empresas estão adaptando suas propagandas (ou enganações) ao denominado “marketing da nostalgia”, isto é procuram apresentar “marcas que apostam no retorno às origens”.

Sorveteria em Buenos Aires empolga clientes restaurando casas nobres de estilo.
Sorveteria em Buenos Aires empolga clientes restaurando casas nobres de estilo.
Seus astuciosos “gurus” descobrem que “as lembranças do passado podem funcionar como refúgio e espaço de segurança para muitos”, escreveu “La Nación” de Buenos Aires após ouvir diversos especialistas e analisar novas campanhas publicitárias.

Essa nostalgia fala no fundo das cabeças que nos tempos passados “tudo era melhor”, e não leva para o mais ousado e inovador. Ali estaria o segredo das marcas que conseguem se reconectar com seu público-alvo.

Nike relançou seu boom dos anos 80, as Nike Air Max; a Adidas criou a linha Adidas Originais que recupera os clássicos modelos dos anos 70 e 80 do século passado.

Loja de Saumur monta padarias para parecerem artesanais.
Loja de Saumur monta padarias para parecerem artesanais.
E quando a Nintendo ressuscitou sua clássica plataforma modelo de 1997, nos EUA as filas de compradores ficaram intermináveis.

A Polaroid prossegue vendendo câmaras de fotos instantâneas que há décadas se dizia perimidas.

Carolina del Hoyo, diretora de Inovação da multinacional Danone afirma: “Vemos a tendência de retorno dos produtos ou marcas que procuram revalorizar a história ou o conceito que os fizeram únicos”.

Esse tipo de produtos, poucas décadas atrás praticamente tinham desaparecido ou era difícil encontra-los, acrescenta ela. “Hoje, estão novamente de ‘moda’ e nas prateleiras dos grandes supermercados”.

A padaria 'Le Pain Gascon' atrai usando um forno da época de Luis XV, precisamente de 1765.
A padaria 'Le Pain Gascon' atrai usando um forno da época de Luis XV, precisamente de 1765.
Julia Kaiser, coordenadora de estratégia de Havas Argentina, explica se tratar de uma contratendência que recusa o veloz, o industrializado, a necessidade induzida de novidade e da inovação constante.


“As pessoas gostam de voltar ao que é familiar. Àquilo que apela ao sentimento muito primitivo e muito humano do conforto caseiro”, acrescenta.

“La Nación” chama isso de “furor nostálgico”.

Sorveteiro em Paris verificou que carro antigo atrai mais que moderno. E que o sorvete não pode ter nenhum elemento de fábrica
Sorveteiro em Paris verificou que carro antigo atrai mais que moderno.
E que o sorvete não pode ter nenhum elemento de fábrica
Por exemplo a firma de lácteos La Serenísima lançou um iogurte com a receita original de não se sabe qual século e a mensagem do marketing é “voltar a prová-lo por primeira vez” procurando rememorar as impressões que tivemos quando éramos crianças.

“Trata-se da valorização do melhor de outros tempos, que nos convida a voltar às nossas origens e comemorar o passado com um olhar hodierno. 

Nós procuramos gerar esse impacto em nossos consumidores, especialmente os adultos, convidando-os a reconectar com a marca que os viu nascer e que estava na mesa de todos os dias”, acrescentou Del Hoyo.

Feiras com produtos de granja artesanais atraem até os maiores chefs da França. Essa é em Orthez.
Feiras com produtos de granja artesanais atraem até os maiores chefs da França.
Essa é em Orthez.
A empresa argentina Siam relançou uma linha de geladeiras com estética da metade do século passado. Olmos oferece bicicletas tipo retro.

A usina Ledesma vende seu açúcar mais seleto garantindo que não foi processado nem refinado, e a cervejaria Quilmes do grupo AmBev ofereceu a receita original sem conservantes. Foi logo imitada pela competição.

Basta sair à rua para encontrar o Fusca (adaptado à modernidade) mas que evoca o modelo original alemão de inícios dos anos 30, quase um século!

Propaganda em jornal espanhol do 'carro mais amado em todos os tempos'. A versão 500 atualizada percorre as ruas de São Paulo.
Propaganda em jornal espanhol do 'carro mais amado em todos os tempos'.
A versão 500 atualizada percorre as ruas de São Paulo.

Secos e molhados em Mallorca, Espanha. Conferindo serem artesanais.
Secos e molhados em Mallorca, Espanha.
Conferindo serem artesanais.

A Fiat relançou o Fiat 500, a Cinquecento de 1967, e o retro PT Cruiser teve que ceder-lhe a linha na fábrica do México para atender a demanda dos EUA!

A Citroën pensa fazer o mesmo com o 2CV, o “deux chevaux”.

O mini-Cooper anda solto nas ruas de São Paulo, e o Jeep da II Guerra Mundial, bem atualizada, bate recorde de vendas no Brasil.

As pessoas sempre procuram coisas genuínas da marca (o “Fusca original”), que tenha história no produtor, que seja clássico, tradicional.

Na cerveja é típico.

A tida como melhor do mundo é feita na Bélgica por monges cistercienses.

Esses elaboram uma quantidade limitada para sustentar o convento e só vendem numa data definida do ano.

Nessa data a polícia rodoviária belga precisa montar um esquema especial pois todas as estradas que levam à abadia ficam super-lotadas.

A essas noções acresce no caso dos alimentos a exigência de comestíveis mais saudáveis.

Percorra as prateleiras dos supermercados e conte quantos produtos fazem questão de exibir o selo “tradicional”, original, da fórmula da avó, o lácteo “da fazenda”, e por isso mais sãos.

Na França entrei em padarias que garantiam que a farinha vinha de moinhos que moíam o trigo com roda de pedra como na Idade Média.

Queijarias que se ufanavam de vender o camembert feito com todos os microorganismos proibidas pela União Europeia; restaurantes que ofereciam a carne ou o frango engordado sem ração.

Flagrante numa rua de Paris o camembert de 'leite cru' com todos os microorganismos proibidos pela modernidade se vendendo aos montes, e barato!
Flagrante numa rua de Paris o camembert de 'leite cru'
com todos os microorganismos proibidos pela modernidade
se vendendo aos montes, e barato!
Nas casas de vinhos, licores sem preservantes, aditivos, corantes, perfumantes, estabilizantes e ainda outras químicas, etc.

O “marketing da nostalgia” está ficando rei em tudo onde ainda não o é, e invade até as farmácias.

Desde “quero meu Brasil de volta” na política até a receita original no supermercado, o tradicional gera empatia e é bem recebido.

Para Julia Kaiser, “está estabelecido um acordo tácito por onde o consumidor entende que a receita original é melhor que a receita que veio depois. 

No imaginário social a sensação é que o que se fazia antes era mais puro e o que se faz agora é mais artificial”. Amém.

Um estudo da marqueteira planetária Nielsen, constatou que as emoções e a resposta cerebral dos consumidores diante das marcas tradicionais não só aceleram as palpitações do coração, mas agem como disparador de vendas muito eficaz: 23% a mais.

Quando a marca argentina Quilmes, a maior cervejaria do país que pertence à AmBev, restaurou a receita original as reações positivas foram instantâneas.

Westvleteren XII é a mais medieval, feita por monges. A corrida é imediata, porque dizem é a melhor do mundo!
Westvleteren XII é a mais medieval, feita por monges.
A corrida é imediata, porque dizem é a melhor do mundo!
“Quando comunicamos que tínhamos retornado à receita original sem conservantes, as vendas e o consumo cresceram no mesmo mês. As repercussões foram muito boas e super-rápidas”, afirmou Giannina Galanti Podesta, diretora da marca.

Disney começou a fazer o remake de seus grandes êxitos de outrora, A Bela e a Besta vendeu entradas por mais de um bilhão de dólares na sua primeira semana de 2017.

Diante desse resultado, a megaempresa de entretenimento planejou apostar groso em seus filmes clássicos refeitos para 2019.

Outro flagrante em rua de Paris: a tendência é se mostrar o menos moderno e o mais tradicional.
Outro flagrante em rua de Paris: a tendência é se mostrar o menos moderno e o mais tradicional.
Mas, se isto é assim em quase todos os campos da atividade humana, não estará acontecendo o mesmo em matéria de religião?

O “marketing da nostalgia” detectou movimentos coletivos, aspirações e desejos da alma humana que procura explorar, mas não foi ele que os criou.

Então se isso for assim, não estamos perto do dia em que os homens preferirão pagar cara passagem para visitar a catedral gótica de Paris antes do que entrar na catedral de Brasília; em que preferirão o canto gregoriano a zoeira religiosa dos templos modernos; então se sentirão mais atraídos pelo Concilio de Trento do que pelo Vaticano II; e poderão preferir um São Gregório VII na Cátedra de Pedro ao Papa Francisco I?

A série de Marie Kondo para por ordem em tudo faz furor.
Ela defende que a ordem na casa, na geladeira, no celular faz bem mentalmente.
A pergunta poderia se estender por muitas páginas.

Uma novel deputada federal recém-eleita declarou a imprensa que seu herói preferido é Godofredo de Bouillon.

Aonde foram parar os Beatles ou os Rolling Stones, esses trisavôs sem continuadores?

Só falta que as multidões clamem pela volta de Dom Sebastião, de Santa Joanna d’Arco, de Carlos Magno, de São Luis da França ou de São Domingos de Gusmão inquisidor.

E então?