quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Por que se faz a “Missa do Galo” na noite de Natal?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal.

Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia.

Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galoin galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.

Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.

Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente... até o galo cantar anunciando a Boa Nova!



"Stille Nacht, Heilige Nacht" (Noite silenciosa, noite santa, Alemanha)




"Il est né le Divin Enfant" (Nasceu o Divino Menino, França)




"Gabriel, fram Heven-King" (Gabriel anunciou o Rei do Céu, Inglaterra)





"Pastores loquebantur" (Os pastores falavam, Daniel Bollius)





"Adeste fideles" (Vinde, fiéis, Daniel tradicional)





"Canta ruiseñor" (Canta rouxinol, Peru, tradicional)





"O du fröhliche, o du seliche" (O você feliz, oh você mesmo, Alemanha)





"Dormi Jesu dulcissime" (Dorme, oh meu docíssimo Jesus, Pal Esterhazy, Áustria)





quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Costumes católicos do Natal: uma arca de tesouros espirituais, culturais e até gastronómicos!

Luis Dufaur
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Na lista de links que segue a continuação, clicando o leitor encontrará um rica explicação de cada um desses santos e deliciosos costumes católicos natalinos.



































segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O Natal perfumado da capital de Carlos Magno

Natal, nas ruas estreitas da Aachen medieval
Natal, nas ruas estreitas da Aachen medieval
Luis Dufaur
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No Natal, nas ruas estreitas da Aachen (Aquisgrão, Aix-la-Chapelle) medieval se respira o perfume de canela, cardamomo, coentro, anis, cravo, pimenta, gengibre.

Dezenas de padarias, pastelarias e chocolatarias preparam as bolachas Aachener Printen, enquanto no mercado de Natal se bebe o Glühwein (quentão com muitas especiarias) e se comem tradicionais castanhas recém-assadas, informou reportagem de “La Nación”.

As comemorações começam na festa de São Martinho de Tours (11 de novembro) e Santa Catarina (25 de novembro).

Glühwein: o quentão natalino
Glühwein: o quentão natalino
A mais aguardada é a de São Nicolau (6 de dezembro), o maravilhoso portador dos presentes pedidos por incontáveis crianças.

Essas festas anunciam o início dos quatro domingos do Advento na preparação penitencial do Natal e na expectativa feliz da vinda do Menino Jesus.

As Aachener Printen se remontam aos tempos em que Carlos Magno escolheu sua prezada cidade para nela instalar o centro de seu imenso império sacral europeu.

A residência imperial deve muito, desde os primeiros séculos medievais, às suas águas termais, privilegiadas pelos romanos.

Não espanta, pois, que um soldado romano uniformizado como na Antiguidade cuide dos banhos termais.

E dezenas de crianças passeiam pelo empedrado medieval com faróis de papel de arroz e uma vela dentro, ao som das músicas de orquestras de rua que enchem os ares de melodias natalinas.

Marienschrein a urna que conserva as sagradas relíquias na catedral de Aquisgrão
Marienschrein a urna que conserva as sagradas relíquias na catedral de Aquisgrão
A catedral está cheia de tesouros medievais, vitrais e, mais importante: excepcionais relíquias da Sagrada Família, de Nosso Senhor no Santo Sepulcro e de São João Batista.

Além, é claro, dos restos mortais de Carlos Magno que, em Aquisgrão e numerosas outras dioceses do norte da Europa é venerado como Beato com liturgia e ofício próprios.

A cada sete anos, centenas de romeiros – a próxima vez será em 2021 – concorrem para contemplar ou venerar as quatro preciosas relíquias guardadas numa esplêndida urna gigante a Marienschrein , as quais são exibidas só nessa ocasião.

São elas:

Vestido que Nossa Senhora usou no Nascimento de Jesus. Foto de 2014, Andreas Steindl - Diocese de Aachen
Vestido que Nossa Senhora usou no Nascimento de Jesus.
Foto de 2014, Andreas Steindl - Diocese de Aachen
1. a túnica que Nossa Senhora usou no dia do Natal;

2. os panos com que Ela envolveu o Menino Jesus recém nascido;

3. o tecido menor usado por Cristo durante a Crucificação e

4. o lenço em que foi envolvida a cabeça de São João Batista após a sua decapitação.

As relíquias ficam normalmente na urna da Santíssima Virgem Maria (Marienschrein).

Carlos Magno foi o primeiro Imperador do Sacro Império Romano Alemão instituído pelo Papa São Leão Magno e durante 500 anos seus sucessores foram coroados nessa catedral.

As Aachener Printen são simples, deliciosas, maravilhosas e fazem lembrar ao grande imperador Carlos Magno
As Aachener Printen são simples, deliciosas, maravilhosas
e fazem lembrar ao grande imperador Carlos Magno
A padaria Klein consagra-se às Printen desde 1912. Seu dono explica que cada um “tem sua própria fórmula” e que Carlos Magno as preferia mais duras.

Klein produz sete mil quilos diários, “no velho estilo”, quer dizer, mais moles, úmidas, banhadas em chocolate, trazendo avelãs e amêndoas, com formas minúsculas ou com enormes de animais ou personagens.

Aachen procura com avidez as “Lebkuchen”, bolachas que impressionaram tanto os irmãos Grimm, que em seus Contos de Fadas as escolheram para decorar a casinha de Hansel e Gretel.

Feitas com múltiplos ingredientes, até hoje deliciam toda a Alemanha.

As crianças as produzem em casa, e nos Kindergarten elas são penduradas em calendários até o dia 24 de dezembro.

A lembrança do grande imperador é a justo título onipresente.

As Aachener Printen não podiam ter outro imperador senão Carlos Magno!
As Aachener Printen não podiam ter outro imperador senão Carlos Magno!
O nascimento do Sacro Império com sua a sagração em Roma pelo Papa Leão III no dia 25 de dezembro do ano 800 foi um segundo Natal para a Cristandade.

Tudo aconteceu de modo surpreendente para ele, mas não para o Papa santo que havia muito queria restaurar o grandioso Império.

A esplêndida laje de porfírio sobre a qual sucedeu o magno e feliz evento se conserva encravada no precioso chão da Basílica de São Pedro.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: ensinamentos sobre a glória de Nossa Senhora

Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência,
Rio de Janeiro
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma




O dogma da Imaculada Conceição ensina que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser.

Ela em momento algum teve qualquer nódoa do pecado original.

A lei inflexível pela qual todos os descendentes de Adão e Eva, até o fim do mundo, teriam o pecado original, se suspendeu em Nossa Senhora.

E naturalmente na humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora não ficou sujeita às misérias a que estão sujeitos os homens.

Não ficou sujeita aos impulsos, inclinações e tendências más que os homens tem.

Tudo nEla corria harmonicamente para a verdade, para o bem; tudo nEla era o movimento para Deus.

Nossa Senhora foi exemplo perfeito da liberdade da razão iluminada pela fé.

Ela queria inteiramente tudo o que era perfeito e não encontrava em si nenhuma espécie de obstáculo interior.

Ela era cheia de graça. De maneira que o ímpeto do ser dela se voltava só para a verdade, o bem, de modo verdadeiramente indizível.

Ora, ensinar que uma mera criatura humana como foi Nossa Senhora, tivesse esse privilégio extraordinário, era fundamentalmente anti-igualitário.

E definir esse dogma era definir uma tal desigualdade na obra de Deus, uma tal superioridade de Nossa Senhora sobre todos os outros seres, que faria espumar de ódio todos os espíritos igualitários.

O revolucionário ama o mal e tem alegria quando encontra um traço de mal em alguém.

Imaculada Conceição, catedral de Segovia, Espanha
Imaculada Conceição, catedral de Segovia, Espanha
Ele tem, pelo contrário, muito pesar quando vê uma pessoa em que ele não percebe um traço de mal.

Porque ele sente simpatia e harmonia com aquilo que é ruim e procura encontrar o mal em tudo.

Ora, a ideia de que um ser pudesse ser tão excelsamente bom e santo desde o primeiro instante de seu ser, causa ódio num revolucionário.

Um indivíduo perdido de impureza, um verdadeiro porco, sente inclinações impuras para todo lado.

E sente a vergonha, a depressão que essas inclinações impuras causam.

Evidentemente ele se sente todo deteriorado pela concessão que ele fez.

Um homem desses considerando Nossa Senhora que era toda Ela feita da mais transcendental pureza: ele sente ódio e antipatia, porque seu orgulho é esmagado pela pureza imaculada dEla.

O Beato Papa Pio IX definindo uma tal ausência de orgulho, de sensualidade, de qualquer prurido de Revolução num ser privilegiado, afirmou que a Revolução é repudiada por Nossa Senhora. E isso teve que doer e causar ódio aos revolucionários.

Então, desde sempre, dentro da Igreja, houve duas correntes. Uma corrente que combateu a Imaculada Conceição, e outra corrente que era favorável à Imaculada Conceição.

Sseria exagero dizer que todo mundo que combateu a Imaculada Conceição estava trabalhando por pruridos revolucionários.

Mas todo mundo trabalhando por pruridos revolucionários, combateu a Imaculada Conceição.

De outro lado, todos aqueles que lutaram pedindo a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, mostravam uma mentalidade contrarrevolucionária.

De maneira que, de algum modo, a luta da Revolução e da Contra-Revolução estava presente na luta entre essas duas correntes teológicas.

No século XIX a Revolução já andava deitando labaredas por todo o mundo e ficou indignada com a definição do dogma.

O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição. Sant'Andrea della Valle. Roma
O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.
Sant'Andrea della Valle. Roma

Havia outra razão ainda.

Não tinha sido definido ainda o dogma da Infalibilidade Papal.

E Pio IX, antes de defini-lo, pura e simplesmente consultou teólogos, todos os bispos do mundo e depois, com autoridade própria, fazendo uso da Infalibilidade Papal, definiu o dogma da Imaculada Conceição.

O que para um teólogo liberal era uma espécie de petição de princípios, porque se não estava definido que ele podia definir, como é que ele ia definir.

E ele, pelo contrário, definindo, ele afirmava que tinha a Infalibilidade Papal.

Quer dizer, fez estalar as indignações do mundo revolucionário.

Mas, foi um entusiasmo enorme no mundo contrarrevolucionário.

Por toda parte apareceram meninas batizadas com o nome de Conceição ou Imaculada, exatamente em louvor do novo dogma.

Era a afirmação de que os pais consagravam aquela menina à Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Pio IX levou as coisas a tal ponto que, durante o pontificado dele, enviou de presente uma imagem da Imaculada Conceição, para ficar posta no centro de Genebra, a capital da forma mais execrável de protestantismo que era o calvinismo.

Assim afirmou e proclamou esse dogma que os calvinistas, luteranos e protestantes todos odiavam mais do que tudo.

Pio IX estava numa situação política péssima; os exércitos do Garibaldi ameaçavam os Estados Pontifícios e os liberais caçoavam dele:

Papa rei bobo que está perdendo as suas terras, mas se preocupa em definir dogmas. Pio IX não se incomodou, ele definiu o dogma.

E foi mais longe. Em 1870 quando os Estados Pontifícios estavam para cair, ele reuniu o Concílio Vaticano I e definiu o dogma da Infalibilidade Papal.

Conta-se que quando ele se levantou para definir o dogma, uma tempestade de raios e estrondos se abateu sobre São Pedro.

Dir-se-ia que todos os elementos de ódio do inferno estavam convulsionando a natureza.

Os senhores podem imaginar o Papa, de pé, no meio dos raios, definindo a Infalibilidade do Papado.

Dias depois de definida a Infalibilidade Papal, as tropas de Garibaldi penetraram na cidade, e o papa ficou prisioneiro no Vaticano.

Mas foi tal o prestígio que a Infalibilidade Papal deu ao Papa, que os historiadores disseram que nem os Papas da Idade Média tiveram um poder maior do que teve Pio IX.

Nós temos então, entre o Beato Pio IX e São Gregório VII, uma analogia.

São Gregório VII forçou a curvar-se pedindo perdão diante dele um imperador do Sacro Império Romano Alemão.

Imaculada Conceição, detalhe de paramento bordado por dominicanas inglesas
Imaculada Conceição, detalhe de paramento bordado por dominicanas inglesas
Pio IX fez uma coisa mais árdua e mais extraordinária: ele forçou a Revolução a curvar-se diante dele.

A Revolução não pedia perdão, porque nunca pede, mas rugia de ódio, humilhada e esmagada.

O que é mais bonito do que levar um imperador a pedir perdão.

Nessa atmosfera de vitória, o grande Papa Pio IX, após ficar prisioneiro, mas mais senhor da Cristandade e da Igreja Universal do que todos os seus antecessores, entregou a sua bela alma a Deus.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra do dia 15.6.73, sem revisão do autor)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

No âmago das cancões de Natal perfeitas: fé, coragem, ternura

É a noite de Natal.

A Missa de Galo vai começar.

Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.

Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno...

É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.

O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo embaixo).

“Noite tranquila, noite silenciosa, noite santa.

“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!

domingo, 1 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma

O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição. Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.
Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
Luis Dufaur
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Em 8 de dezembro de 1854 rodeado o bem-aventurado Papa Pio IX se levantou para definir o dogma da Imaculada Conceição no esplendor da basílica de São Pedro.

Nesse momento o Santo Padre sobre quem teria descido um discreto mas perceptível raio de luz sobrenatural proclamou com voz solene e cadenciada:


”41. ... depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador.

“Por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade,

“para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus,

“para exaltação da fé católica, e

“para incremento da religião cristã,

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Na festa da Medalha milagrosa: aparições a Santa Catarina Labouré

Luis Dufaur
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Santa Catarina Labouré, no dia 21 de abril de 1830, transpôs os umbrais do noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

Ela chegou, sem sabé-lo, conduzida pela mão de São Vicente de Paula.

Primeira aparição: Nossa Senhora mostra que o mundo caminha para um desastre

Na noite anterior ao dia da festa de São Vicente, 19 de julho, Catarina ouviu uma voz que a acordava. Assim contou ela:

“Enfim, às onze e meia da noite, ouvi que me chamavam pelo nome: ‘Minha irmã! Minha irmã!’ Acordando, corro a cortina e vejo um menino de quatro a cinco anos vestido de branco que me diz: ‘Vinde à Capela; a Santíssima Virgem vos espera’.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Rimini: onde até a mula se ajoelhou ante a Eucaristia

Santo Antonio de Pádua e o milagre da mula, Joseph Heintz o jovem (1600-1678)
Basilica dei Santi Giovanni e Paolo, Veneza
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Santo Antônio de Pádua (1195 — 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas.

A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, segundo lembrou a agência Zenit.

Entre esses opositores militavam hereges cátaros, patarines e valdenses.

Na cidade italiana de Rimini, o líder do erro cátaro, de nome Bonovillo, foi particularmente insultante.

Por volta do ano 1227 ele desafiou a Santo Antônio que provasse com um milagre a presença real do Corpo de Cristo na Eucaristia.

A provocação resultou no famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou “milagre da mula”, acontecido nessa capital da Emília-Romagna.

O desafio e o milagre conseguinte ficaram consignados em vários livros históricos – entre os quais o Begninitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulouse e em Bourges.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Imagem de Nossa Senhora Aparecida
inexplicavelmente ilesa em incêndio

Dono de oficina destruída crê em milagre após imagem de Nossa Senhora resistir a incêndio
Dono de oficina destruída crê em milagre após imagem de Nossa Senhora resistir a incêndio
Luis Dufaur
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Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi a única peça que resistiu ao incêndio que destruiu uma oficina mecânica na noite de segunda-feira 4 de novembro (2019), em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), a 340 km de São Paulo, informou G1 da Globo.

Para Marco Roberto Pellegatti, 58, dono da oficina, o fato de a estatueta sair ilesa das chamas reforça sua fé em um milagre.

Ele lembra que até um extintor de incêndio próximo à imagem acabou derretido com o calor.

Havia também um botijão de gás que, apesar do fogo intenso, não explodiu. “Seria uma tragédia bem maior, a explosão do botijão faria vítimas no quarteirão”, afirma.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Melk, o berço da Áustria




Carlos Eduardo Schaffer, Correspondente - Áustria




Parece uma fortaleza ou um palácio, que surpreende e encanta a quem o vê repentinamente no alto de um penhasco.

Fixando mais atentamente a vista, parece no entanto distinguir-se junto ao parapeito alguma pessoa com hábito religioso, que meditativamente contempla o Danúbio no vale vizinho, as colinas e os campos. Estamos diante da abadia beneditina de Melk, considerada o berço da Áustria.

Em 976, Leopoldo I, da estirpe bávara dos Babenberg, recebeu do imperador Oto II, em recompensa por seus serviços, o território denominado Marca de Ostarrichi.

Leopoldo escolheu Melk como sede do governo, e enquanto ele regia o território, a seu lado os monges oravam.

A grandeza abacial e sua sabedoria irradiaram sua influência sobre vastas regiões circunvizinhas. Vinte e oito paróquias são ainda hoje atendidas por seus monges.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Indulgências na visita aos defuntos
e "Os corpos dos santos repousam em paz"

Luis Dufaur
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Indulgências na visita ao cemitério na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, ou DIA DE FINADOS (2 de novembro)


Segundo o “Manual das Indulgências – normas e concessões”, Enchiridion Indulgentiarum (3ª ed., maio de 1986). Tradução CNBB. Revisão Edson Gracindo


13.Visita ao cemitério

Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório.

Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias do ano será parcial


Normas sobre as indulgências

1. Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.

(...)

21. Parágrafo 1. A indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia. (...)

23. Parágrafo 1. Para lucrar a indulgência plenária, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial, requerem-se a execução da obra enriquecida da indulgência [N.R.: neste caso, a visita ao cemitério] e o cumprimento das três condições seguintes:

1 – confissão sacramental,

2 – comunhão eucarística e

3 – oração nas intenções do Sumo Pontífice.

(...)

23 Parágrafo 5. A condição de rezar nas intenções do Sumo Pontífice se cumpre ao se recitar nessas intenções um Pai-nosso e uma Ave-Maria, mas podem os fiéis acrescentar outras orações conforme sua piedade e devoção.


A “escada milagrosa” de São José
é verdadeiramente miraculosa?

A escada inexplicável cuja construção a piedade atribui a a São José
A escada inexplicável
cuja construção a piedade atribui a São José
Luis Dufaur
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Há na cidade de Santa Fé, no Estado do Novo México, EUA, uma capela conhecida como Loretto Chapel.

Nela destaca-se uma bela e despretensiosa escada.

A piedade tradicional atribui a construção a São José.

Mas, quem a fez? Como a fez? Ninguém consegue descifrar o mistério da "escada milagrosa".

A piedosa tradição

Em 1898 a Capela passou por uma reforma. Um novo piso superior foi feito, porém faltava a escada para subir.

As Irmãs consultaram os carpinteiros da região e todos acharam difícil fazer uma escada numa Capela tão pequena.

As religiosas, então, rezaram uma novena a São José para pedir uma solução.

No último dia da novena, apareceu um homem com um jumento e uma caixa de ferramentas. Ele aceitou fazer a escada, porém exigiu que fosse com as portas fechadas.

Meses depois a escada estava construída como queriam as Irmãs. No momento de pagar o serviço, o homem desapareceu sem deixar vestígios.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Alatri: milagre da Hóstia Encarnada ratificou o dogma da Transubstanciação

Restos da Hóstia profanada e restituída duram até hoje
Restos da Hóstia profanada e restituída duram até hoje
Luis Dufaur
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Em Alatri, Itália, o 13 março de 1228 se comemorou com nota especial o solene ato em que o Papa Inocêncio III, acompanhado pelo IV Concilio Lateranense, proclamou o dogma da Transubstanciação usando, por vez primeira, esse termo especifico e hoje obrigatório.

Naquele ano de 1228, o Papa Gregório IX publicou a Bula “Fraternitatis tuae” (13.3.1228) recolhendo os elementos essenciais do milagre eucarístico acontecido em Alatri.

Esse foi uma confirmação sobrenatural da proclamação do dogma da transubstanciação.

Um milagre que teve um efeito comparável à aparição de Nossa Senhora em Lourdes confirmando o dogma da Imaculada Conceição.

Esta verdade de Fé da transubstanciação ensina que a fórmula da consagração, pronunciada pelo sacerdote celebrante segundo prescreve o Missal, muda eficazmente a substância do pão e do vinho que passam a ser o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo.

Essa definição condenou a heresia de Berengário (filósofo e teólogo de Tours, França) que negava a transubstanciação e foi condenado por diversos Concílios.

No fim, Berengário se arrependeu e morreu reconciliado com a Igreja, mas muitos de seus sequazes continuaram com a heresia causando escândalos, lutas, cismas e desordens.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Na festa de Santa Teresinha:
impressões de um rosto inocente

Luis Dufaur
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A família Martin foi uma das muitas famílias católicas que se inscreveram nas confrarias de oração para atender os pedidos de reparação e penitência feitos por Nossa Senhora em La Salette.

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez parte delas.

No inicio de outubro, a festa desta grande santa que quis se fazer “pequena” é ocasião propícia para estas postagens em dias sucessivos.

A personalidade de Santa Teresinha numa fotografia

A esta magnífica fotografia de Santa Teresinha do Menino Jesus falta apenas o relevo, para se dizer que ela está viva.

domingo, 29 de setembro de 2019

Os Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael
na Corte Celeste

Santos Anjos, catedral de Leeds, Inglaterra
Santos Anjos, catedral de Leeds, Inglaterra
Luis Dufaur
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Na festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael (29 de setembro), o primeiro se destaca como aquele que liderou a luta contra o demônio e o precipitou no inferno.

São Miguel, chefe das legiões angélicas

Ele é o chefe dos Anjos da Guarda dos indivíduos e o chefe também dos Anjos da Guarda das instituições, especialmente da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Ele tem uma função tutelar dos homens nesse vale de lágrimas e nessa arena de luta que é a vida.

Deus quis servir-se dele como de seu escudo contra o demônio e quer que ele seja o escudo da Santa Igreja Católica contra o chefe infernal.

Mas um escudo que é gládio também.

Portanto, tem uma missão dupla e era considerado na Idade Média, o primeiro dos cavaleiros.

O cavaleiro celeste, leal, forte, puro e vitorioso como deve ser o cavaleiro que põe toda sua confiança em Deus e também em Nossa Senhora.

São Miguel é o nosso aliado natural nas lutas para defender a Civilização Cristã.

Dom Guéranger apresenta São Miguel como “o mediador da prece litúrgica. Deus que distribui, com uma ordem admirável, as hierarquias visíveis e invisíveis, emprega por opulência, para louvor de sua glória, o ministério desses espíritos celestes que contemplam sem cessar a face adorável do Pai, e que sabem, melhor do que os homens, adorar e contemplar a beleza de suas perfeições infinitas”.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A serena onipotência de Maria Auxiliadora

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Esta imagem de Maria Auxiliadora transmite uma serenidade interior toda ela decorrente da temperança.

A temperança é a virtude cardeal pela qual se tem por cada coisa o grau de apego ou o grau de repúdio proporcional.

De maneira que se é inteiramente adequado e proporcional a todas as circunstâncias e situações.

Nunca se quer nada exageradamente, ou menos do que merece; nunca se detesta algo exageradamente ou menos do que merece.

A inteira execração das coisas execráveis é ditada pela virtude da temperança.

A serenidade de alma decorrente da temperança reluz muito nesta imagem.

Mas, discretamente.

Ela é tão calma, senhora de si, pronta a tomar atitude diante de qualquer coisa; tão desapegada de si que é um símbolo do equilíbrio dado pela virtude da temperança.

Por isso mesmo tem algo de virginal.