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terça-feira, 28 de março de 2023

Volta o uniforme escolar na França

Alunas de uma das escolas da Légion d'honneur francesa
Alunas de uma das escolas da Légion d'honneur francesa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Nas Casas de Educação pública de elite na Franca como o internato de excelência Sourdun, as da Legião de Honra, seis colégios militares e muitas escolas, faculdades e escolas secundárias no exterior, o uso de uniforme passou a ser obrigatório.

Muitas personalidades francesas querem que assim seja. E, pasmem!, até a primeira dama francesa. Ela em entrevista ao jornal “Le Parisien” se declarou “pelo uso do uniforme na escola”.

O Parlamento francês discute um projeto de lei que visa estabelecer nas escolas e colégios públicos o uso de uniforme com as cores da escola.

Alunos do Lyceu de Hautefuille, região parisiense
Alunos do Lyceu de Hautefuille, região parisiense
O deputado Roger Chudeau, de Loir-et-Cher explica que “o objetivo é restaurar a dignidade do estado estudantil”.

Um projeto análogo foi apresentado no Senado O igualitarismo da Revolução Francesa que escraviza a maioria dos representantes conspira contra as propostas.

Porém essas provocaram intensas reflexões sobre o assunto e o Ministro da Educação, Pap Ndiaye, contrário à generalização do uniforme moderou sua oposição: “as escolas são totalmente livres, modificando os seus regulamentos internos, de impor uniformes escolares se assim o desejarem”.

Interrogados pelo “Le Figaro”, os dirigentes dos estabelecimentos em que o uniforme é imposto elogiam os seus efeitos.

Alunas de outra escola da Légion d'honneur francesa
Alunas de outra escola da Légion d'honneur francesa
“Nossos alunos estão lá para trabalhar. O uniforme os alivia de todas essas preocupações acessórias com roupas que podem atrapalhá-los em seu trabalho”, explica Jacques Boudy, secretário-geral da Grande Chancelaria da Legião de Honra.

E sublinha que a farda “contribui para criar um verdadeiro espírito de corpo, de equipe, e reforça o sentimento de pertença. 

Nos centros educativos da Legião de Honra, o uniforme faz parte integral da nossa pedagogia”, insiste.

Jacques Boudy e Olivier Goudal concordam que o uniforme “dá aos jovens a oportunidade de se diferenciarem de outras maneiras além das aparências.”

Generalizar o uniforme? “Não seria uma coisa ruim”, disse um chefe de estabelecimento em que o uniforme é obrigatório.

Alunos do prestigioso colégio de Cambridge, Grã Bretanha
Alunos do prestigioso colégio de Cambridge, Grã Bretanha

O uniforme escolar já é obrigatório em estabelecimentos públicos e privados da Grã-Bretanha.

Os alunos das sete escolas secundárias militares francesas frequentam a escola uniformizados.

Meninas e meninos usam uniforme em sala de aula e traje cerimonial durante grandes eventos escolares. 

As aulas são anunciadas pelo som da corneta.

O uniforme é clássico.

Para as meninas é saia ou calça preta com blusa branca, e para os meninos é calça preta, camisa e gravata preta com o blazer com o escudo da escola para todos.

As meninas têm um cardigã e meninos e meninas podem usar o suéter, completa “Le Figaro”.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Esplendor e elevação nos trajes nobres


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




As vestes das cortes diferenciavam-se por uma sapiencial gradação, desde as que se usavam nas grandes cerimônias até às vestes para os afazeres ou despachos quotidianos.

A etiqueta e o protocolo respeitavam essa variedade de circunstâncias.


Exemplos de roupa de corte para a vida diária são as de veludo verde com guarnições douradas, portada pelo imperador russo Alexandre I, e as do mesmo imperador no tempo em que era príncipe herdeiro, em vermelho coral [foto].

Seguiam a moda da França nos tempos de Luís XVI. Também servem como exemplo as roupas de caça oferecidas por Luís XV a Cristian VII, rei da Dinamarca, em 1768.

Não só os grandes nobres participavam desse deslumbramento.

Beneficiavam-se também os membros dos diversos graus da nobreza e da burguesia européia, e ainda as incipientes nobrezas americanas.

Um exemplo é a robe parée encomendada em Paris por uma dama canadense em 1780 [foto ao lado].

O esplendor das cortes descia para todas as classes sociais, numa cascata de beleza e dignidade que as elevava.

Um exemplo comezinho disso são as librés concedidas a criados e funcionários dos palácios, como a libré da casa real francesa, em uso quatro anos antes que a Revolução Francesa, movida pelo ódio contra toda hierarquia e nobreza, a abolisse em nome da igualdade.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Alunos de Oxford não abrem mão de uniforme académico semelhante ao fraque

Alunos querem o subfusc todos os dias em Oxford
Alunos querem o subfusc todos os dias em Oxford



Tradição é tradição e as novas gerações gostam dela.

Um fato característico aconteceu na Universidade de Oxford, Grã-Bretanha, fundada na Idade Média, onde nas ocasiões importantes os alunos usam obrigatoriamente o academic dress, e no quotidiano o subfusc, semelhante ao fraque.

O jornal dos estudantes The Oxford Student entrevistou os alunos sobre a oportunidade de abolir esse vestígio medieval, adaptado através dos séculos. Sete de cada dez responderam que não querem renunciar ao uniforme escuro tradicional.

Em 2006 um grupo tentou aboli-lo através de um referendo, mas a proposta foi recusada por 81% dos alunos.

Oxford é um laboratório do futuro, da modernidade e do progresso, mas continua sendo um zeloso cultor do antigo bom tom, comentou o jornal de Milão Il Corriere della Sera.

Chegaram o Facebook e o Twitter, e ainda continua chegando toda espécie de coisa moderna. Porém, o uniforme subfusc não é abandonado, seja por nostalgia, orgulho ou alegria.

Quem disse – pergunta  Il Corriere della Sera – que as novas gerações são alérgicas à tradição?

Os estudantes se mostram assim tradicionalistas, responde o jornal. E também revolucionários, porque hoje a tradição com raízes na Idade Média inverte as tendências.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Esplendor e catolicidade das vestimentas das cortes reais

Paris ‒‒ A mão é de um adolescente apenas saído da infância. Delicada e régia, franzina e forte, envolvida em rendas e sedas, pérolas e pedras preciosas, esboçando um gesto discreto mas soberano, a mão de Luís XIV na idade de assumir o trono foi o símbolo escolhido pelos organizadores da exposição “Fastos de corte e cerimônias reais”, que teve lugar no palácio de Versalhes [foto].

A mostra ressaltou o espírito aristocrático na Europa dos séculos XVII e XVIII, expondo desde vestimentas para grandes ocasiões, como coroação de reis e bodas reais, até peças usadas por monarcas, nobres e ricos-homens, passando por uma variedade sutil de situações intermediárias.

Mistura de vida de família e de atividade pública de governo, a vida de corte era refinada e exigente.

Eis logo na entrada as roupas usadas por Jorge III da Inglaterra no dia de sua coroação em 1761, graciosamente emprestadas a Versalhes pela sua descendente, a rainha Elisabeth II [foto].


O traje é todo bordado com fios de ouro, eclipsado pela impressionante cauda em veludo vermelho e arminho.

O conjunto é de uma pompa soberana, e só foi usado para a cerimônia religiosa e temporal da unção do rei, realizada na abadia de Westminster soberbamente enfeitada, repleta de nobres, autoridades e representantes dos órgãos sociais intermediários do reino.

Nesses trajes, coroado e levando nas mãos o cetro e o globo, o novo rei era como um hífen entre Deus, fonte de todo poder, e o povo inglês. Nenhuma proporção com a esquálida cerimônia de posse de um presidente da República nos dias de hoje...

* * *

No mesmo salão foram expostas, lado a lado, as vestimentas do príncipe herdeiro da Suécia, Gustavo III, e de sua consorte, a rainha Sofia Madalena, no dia da coroação, 29 de maio de 1772.


Ambas ornadas de ouro e prata, as do novo rei vinham do garde-robe de seus antepassados, mas reformadas segundo um estilo aproximado ao de Luís XIV [foto ao lado]; e as da nova rainha também provinham de uma reforma de modelos antigos, com forte influência espanhola.

As cores branca e prateada representavam a luz divina, a pureza, a inocência e a perfeição. No vestido da rainha sobressai uma cauda de 5 metros, presa ao corpo com botões de prata maciça.



Outro grande acontecimento da vida de corte eram as reuniões periódicas das Ordens de Cavalaria.

Ainda hoje ocorre anualmente a da Ordem da Jarreteira, na Grã-Bretanha, em que se usam uniformes como o do rei Jorge III, porém com adaptações.


Pomposo é o uniforme da Ordem do Espírito Santo, criada pela Casa real da França.

Porém nenhuma Ordem real atingiu a categoria e o prestígio da Ordem do Tosão de Ouro[foto].

Criada em 1430 por Filipe o Bom, duque de Borgonha, tinha como finalidade suprema a defesa da fé cristã.

continua no próximo post


(Fonte: Marcelo Dufaur, "Catolicismo", outubro 2009)

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