quarta-feira, 24 de junho de 2020

Tradição, requinte e perfeição: fórmula do sucesso tranqüilo da Patek Philippe

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








As guerras e os desabamentos econômicos não abalaram a tradicional casa suíça de relógios de luxo Patek Philippe.

A casa não entrou na ciranda da globalização, das fusões e aquisições visando uma expansão ilimitada.

A Patek Philippe foi fundada em 1839 e ficou estritamente familiar. Hoje tem tantos clientes que não consegue atende-los, mas não pretende mudar.

A produção é de 42 mil relógios por ano. Cada um deles leva, em média, nove meses para ser concluído.

Os preços são dos mais altos, mas os compradores querem uma marca tradicional e um objeto que passe de pai para filho como um símbolo da continuidade familiar.

No Brasil, todos os exemplares são vendidos cada ano.

A altíssima qualidade, a sobriedade e bom gosto dos relógios transforma-os, além do mais, em peças de coleção revendidas em leilões a preços milionários.

São objetos propriedade de uma família que se transmitem por tradição de geração em geração.

É um fruto do requinte e da perfeição desenvolvidos na Europa sob o bafejo da Civilização Cristã.


terça-feira, 16 de junho de 2020

Enterrado como rei

Confraria de Les Charitables leva o busto de Santo Eloi em procissão
Confraria de Les Charitables leva o busto de Santo Eloi em procissão
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na cidade de Béthune, no norte da França, há 800 anos a Irmandade dos Charitables de Saint-Éloi dá cristã sepultura aos mortos em que ninguém quer tocar.

Não faz diferença entre ricos e pobres. Não há pompas fastuosas nem imponentes cortejos, mas apenas uma confraria medieval, que hoje usa roupas que evocam os tempos napoleónicos, segundo descreveram “Le Figaro”, “Clarín” e ainda outros grandes órgãos de imprensa impressionados com o caso. Como o britânico “The Guardian” , os franceses “Le Point”  e “La Croix international”

Na cidade, quase 90% dos enterros é feita pela Irmandade e “é exceção quando uma família não recorre a nós”, diz o seu Robert Guénot.

Guénot, com 72 anos de idade, não temeu enfrentar a pandemia, que é apenas mais uma das que passaram pelos oito séculos de história dos Caridosos de Santo Elói.

Nem o temor do coronavírus os fez arredar.
Nem o temor do coronavírus os fez arredar.
Eles iniciaram esta obra em 1188, durante a calamitosa Peste Negra que devastou Europa naquela época, chegando a exterminar até a metade dos moradores de algumas cidades. Seu lema é “Exatidão, União, Caridade”.

À época, em Béthune “havia tantos mortos que as pessoas não ousavam tocá-los e os cadáveres empestavam ainda mais cidade”, evoca Guénot.

Os ferreiros Germon, da cidade de Beuvry, e Gauthier, da cidade de Béthune, tiveram um mesmo sonho em que seu padroeiro Santo Elói lhes apareceu pedindo: “Forme uma instituição de caridade para enterrar os cadáveres”.

Tratava-se do bispo mártir, também denominado Eloy ou Elígio (588- 660), monge famoso como conselheiro do rei Dagoberto, e também pela sua penitência, caridade em relação aos necessitados, além de ter conseguido muitas conversões, e empreendido fundações. Ele possuía o dom das lágrimas.

Os dois ferreiros não sabiam como proceder, mas se encontraram na fonte do parque de Quinty, como ordenara o santo nos respectivos sonhos.

Missa dos irmãos
Missa dos irmãos
Decidiram começar do nada. Logo apareceram novos candidatos, e até hoje o sonho sobrenatural prossegue rendendo admiráveis frutos de misericórdia.

A Irmandade passou por momentos em que outros com menos virtudes teriam desistido de vez.

Na igualitária e anticristã Revolução Francesa, os “Charitables” foram proibidos pelos revolucionários, mas deram continuidade ao seu apostolado secretamente ainda quando, em represália “republicana”, três de seus membros foram decapitados pelo Terror.

A confraria recuperou a legalidade sob Napoleão, e em homenagem ao imperador mudaram o tricórnio pelo bicórneo.

A Irmandade hoje é secular, e talvez por isso mesmo ficou isenta das devastações progressistas da revolução eclesiástica pós-conciliar.

Há 800 anos a 'Confrerie Les Charitables' enterram os mortos. Mas nunca nem eles nem suas casas sofreram contágios, pela promessa de Santo Eloi
Há 800 anos a 'Confrerie Les Charitables' enterram os mortos.
Mas nunca nem eles nem suas casas sofreram contágios, pela promessa de Santo Eloi
Mas ela permanece ligada ao santo padroeiro, às suas procissões e missas, e à sua igreja, cujos vitrais, bem como a capela de Santo Elói, refletem a caridosa tarefa dos “Caridosos”.

Eles são a honra da cidade. Receberam a Legião de Honra no final da Segunda Guerra Mundial por terem desobedecido aos alemães que lhes vetaram enterrar 100 combatentes franceses mortos no bombardeio de um hangar, onde resistiam.

Um a um, eles os carregaram todos do prédio destruído para o cemitério. Seus enterros são solenes, mas sempre gratuitos: prefeitos e sem-teto fazem esta sua última ‘viagem’ carregados em seus braços.

Hoje, são cerca de 30 membros e quase uma dúzia não está aposentada”. Guénot explica que foi ele quem decidiu seguir em frente quando o coronavírus chegou.

No departamento de Pas de Calais há 40 irmandades como a de Béthune, mas ela é uma das poucas que continuaram a trabalhar com a epidemia COVID-19.

Os uniformes devem estar impecáveis
Os uniformes devem estar impecáveis
O encontro dos “Charitables” acontece na porta do cemitério.

O reitor e o “chéri”, encarregado de organizar a cerimônia, são os primeiros a chegar. Eles também mantêm a carroça preta na qual transladam o caixão.

Pouco a pouco, os Irmãos chegam vestidos com o uniforme correspondente, que agora lhes acresce um detalhe circunstancial: as máscaras.

Em suas casas eles se vestem com parcimônia solene e suas esposas são responsáveis de que os uniformes estejam impecáveis.

O “chéri” confere para que não haja desleixos, caso contrário, no final do serviço, imporá uma sanção de 50 centavos a quem incorreu em alguma falha do estrito protocolo.

Quando o jornalista chegou haveria o enterro de Raimunda, 92 anos, que morreu de coronavírus. Os parentes de Raimunda vieram de Lille, e recorreram à fraternidade por um motivo especial:

“Meu avô morreu há 40 anos e também foi enterrado por eles. Eu julgo ser uma boa homenagem o fato de eles estarem aqui agora para o enterro de minha avó”, diz o neto da falecida.

Os “Charitables” se colocam ao redor do carr,o e quando o motorista da funerária abre a porta traseira, Guénot diz algumas palavras em oração.

Com ritmo lento de procissão, eles penetram com firmeza pelo portão do cemitério, seguidos pela família em cortejo.

Houve receio de alguns dos confrades diante do coronavírus, mas se verificou uma vez mais a antiga promessa sempre cumprida: Santo Elói os protege de todas as infecções, a eles e às suas casas.

Nenhum membro da comunidade foi vítima de uma epidemia atribuível ao corpo de defuntos no desempenho de suas funções.

Prestam honras ao defunto sem pedir nada em troca
Prestam honras ao defunto sem pedir nada em troca
Na cova aberta, ao lado do marido falecido em 1981, o nome de Raimunda já aparece gravado na lápide.

Na mesma fila, vários túmulos guardam os restos de homens da região representados por pequenas estátuas de mineiros esculpidos, muitos deles falecidos antes dos 50 anos de idade.

Ao lado deles, o nome de suas mulheres aparece apenas com a data de nascimento e um roteiro aberto. A de Raimunda, há 39 anos que estava preparada, mas outras tumbas aguardam mais de 40 anos para ser fechadas...

O último a ingressar na Irmandade foi Patrick Tijeras, filho de imigrantes espanhóis, que aos 55 anos trabalha na logística.

“O que me levou a entrar na Irmandade é a elegância do que ela representa, a dignidade da morte. Reconhecemos a dignidade da vida, da doença e, às vezes, esquecemos que a morte também existe para todos’, disse ele.

“Não estamos lá para julgar quem foi bom ou ruim, mas para lhe dar uma cerimônia nobre, como a um rei. Em Béthune, todos eles serão reis um dia”, diz Tijeras.

ESPÍRITO DE FÉ VS LAICISMO

Nas épocas católicas o transporte fúnebre era feito à mão, por personagens que caminham com fisionomia compungida e passo cadenciado.

O aspecto de conjunto do cortejo é grave e solene, exprimindo adequadamente a terrível majestade da morte.

Costumes sociais deste feitio manifestam bem que o homem tomava perante a morte uma atitude de cristão, nem fugia dela espavorido, nem procurava disfarçar sob aparências anódinas o que ela tem de terrível.

É que o filho da Igreja crê na Redenção e na Ressurreição.

(Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo” nº 11, novembro de 1951)

A sede da Irmandade está incluída no roteiro turístico da cidade. O Prefeito, qualquer que seja sua cor política, respeita essa tradição e cobre as despesas com doações das famílias do falecido e da Prefeitura.

“Quem ingressa vem até nós de boca em boca. Muitos pensam que a irmandade é algo elitista, e isso não é verdade”, diz Guénot.

A fraternidade não teme sofrer as críticas dos homens sem fé: é acusada de ser coisa dos antigos e de católicos.

Entretanto, eles formam a última escolta, aqueles que cantam o último adeus para aqueles que deixam este mundo.

E lá vão eles, dando “uma cerimônia nobre, como a um rei” a quem quer que seja, sem recursos ou coberto de ouro, sob bombas alemãs ou sob o jugo invisível da pandemia.

Uma glória acumulada de oito séculos por iniciativa de um sonho de Santo Elói, e sob a bênção protetora dele, desde a Idade da Luz, da civilização cristã medieval.


Confraria inspirada por Santo Eloi enterra até aqueles em que ninguém quer tocar
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Em inglês:
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terça-feira, 9 de junho de 2020

São Miguel Arcanjo: Príncipe da Milícia celeste,
poderoso escudo contra a ação diabólica

Luis Dufaur
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A invicta combatividade em defesa do Deus onipotente por parte do glorioso São Miguel, é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

E o Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

São Miguel é comumente designado como Arcanjo.

Entretanto, tal qualificação pode ser genérica e não significar que ele pertença ao oitavo coro de Anjos (os Arcanjos).

A esse respeito, merece ser reproduzida significativa citação do grande exegeta jesuíta Pe. Cornélio A Lapide, nascido em Bocholt, província belga de Limburgo, em 1567, e falecido em Roma, a 11 de março de 1637.

A extensa obra desse insigne autor, que comentou todos os livros do Antigo e do Novo Testamento, é até hoje universalmente admirada.

Merecem especial destaque a grande erudição, a escrupulosa diligência e o luminoso engenho com que ele trata da Sagrada Escritura.

Embora num ou noutro ponto do texto bíblico tenham surgido novas questões, é incontestável que seus magníficos comentários e eruditas citações ainda hoje gozam de autoridade.

Eis suas palavras:

“Muitos julgam que Miguel, tanto pela dignidade de natureza, como de graça e de glória é absolutamente o primeiro e o Príncipe de todos os anjos.

“E isso se prova, primeiro, pelo Apocalipse (12, 7), onde se diz que Miguel lutou contra Lúcifer e seus anjos, resistindo à sua soberba com o brado cheio de humildade: ‘Quem (é) como Deus?’ 

São Miguel Arcanjo, catedral de Bruxelas
São Miguel Arcanjo, catedral de Bruxelas
Portanto, assim como Lúcifer é o chefe dos demônios, Miguel o é dos anjos, sendo o primeiro entre os Serafins.

“Segundo, porque a Igreja o chama de Príncipe da Milícia Celeste, que está posto à entrada do Paraíso.

“E é em seu nome que se celebra a festa de todos os anjos. Terceiro, porque Miguel é hoje cultuado como o protetor da Igreja como outrora o foi da Sinagoga.

“Finalmente, em quarto lugar, prova-se que São Miguel é o Príncipe de todos os anjos, e por isso o primeiro entre os Serafins, porque o diz São Basílio na Homilia De Angelis: ‘A ti, ó Miguel, general dos espíritos celestes, que por honra e dignidade estais posto à frente de todos os outros espíritos celestiais, a ti suplico...’”

(fonte: Cornélio A Lapide, Commentaria in Scripturam Sacram, t 13, pp. 112-114. Apud "Catolicismo", setembro de 2000.



Cânticos para a festa de São Miguel Arcanjo: 

Introito “Benedicite Dominum"


Laudate Deum omnes Angeli


Stetit angelus (Alleluia)


Benedicite omnes angeli (Comunhão)



terça-feira, 2 de junho de 2020

Esplendor e elevação nos trajes nobres


Luis Dufaur
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As vestes das cortes diferenciavam-se por uma sapiencial gradação, desde as que se usavam nas grandes cerimônias até às vestes para os afazeres ou despachos quotidianos.

A etiqueta e o protocolo respeitavam essa variedade de circunstâncias.


Exemplos de roupa de corte para a vida diária são as de veludo verde com guarnições douradas, portada pelo imperador russo Alexandre I, e as do mesmo imperador no tempo em que era príncipe herdeiro, em vermelho coral [foto].

Seguiam a moda da França nos tempos de Luís XVI. Também servem como exemplo as roupas de caça oferecidas por Luís XV a Cristian VII, rei da Dinamarca, em 1768.

Não só os grandes nobres participavam desse deslumbramento.

Beneficiavam-se também os membros dos diversos graus da nobreza e da burguesia européia, e ainda as incipientes nobrezas americanas.

Um exemplo é a robe parée encomendada em Paris por uma dama canadense em 1780 [foto ao lado].

O esplendor das cortes descia para todas as classes sociais, numa cascata de beleza e dignidade que as elevava.

Um exemplo comezinho disso são as librés concedidas a criados e funcionários dos palácios, como a libré da casa real francesa, em uso quatro anos antes que a Revolução Francesa, movida pelo ódio contra toda hierarquia e nobreza, a abolisse em nome da igualdade.

Não menos pomposa é a dos servos da casa real da Suécia em 1751 [foto embaixo].

No Ancien Régime, período em que se concentra a exposição, as cortes da Europa não apenas se inspiravam na corte francesa, mas mandavam confeccionar em Paris as melhores vestimentas, que depois ficaram guardadas como preciosas relíquias culturais.

Da França, porém – tremendamente castigada pelo ódio destruidor da Revolução Francesa, que incendiou palácios e toda espécie de bens dos reis e da nobreza em geral – nada ficou para ser exposto, a não ser quadros nos quais aparecem as vestimentas da corte de Versalhes.

Após 1789, a feiúra republicana foi tomando conta da vida pública. A vida de família foi separada da vida oficial, e esta ficou em mãos de grupos partidários.

* * *

Na visita à exposição, com facilidade perde-se a noção do tempo e também da época.

Aquelas vestimentas, cuidadosamente iluminadas num décor de sombras, falam de um mundo feérico, de uma imagem temporal do que pode ser a glória celeste que envolve os santos no Céu.

Com efeito, aquele prodigioso conjunto de trajes é um dos tantos frutos da civilização cristã, modelada pela Igreja.

Predispõe as almas à prática das virtudes e proporciona-lhes um antegozo, que as convida a desejar a vida eterna no Paraíso Celeste.

(Fonte: Marcelo Dufaur, "Catolicismo", outubro 2009)

terça-feira, 26 de maio de 2020

Hóstias consagradas em 1936
estão como se tivessem sido feitas ontem

As hóstias consagradas há mais de 80 anos na âmbula de cristal em que são hoje adoradas
As hóstias consagradas há mais de 80 anos
na âmbula de cristal em que são hoje adoradas
Luis Dufaur
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Quando no domingo 24 de novembro de 2013 o bispo de Getafe, na região de Madri, D. Joaquín Maria López de Andújar y Cánovas del Castillo, comungou um pedacinho das hóstias veneradas como milagrosas, deu como julgamento canônico final: “Certifico que a forma que provei está como se tivesse sido feita recentemente”.

Mas essa hóstia fora consagrada precisamente o dia 16 de julho de 1936, festa de Nossa Senhora do Carmo, dois dias antes do início da Guerra Civil espanhola!

Essa guerra desencadeou uma perseguição comunista contra as hóstias que pareceria cinematográfica se não fosse verdadeira, da qual o Santíssimo Corpo de Cristo saiu indene e os perseguidores foram derrotados.

As referidas hóstias são hoje adoradas numa âmbula de cristal existente no nicho central de belo altar da igreja de San Millán, no alto de uma elevação de Moraleja de Enmedio, localidade a 21.96 km da capital espanhola ou a 28 km pela autoestrada.

Trata-se um pequeno município de 5.000 habitantes, pertencente à diocese de Getafe, no sul da Comunidade de Madri, quase uma periferia da capital.

Os fiéis de Moraleja não hesitam chamá-lo de “milagre”, mas por prudência a Igreja o denomina “prodígio” enquanto aguarda o pronunciamento final da Santa Sé.

16 hóstias intactas há mais de 80 anos

A pequena âmbula que guardava as hóstias nos esconderijos
A pequena âmbula que guardava as hóstias nos esconderijos
São 16 hóstias consagradas que se conservam assombrosamente intactas, após passarem mais de 80 anos pelas condições mais adversas e inverossímeis para fugir da profanação dos socialistas-comunistas.

O bispo D. Joaquín Maria López, acima citado, tampouco duvida e declarou ao site Religión en Libertad: “O protocolo da Igreja requer uma investigação científica, que inclui fazer uma ata do fato histórico e a comprovação de que as Sagradas Formas não se corromperam sem explicação científica”.

O bispo se referia a uma “análise química de laboratório para se comprovar que continua sendo pão e, portanto, que a presença real de Jesus Cristo, a presença Eucarística se perpetua”.

“Mas consta que as sagradas formas passaram por circunstâncias climáticas adversas e não se corromperam”, como ele próprio experimentou comungando uma delas.

O mesmo bispo acrescenta: “Meu predecessor, monsenhor Pérez y Fernández-Golfín, primeiro bispo da diocese, e eu mesmo, comprovamos consumindo algumas formas, que elas conservam as características próprias (chamadas ‘acidentes’) de pão elaborado recentemente”.

A incrível salvaguarda em condições adversas

A pequena âmbula onde estavam as formas e o pano que a recobria sofreram uma notável deterioração notável. Acresce-se que a âmbula não fecha hermeticamente, de modo que não houve um efeito ‘câmara de vazio’, tendo ficado escondida durante a Guerra Civil num telhado exposto às inclemências e a mudanças de temperatura”, salientou o bispo.

As hóstias no altar principal.
As hóstias no altar principal.
O Pe. Jesús Maria Parra Montes, pároco de San Millán, contou que o Pe. Clemente Díaz Arévalo, pároco em 1936, consagrou aproximadamente cem hóstias, das quais sobraram 24 após a Missa, que ele guardou numa pequena âmbula.

Quando soube que os milicianos comunistas viriam profanar a igreja, retirou-a do templo.

Em 1942, passada a Guerra, as testemunhas presenciais lavraram o histórico daqueles dias de perseguição, as mudanças de esconderijo, que incluiu, além de um telhado, uma adega onde o cibório ficou enterrado durante mais de setenta dias a 30 centímetros de profundidade.

O Pe. Clemente, o pároco, se escondia num morro disfarçado de pastor.

Quando os comunistas foram expulsos, os fiéis voltaram aos locais, achando-os no maior caos.

Desenterraram a âmbula e verificaram que estava totalmente enferrujada e que a umidade consumira seu banho de prata. Porém as 24 formas estavam em perfeito estado.

Dois capelães castrenses de um tercio (unidade militar equivalente a batalhão ou regimento) de requetés (monarquistas legitimistas) souberam da história e celebraram uma primeira missa na escola porque da igreja só restaram ruínas.

Igreja de San Millán, testemunha do prodígio eucarístico
e onde se conservam as sagradas formas.
Comungaram duas das hóstias e ficaram surpresos porque pareciam novas quatro meses após a consagração.

Depois comungaram uma terceira, tendo as 21 restantes sido conduzidas em procissão solene quando da restauração da igreja e de sua reabertura ao culto.

Elas foram conservadas no sacrário da igreja em uma âmbula lacrada, explica o pároco Pe. Jesús Maria, “Muito de vez em quando – a última foi em 2009 e a anterior em 1978 – abria-se a âmbula para ver se ainda estavam em bom estado, e sempre estavam perfeitas”.

Com a passagem do tempo, mais cinco hóstias foram consumidas na Comunhão em ocasiões especiais, restando hoje 16.

Milagres em crianças por nascer

Em 2011 Celia tinha 33 anos quando ficou grávida de gêmeas, tendo sofrido por decisão médica um parto induzido no “limite mínimo” para os bebês com apenas 24 semanas de gestação.

Uma delas faleceu com poucos meses e a outra foi operada do coração na incubadora. O Pe. Jesús Maria recorda que os médicos prognosticavam a sua morte.

A âmbula de cristal.
A âmbula de cristal.
Foi então que a família e os paroquianos encomendaram o caso ao ‘milagre eucarístico’ e a criança ficou tão bem que sequer teve sequelas ou problemas, segundo confirmam os relatórios médicos, enquanto a mãe atribui a cura a um evidente milagre.

O atual pároco, Pe. Jesús Parra, conta ainda o caso de uma menina que nasceria sem extremidades, mas que veio à luz em perfeito estado pelas súplicas às hóstias ‘milagrosas’, segundo publicou o Servicio de Información Católica.

A profecia do bom pároco

Um fato admirável associado ao prodígio eucarístico e anterior a ele ocorreu em 1935, quando morreu com fama de santidade o pároco anterior de Moraleja, Pe. Roberto García Trejo.

Na hora de sua morte, conta o Pe. Parra, ele “exibiu uma expressão de enorme felicidade. Perguntaram-lhe então: ‘o que vês? Ele respondeu: vejo um milagre na igreja e pessoas peregrinando para vê-lo’. Depois, quando se soube do prodígio das sagradas formas, muitas pessoas se lembraram do sacerdote”.

Há agora sinais de que a profecia do pároco começa a se efetivar com as romarias das paróquias de Móstoles e de Villanueva de la Cañada.

Além de muitas pessoas que se aproximam individualmente.

Arriscaram a vida pela Eucaristia e ninguém morreu
Altar com as hóstia na ambula de cristal.
Altar com as hóstia na ambula de cristal.

Os habitantes de Moraleja de Enmedio atribuem ao ‘prodígio’ outro milagre: nenhum deles morreu por causa da Guerra Civil 1936-1939 que, entretanto, fez por volta de 300.000 mortos.

O bispo Joaquín Maria explica que “os habitantes associam isso a uma proteção especial de Nosso Senhor que, por terem guardado e protegido a Eucaristia durante os duros anos da Guerra, Jesus os protegeu especialmente”.

A cidade sofreu muito durante o longo e violento assalto de Madri, recebendo vários bombardeios aéreos. No entanto, as bombas que caíam nunca explodiam.

“Não é possível humanamente — diz o bispo — demonstrar a conexão entre a guarda clandestina das Sagradas Formas incorruptas e a ausência de desgraças aos filhos do povo durante a Guerra Civil, mas é indubitável que ambos os acontecimentos coincidiram no tempo e no espaço”.

O bispo de Getafe sublinha “tratar-se sem dúvida de uma prova da transubstanciação ou mudança da substância de pão normal em Corpo e Sangue de Cristo eucarístico, mantendo as aparências, de cor, sabor, etc.”.

O prodígio eucarístico de Moraleja de Enmedio: falam as testemunhas.
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terça-feira, 12 de maio de 2020

Na mesa se decide o fracasso ou o triunfo familiar e social

Comer em família é indispensável sem invasão digital
Comer em família é indispensável sem invasão digital
Luis Dufaur
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Num lar típico de advogados bem sucedidos em Buenos Aires os pais e os filhos não tomavam as refeições reunidos. Reinavam smartphones, tablets, laptops ou TV de plasma.

Os pretextos ou alegados eram muitos: horários de trabalho ou escola, atividades diversas intensas, etc. Até que a família pensou voltar a partilhar as refeições.

Não foi fácil pois os filhos nem sabiam dialogar e cada um comia o que pediu ao delivery, explicou “La Nación”.

Então experimentaram ao vivo o que ouviram de muitos psicólogos especialistas em vida social: quando a mesa familiar não é partilhada como é natural, o desenvolvimento social crianças e adultos sofre um impacto negativo.

Comer com as telas ligadas destrói a coesão da família
Comer com as telas ligadas destrói a coesão da família
O aspecto positivo da mesa não se limita à qualidade dos alimentos, mas ao mais importante que é a construção de vínculos, de modos de relacionar, de conversas onde aparece o espírito familiar o mais apreciado, saboroso e satisfatório relacionamento humano.

É o que explica Denise Beckford, psicóloga especializada em crianças e adolescentes numa perspectiva social e familiar.

O convívio na mesa é tão insubstituível que numa situação normal não há nada que o possa suspender: nem chuva, nem eventos especiais.

É o momento em que cada um partilha o que experimentou, manifesta o que leva na alma e o conversa com os demais membros da família gerando uma unidade que vai até o mais fundo da alma.

Numa casa de família (os nomes não são mencionados para respeitar a privacidade) em que as refeições familiares são hábito adquirido os filhos exibem uma educação aprofundada.

No relacionamento na mesa se decide o futuro da família e do sucesso social.
No relacionamento na mesa se decide o futuro da família e do sucesso social.
“É o momento da comunicação, de falar de emoções e projetos, ensinar bons modais”, destaca a mãe que é advogada e precisamente diretora de um centro de assessoramento de imagem.

Que imagem passará um advogado, profissional ou juiz que na hora de um almoço de trabalho não sabe pegar no garfo?

O pai, especialista em direito impositivo, explica o valor de seus filhos verem uma mesa bem arrumada, bem servida, onde além de todos os elementos básicos (toalhas, guardanapos, conjuntos de pratos, copos e talheres), acrescentam flores naturais ou outro ornamento.

Quem se acostumou a uma mesa caótica não apresentará orçamentos ou relatórios ordenados.

Quando a gente se olha e conversa aprende a ser chamado pelo nome, escutado, reconhecido por outro, desenvolve a imagem de si próprio e ganha estrutura psicológica para assumir desafios e se desenvolver na sociedade”, explica Leticia Arlenghi, especializada em terapia Gestalt nos EUA, Argentina e Chile.

O contato das almas não pode ser alterado pelo equipamento digital tocando a toda hora
O contato das almas não pode ser alterado pelo equipamento digital tocando a toda hora
As situações de violência que estamos vendo resultam de uma comunicação verbal paupérrima, falida, que começou na mesa, o momento neurálgico do intercambio familiar. Os adolescentes não sabem se expressar com palavras, então apelam aos golpes”, opina Eva Lúcia Branda, cerimonialista do Centro Delfina Mitre Espacio Cultural.

Ela se senta com toda a família numa mesa em que celulares e TV desligada são condições inegociáveis para uma vida familiar bem sucedida.

Em 2011, após 17 anos de estúdio, o Centro Nacional sobre Adições e Abuso de Drogas da Universidade de Columbia, EUA, concluiu que se pode evitar o risco da narco-dependência aumentando o número de vezes em que a família come unida.

O trabalho se titula “A importância das refeições familiares” e constata que os adolescentes que partilham menos de três refeições familiares por semana são duas vezes mais propensos ao álcool; duas vezes e meia à maconha e quatro vezes mais ao tabaco e/ou alguma droga pesada no futuro.

Isso em comparação com os jovens que almoçam ou jantam com os pais em pelo menos cinco ou sete ocasiões por semana.

Smartphones na mesa bloqueiam a sociabilidade.
Smartphones na mesa bloqueiam a sociabilidade.
Comer em família fortalece as relações entre pais e filhos afastando esses riscos de adições.

A Pediatric Academic Society Meeting, congresso internacional anual de sociedades pediátricas mundiais concluiu que as crianças que partilham a mesa com os pais são melhor sucedidas na carreira acadêmica além de exibirem bom equilíbrio emocional e serem menos propensos ao bullying.

A mesa é um ponto crucial nos negócios. “Se você não sabe se comportar, pegar os talheres, etc., a negociação perde seriedade”, explica a consultora em Protocolo Internacional e Imagem, Karina Vilella.

Paradoxalmente, no instituto dela, a maioria dos alunos são profissionais de entre 30 e 40 anos que procuram dar um salto qualitativo e querem aprender as boas regras na mesa”.

Vilella completa: “como é que a gente percebe que alguém é um bom pai? É quando o filho lhe pergunta enquanto comem ‘como te foi hoje?”.

Na mesa da família errada, todos estão submersos no celular e são insensíveis ao que aconteceu com o outro, conclui a diretora do Centro de Diplomacia Karina Vilella.


quinta-feira, 30 de abril de 2020

Festa de São José: príncipe da casa de David

São José, Mosteiro da Luz, São Paulo

Luis Dufaur
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O grande São José, nascido de família ilustre, arrasta no entanto uma existência obscura que, contrastando com o brilho da sua origem, o colocou na mais baixa camada da sociedade de seu tempo.

Escasseiam-lhe os dotes naturais com que os homens se fazem grandes.

Não dispõe de exércitos nem de súditos, que levem ao longe a glória de seu nome.

Não dispõe do dinheiro para galgar as altas posições.

Vive humilde e desconhecido, à sombra do Templo majestoso que erguera David, no próprio país em que reinara a sabedoria de Salomão.

São José, escola de Cusco, século XVIII
No entanto, brilha nele a chama da caridade.

Um intenso amor de Deus, uma espiritualidade e uma vida interior admiráveis fazem de sua alma objeto da complacência da Santíssima Trindade.

E este homem humilde é chamado a co-participar de modo direto em acontecimentos dos quais decorreriam os mais notáveis fatos da História — por exemplo, na Redenção do mundo.




segunda-feira, 27 de abril de 2020

São Luis Grignion de Montfort e a escravidão de amor a Nossa Senhora

Estatueta representa ao Santo escrevendo o Tratado  sobre a escrivaninha que ele usou. St-Laurent-sur Sèvre
Estatueta representa ao Santo escrevendo o Tratado
sobre a escrivaninha que ele usou. St-Laurent-sur Sèvre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O Tratado da Verdadeira Devoção é geralmente reconhecido como um dos mais importantes trabalhos que jamais se tenha escrito sobre Nossa Senhora.

A Santa Sé declarou de forma expressa, explícita e oficial, nada ter aquele livro que colida com o pensamento da Igreja.

É, pois, com apoio nessa garantia de supremo valor que se deve considerar e examinar a grande obra daquele grande Santo. (...)

É raro encontrar um livro que, de modo mais patente, tenha os dois predicados, o de esclarecer a inteligência, e o de estimular a sensibilidade, do que o de São Luis Grignion de Montfort.

Seu Tratado é uma verdadeira tese, com lampejo de polêmica.

A argumentação é sólida, substancial, profunda.

Jamais se nota nele que um arroubo de amor venha perturbar a indefectível serenidade e justeza do pensamento.

Sua profundidade chega a ser tal que frequentemente os leitores não iniciados na Teologia têm de fazer um sério esforço de inteligência, para o compreender.

Mas em compensação não há uma só frase inútil ou sem sentido em seu livro.

Todas as palavras têm seu valor exato e calculado.

E todos os conceitos geram convicções claras e profundas, que não despertam apenas sobressaltos de sensibilidade em momentos em que nosso temperamento se mostra propício a isto, mas ideias luminosas e substanciosas, que geram aquele amor sério e sólido, capaz de sobreviver heroicamente às mais implacáveis aridezes da vida espiritual.

Em cada ponta de frase, o Beato Grignion de Montfort deixou gotejantes o suor de sua inteligência e o sangue de seu coração.

Sua argumentação, se é lúcida, está longe de ser fleumática.

Pelo contrário, é apaixonada, ardente, comunicativa.

São Luis Grignion de Montfort
São Luis Grignion de Montfort
A cada demonstração vitoriosa, seu escrito toma acentos de gritos de triunfo e de júbilo. Sua linguagem lembra a de São Paulo.

E por isto o grande Faber disse da obra de Grignion de Montfort que depois das Escrituras Sagradas, nada se escreveu de mais candente do que sua famosa oração pedindo missionários de Maria (a “Oração Abrasada”, n.d.c.).

Se há um trabalho em que se compreende aquela luz intelectual cheia de amor, de que fala Dante, esse é o de Grignion de Montfort.

Lê-lo é facilitar poderosamente o progresso na vida espiritual. Difundi-lo é acumular coroas de méritos no Reino dos Céus. (...)

São Tomás de Aquino diz que Nossa Senhora recebeu de Deus todas as qualidades com que seria possível a Deus cumular uma criatura.

De sorte que Ela se encontra no ápice da criação, firmando seu trono acima dos mais altos coros angélicos, e sendo inferior apenas ao próprio Deus, que, sendo só Ele infinito, está infinitamente acima de todos os seres, inclusive de Nossa Senhora.

Costuma-se dizer que Nossa Senhora brilha mais do que o sol, tem a suavidade da lua, a beleza da aurora, a pureza dos lírios, e a majestade do firmamento inteiro.

Muita gente supõe que tudo isto não passa de hipérboles, estas comparações pecam por sua irremediável deficiência.

O sol, a lua, a aurora, e todo o firmamento são seres inanimados, e estão, portanto, colocados na última escala da criação.

A estatueta sobre a escrivaninha e um fac-símile do Tratado
Não é admissível que Deus os fizesse tão formosos, dando ao homem dons menores.

E, por isto mesmo, a mais apagada das almas mortas em paz com Deus, tem uma formosura que excede incomparavelmente a de todas as criaturas materiais.

Que dizer-se, então, de Nossa Senhora, colocada incalculadamente acima não só dos maiores Santos, mais ainda dos Anjos mais elevados em dignidade junto ao trono de Deus?

Um caipira que fosse assistir à solenidade da coroação do Rei da Inglaterra, voltando aos seus pagos natais, possivelmente não encontrasse outros termos para explicar a magnificência daquilo que viu, senão afirmando que foi mais belo do que as festas em casa do Nhô Tonico, o homem menos pobre da zona.

Se o Rei da Inglaterra ouvisse isto, que outra coisa poderia fazer senão sorrir?

Pois nós, quando procuramos descrever a formosura de Nossa Senhora com os termos escassos da linguagem humana, fazemos o mesmo papel... e Ela também sorri.

Não espanta, pois, que seja verdade de Fé que Deus se compraz tanto em Nossa Senhora que um pedido feito por meio dEla é sempre atendido, ainda que não conte senão com o apoio dEla.

E que se todos os Santos pedissem alguma coisa sem ser por meio dEla nada conseguiriam.

O túmulo do Santo na basílica a ele consagrada
em St-Laurent sur Sèvre, França
Porque, como diz Dante, querer rezar sem Ela é o mesmo que querer voar sem asas...

Assim, pois, todas as graças nos vêm de Nossa Senhora, e é Ela a medianeira universal de todos os homens, junto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, se todas as graças nos vêm dEla, e se nossa vida espiritual não é senão uma longa sucessão de graças a que correspondemos, ou renunciamos a ter vida espiritual, ou devemos compreender que esta será tanto mais suave, mais intensa e mais perfeita, quanto mais próximos estivermos junto daquele único canal de graça que é Nossa Senhora.

Deus é a fonte da graça, Nossa Senhora o único canal necessário, e os Santos meras ramificações, aliás veneráveis e dignas de grande amor, do grande canal que é Nossa Senhora.

Queremos ter a graça inestimável do senso católico?

Queremos ter a virtude inapreciável da pureza? Queremos ter o tesouro sem preço, que é o dom da Fortaleza, queremos ser ao mesmo tempo mansos e enérgicos, humildes e dignos, piedosos e ativos, meticulosos em nossos deveres e inimigos do escrúpulo, pobres de espírito se bem que jungidos às riquezas do mundo, em uma palavra, fiéis e devotos servidores de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Dirijamo-nos ao trono que Deus deu a Nossa Senhora, e, no recesso amoroso da Igreja Católica, nossa Mãe, peçamos a Nossa Senhora, também nossa Mãe, que nos faça semelhantes a seu Divino Filho.

Foi isto que depreendi do livro de Grignion de Montfort. Mas meu artigo diante do livro serve apenas para dar uma longínqua ideia do que ele é.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Legionário, 26 de novembro de 1939, N. 376; Legionário, 10 de dezembro de 1939, N. 378)








Introdução

Finalidade do “Tratado da Verdadeira Devoção”

Maria Santíssima é insuficientemente conhecida

Excelências das faculdades da alma de Nossa Senhora

Outras qualidades de Maria Santíssima

Devoção a Nossa Senhora: característica da santidade

Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante

Necessidade da devoção à Santíssima Virgem

Papel de Nossa Senhora na Encarnação

O poder da oração de Nossa Senhora e a nossa vida espiritual

A cooperação de Nossa Senhora com Deus Filho

Devoção a Nossa Senhora e apostolado

A intimidade entre Nosso Senhor e Nossa Senhora aplicada à nossa vida espiritual

A confiança total em Nossa Senhora

A cooperação de Nossa Senhora com o Espírito Santo

Deus quer servir-se de Maria na santificação das almas

Necessidade da devoção a Nossa Senhora para a nossa salvação

Aplicações para o apostolado

Maria no mistério da Igreja. Primeira consequência: Maria é a rainha dos corações

Segunda consequência: Maria é necessária aos homens para chegarem ao seu último fim

Os apóstolos dos últimos tempos e o demônio

Maria, a mais terrível inimiga de Lúcifer

Os Santos dos Últimos Tempos

Os Apóstolos dos Últimos Tempos

Verdades fundamentais da devoção à Santíssima Virgem

A pretexto de não ofender a Nosso Senhor, destroem a devoção a Nossa Senhorar

Apresentar Nossa Senhora de um modo terno, forte e persuasivo

Características da escravidão a Nossa Senhora

Seremos escravos, ou de Deus ou do demônio

Por que ser escravo de Maria, que é escrava de Deus?

A Mediação Universal de Nossa Senhora na obra de São Luís Grignion

Fatos que mostram a necessidade de protegermos de nosso fundo de maldade

A consciência da própria maldade, condição indispensável para a santificação

Escolha da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Os falsos devotos e as falsas devoções à Santíssima Virgem

A perfeita devoção à Santíssima Virgem ou a perfeita consagração a Jesus Cristo

Motivos que nos recomendam esta devoção

A devoção a Nossa Senhora aumenta nossas virtudes, unindo-nos sempre mais a Nosso Senhor

A graça de possuir uma grande intimidade com Nossa Senhora

A escravidão a Nossa Senhora dá valor incalculável às nossas boas obras

Figura bíblica desta perfeita devoção: Rebeca e Jacó

“Filho, dá-me o teu coração”