segunda-feira, 23 de maio de 2022

Maria Auxiliadora: chefe de guerra nas batalhas pela Cristandade

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Histórico da devoção




O ensino de Doutores e Padres da Igreja


Numerosas inscrições cristãs dos primeiros séculos do Novo Testamento em territórios gregos contêm dois títulos da Virgem Maria: um é Teotokos (Mãe de Deus) e o outro é Boeteia (Ajuda dos cristãos).

O primeiro a chamar a Virgem de Maria Auxiliadora foi São João Crisóstomo (347-407), arcebispo e Patriarca de Constantinopla, Doutor e Padre da Igreja, proclamando: “Tu, Maria, és a ajuda mais poderosa de Deus”.

A partir do ano 398, ele o chamou de “Ajuda mais poderosa, forte e eficaz daqueles que seguem a Cristo”.

Outros Padres da Igreja que lhe reconheceram o título de “Auxiliadora” são Proclo (412 - 485) em 476 e São Sabas de Cesareia (439-532) em 532.

Também o poeta grego romano Melone em 518, São Sofrônio (560-638), arcebispo de Jerusalém, São João Damasceno (675 - 749) e São Germano de Constantinopla, Patriarca de Constantinopla (635 - 732) em 733.

São João Damasceno no ano 749 foi o primeiro a difundir a exclamação: “Maria Auxiliadora, rogai por nós”.

Em 532 São Sabas narrou que no Oriente havia uma imagem da Virgem chamada “Auxiliadora dos doentes”, por causa das muitas curas que ela fazia.

Nas guerras contra os pagãos


No início do século VII, quando Heráclio era imperador de Bizâncio, todo o Império Bizantino viu a fé cristã em perigo devido aos ataques dos ávaros, búlgaros e persas.

Edessa já havia caído em 609, Damasco em 613 e depois Jerusalém. O imperador propõe a paz ao persa rei Cosroes II. Esse já tinha raptado Cruz de Cristo e respondeu: “Isto vai ser discutido depois de os romanos terem abandonado a religião de Cristo pelo culto do Fogo”.

Panagia, igreja da Natividade em Belém
Panagia, igreja da Natividade em Belém
Em 4 de agosto de 626, os invasores tentaram atacar Constantinopla por mar e por terra, mas depois de três dias começaram a se retirar.

Os habitantes da cidade atribuíram o triunfo à “Panagia”, quer dizer o “Toda Santa”, e a festa da libertação foi marcada no dia 8 de agosto.


No livro litúrgico oriental “Sinaxario de Patmos”, do século VIII, lê-se:

“A liturgia é celebrada na Bacherne (bairro de Constantinopla) em comemoração à libertação dos bárbaros, quando rezavam à Santa Mãe de Deus, e foram lançados nas águas”.

Em 628, o imperador Heráclio reconquistou a Terra Santa e recuperou a Santa Cruz.

E ao anunciar a seu povo em uma mensagem jubilosa lida do ambão da igreja de Santa Sofia, afirma: “Reconhecemos como Deus e Nossa Senhora a Virgem Mãe vieram em socorro das tropas...”

Ucrânia: primeiro país a tê-la por patrona


Outro fato histórico: no Oriente, no século XI. Em 1030, em Kiev. os irmãos príncipes Metislao e Yaroslao reconhecem Maria como Auxiliadora de seu povo contra os inimigos.

Yaroslao atribui apenas a ajuda de Maria a salvação do povo da Ucrânia e sua cidade de Kiev, especialmente contra os Pecheneks.

E construiu a Igreja da Anunciação perto do Portão Dourado de Kiev, para que a Virgem defendesse aquele portão que levava à Ásia Oriental pagã, um perigo constante.

E na consagração do templo, em 1073, entregou a cidade santa ao socorro da Mãe de Deus, proclamando a Virgem “Rainha e Auxiliadora do povo ucraniano”.

O Metropolita Hilarion celebra em suas crônicas a grandeza de Yaroslau, “porque você consagrou seu povo e a cidade santa à Santíssima Virgem Mãe de Deus, gloriosa e pede ajuda aos cristãos. Assim a Ucrânia obtém a primazia, entre todos os povos, de reconhecer publicamente o patrocínio social da mãe de Deus”.

Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Desde então, a festa de Maria Auxiliadora é celebrada no dia 1º de outubro com a grande liturgia “Pokrow”, isto é, “Ajuda dos cristãos”.

Em seguida, Maria é cantada como “ajudante dos cristãos, intercessora e poderosa patrona do povo cristão, porque Cristo a deu ao seu povo como Auxiliadora dos cristãos para fortalecer e proteger seus servos de toda aflição”.

No famoso hino “Akathistos” que é cantado nas mais expressivas manifestações bizantinas do culto mariano, expressa as vitórias de Maria contra todos os inimigos da Igreja e do povo cristão.

As grandes vitórias no Ocidente


O registro mais antigo está em uma edição das ladainhas em honra da Virgem encontrada em Dilligen, do ano de 1558, onde se encontra a invocação de Maria Auxiliadora.

É do tempo de São Pedro Canísio SJ.

No ocidente cristão, no início do século XVI, no sul da Alemanha, a Auxiliadora era chamada de “Padroeira da Baviera”, como se pode ler na estátua de Maria Auxiliadora, do escultor J. Krumper, em um castelo em Munique.

As causas deste grande desenvolvimento foram, sem dúvida, os dois grandes perigos para o povo, para a Igreja Católica: os reformadores protestantes e os muçulmanos.

Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto
Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto

Em 1571, diante do perigo de a Europa cair sob o domínio muçulmano, o Papa São Pio V invocou Maria Auxiliadora e obteve o triunfo naval de Lepanto.

Após a vitória de Lepanto, São Pio V enviou uma imagem de Maria Auxiliadora ao rei da Espanha, Filipe II, que venerou com grande devoção e piedade, não no Escorial. E alguns anos depois, a rainha Elizabeth II a coroou.

Em agradecimento pela vitória, o Papa Pio V instituiu a Festa de Nossa Senhora das Vitórias, mais tarde conhecida como Festa do Rosário, a ser celebrada no primeiro domingo de outubro, e acrescentou o título “Ajuda dos Cristãos” às ladainhas lauretanas.

O título de Maria como “ajuda dos cristãos” ainda hoje faz parte das ladainhas Lauretanas.

A cidade de Passau, na Baviera, ficou famosa pela veneração de uma imagem da Virgem com o Menino, cópia de uma pintura do mestre Lucas Cranach.

E já em 1624 por causa das multidões que foram venerar esta imagem, uma igreja começou a ser construída.

“Em meio aos graves e contínuos perigos da guerra que invadiu toda a Alemanha, o povo foi em peregrinação ao santuário, não só das aldeias vizinhas, mas de toda a Baviera, Áustria, Boêmia; e ela entrou no santuário exclamando: 'Maria Hilf', 'Maria Auxiliadora'... Assim a Alemanha teve o primeiro santuário, no Ocidente, em honra de Maria Auxiliadora.”

Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
As graças obtidas ali foram publicadas em cinco volumes. Os devotos de Maria Auxiliadora em Passau foram vinculados ao santuário em uma “Irmandade de Maria Auxiliadora” aprovada em 1627 pelo Papa Urbano VIII.

O imperador Fernando II se inscreveu nele pessoalmente, em 1630. E assim fizeram muitos outros homens ilustres da casa imperial. Cardeais, bispos; e conventos inteiros lhe prestaram fidelidade.

Também em Innsbruck, onde se conservava a autêntica imagem de Cranach, foi construída uma igreja a Maria Auxiliadora, no ano de 1657, por voto feito no final da “Guerra dos Trinta Anos” contra os protestantes.

E essa devoção se espalhou tanto que só na diocese de Innsbruck havia setenta locais de culto à Auxiliadora.

E cópias das imagens de Passau e Innsbruck se espalharam por todas as cidades do sul da Alemanha e da Áustria.

Em 1683, mais uma vez os cristãos triunfaram sobre os otomanos que cercavam Viena, e o imperador Leopoldo ordenou que os troféus confiscados dos turcos fossem enviados ao santuário de Maria Auxiliadora em Passau.

Contra a Revolução gnóstica e igualitária


Até o século XIX, a invocação de Maria Auxiliadora esteve fortemente associada à defesa militar de todas as fortalezas católicas e ortodoxas da Europa, Norte da África e Oriente Médio contra os povos não cristãos, especialmente os muçulmanos.

Em 1806, as ambições de Napoleão constrangeram o Papa Pio VII ao exílio.

Em seu cativeiro, que durou 5 anos, o pontífice prometeu à Virgem que, se recuperasse a liberdade e voltasse a Roma, declararia aquele dia como solene em homenagem a Maria Auxiliadora.

Quando o imperador francês foi derrotado e Pio VII pôde ir para a cidade de Roma, onde entrou na cidade em meio a alegria geral em 24 de maio de 1814.

Deste evento vem a tradição da Solenidade de Maria Auxiliadora todo dia 24 de maio.

Em 16 de agosto do ano seguinte de 1815, ele nasceu no norte da Itália, no Piemonte, que se tornaria o apóstolo de Maria Auxiliadora.

Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
São João Bosco herói da devoção a Maria Auxiliadora


Por meio de sua mãe, a Beata Margarida, São João Bosco conheceu a Virgem Maria:

“Meu querido João... quando você veio ao mundo, eu o consagrei à Santíssima Virgem”, disse-lhe. Ainda criança, Margarita o ensinou a saudar a Virgem três vezes ao dia com o Angelus.

Além disso, a própria Maria se lhe tornou presente em famosos sonhos. E Maria foi sua mestra, conforme a promessa recebida de Jesus “Eu te darei a mestra”.

As preferências do jovem padre Juan Bosco se inclinaram pela Imaculada.

Mais tarde diria ao seu vigário São Miguel Rua: “Todas as nossas obras começaram no dia da Imaculada Conceição”.

Quando havia tinha perto de 50 anos sem deixar o título de Imaculada, descobriu outra invocação que encheria seu coração: “Auxílio dos cristãos”.

Por volta do ano de 1848, ele colocou cinco gravuras da Virgem em um almanaque em seu quarto; uma delas com estas palavras:

“Ó Virgem Imaculada, Vós que vencestes todas as heresias, vinde agora em nosso socorro, nós vos recordamos de coração: Auxilium Christianorum, ora pro nobis”.


De 1848 a 1870 ocorreram muitos eventos que perturbaram a Igreja. Nas guerras e revoluções que tomaram corpo, Don Bosco volta-se gradual e decididamente para Maria como Imaculada Auxiliadora dos cristãos, pessoalmente e de todos os cristãos.

Já no almanaque que edita, pela primeira vez no ano 1860 se lê em 24 de maio: “Festa de Maria Auxiliadora, Auxilium Christianorum”.

Em 1862, Dom Bosco decidiu definitivamente homenagear Maria com o título de Auxiliadora.

Ele tem um sonho com as duas colunas que surgem no mar agitado para proteger a nave da Igreja. Um delas coroada com o símbolo da Eucaristia e a outra com uma imagem de Maria Imaculada, com a inscrição: “Auxilium Christianorum”.

E decide construir uma igreja “digna e grande” em homenagem a Maria Auxiliadora no bairro de Valdocco, em Turim. Ele confiou a ideia ao clérigo Pablo Albera e ao padre Juan Cagliero e a todo o Oratório.

O padre Juan Cagliero testemunha que Dom Bosco lhe disse em 1862: “Ele quer que veneremos a Virgem com o título de Maria Auxiliadora: os tempos são tão tristes que precisamos da Santíssima Virgem para nos ajudar a preservar e defender a fé cristã”.

Na Auxiliadora, Don Bosco reconhece o rosto da Senhora que iniciou sua vocação e que foi e sempre será a Inspiradora e Mestra.

Os últimos 25 anos de sua vida são marcados pela presença viva de Maria Imaculada Auxiliadora de cada pessoa e de toda a comunidade dos cristãos.

A rainha na luta entre o bem e o mal


A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A invocação de Maria Auxilio dos Cristãos teve sempre um caráter militar da Virgem Maria nas lutas pela defesa da fé católica.

O primeiro texto que representa a mulher bíblica como personagem combatendo as forças do mal é o de Eva no Gênesis. Na condenação divina após o pecado, Deus se dirige à serpente com estas palavras:

Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a descendência dela; ele vai pisar em sua cabeça enquanto você espera pelo calcanhar dele.

O texto revela uma cosmogonia evidente que confronta duas forças em permanente oposição, o bem e o mal, no cenário da Criação.

Segundo a Mariologia, neste texto está representada a Virgem Maria, que, sendo a mãe do Messias, é aquela que carrega a linhagem da salvação.

Da mesma forma, outras mulheres teriam um papel fundamental na percepção dessa luta existencial entre as duas forças opostas: a profetisa Débora, Judite, a viúva que sai em defesa do cerco de Betulia e derrota Holofernes, e muitas outras.

Por fim, a personagem feminina que desempenha um papel decisivo nessa luta é representada no livro do Apocalipse no seguinte texto:

Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça; ela está grávida, e grita com dores de parto e com o tormento de dar à luz (...)

Essa personagem feminina, foi relacionada pelas primeiras comunidades cristãs à Igreja perseguida.

E depois a Maria na história da salvação confrontada pelo dragão, que representa o mal.

Ela desencadeia uma batalha liderada pelo arcanjo Miguel, outro personagem guerreiro.

Ao final do texto, a mulher e seu filho se encaram diretamente, conforme o texto:

Então o Dragão cuspiu de suas mandíbulas como um rio de água atrás da Mulher, para varrê-la com sua corrente. Mas a terra veio em socorro da Mulher (...)

O Apocalipse estabelece uma relação entre figuras femininas de caráter militar ou guerreiro em prol do bem, na história da salvação, que gera o título Maria Auxiliadora.

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Significados da imagem de Maria Auxiliadora que Don Bosco mandou pintar


Don Bosco instruiu o artista com estas ideias:

No alto Maria Santíssima entre os coros dos anjos, depois o coro dos profetas, das virgens, dos confessores.

No chão, os emblemas das grandes vitórias de Maria, e os povos do mundo no ato de levantar as mãos para ela pedindo sua ajuda.

A Virgem como Rainha leva na mão esquerda o Menino Jesus, perante o qual todas as criaturas (os Apóstolos e outros santos representam a Igreja e os anjos representam o Céu) prestam homenagem.

Maria e o Menino Jesus usam trajes inspirados nas monarquias europeias, especialmente as germânicas, vigentes na Idade Média.

As coroas de ouro obedecem ao texto apocalíptico: “...uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça...”.

A coroa é enquadrada em um anel com doze estrelas e a estrela como símbolo de Davi.

O cetro é um símbolo da monarquia e do reino messiânico.

Algumas representações de Maria Auxiliadora colocam um segundo cetro sobre o Menino, aspecto que rompe com o sentido bíblico original, pois é um cetro único, o messiânico.

Suas roupas correspondem a usos sacerdotais. A criança usa um vestido branco inteiro, que lembra a divisão dos vestidos de Cristo: “A túnica era sem costura, tecida em uma só peça de alto a baixo”.

Tanto na imagem da Virgem como na do Menino, correspondem a perfis caucasianos-nórdicos e louros que revelam a origem da devoção na Europa Oriental




terça-feira, 17 de maio de 2022

São 14 os “bispos” anglicanos que se fizeram católicos

Ex 'bispo' anglicano de Chester (centro) ficou católico em cerimônia privada na Escócia
Ex 'bispo' anglicano de Chester (centro) ficou católico
em cerimônia privada na Escócia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Peter Forster, “bispo anglicano” emérito de Chester, é o mais recente que se converteu ao catolicismo, desta vez na Escócia, noticiou o Catholic Herald, do Reino Unido.

Forster dirigiu a “diocese anglicana” de Chester que abrange 273 paróquias durante 22 anos, de 1996 até 2019. 

“Bispos”, “sacerdotes” e outros cargos eclesiásticos que requerem sacramento e que se exibem na igreja anglicana não são tais, pela ruptura com a continuidade apostólica, malgrado utilizem títulos que não lhes é licito usar.

Peter Forster não gostava da ordenação anglicana de mulheres ao sacerdócio, porque servia para introduzir uma mudança doutrinal com pretexto de diálogo ecumênico.

Tampouco aceitava as tentativas ideológicas de redefinir o matrimônio, e defendia a família tradicional.

Em 2019, aos 69 anos de idade, apresentou sua renúncia à “diocese” e se mudou para a Escócia, onde se converteu ao catolicismo, na arquidiocese católica de Saint Andrews e Edimburgo, onde vive como simples fiel.

Recentemente também professaram à fé católica os ex-“bispos” Michael Nazir-Ali, de Rochester, que foi inclusive ordenado sacerdote católico em outubro de 2021, e Jonathan Goodall, de Ebbsfleet.

Também em Ebbsfleet em 2010, Andrew Burnham renunciou àquele “bispado” anglicano e hoje é pároco católico.

Michael Nazir-Ali, "bispo" de Rochester, asistía à rainha
Michael Nazir-Ali, "bispo" de Rochester, assistia à rainha
Também renunciaram ao “episcopado anglicano” para se converterem ao catolicismo Keith Newton, ex-“bispo” de Richborough, e John Broadhurst, de Fulham.

Foi mais rumorosa a conversão de Gavin Ashenden, em 2019, porque ele era “capelão honorário” da rainha da Inglaterra.

De acordo com um censo do padre católico James Bradley, do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, associação católica criada pela Santa Sé para acolher os ex-anglicanos, ao menos 14 “bispos” anglicanos foram recebidos na Igreja Católica nos últimos 30 anos, ou seja, desde 1992.

Se trata de Graham Leonard (Londres); Conrad Meyer; John Klyberg (Fulham); Richard Rutt (Leicester); John Broadhurst (Fulham); Edwin Barnes (Richborough); Keith Newton (Richborough); Andrew Burnham (Ebbsfleet); David Silk; Paul Richardson; John Goddard (Burnley); Jonathan Goodall (Ebbsfleet), Michael Nazir-Ali (Rochester) e, agora, Peter Forster (Chester). Veja: Aleteia. https://pt.aleteia.org/2022/02/07/mais-um-bispo-anglicano-se-converte-a-igreja-catolica/



terça-feira, 10 de maio de 2022

Maiores inteligências (Q.I.) do mundo acreditam em Deus

Garry Kasparov: Grande Mestre e ex-campeão mundial de xadrez,
considerado o maior enxadrista de todos os tempos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Sempre pareceu evidente: o ateísmo emburrece. Mas os negadores de Deus clamavam ufanamente que “todas as pessoas cultas são ateias”.

Ou até que as “pessoas que acreditam em Deus o fazem por ignorância”.

Era uma espécie de legenda urbana, um boato pertinaz que não cessava nem mesmo olhando para os rostos dos ateus mais empedernidos e expressivos.

Mas agora está disponível o catálogo das pessoas com mais alto coeficiente de inteligência (Q.I.) já verificado no mundo.

E basta olhar para os dez primeiros, para constatar que o verdadeiro é o oposto.

O site ClassicalTheist publicou a lista das dez pessoas com maior Q.I. do planeta e nela encontramos pessoas das mais diversas procedências, estudos e idades.

A nota dominante é dada pelo fato que 8 delas acreditam em Deus, embora não todas professem a mesma religião, mas 6 são cristãs.

O site concluiu de modo bem-humorado que as inteligências mais brilhantes não recusam a existência de uma Inteligência Criadora (Intelligent Designer).


terça-feira, 3 de maio de 2022

Irmã Luigina Traverso: mais uma cura inexplicável pela medicina

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Em 10 de fevereiro de 2012, Mons. Jacques Perrier, então bispo de Lourdes, comunicou em carta ao bispo de Casale Monferrato, Itália, Dom Alceste Catella, que o “Bureau Medical” de Lourdes (a comissão médica para examinar e julgar as curas atribuídas miraculosamente a Nossa Senhora de Lourdes) reconheceu como inexplicável à luz dos atuais conhecimentos científicos a cura da Irmã Luigina Traverso.

Cabe agora ao bispo italiano decidir se proclama, ou não, canonicamente o milagre, noticiou o “Vatican Insider”.

A irmã Luigina Traverso, religiosa salesiana, nasceu em 1934. Em julho de 1965 ela se encontrava “gravemente doente” devido a uma meningocele ciática paralisante. Só ficava de maca, não andava e fora operada diversas vezes sem sucesso.

A religiosa com seu bispo
“Pouco antes de viajar para Lourdes eu fui fazer um check-up que deu: ‘Paciente em condições gerais graves, pálida, hipotensa, com cicatriz cirúrgica fresca e seca... rigidez e contração do trato lumbosacral da coluna. Mobilidade reduzida dos pés em virtude de paralise dos músculos tibiais anteriores... Hipoeficiencia do sural e do tibial posterior’”.

A Irmã Luigina peregrinou a Lourdes e tomou banho nas piscinas do santuário, como Nossa Senhora pediu a santa Bernadette.

Em 23 de julho, na Bênção dos Doentes, enquanto o sacerdote passava com a hóstia consagrada na procissão eucarística, ela sentiu um “forte calor em seu corpo e o desejo de se levantar”.

Veja vídeo
O milagre
contado por ela

A freira passou a se sentir melhor, voltou a movimentar o pé, e a dor desaparecia.

Ele foi levada de volta ao seu quarto e, na presença do chefe da peregrinação, Dr. Danillo Cebrelli, e do bispo Dom Lorenzo Ferrarazzo, recebeu uma ordem explícita:

“Irmã Luigina, se a senhora quiser receber a bênção, deve se levantar e ajoelhar-se para rezar”.

A irmã deixou imediatamente a cama e se ajoelhou.

Sor Luigina auxiliando doentes em Lourdes
Sor Luigina auxiliando doentes em Lourdes
Em 27 de julho de 1965 – portanto quatro dias após a cura miraculosa – o professor Claudio Rinaldi registrou “boas condições gerais [...] articulações inferiores totalmente móveis com igual força e simetria [...] sensibilidade normal”.

Desde aquela data, a Irmã Luigina nunca voltou a ter qualquer tipo de manifestação da doença.

Em julho de 2010, muitos anos após a abertura do processo médico de análise, durante a peregrinação da associação Oftal, o caso da Irmã Luigina Traverso foi julgado pelo “Bureau Medical”, que votou por unanimidade pelo reconhecimento da “cura completa e permanente”.

Quase meio século depois, a Irmã Luigina puxa carrinhos de doentes em Lourdes.

O bispo de Casale Monferrato responde: “aqui temos a base científica para se chegar a esta certeza [do milagre]”.

Alberto Busto, presidente diocesano da associação Oftal, que organiza as romarias a Lourdes, agradeceu também “o olhar amoroso de Maria pela cura extraordinária de Ganora Evasio, acontecida em 2 de junho de 1950 e solenemente reconhecida pela Igreja como milagre em 1955”.

Até agora houve seis milagres a italianos em Lourdes reconhecidos pelos bispos diocesanos respectivos.

Vídeo: O milagre contado pela religiosa





Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário. 
CLIQUE AQUI: WEBCAM.


terça-feira, 26 de abril de 2022

Lava do vulcão Cumbre Vieja parou ante a Virgem de Fátima

Luis Dufaur
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Nos anos 2021 e 2022 o vulcão Cumbre Vieja na ilha de La Palma, em Tenerife, vomitou rios de lava que destruíram centenas de casas e plantações.

Mas a imagem e monumento à Virgem de Fátima erigida no local como fruto de uma promessa pedindo conter uma também colossal explosão daquela bacia vulcânica, na zona de Las Manchas não foi afetada no mais mínimo ponto, noticiou a fonte de notícias regional COPE.

As bocas vulcânicas se encontravam a por volta de 500 metros da imagem de Nossa Senhora, segundo confirmou o pároco de El Paso, Padre Domingo Guerra.

O local onde se erige ufana e dominadora a Virgem de Fátima não foi escolhido ao acaso.

No ano 1949, explodiu o vulcão São João e o rio de magma incandescente desceu ao local destruindo tudo e criando um “vale negro” de cinzas.

Porém, “a lava se deteve chegando ao povoado de Las Manchas, próximo à paróquia de São Nicolau de Bari”, erigida no ano 1700, explicou o sacerdote.

Segundo “El Mundo”, os habitantes de Las Manchas foram obrigados a interromper até as operações de limpeza aos berros de “saiam correndo, chegam os gases do vulcão!” porque traziam o venenoso dióxido de enxofre.

Mas tampouco o grande e ostensivo nicho foi afetado pelo vulcão. À 72 anos a lava se desviou pela direita, bordejou o bairro de Las Manchas e continuou rumo ao mar.

O pároco de então, Pe. Blas, construiu o monumento exatamente onde se deteve a avalanche e encomendou uma imagem de Fátima em pedra para o local de dois toneladas.

Desde ano 1950 Ela preside esta zona da ilha. Cada 13 de maio e 13 de outubro se faz uma Missa no pequeno altar de granito ao pé do monumento e também se reza um Terço em honra de Nossa Senhora de Fátima, acrescenta o Pe. Padre Domingo Guerra.

A imagem foi abençoada em 1954 em Portugal e percorreu toda a ilha antes de ser instalada no seu local definitivo.

O Padre Domingo acha então difícil que a imagem seja atingida por rios de lava embora esteja em zona de emergência. A lava para e desvia sempre a oitenta metros do Cemitério e a 500 metros da igreja de São Nicolás que é até onde se estende a proteção daquela imagem.

Por precaução, as imagens do templo são removidas, mas nada afeta o prédio da igreja.

A lava esfriada em 1949 obriga o magma a subir por cima dela, e então só pode desbordar para os lados, explica o sacerdote.

É lamentável que a mídia e as redes sociais que informaram até a saciedade durante os meses de atividade do Cumbre Vieja, tenham silenciado sobre este e outros fatos de proteções milagrosas de Nossa Senhora no local.

Os filhos agradecidos não agem assim...


terça-feira, 5 de abril de 2022

O soldado que recebeu Deus antes de enfrentar a morte

Momento da recepção dos sacramentos por Wenceslao Viacheslav antes de enfrentar o ateísmo russo, igreja greco-católica castrense de São Pedro e São Paulo, Lviv
Momento da recepção dos sacramentos por Wenceslao Viacheslav
antes de enfrentar o ateísmo russo,
igreja greco-católica castrense de São Pedro e São Paulo, Lviv
Luis Dufaur
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Na igreja greco-católica castrense de São Pedro e São Paulo, em Lviv, Ucrânia, o soldado fardado Viacheslav recebeu os sacramentos do Batismo e da Crisma logo antes de partir para a guerra, segundo testemunho pessoal do enviado do “La Nación”.

Ele é um pedreiro, órfão, da cidade de Mykolayiv onde predominam os cismáticos a 700 quilômetros de Lviv a cidade marcada pelo catolicismo.

Morava no sétimo andar de um prédio popular quando as bombas russas o fizeram tremer.

Ele queria se enrolar no exército na sua cidade, mas o escritório não dava abasto. Então viajou até Lviv levando sua jovem mulher e filho, pensando em deixá-los na fronteira da Polônia antes de partir para o combate.

Nesse meio tempo um vizinho lhe enviou uma foto por celular mostrando que seu monobloco havia sido arrasado pelos ataques russos e sua casa havia ficado calcinada.

Sua decisão permaneceu imutável.

Os dois padrinhos da cerimônia de Viacheslav foram outros dois militares fardados que acompanharam o rito grego-católico de São João Damasceno tão belo e tão diferente do latino, mas igualmente válido.

O capelão militar ungiu-o com o óleo bento na mão primeiro, na testa depois, para que sua mente “consiga compreender e aceitar os sacramentos da vida cristã”.

Depois no peito, “para que ame a Deus com o coração”; nos ombros, “para que carregue com alegria e amor a cruz do Senhor”; nos ouvidos, “para que possa acolher e ouvir a voz do Evangelho”; nas mãos, “para que faça o que é justo para Deus”; e nos pés, “para que ande nas pegadas de Cristo”.

Wenceslao, já batizado impõe a seu filho de 6 anos, o terço que usou no batismo
Wenceslao, já batizado impõe a seu filho de 6 anos, o terço que usou no batismo
O sacerdote fez o mesmo com a água benta e depositou nos ombros de Viacheslav um manto feito à mão, tipicamente ucraniano, símbolo da mudança de pele, da passagem de uma roupa de pecado para outra livre de pecado.

Ele recebeu uma vela acesa símbolo “da luz de Cristo que agora ilumina sua vida” e um exemplar do Evangelho.

A igreja foi feita pelos jesuítas no século XVII, mas suas estátuas mais valiosas estão embrulhadas por proteção das brutais bombas russas símbolo do ódio do inferno contra a Igreja Católica.

A igreja estava cheia de fiéis que foram a rezar por razões pessoais e alguns choravam de emoção.

Na primeira fila estava Katarina, a esposa de Viacheslav, o filho do casal Stanislaw, de 6 anos, sua irmã Olga, sua sobrinha Tatiana e outros parentes que também tinham fugido providencialmente da bombardeada Mykolayiv.

Viacheslav usou sempre um terço no pescoço durante as cerimônias. No fim o tirou e o impôs a seu filho que não sabia se voltaria a ver.

Sem dúvida o pequeno Stanislaw nunca mais esquecerá esse momento. Seu pai tinha mais um terço que colocou nele para que nunca falte.

Foto do batismo de Wenceslao com a família antes de partir para a guerra
Foto do batismo de Wenceslao com a família antes de partir para a guerra
Katarina, a esposa de 32 anos, chapéu de lã e casaco azul claro, longos cabelos loiros e olhos resignados, explicou: “meu marido, desde o início da guerra, a única coisa que queria era se juntar às fileiras do nosso exército para combater o inimigo e defender nossa terra”.

Daí à pouco ela partiria ao exílio na Europa, porque “quando estivermos lá fora, o meu marido vai conseguir ficar mais tranquilo na hora de ir para a frente”, acrescentou.

Ela trabalhava numa base de reparo de aeronaves do Ministério da Defesa de Mykolayiv, que também foi alvo da artilharia russa.

Katarina suspirava enquanto prosseguia: “o irmão dele, meu cunhado, também se inscreveu e já está na frente. Ele também quer ir para a frente e eu entendo isso. Quem vai nos defender da invasão russa, se não?”, perguntou.

“Desde o primeiro dia, Viacheslav quis se alistar para defender sua pátria. Está no coração dele”, acrescentou.

O que disse Viacheslav ao filho quando lhe colocava o rosário no pescoço?

“Eu não disse a ele que vou para a guerra, mas que vou trabalhar”, respondeu com os olhos úmidos.

Viacheslav nunca disparou uma arma em sua vida ou lutou, mas nunca hesitou em responder positivamente ao chamado às armas.

Ele não tem medo de morrer? “Todos nós, responde, mais cedo ou mais tarde, temos que morrer, é o Senhor quem decide. E agora sinto-me em paz porque estou nas mãos de Deus”, garantiu o novo soldado de Cristo.

E o que ele acha dessa guerra? “Isso vai continuar enquanto Putin esteja no comando. Mas acho que vamos vencer. Estou convencido”.

Incontáveis episódios comovedores como esse fazem a grandeza de um povo, garantem seu futuro e, o que é mais importante, a bênção de Deus e de Maria Santíssima. E permanecem para toda a eternidade.


terça-feira, 29 de março de 2022

Espanhóis defendem
monumento ao herói católico “requeté”

Monumento ao requeté católico, Montserrat
Monumento ao requeté católico, Montserrat
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Na Espanha é famosa a imagem dos combatentes “requetés” que se destacaram nos últimos séculos pela defesa do catolicismo e da monarquia legítima e contra o comunismo.

Uma estátua foi erigida na abadia do famoso santuário de Nossa Senhora de Montserrat, da Catalunha, diante da cripta onde jazem 319 soldados catalães do Terço – unidade de elite de dimensão de regimento – que faleceram lutando contra os comunistas na Guerra Civil espanhola de 1936-1939.

Nossa Senhora de Montserrat
Nossa Senhora de Montserrat
Porém em janeiro, a Direção-Geral da Memória Democrática do Departamento de Justiça do Parlamento catalão e os monges beneditinos da abadia removeram a estátua com “noturnidade e traição”, segundo os fiéis.

Seis meses antes, independentistas pro-comunistas queimaram a bandeira do Tercio de Montserrat com imagens da Virgem.

Centenas de fiéis procederam a uma reparação histórica e religiosa, sob o brado “Deixe o requeté retornar a Montserrat!”.

Os católicos consideram a retirada do monumento que representa um soldado agonizando pela Fé como um “novo assassinato”, e exigiram a devolução do monumento ao seu local original.

Também foi lembrada a memória do “bispo mártir, D. Manuel Irurita” e dos “23 mártires beneditinos desta Abadia imolados na terrível perseguição religiosa de 1936”

Monumento ao requeté católico, placa comemorativa, Montserrat
Monumento ao requeté católico, placa comemorativa, Montserrat
Após rezar a Via Sacra, os presentes fizeram uma procissão com as suas tradicionais boinas vermelhas, desde o monumento à Abadia, onde leram um duro manifesto entregue ao Prior beneditino.

Nele se lee: “o nosso querido requeté olhava para a Virgem de Montserrat, fazendo sua última oração dedicação antes de morrer.

“Eles queriam descansar aos pés da Mãe celestial, esperando o dia da ressurreição da carne e do Juízo Final, quando Cristo os reconhecerá como aqueles que lavaram suas vestes brancas com o sangue do Cordeiro.

“O abade prometeu solenemente que a comunidade guardaria perpetuamente os seus restos mortais”, noticiou “Infocatólica”.





terça-feira, 22 de março de 2022

Nossa Senhora e Santa Rita intactas nos deslizamentos em Petrópolis

Imagem de Nossa Senhora intacta em Petrópolis
Imagem de Nossa Senhora intacta em Petrópolis
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Em meio à tragédia que deixou mais de 230 mortos por causa das fortes chuvas em Petrópolis, as equipes de busca dos corpos das vítimas encontraram um oratório intacto em uma casa devastada pela enxurrada, informou o site de notícias religiosas “Aleteia”.

No vídeo o bombeiro mostra o altarzinho caseiro e diz:

“Isso é para aqueles que não acreditam em Deus. [A enchente] Derrubou tudo aqui… Tudo. Só sobrou o altar da casa”.

Nas imagens, é possível ver o oratório com o teto destruído, vários fios de eletricidade por cima dela e velas caídas. Porém, as duas imagens de Santa Rita cultuadas no oratório permaneciam em pé e intactas.

Também as equipes encontraram um oratório com uma imagem de Nossa Senhora das Graças intacta em meio aos destroços deixados pelo deslizamento de terra.

“O Globo” esclareceu que o achado prodigioso aconteceu no sexto dia de buscas em Petrópolis, enquanto bombeiros e máquinas pesadas, que se podem apreciar no fundo das fotos, reviravam os escombros em busca de sobreviventes no BNH (Banco Nacional da Habitação), conjunto habitacional do bairro Alto da Serra.

A imagem de Nossa Senhora das Graças, descreve o jornal, colocada em um dos muros do condomínio ficou intacta mesmo após parte da estrutura ser levada pelos deslizamentos.

Nas redes sociais, os internautas se emocionam com as imagens.

Para uma internauta: “Isso é um sinal de que Deus não nos abandonará”. E outra escreveu: “Maria sempre de pé, como esteve ao lado de Jesus na cruz”. E mais outra implorava: “Mãezinha, cuide dos seus filhos aqui na terra”.

O condomínio foi erguido em 1973 e a moradora Dona Maria colocou a imagem naquele ano no muro do condomínio e cuidou sempre dela até morrer há cerca de seis anos.



Hoje, os moradores atribuem a Nossa Senhora das Graças e Deus que nada aconteceu com o conjunto habitacional.

— Eu vejo isso como um milagre de Deus. Uma chuva como essa é ela ficar intacta. Ela se salvou para nos proteger. Infelizmente, algumas pessoas não sobreviveram. Mas, ela ficou aqui para nós proteger — diz o aposentado José Luiz Montalvane, de 75 anos, que vive no condomínio há 43 anos.

A aposentada Tânia Mara Figueira Sacchetto, de 70 anos, é síndica do condomínio desde 2012. Ela destaca a interferência divina.

— Não sei dizer o motivo dela ficar intacta. Isso é mistério de Deus — destaca.

A aposentada Luiza Brandes, de 81 anos, que mora no local há mais de cinco décadas, ficou surpresa quando soube que a imagem havia se salvado.

— Ela ficou intacta? Que beleza! Ela nos protegeu, então. Com ela não tem brincadeira. Nossa Senhora é tudo. Ela e o Filho. Isso nos faz acreditar muito mais. Pensar no outro, no próximo e nunca esquecer de Deus — diz.


segunda-feira, 7 de março de 2022

Por ruas e estradas da Ucrânia, o Santíssimo Sacramento passa abençoando os fiéis

CLIQUE NA FOTO EMBAIXO PARA VER O VIDEO



Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

A benção medieval e os 70 anos de Elizabeth II no trono do Reino Unido

Elizabeth II numa festa da coroação
Elizabeth II numa festa da coroação
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O governante mais prestigiado do mundo completou 70 anos de reinado com índices de popularidade em volta de 90% no dia 6 de fevereiro [2022]: foi a rainha Elizabeth II ostentando uma coroa que vem desde a Idade Média.

Além de ser a mais antiga monarca reinante da história inglesa teve o casamento mais duradouro e fiel nos séculos de existência da realeza britânica.

Nunca antes tantos espectadores – estimados 300 milhões mundo afora, e até um bilhão pelo casamento de seu filho o príncipe Charles – acompanharam algumas das cerimônias de seu pomposo e equilibrado reinado.

Com mais dois anos, a rainha superará o reinado francês de Luís XIV, apelidado de “Rei Sol” pelo seu prestígio, que ocupou o trono do reino da França e Navarra por 72 anos e 110 dias, desde adolescente em 1643 até seu falecimento em 1715.

E Elisabeth II faz questão de esclarecer que ela não renunciará por idade ou saúde, como infelizmente fizeram outros monarcas em situações como a que ela pode enfrentar.

A rainha tem à sua disposição a mais deslumbrante e simbólica coleção de joias e coroas do mundo que usa para as grandes cerimônias segundo prescreve um cerimonial multissecular.

Mas na vida cotidiana não tem condescendência com a vulgaridade das modas modernas, usando sempre vestidos e chapéus elegantes, roupas desenhadas pelos antigos costureiros da corte real e meticulosamente adequadas a cada ocasião: nada é deixado ao acaso.

Além dos colares e joias que correspondem a uma tão distinta dama em cada ocasião.

Seu vestuário conserva um gosto inabalável há 70 anos obrigando os outros a se apresentarem na altura.

Mas os súditos são sempre recebidos com um sorriso cálido, um aceno amigável que faz explodir de agrado o gáudio popular nas ocasiões públicas, como nas festas de seu aniversário, todo início de junho.

Elisabeth II partilha o bolo dos 70 anos de reinado com uma determinação que pasma a seus mais íntimos
Elisabeth II partilha o bolo dos 70 anos de reinado
com uma determinação que pasma a seus mais íntimos
As celebrações pomposas, incluído o solene desfile militar Trooping the Colour acontecerá como é tradição no dia 2 de junho, mas a rainha para esta ocasião partiu um esplêndido bolo com seus familiares e seus auxiliares e empregados mais íntimos.

Elizabeth, quando ainda só tinha 25 anos e apenas casada, recebeu a dolorosa notícia da morte de seu pai o rei George VI, durante uma visita protocolar no Quênia.

Vigorou como na Idade Média o princípio “O rei morreu, viva o rei!” Neste caso a rainha. A transição é instantânea.

A pomposa cerimonia de coroação aconteceu em 2 de junho de 1953, em grande cerimônia na Abadia de Westminster:

O arcebispo, infelizmente herético, pronunciou a fórmula tradicional: “Elizabeth II, pela graça de Deus, rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de seus outros Reinos e Territórios, chefe da Commonwealth, defensora da fé” enquanto colocava sobre sua cabeça a maravilhosa coroa real.

A jovem rainha Elizabeth II retorno para o enterro do pai em 1952.
A jovem rainha Elizabeth II retorno para o enterro do pai em 1952.
Emociona ainda ver a foto em preto e branco da delicada rainha descendo a escalinata do avião em Londres enquanto ao pé dela formam fileira todos os ministros vestidos de preto, que ressalvada sua dignidade de função e pessoal, evocam um grupo de urubus apinhados no galho.

Quem teria dito nesse dia que a frágil rainha haveria de se manter sete décadas completas à testa de um vasto leque de países em todos os continentes, num período que viu o colapso do Império Britânico, a Guerra Fria e, mais recentemente, o Brexit e a pandemia do coronavírus!

Ao todo, por protocolo deu o placet a 14 novos primeiros-ministros, chefes executivos de governo, no Palácio de Buckingham, das mais variegadas formações políticas, como Winston Churchill, Margaret Thatcher e o atual Boris Johnson. Todos passaram, subiram e caíram e a rainha ficou impertérrita no trono

Também sofreu dramáticas crises familiares, como as que provocou sua irmã Margaret com casamentos errados e o primeiro divórcio na família real britânica em mais de 400 anos.

Veio depois a grande decepção que se seguiu ao prestigiosíssimo casamento de seu primogênito o príncipe Charles com Lady Diana em 1981 (que morreu num acidente de carro em Paris, já divorciada).

Todos os outros filhos, exceto o mais novo Edward, atualmente alvejado por escândalos, divorciaram-se.

O mais novo de seus netos, o nascido príncipe Harry, renunciou à realeza e vive alimentando escândalos para a mídia ávida deles desde o “casamento” com a atriz americana Meghan Markle.

Elisabeth II não arreda cumprindo seus deveres com dignidade e disciplina
Elisabeth II não arreda cumprindo seus deveres com dignidade e disciplina
Tudo conspirou e segue conspirando contra a rainha Elizabeth, mas ela não arreda cumprindo seus deveres com dignidade e disciplina.

Corajosamente, na sacada do palácio de Buckingham; nas incontáveis sessões ou visitas prescritas pelo protocolo quase todo dia; sentada sozinha no trono réplica do de Santo Eduardo III o Confessor, sob um baldaquino de ouro na Sala dos Lordes, ela sorri para todos e os empolga.

Como se explica isso, sobre tudo considerando os incontáveis governos e regimes que nesses 70 anos foram caindo, por vezes do modo mais calamitoso, no mundo todo, hoje sumidos no esquecimento ou na desgraça popular?

É um charme herdado da Idade Média que atravessou episódios dos mais obscuros da história.

Um charme ao qual a coroa inglesa – que mesmo não sendo católica como na origem, mas protestante anglicana! – impregna as instituições medievais nascidas sob a benção da Igreja Católica, regada com o sangue de santos e mártires, e que nenhuma invenção política humana consegue transmitir.


VÍDEO 70 anos gloriosos perfumados pela Idade Média CLIQUE NA FOTO