segunda-feira, 15 de julho de 2019

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo e a mais antiga devoção marial do mundo

Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A Ordem do Carmo foi fundada pelo Profeta Elias, tendo sido Santo Eliseu seu sucessor e sendo conhecida no Antigo Testamento como a “escola dos profetas”. Tal vez o próprio São João Batista tenha se ligado a ela.

Alguns acham que até Nosso Senhor Jesus Cristo os frequentou durante o período de sua vida no deserto.

O fato é que a Ordem do Carmo representa o primeiro filão da devoção marial no mundo, em virtude da famosa visão do profeta Elias de uma nuvenzinha que preanunciou uma imensa chuva após uma seca devastadora.

A nuvenzinha foi uma prefigura de Nossa Senhora, Mãe dAquele que atrairia um sem-fim de graças para o mundo.

Santo Elias, fundador do Carmo, mosteiro de La Encarnación, Ávila, Espanha
Santo Elias, fundador do Carmo,
primeiro devoto de Nossa Senhora,
mosteiro de La Encarnación,
Ávila, Espanha
“41. Então Elias disse a [o rei] Acab: Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva.

“42. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos.

“43. Disse ao seu servo: Sobe um pouco, e olha para as bandas do mar. Ele subiu, olhou (o horizonte) e disse: Nada. Por sete vezes, Elias disse-lhe: Volta e (olha).

“44. Na sétima vez o servo respondeu: Eis que, sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão. Elias disse-lhe: Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça, para que a chuva não o detenha.

“45. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente.” (I Reis, 18, 41-45
A mais antiga invocação de Nossa Senhora no mundo é “Virgo Flos Carmelij”, ou “Virgem Flor do Monte Carmelo”.

O Carmo representa o extremo da devoção a Nossa Senhora, que lutará no fim do mundo contra o Anticristo e contra os últimos inimigos de Nosso Senhor.

Ela constitui uma ponte desde o início da devoção a Nossa Senhora no mundo, séculos antes dEla ter nascido, até a luta contra os últimos inimigos de Nossa Senhora no fim do mundo. Contra esses virá lutar precisamente Santo Elias como está anunciado no Apocalipse.

Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock. Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock.
Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
O Carmo desde muito cedo cultivou a verdadeira devoção a Nossa Senhora pregada por São Luís Maria Grignion de Montfort.

Fica fácil compreender a importância da emergência diante da qual São Simão Stock foi levado a realizar o seu apostolado.

Os carmelitas reconstituídos no tempo das Cruzadas, tiveram que abandonar a Terra Santa perseguidos pelos invasores islâmicos e passaram para o Ocidente.

Mas no Ocidente havia indiferença para com eles, não eram compreendidos e estavam meio dispersos.

São Simão Stock (1165 aprox - 1265), era o Geral deles, mas não exercia uma autoridade efetiva porque a Ordem do Carmo era como os destroços boiando sobre um mar revolto de um navio, a estrutura jurídica, coesa e uniforme, capaz de conservar, promover e transmitir um espírito à posteridade.

Nessa situação, rezando a Nossa Senhora com muita devoção, num convento de Cambridge, na Inglaterra, pediu que Ela não deixasse morrer a Ordem do Carmo.

No auge dessa aflição Nossa Senhora lhe apareceu, e lhe deu o escapulário do Carmo, que é o escapulário grande da Ordem que é como que uma libré, que se coloca sobre a túnica.

Ao mesmo tempo, revelou o famoso privilégio sabatino, ligado a quem usa piedosamente o escapulário do Carmo: a graça da perseverança final.

E se vai para o purgatório, será liberto no primeiro sábado que ocorrer depois da sua morte.

Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Então, depois dessa intervenção de Nossa Senhora, a Ordem começou a florescer e ao Ocidente, para falar senão em três pessoas, Santa Teresa, a Grande; São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Para não falar em outros santos, são três sóis no firmamento da Igreja.

Mais ainda do que isso, Nossa Senhora assegurou a continuidade da Ordem até os últimos dias.

São Simão Stock cumpriu uma missão enorme. Ele foi o traço entre a vida ocidental e a vida oriental da Ordem num momento em que essa espécie de istmo, entre dois continentes históricos, se adelgaçava parecendo sumir, Nossa Senhora interveio para salvá-la e lhe dar muito mais do que tinha antes.

A Ordem teve, no Ocidente, uma prosperidade muito maior do que teve no Oriente.

E com esses dois privilégios, Nossa Senhora transmitiu uma ideia exata de como se deve confiar nEla e de qual é o papel dEla nas obras que Ela ama.

Porque nas obras que Ela ama, as coisas podem chegar a ponto de se estraçalhar quase que completamente.

Mas quando tudo fica perdido, é o momento que Ela reserva para intervir.

As grandes intervenções de Deus são precedidas por uma fase onde tudo fica perdido, para ficar inteiramente claro que nenhum socorro humano adianta de nada.

São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
Depois que ficou provado que tudo quanto era humano fracassou, na desolação e no caos, Nossa Senhora intervém e salva a situação.

Foi o que Ela fez com a Ordem do Carmo. Quer dizer, uma lição de confiança magnífica.

Há um fato da história francesa que também se aplica ao momento atual: havia um general ruim defendendo a praça de guerra de Cremona.

Os inimigos investiram, o general saiu a combate e acabou preso. Mas os inimigos não conseguiram tomar a praça porque um outro general mais competente começou a dirigir a defesa.

Então, os franceses fizeram uma cançãozinha, que era mais ou menos assim:

– Français rendez grâce à Belone – Belona era a deusa da guerra – car votre bonheur est sans égal; vous avez gardez Cremone e perdu votre géneral.

– Franceses agradecei a Belona – a deusa da guerra – porque vossa felicidade não tem igual: vós conservastes Cremona e perdestes vosso general.

Na crise atual, nós também guardamos o escapulário e perdemos os maus generais.

Enquanto tudo desaba ou é abandonado, no fundo ficamos soberanamente bem servidos com a situação.

É uma lição de confiança em Nossa Senhora do Carmo no dia de sua festa.










Vídeo: Procissão de Nossa Senhora do Carmo 2016 em São João del Rei, MG





terça-feira, 2 de julho de 2019

Onda pela vida varre os EUA

Mike Gonidakis, Sue Swayze Liebel e Eric Johnston obtiveram vitórias legislativas estaduais pela vida
Mike Gonidakis, Sue Swayze Liebel e Eric Johnston
obtiveram vitórias legislativas estaduais pela vida
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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É uma onda na maioria dos estados dos EUA. E é uma onda pela vida, avaliou com pesar o jornal arauto do aborto “The New York Times”.

Um estado após outro aprovou amplas restrições do massacre dos inocentes neste ano, chegando à proibição quase total em Alabama, à proibição em Ohio após detectar latido fetal e à interdição em Utah após as 18 semanas.

Vários estados sancionaram leis que desafiam as proteções judiciárias federais ao aborto com júbilo dos setores conservadores e temor nas esquerdas.

Por isso, diz o “The New York Times”, o movimento antiaborto, desenvolvido durante quase cinco décadas, está mais perto do que nunca de reverter a sentença Roe vs. Wade, da Corte Suprema. que legalizou o aborto no país e serviu de modelo para o resto do mundo.

A deputada estadual Mary Elizabeth Coleman obteve em Missouri a lei que bane o aborto após 18 semanas
A deputada estadual Mary Elizabeth Coleman
obteve em Missouri o banimento do aborto
após 18 semanas
O movimento confia em que o presidente Trump aja em favor da vida, agora que a Corte Suprema parece estar inclinada a seu favor.

A determinação de defensores da vida e legisladores antiaborto a nível nacional está impulsionando dúzias de projetos de lei nos últimos meses.

As leis mais claras já aprovadas ainda não entraram em vigor e terão que enfrentar tribunais ideologizados.

Segundo o jornal, isso era previsível, mas parece ser o objetivo dos ativistas antiaborto.

Esta é uma onda que atravessa o nosso país nos estados pela-vida”, disse Sue Swayze Liebel, que lidera o National Pro-Life Women's Caucus. “Todo mundo está pisando o acelerador”, acrescentou.

Grupos antiaborto nacionais, como Susan B. Anthony List ou National Right to Life, fornecem modelos de legislação ou investigação para os defensores da vida.

Alabama, em maio, aprovou a lei mais salvadora de vidas dos EUA, proibindo o aborto a menos que a saúde da mãe corra perigo “grave”.

A lei já está sendo desafiada nos tribunais.

Eric Johnston, presidente da Coalisão Pela-Vida de Alabama, acha que a legislação aprovada em outros estados não vai suficientemente longe.

Mary Taylor lidera a ProLife Utah no Legislativo estadual
Mary Taylor lidera a ProLife Utah no Legislativo estadual
Mary Taylor, líder de ProLife Utah, sente “inveja” dos estados que aprovam leis antiaborto.

O Legislativo de Utah foi mais cauteloso: proibiu a morte do inocente a partir das 18 semanas.

Ohio foi o primeiro Estado que tentou em 2011, interditar o aborto após de que se detecta latido fetal.

Michael Gonidakis, presidente de Ohio Right to Life, narrou ter recebido telefonemas de “senadores estaduais de quase todos os estados do Meio Oeste” pedindo dicas para suas estratégias.

Também falou pelo telefone com o pessoal do Senado de Kentucky, que pouco depois aprovou sua própria proposta de lei sobre latido fetal.

Os defensores da vida são apoiados por setores religiosos conservadores que nos últimos tempos aumentaram a ênfase contra o aborto, embora infelizmente de Roma só cheguem desestímulos.

Não é só uma ofensiva política, é um movimento cultural que permeia a sociedade.

Em Arkansas, onde a maioria dos abortos após as 18 semanas foi interditada, Rose Mimms, líder de Arkansas Right to Life pressionou e obteve restrições adicionais.

Samuel Lee é outro líder que pede mais leis contra o aborto em Missouri
Samuel Lee é outro líder que pede
ais leis contra o aborto em Missouri
A indignação dos amantes da vida cresceu desde que o estado de Nova York aprovou o aborto nas etapas finais da gravidez e que o governador de Virginia usara uma linguagem que parecia pelo infanticídio.

Em Mississippi, esse esperneio esquerdista radical induziu a ressurreição de velho projeto que bania o aborto após a 6ª semana.

A lei passou, mas um juiz federal a bloqueou temporariamente.

“Temos que nos unir contra este ataque sem precedentes.

“Estamos lutando pela nossa subsistência”, lamentou Leana Wen, presidenta do Planned Parenthood Action Fund, num esforço desesperado para não perder tudo.

“Não precisamos de coordenação alguma”, respondeu o vice-governador Tate Reeves, de Mississippi.

“O que importa é o ímpeto. Como o ímpeto está crescendo, isso inspira a outros habilidade e certeza de que podem conseguir seu objetivo”, concluiu.


terça-feira, 25 de junho de 2019

Maioria de fiéis acredita em anjos e demônios

Anjo tira do pecado e leva a Nossa Senhora
Luis Dufaur
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Para 77% dos adultos americanos, a existência e atividade dos anjos em torno dos homens é uma verdade muito real.

Foi o que revelou uma enquête da Associated Press e da GfK, após ouvir 1.000 pessoas no mês de dezembro.

Para 88% dos consultados, a fonte dessa convicção é a religião cristã, noticiou a agência CNSNews.

Mas a crença nos anjos é compartilhada pela maioria dos não cristãos.

Inclusive mais de quatro de cada 10 americanos que jamais assistem a um serviço religioso acreditam na existência dos espíritos, celestes ou infernais.

Anjo, protetor contra o demônio. Simone Martin
Análoga sondagem feita em 2006 constatou que 81% acreditavam na existência e ação dos anjos na Terra.

A tendência para crer neles está aumentando.

Em maio de 2011, 92% dos adultos disseram ao Gallup que acreditavam em Deus.

Porém, 34% responderam a análoga enquête da Associated Press e da Ipsos dizendo que também acreditavam nos fantasmas e nos discos voadores, aliás muitas vezes ligados aos anjos infernais.

Diabo: único beneficiado com o silêncio
Contudo, se a gente fosse calcular a proporção de pregações dos púlpitos católicos sobre tão fundamental questão, o resultado seria provavelmente decepcionante.

Essa omissão pode ter efeitos trágicos no discernimento dos fiéis quanto à influência dos anjos bons e dos demônios.

Nessa confusão só o pai da mentira tira proveito.



quarta-feira, 19 de junho de 2019

Corpus Christi: milagre eucarístico de Alcalá de Henares


Luis Dufaur
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Há mais de quatro séculos todo ano a cidade de Alcalá de Henares, perto da capital espanhola Madri, leva em solene procissão pelas ruas a Custodia das Santas Formas desde a paróquia de Santa Maria Mor, onde se conservam 24  hóstias até a catedral, noticiou “Infocatólica”.

A belíssima Custódia tem uma forma peculiar. Pois foi feita para expor à piedade pública um grande número de hóstias de tamanho normal, como as destinadas à comunhão dos fiéis, e não uma grande hóstia.

Isso se deve ao milagre que comemora esta procissão.

No fim do traslado processional da custódia, o bispo diocesano celebra a Missa e depois preside uma vigília de oração com as Sagradas Formas Expostas.

No domingo, após a celebração de vésperas na Catedral, se realiza uma nova procissão solene de retorno à capela das Santas Formas na igreja de Santa Maria Mor. Ela culmina com a bênção do Santíssimo no pátio do Palácio Arcebispal.

A origem desta solenidade é mais um milagre eucarístico que impressionou profundamente a cidade.

Aconteceu no longínquo ano de 1597.

Um penitente muito arrependido foi se confessar no Colégio da Companhia de Jesus de Alcalá de Henares.

Aproximou-se do Padre Juan Juárez SJ e lhe confessou um pecado horrível: ele tinha roubado sacrilegamente hóstias de vários templos.

O penitente entregou ao sacerdote as sagradas formas embrulhadas em papel e lhe garantiu que as tinha roubado sabendo que estavam consagradas.

Naquela época havia muitos atentados contra o clero por parte do anticlericalismo, dos protestantes e dos maçons. E o Pe. Juárez SJ sabia que as hóstias poderiam estar envenenadas.

Por isso dispôs, como era norma prudencial, que ficassem guardadas na igreja dos padres jesuítas durante longo tempo.

Normalmente elas deveriam se degradar e perder a forma exterior, sinal de que havia cessado a presencia eucarística.

Porém, após passarem muitos anos, com grande surpresa se comprovou que as formas permaneciam intactas, frescas, sem o mais mínimo sinal de corrupção como acontece nesses casos.

Isso posto, os religiosos decidiram levar as hóstias a uma cripta especialmente úmida, onde foram depositadas junto com hóstias não consagradas.

E eis que as não consagradas se corromperam rapidamente e as consagradas, roubadas, devolvidas e depois guardadas durante anos estavam perfeitas.

No ano 1608, decidiu-se convocar o Provincial dos jesuítas de Toledo – o superior regional – ao Colégio dos Jesuítas de Alcalá de Henares onde se encontravam as hóstias, para ouvir seu parecer.

Ele analisou atentamente as formas e ratificou que se encontravam completamente intactas, e ordenou seu traslado ao altar-mor do templo.

As hóstias prodigiosamente preservadas passaram por uma bateria de exames para testar sua incorruptibilidade.

Diversos especialistas convocados, inclusive teólogos e doutores, não encontraram explicação alguma do fenômeno.

Só ficava uma única resposta: se tratava de um milagre.

Os anos continuavam passando e em 1619, o Dr. Cristóbal de la Cámara y Murgía, Vigário Geral da Corte Arcebispal de Alcalá de Henares, reconheceu oficialmente o sucesso prodigioso.

Assim as hóstias de Alcalá de Henares resistiram ao crime e às intempéries durante séculos.

Entretanto, um mal muito pior que os anteriores se abateu sobre as hóstias divinas. E Deus parece ter permitido para fazer compreender o mal infernal incubado nesse engendro diabólico.

Qual era esse?

O socialismo e o comunismo contra o qual Nossa Senhora veio em Fátima a prevenir o mundo, mas não foi ouvida.

Na Guerra Civil Espanhola, o templo foi saqueado e as hóstias desapareceram na destruição geral.

Ficou, porém, a lembrança dos séculos de milagre permanente à vista de todos.

Por isso, quiçá como reparação, Alcalá de Henares relembra ainda o milagre com uma procissão.

O remorso é grande, e em agradecimento a Deus pela misericórdia do milagre, se ergueu uma capela de adoração perpétua que hoje conta com 350 membros.

Quantas vezes vemos ou ouvimos falar do desrespeito da Eucaristia por vezes em cerimônias litúrgicas superficiais ou até fandangueiras?

Em quantos países socialistas ou comunistas hoje os agentes marxistas invadem e fecham igrejas sem o mais mínimo respeito por Jesus verdadeiramente presente no sacrário?

Na China, na Rússia, em países comunistas, islâmicos ou pagãos ...

E por que não olhar de frente: até no Brasil se cometem atentados do gênero.

Alcalá de Henares está aí nos dando um exemplo de reparação e penitência.

E nos mostra que a misericórdia divina não tem limites inclusive diante de certos pecados nefandos, como o socialismo e o comunismo, que fazem mal ao país.

Então Jesus se afasta. Mas, basta um gesto de arrependimento e reparação para que Ele volte até nós mais misericordioso do que outrora.

É esse tipo de penitência que Nossa Senhora veio pedir ao mundo em Fátima.



Vídeo: Milagre eucarístico de Alcalá de Henares



terça-feira, 18 de junho de 2019

Na festa de Corpus Christi, o hino “Ave Verum”
(“Salve, ó verdadeiro corpo”)

Luis Dufaur
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Na Idade Média foram compostas muitas músicas e poesias religiosas em louvor do Santíssimo Sacramento.

Esta grande devoção teve, aliás, imenso incremento no período medieval.

Podemos então dizer que ela ‒ aperfeiçoada pela Contra-Reforma ‒ chegou até nós impregnada do perfume da Idade Média.

A presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia está fundamentada nas próprias palavras de Cristo na Última Ceia: “Este é meu corpo, esta é minha sangue”.

A Fé na presença real de Cristo na Eucaristia foi professada universalmente por toda a Igreja desde sua fundação.

Só com o protestantismo que apareceram contestações, aliás mais próximas da chicana do que qualquer outra coisa. Foram sobejamente refutadas pelos Doutores e notadamente pelo Concílio de Trento.

Na crise da fé no século XX, reapareceram falsos teólogos que pretenderam reviver os erros protestantes com outro nome.

É o malfadado progressismo, que tem menos fundamento na verdade do os próprios protestantes. Todos esses erros acabarão ficando à margem da História, como já ficaram os de Calvino, Zwinglio, Melanchton ou Lutero.

No século XI, portanto em plena Idade Média, a Igreja aprofundou o estudo racional da Presença Real.

Esse genuíno desenvolvimento do dogma católico gerou um grande movimento de piedade eucarística.

Um dos seus momentos culminantes foi a instituição da festa de Corpus Christi, em 1264.

Como o povo penetrado de verdadeira fé aspirava ver a Deus feito carne na Hóstia consagrada, foi introduzido na Missa o rito da elevação. Ele acontece logo depois da Consagração.

Durante a elevação, os medievais faziam soar um sino especial, e os fiéis espalhados pela catedral ou pela igreja acorriam para ver e adorar a Hóstia divina.

Também se acendia um círio num alto candeeiro. Posteriormente acendeu-se um castiçal pequeno, também chamado de palmatória, que assim ficava até a comunhão, para significar a presença real de Cristo na Eucaristia.

Nesses felizes tempos medievais em que florescia a fé foram compostos vários hinos ao Santíssimo Sacramento cantados até hoje, ou, pelo menos, até que a desordem progressista não os bloqueou. É de se esperar que essa sabotagem não dure muito.

Entre esse hinos fiéis reflexos do dogma católico figura o Ave Verum em posição de destaque.

Ele cantava-se especialmente após a Consagração, quando o verdadeiro corpo de Cristo estava realmente presente no altar, pois o hino começa “Salve, ó verdadeiro corpo”.

A maioria dos autores concorda em atribuir a autoria a São Tomás de Aquino (+ 1274).

Ele fez outros hinos também famosíssimos, cheios de lógica e unção, consagrados a Cristo Sacramentado.

Citemos, pelo menos, o Pange língua, o Verbum supernum prodiens, o Sacris solemnis, o Adoro te devote e a não menos divinamente inspirada seqüência Lauda, Sion, Salvatorem.

Eis o texto do Ave Verum, com sua tradução ao português e sua partitura (gregoriano):

Clique aqui para ouvir (Coro da TFP americana):


Ave verum corpus natum de Maria Virgine
Salve, ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria

Vere passum, immolatum in cruce pro homine
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem

Cuius latus perforatum fluxit aqua et sanguine
De seu lado transpassado fluiu água e sangue

Esto nobis praegustatum mortis in examine
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte

O Iesu dulcis, o Iesu pie, o Iesu fili Mariae.
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.

As exclamações finais foram objeto de pequenas adaptações segundo as dioceses.

Fonte: Pe. Manuel Jesús Carrasco Terriza, “Cuerpo de Cristo, arte y vida de la Iglesia”.


O AVE VERUM em gregoriano, monges de Santo Domingo de Silos :



AVE VERUM segundo Wolfgang A. Mozart (interpretação do Coro do King's College, Inglaterra:




terça-feira, 11 de junho de 2019

De joelhos, sozinho, na meia luz e no silêncio ante o Santíssimo Sacramento


Luis Dufaur
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Neste ano a festa de Corpus Christi se comemora o dia 20 de junho.



O maná que Deus enviou para alimentar os judeus durante a travessia do deserto, após abandonar o Egito sob a direção do profeta Moisés rumo à Terra Prometida, mudava de gosto.

Por causa disso diante do Santíssimo Sacramento exposto, antes de dar a bênção, o padre ajoelhado usando uma muito bonita capa pluvial cantava: Panem de caelo, prestistis eis alelluia, Vós destes a eles pão do Céu, aleluia. Quer dizer, o maná.

O coro respondia: Omne delectamentum in se habentem, alelluia, Que tinha em si todos os sabores aleluia.

Isso fazia parte daquela distinção, daquela classe, daquela categoria, de uma bênção do Santíssimo Sacramento bem dada.

Com o Santíssimo resplandecente dentro de um sol de ouro, a interlocução entre o oficiante e o povo representado pelo coro, era esta: vós destes a eles um pão do Céu.

E o coro respondia: que contém em si todos os sabores.

Arranhando pedaços de latim, ou nada entendendo, o fiel percebia alguma coisa de uma superior beleza que excede em categoria todo o cerimonial humano.

Na igreja de São Bento, no centro de São Paulo, há uma belíssima capela do Santíssimo Sacramento.

É um dos lugares de São Paulo onde, fugindo da agitação da cidade, se pode comungar com mais agrado.

Ou, mais simplesmente, passar por lá durante o dia, e fazer visitas ainda que rápidas ao Santíssimo Sacramento.

Não há o que incite mais à piedade do que algo composto. E a capela, prima pela beleza, pela distinção e compostura.

Essa capela tem o teto baixo e é separada por alguns degraus da igreja.

O conjunto de circunstâncias arquitetônicas e artísticas ajuda a dar a impressão de estar ali Jesus prestando atenção em cada visitante.

Nossa Senhora tem um papel nisso. Ela não faz entre Deus e nós o papel de corpo opaco nem mesmo translúcido, mas o da lente.

A devoção a Maria representa o cristal que se coloca no ostensório diante da Hóstia: todo olhar deve passar por ele para se chegar a ver as Sagradas Espécies.

Ele não prejudica a visão; pelo contrário, necessariamente é preciso passar-se por ele para vê-lO de uma maneira mais nítida.

São Luís Grignion de Montfort explica muito bem o fundamento teológico disso: Nossa Senhora é como uma lente poderosa e pura, que concentra em nós as graças que vêm de Deus.

Como é lindo o operar discreto de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento!

Porque Ele tem pena de nós.

Todos nós de algum modo quando entramos num recinto sagrado onde está o Santíssimo Sacramento, o mais das vezes algo nos diz que Ele está lá.

Então Ele conversa conosco na noite dos nossos sentidos, mas de uma forma que é muito mais nobre do que o puro ver e o puro sentir material.

Ele nos diz: “Eu estou presente”.

O convívio eucarístico é inteiramente indescritível. Ele nos consola com uma esperança, que é um prenúncio de toda a alegria que vamos ter em vê-lO no Céu por toda a eternidade.

Há um jogo da misericórdia infinita dEle.

Porque Ele sustenta com condescendência a fraqueza do homem.

Um homem que tenha visto Nosso Senhor com os olhos carnais no tempo em que Ele estava nesta vida, vamos dizer por exemplo Pilatos ou Herodes, talvez não tivesse sentido nada do que cada um de nós sente aos pés do Sacrário ou do ostensório.

Nós, entrando na igreja, já vamos sentido a influência divina sabendo que a 20, 30 metros de nós, sozinho, numa sala com lamparina acesa e circundado de anjos numa quantidade inexprimível, está Nosso Senhor Jesus Cristo realmente presente.

Nosso Senhor fez uma coisa grandiosa, divina, quando instituiu a Eucaristia.

Ele pensou nessa magnífica influencia que Ele exerceria sobre todos os homens que se aproximariam até Ele durante milênios.

Santíssimo Sacramento adorado na igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Santíssimo Sacramento
adorado na igreja das Bernardinas, Cracóvia, Polônia
Nós conhecemos por aí os aspectos diferentes da nossa própria vocação de católico que Nossa Senhora pôs em nós pela mediação que fez da graça que nos trouxe à Igreja.

Por isso podemos dizer com a alma cheia, como os judeus no deserto diziam do maná: Omne delectamentum in se habentem.

Quer dizer, o Santíssimo Sacramento tem em si toda espécie de deleites. Sobretudo quando as nossas almas se abrem para a beleza, a honra e a glória, o lumen – a luz divina – da vocação de católico.

Porque o maná era assim.

O nosso lado bom é assim, e só o conhecemos bem quando nós nos detemos a degustar esse convívio, sozinhos, ajoelhados, numa meia luz, no silêncio, diante do Monumento que conserva a Jesus vivo mas que nos fala no mais fundo da alma.

Assim, percebemos melhor como a balbúrdia e o caos em que o mundo afora afunda cada dia mais não é nada, e está condenado a passar e desaparecer.

E ao mesmo tempo podemos ouvir ao infinito no fundo das nossas almas o canticum novum do Reino de Maria que se regozija em cada um de nós.



Vídeo: “Adoro te devote” (“Adoro-Vos devotamente”) hino a Jesus Sacramentado




terça-feira, 28 de maio de 2019

Rosto de Jesus apareceu em hóstia consagrada

Luis Dufaur
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Na paróquia da Imaculada Conceição, na cidade de Tigre, diocese de San Isidro, na Grande Buenos Aires, o rosto de Jesus Cristo, tal como é visto no Santo Sudário de Turim, apareceu na hóstia que um sacerdote acabara de consagrar, causando grande surto de piedade entre os fiéis, noticiou a agência ACIPrensa.

O fato foi também testemunhado por leigos, enquanto o sacerdote caía de joelhos e exclamava com voz forte: “Eu não sou digno!”.

Diversos depoimentos foram lavrados e encaminhados ao bispo, que fez o inquérito devido e reconheceu publicamente a autenticidade sobrenatural do prodígio.

Um outro sacerdote presente afirmou:

“Era o rosto gravado no Santo Sudário. Via-se muito bem um Cristo com os olhos fechados, morto, próprio à Sexta-Feira Santa”.

Numa época em que o inferno multiplica as ofensas contra a Igreja e o Santíssimo Sacramento, Nosso Senhor mais uma vez patenteou, com a severidade do rosto do Santo Sudário, a presença real na hóstia consagrada.

O fenômeno milagroso se deu na paróquia da Imaculada Concepção, uma capela do tempo do vice-reinado, na localidade de Tigre.

Capela paróquia da Imaculada Conceição onde aconteceu o milagre
Capela paróquia da Imaculada Conceição onde aconteceu o milagre
O bispo diocesano, Mons. Oscar Ojea, se pronunciou favoravelmente ao relato elaborado pelo Pe. Agustin Bollini, sacerdote do Verbo Encarnado (IVE), quem estava confessando durante a missa celebrada pelo Pe. José Luis Quijano, em cujas mãos se operou o milagre.

Também interrogou ao sacerdote com quem se deu o milagre.

O Pe. Bollini escreveu: “aguardando o momento da elevação, durante o canto, o padre segurava a hóstia com suas mãos e nós vimos que chamava a Harry, um homem de idade, freguês desta igreja.

“E depois de falar com ele, segurando sempre a hóstia em suas mãos, irrompeu num pranto forte e desconsolado”.

“Todos ficamos estupefatos e quando reagi para subir no altar, o Pe. Fazendo esforço e secando as lágrimas, começou a dizer com palavras entrecortadas: ‘isto não é para mim, eu não sou digno, é uma graça para vocês” e caiu de joelhos junto com Harry.

“O coroinha e a maioria dos fiéis o imitamos impressionados pela sua reação, e ficamos assim até que ele se pôs de pé e pode continuar a celebração”.

“Quando o Pe. viu a cara de Jesus na hóstia, não podendo dar crédito àquilo que via chamou a Harry e perguntou: ‘Que vedes?’ E ele confirmou: ‘o rosto de Jesus’”.

O bispo, na sua mensagem reafirmou que os católicos temos certeza pela fé que Deus se torna presente de forma real e verdadeira em cada consagração.

Mas, o fato de manifestar essa presença de modo sensível é um convite a aprofundar a fé na Eucaristia e na prática da caridade.

Segundo “La Nación” o bispo afastou qualquer “interpretação apressada que distorça os fatos”, mas confirmou que o testemunho do padre lhe pareceu “totalmente confiável”.

O Pe.José Luis Quijano que viu o rosto de Jesus na hóstia recém consagrada
O Pe.José Luis Quijano que viu o rosto de Jesus na hóstia recém consagrada

O padre Quijano tem 62 anos, 35 de sacerdócio, e há três anos se desempenha como pároco.

“Era a imagem do Santo Sudário de Turim, contou. Por isso afirmo que era o rosto de Jesus e não outro. O reconheci logo. Era o rosto que ficou gravado no Santo Sudário.

“Um Cristo com os olhos fechados. Um Cristo morto, próprio para uma sexta-feira de Quaresma”.

“O rosto estava muito claro, muito definido, nítido, não esfumaçado. Também o cabelo. Quando dividi a hóstia sobre a patena, desapareceu”.

“Depois da bênção do Santíssimo, tirei os óculos e comecei a chorar. Olhei para as pessoas, não falei de milagre, mas de graça eucarística. Não falei que vi o rosto de Jesus. Só depois no átrio”.

“Eu nasci numa família católica, toda minha vida fui a missa, nunca duvidei da presença de Deus na Eucaristia.

“Tenho a certeza da fé de que Deus está aí. O mais importante é que o fato foi real, aconteceu, e não foi com uma só pessoa, mas que outrem pode verificar.

“Um dos padres que ficaram sabendo e que me conhece há anos, disse: “se for de um outro não sei se acredito. Mas o Sr. não é de inventar essas coisas”. Sou uma pessoa muito racional, que vive dos fatos ordinários e não dos extraordinários”, concluiu.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

13 de outubro: Fátima, a crise mundial e a solução

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Não há sobre a Terra uma só nação que não esteja a braços, em quase todos os campos, com crises gravíssimas.

“Se analisarmos a vida interna de cada país, notaremos nele um estado de agitação, de desordem, de desbragamento de apetites e ambições, de subversão de valores que, se já não é a anarquia franca, em todo o caso caminha para lá.

“Nenhum estadista de nossos dias soube ainda apresentar o remédio que corte o passo a esse processo mórbido, de envergadura universal.

“Mas, para a gravidade desta crise universal, a mensagem de Nossa Senhora de Fátima abre os olhos dos homens, apresentando-lhes uma explicação à luz dos planos da Providência Divina, e também indicando-lhes os meios necessários para evitar a catástrofe.

“É a própria história de nossa época, e mais do que isto o seu futuro, que nos é ensinado por Nossa Senhora.

“A época contemporânea tem um privilégio: em Fátima, Nossa Senhora veio falar aos homens.

“Ela, a um tempo, explica os motivos da crise e indica o seu remédio, profetizando a catástrofe caso os homens não a ouçam.

“De todo ponto de vista — pela natureza do conteúdo como pela dignidade de quem as fez — as revelações de Fátima sobrepujam, pois, tudo quanto a Providência tem manifestado aos homens na iminência das grandes borrascas da História.”



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, maio/1953)

terça-feira, 30 de abril de 2019

Heroico sacerdote entre as chamas de Notre Dame

O Pe. Jean-Marc Fournier resgatou a Santa Coroa de espinhos de Jesus Cristo © Etienne Loraillère-KTOTV
O Pe. Jean-Marc Fournier resgatou a Santa Coroa de espinhos de Jesus Cristo
© Etienne Loraillère-KTOTV
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O Pe. Jean Marc Fournier é capelão-chefe dos bombeiros de Paris. Ele foi formado na Fraternidade Sacerdotal São Pedro e também foi capelão das tropas francesas em ação no Afeganistão.

Os bombeiros na Franca estão na área militar e por isso quando passou a se desempenhar como capelão deles, também passou canonicamente da Fraternidade São Pedro à jurisdição militar.

Ele se encontrava de plantão no momento que estourou a alarme pelo incêndio de Notre Dame e acorreu com os bombeiros para cumprir seus deveres sacerdotais para com os socorristas e eventuais vítimas.

Mas ele discernia que a principal vítima do fogo poderia ser o próprio Jesus Cristo presente verdadeiramente no Ssmo Sacramento. E, em graus diversos menores nas preciosas relíquias custodiadas na catedral de Paris.

Nesta nossa época de tanto indiferentismo e relativismo, e até ateísmo, a Divina Vítima corria o risco de ser esquecida até pelos seus custódios naturais que são as autoridades eclesiásticas da catedral presididas pelo Cardeal arcebispo de Paris.

Ninguém tinha feito qualquer coisa por Ele.

O que fazer à vista da ferocidade do incêndio? O Pe. Fournier revelou uma coragem inspirada pela Fé que superou todos seus atos sacerdotais no Afeganistão entre as tropas que combatiam os fanáticos islâmicos.

Ele contou tudo à TV católica francesa KTO. Ouçamos seu próprio relato:

“Eu era o capelão de plantão esse 15 de abril quando um incêndio extraordinário aconteceu em Notre Dame, a catedral de Paris (...) eu fui convocado.

“Logo que eu cheguei, me pareceu que devia cumprir duas coisas essenciais.

“A primeira era salvar esse tesouro inestimável que é a Coroa de Espinhos e, imediatamente, com certeza, Jesus presente no Santíssimo Sacramento.

“Entrando na catedral, verificamos que havia sido pouco invadida pela fumaça e não estava quente.

“Logo tivemos uma espécie de visão do que pode ser o inferno. Quer dizer cascatas de fogo que caiam precisamente das aberturas provocadas pela queda da agulha e também por diferentes buracos no coro dos cônegos”.

“Fui acompanhado por um oficial graduado. A dificuldade para nós foi encontrar o responsável pelo código para abrir a caixa forte onde está a santa relíquia.

“Isso levou um certo tempo e durante a procura do código, uma equipe de bombeiros começou a trabalhar visando salvar a relíquia.

“Quer dizer, foram por cima do cofre pulverizando-o.

“Voltamos assim que achamos as chaves, mas quando chegamos quase simultaneamente os bombeiros já haviam tirando a relíquia e a tinham resguardado e entregue à proteção dos responsáveis, quer dizer, da polícia.

“Todo mundo compreende bem que a Santa Coroa é uma relíquia absolutamente única e extraordinária.

“E, o Santíssimo Sacramento é Nosso Senhor presente realmente em Corpo, Alma, Humanidade e Divindade.

“O Sr compreende que é delicado ver morrer nas chamas alguém que a gente ama.

“Acompanhando frequentemente os bombeiros eu vejo muito as vítimas dos incêndios e eu conheço os efeitos.

“Eis porque eu queria preservar absolutamente Nosso Senhor Jesus Cristo presente realmente. (...)

“Os bombeiros estavam presentes com 18 carros lançadores atacando o fogo. Nós chegamos a ser 600 bombeiros (...) para acabar com esse fogo que alguns não hesitam em qualificar de ‘incêndio do século’. (...)

“Eu tirei o Ssmo Sacramento no momento em que o fogo ia pegar na Torre Norte ameaçando arruiná-lo.

“Eu não queria tirar sem solenidade o Ssmo. Sacramento. Então, eu aproveitei para fazer uma bênção do Ssmo. Sacramento.

“Nessa hora eu estava sozinho na catedral nesse ambiente de chamas, de fogo, de coisas que caiam desde o forro.

“Fazendo essa bênção eu implorei a Jesus que nos ajude a preservar sua residência.

“Eu acredito que Ele me ouviu e a manobra do general [chefe de operações dos bombeiros] foi tão brilhante, que pelas duas coisas deu-se não só que o fogo se deteve, mas que a Torre Norte foi preservada.

“E preservando a Torre Norte foi também salva a Torre Sul.

“Nós iniciamos a Quaresma impondo as Cinzas e dizendo “Lembra-te, ó homem, que tu és pó e em pó hás de tornar”.

“Pois bem, foi uma Quaresma em miniatura, a catedral estava no ponto de voltar a ser pó não para desaparecer completamente.

“Mas, para voltar e renascer mais bela e mais forte após a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, da mesma maneira que os cristãos”.

Vídeo: fala sacerdote herói entre as chamas de Notre Dame (francês)