segunda-feira, 28 de setembro de 2020

São Miguel Arcanjo: modelo de combatividade

São Miguel Arcanjo, missão de San Miguel Arcángel, Califórnia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“No dia 29 do corrente, a Santa Igreja celebrará a festa de São Miguel Arcanjo.

“Outrora, esta data era muito vivamente assinalada na piedade dos fiéis. Hoje em dia, infelizmente, poucos são os que a tomam como ocasião especial para tributar culto ao Príncipe da Milícia Celeste.

“Entretanto, o culto de São Miguel, atual para todos os povos em todos os tempos, tem títulos muito especiais para ser praticado com particular fervor em nossos dias. ....

“São Miguel é o modelo do guerreiro cristão, pela fortaleza de que deu prova atirando ao inferno as legiões de espíritos malditos.

São Miguel Arcanjo, santuário de Fourvière, Lyon“É ele o guerreiro de Deus, que não tolera que em sua presença a Majestade divina seja contestada ou ofendida, e que está pronto a empunhar a qualquer momento o gládio, a fim de esmagar os inimigos do Altíssimo.

“Ensina-nos ele que não basta ao católico proceder bem: é seu dever combater também o mal. E não apenas um mal abstrato, mas o mal enquanto existente nos ímpios e pecadores.

“Pois São Miguel não atirou ao inferno o mal enquanto um princípio, uma mera concepção da inteligência, e nem princípios e concepções são suscetíveis de serem queimadas pelo fogo eterno.

“Foi a Lúcifer e a seus sequazes que ele atirou no inferno, pois odiou o mal enquanto existente neles e amado por eles.

“Vivemos em um tempo de profundo liberalismo religioso. Poucos são os cristãos que têm ideia de que pertencem a uma Igreja militante, tão militante na Terra quanto militantes foram no Céu São Miguel e os Anjos fiéis.

“Também nós devemos saber esmagar a insolência da impiedade. Também nós devemos opor uma resistência tenaz ao adversário, atacá-lo e reduzi-lo à impotência.

“São Miguel, nesta luta, não deve ser apenas nosso modelo, mas nosso auxílio. A luta entre São Miguel e Lúcifer não cessou, mas se estende ao longo dos séculos.

“Ele auxilia todos os cristãos nos combates que empreendem contra o poder das trevas.”



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", setembro de 1951).

Cânticos gregorianos para a festa de São Miguel Arcanjo:


Introito “Benedicite Domino"

Laudate Deo omnes Angeli

Stetit angelus (Alleluia)

Benedicite omnes angeli (Comunhão)



terça-feira, 22 de setembro de 2020

Cataratas que sugerem superior vocação histórica

Cataratas do Iguaçu em 360º
Veja vídeo


Clique na foto para Cataratas do Iguaçu em 360º
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Quem, antes de descer no aeroporto da cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, observar do avião as famosas Cataratas do Iguaçu, fica extasiado com a grandiosidade da visão panorâmica das diversas quedas-d'água.

Saindo do aeroporto, o viajante precisa percorrer alguns quilômetros para começar a ouvir o ruído das águas.

De início um tanto surdo, ele vai crescendo assustadoramente, tornando-se estrondoso junto às quedas.

Uma imagem ­entre outras - é compreensível que ocorra ao espírito do viajante, eventualmente já predisposto por aquele flash anterior: a majestosa ira divina.

De fato, se Deus quisesse representar seu furor para os homens, mediante o som, seria apropriado Ele utilizar tal ruído - prestigioso e terrificante.

A visão das quedas que se tem a partir do território brasileiro é bastante panorâmica, embora do lado nacional haja apenas 600 metros de cataratas.

De longe, a maior parte destas encontra-se em território platino: 2.600 metros.

Compensa largamente, portanto, atravessar a fronteira com a Argentina e andar mais de um quilômetro sobre passarela no país vizinho até chegar bem junto à maior das gargantas, para admirar a espuma d'água que sobe para o céu, proveniente do jato líquido descomunal precipitando-se de uma das rochas!

Brasil, Argentina: duas nações vizinhas e irmãs.

Irmãs antes de tudo na profissão da Fé católica, mas também na herança do precioso legado ibérico que as une.

Costuma haver certa correspondência entre o espírito, a mentalidade, bem como a história dos povos e os acidentes geográficos que lhes servem de moldura.

Se a Providência Divina concedeu a essas duas nações católicas da Ibe­ro-América tal maravilha natural, a decorrência se impõe: a gesta - feitos heroicos de seus habitantes - serem do porte dela.

Eis aí uma vocação histórica superior, que o próprio contexto providencial sugere aos dois grandes países da Cristandade ibérica formada no Continente americano!


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, sem data, apud "Catolicismo", janeiro de 1995)

terça-feira, 15 de setembro de 2020

174º aniversário da aparição de Nossa Senhora em La Salette

Há 174 anos, em 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette e deixou uma mensagem
Há 174 anos, em 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette e deixou uma mensagem
Luis Dufaur
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Num 19 de setembro, há exatamente 174 anos, Nossa Senhora apareceu em La Salette.

Ela deixou uma mensagem da mais alta importância. Essa mensagem, mais conhecida como o Segredo de La Salette, encontra-se transcrita na integridade e em diversas línguas neste blog.

Enquanto Nossa Senhora falava, o magnífico panorama alpino do local se transformou. E as crianças viram nele a efetivação do que Nossa Senhora dizia.

Mas, Nossa Senhora falou também pelo olhar. E disse coisas que as palavras são insuficientes para transmitir.

Mélanie descreveu assim esse olhar de Nossa Senhora:

Olhar de Santa Gemma Galgani
Olhar de Santa Gemma Galgani
“Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna mãe, não podem ser descritos por língua humana.

“Seria preciso um serafim, seria preciso a linguagem do próprio Deus, desse Deus que criou a Virgem Imaculada, obra-prima de sua onipotência.

Olhar de Santa Teresinha
Olhar de Santa Teresinha, OCD

“Os olhos da augusta Maria pareciam mil vezes mais belos que os brilhantes, os diamantes, as pedras preciosas mais procuradas.

“Eles brilhavam como sóis. Eram doces, feitos da própria doçura, luminosos como um espelho.
Olhar de Santa Bernadette Soubirous

“Em seus olhos via-se o Paraíso, eles atraíam a Ela.

“Ela parecia querer dar-se e atrair. Quanto mais eu a olhava, mais a queria ver.


Olhar de São Pio X, Papa
Olhar de São Pio X, Papa
“Quanto mais a via, mais a amava com todas minhas forças.

“Os olhos da bela Imaculada eram como a porta de Deus, de onde se via tudo que pode inebriar a alma.


Olhar de Santa Teresa de los Andes, OCD
Olhar de Santa Teresa de los Andes, OCD
“Quando meus olhos se encontravam com os da Mãe de Deus e minha, sentia dentro de mim uma feliz revolução de amor, uma promessa de amá-la e de me desfazer de amor.

“Quando nos olhávamos, nossos olhos conversavam à sua maneira.

Olhar da Beata Elisabeth de la Trinité, OCD
Olhar da Beata Elisabeth de la Trinité, OCD
“Eu a amava tanto, que teria querido osculá-la entre os olhos.

“Eles enterneciam minha alma e pareciam atraí-la e a fundir com a minha.

“Seus olhos inculcaram um suave tremor em todo o meu ser.
Olhar de São Luís Orione (Don Orione)
Olhar de São Luís Orione (Don Orione)

“Eu temia qualquer movimento que lhe pudesse ser desagradável, por menor que fosse.

“A simples visão dos olhos da mais pura das virgens teria bastado para tornar-se o céu de um bem-aventurado.
Olhar de São João Bosco
Olhar de São João Bosco

“Teria bastado para que uma alma se unisse plenamente com a vontade do Altíssimo, permanecendo assim em meio aos eventos da vida mortal.


“Teria bastado para que esta alma praticasse contínuos atos de louvor, de ação de graças, de reparação e de expiação.
Olhar da Beata Jacinta Marto (vidente de Fátima)
Olhar da Beata Jacinta (vidente de Fátima)

“Esta simples visão concentra a alma em Deus e a torna como uma morta viva que olha todas as coisas da Terra, até as que lhe parecem mais sérias, como se fossem brinquedos de crianças.

Olhar de São Pio de Pietrelcina (Padre Pio)
Olhar de São Pio de Pietrelcina (Padre Pio)
“Ela não desejaria senão ouvir falar de Deus e do que toca na sua glória”.




Enquanto Nossa Senhora falava, no imenso panoarma alpino viam-se os acontecimentos  que Nossa Senhora anunciava e os males que queria evitar para a humanidade pecadora
Enquanto Nossa Senhora falava, no imenso panoarma alpino viam-se os acontecimentos
que Nossa Senhora anunciava e os males que queria evitar para a humanidade pecadora

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Como era Nossa Senhora de La Salette
e como era seu pranto

Luis Dufaur
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No próximo dia 19 se cumpre mais um aniversário da aparição de Nossa Senhora em La Salette.

Consideremos ponto por ponto a descrição de Mélanie de Nossa Senhora naquela ocasião:

“A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada”.

A altura é um apanágio da majestade. Tanto é que aos príncipes que não são reis, se diz Vossa Alteza.

É evidente que não é altura física. Mas a altura física é uma imagem física da altura nos outros sentidos.

Portanto, não era necessário, mas convinha a Nossa Senhora uma altura bem proporcionada.

Porque a altura bem proporcionada é o contrário da altura esmagadora. É o que torna a altura acessível é a perfeição de suas proporções.

É o encaixe de várias coisas pequenas nEla, com graça e harmonia, que tornam essa altura variegada. É uma unidade na variedade.

Então, essa perfeição das proporções dEla.

Depois, Mélanie continua:
“Ela parecia tão leve que um sopro poderia atingi-La.

Realmente, um ente inteiramente espiritual, no qual o corpo era apenas uma dependência dominada pelo espírito; e não sujeita, portanto à lei da gravidade e à atração de terra. O sobrenatural nEla estava na sua plenitude.

E ainda:

“Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo que Sua majestade impunha respeito entremeado de amor.

Então, era um respeito que, de um lado incutia temor e, do outro lado, incutia amor.

É propriamente a imagem da majestade verdadeira. É uma majestade que mete um temor reverencial, quer dizer, um temor feito não do medo da chibata, que acessoriamente pode entrar, mas é feito daquele medo de desgostar um tão alto ser e, por outro lado, um amor que Ela incutia pelo fato de ser quem era.

Isso está esplendidamente expresso.

“Ela atraía.

Realmente, a verdadeira majestade atrai. A verdadeira majestade não repele.

Quando a gente vê uma majestade que repele é uma falsa majestade. Por exemplo, Napoleão tinha uma majestade que repelia. Era porque não tinha nada de majestade autêntica. A verdadeira majestade atrai, não repele.

“Ao seu redor, como em sua pessoa, tudo respirava majestade, esplendor, magnificência de uma rainha incomparável.

O que havia em torno dEla? Um campinho ordinário, com umas ervinhas, mas Ela entrava e tudo se transformava num palácio. Por quê?

Porque a Escritura diz: “gloria ab intus”: toda glória da filha do rei – que é Nossa Senhora – lhe vem de dentro dEla, e Ela comunica essa glória a tudo quanto está em torno dEla.

“Ela parecia bela, clara

É a claridade luminosa, sobrenatural.

“imaculada, cristalina, celeste.

Mélanie Calvat, vidente de La Salette
Mélanie Calvat, vidente de La Salette
A ideia de cristalino firmar a pureza e o que havia de diáfano dentro dEla; algo da nobreza dos cristais

“Parecia-me também como boa Mãe, cheia de bondade, amabilidade, amor conosco, compaixão e misericórdia.

É por isso que São Bernardo constituindo a Salve Rainha pôs esse paradoxo logo no começo “Salve Rainha”; logo depois, “Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa”. Sumamente Rainha, sumamente Mãe e Mãe de suma misericórdia.

Essa justaposição nos dá bem a ideia da majestade perfeita.

Depois Mélanie passa a falar das lágrimas. Nossa Senhora chorava.

Mas há dois modos de chorar: há um modo de chorar cheio de fraqueza e há um modo de chorar cheio de sobranceria.

A gente chora quando está abaixo da dor mas pode chorar também quando está acima da dor. Vamos ver como é o pranto de Nossa Senhora.

“A Santa Virgem chorava durante quase todo o tempo em que me falou. Suas lágrimas corriam uma a uma lentamente, até seus joelhos.

Eram lágrimas que corriam lentamente indicando o domínio. Nada de descabelado, nada de convulsivo.

Eram lágrimas como de uma rainha cheia de uma tristeza nobre e serena.

Elas se sucedem umas às outras, chegam até o joelho para indicar o impulso com que elas são choradas.

Como para indicar que assim como a lágrima lhe corre quase ao longo de todo o corpo, esta dor inunda toda a alma. É um símbolo belíssimo que há nisso.

Depois acrescenta:

“Depois, como fagulhas de luz, elas desapareciam.

Como é que podia acontecer com as lágrimas de Nossa Senhora?

Cair na terra?

Ficar formando um bolinho misturando com terra ou prosaicamente empapar o vestido dela?

A gente pode compreender uma rainha com os hábitos úmidos e pesados de lágrimas? Não.

Então, esse desaparecer como faíscas é uma beleza. A lágrima que no último momento brilha, dá uma luz e é recolhida pelo Padre Eterno nos seus esplendores.

É uma solução lindíssima para um problema que facilmente poderia se tornar prosaico.

“Eram brilhantes e cheias de amor.

Também as lágrimas de uma tal rainha deviam ser luminosas. Não podiam ser lágrimas opacas. Não podia ser.

Lágrima d’Aquela que é toda pura, só pode ser lágrima cristalina. A gente compreende que um certo brilho possa significar especialmente o amor. Há um mundo de tato em todas essas formulações. Tudo é bem pensado.

“Eu quisera consolá-La e que Ela não chorasse, mas parecia-me que precisava mostrar suas lágrimas para melhor mostrar seu amor esquecido pelos homens.

“As lágrimas de nossa terna mãe, longe de enfraquecer seu ar de majestade de rainha e senhora, pareciam, ao contrário, embelezá-La.

A verdadeira rainha é tal que ela tem uma beleza quando ela está alegre, outra beleza quando ela está triste, outra beleza quando ela está despreocupada. Em tudo são belezas especiais.

Em Nossa Senhora as lágrimas davam uma beleza inconfundível, que é a beleza da dor da rainha.

“pareciam, ao contrário, embelezá-la, torná-la mais digna de amor - amável aí quer dizer mais digna de amor - mais radiante.

Radiante no sentido de irradiante.

No próximo post comentaremos o olhar de Nossa Senhora segundo Mélanie.

(Comentários: Plinio Corrêa de Oliveira, 19/09/66. Sem revisão do autor)


Vídeo: Uma visita a La Salette  clique na foto



terça-feira, 1 de setembro de 2020

Jesus Sacramentado intacto em igreja incendiada

O tabernáculo de madeira miraculosamente salvo das chamas, em Pandacan, Filipinas, 10-07-2020.
O tabernáculo de madeira miraculosamente salvo das chamas,
em Pandacan, Filipinas, 10-07-2020.
Luis Dufaur
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Em 10 de julho (2020) um incêndio generalizado consumiu inteiramente a multissecular igreja de madeira do Santo Niño (Menino Jesus) de Pandacan, na periferia de Manila, capital das Filipinas, segundo informaram fartamente a imprensa local e agências missionárias como UCANews.

Dá-se por perdida a milagrosa imagem do Menino Jesus, de mais de 400 anos, que se encontrava no altar-mor, logo acima do sacrário.

O incêndio foi controlado em uma hora, mas o interior da antiga igreja, feito de madeira, ardeu rapidamente, reduzindo tudo a cinzas, inclusive imagens religiosas.

Dois terremotos e um incêndio destruíram a igreja original, porém os devotos, sob a direção do Pe. Francisco del Rosario, da Missão franciscana nas Filipinas, construíram em 1732 o templo atual.

“O fogo alastrou-se rapidamente e quem lá estava só conseguiu guardar as roupas do corpo”, disse o pároco, Pe. Sanny de Claro.

Segundo ele, os bombeiros não encontraram a imagem milagrosa feita de cera, mas apenas sua coroa derretida e o cetro de metal.

Desta vez, para surpresa geral, as labaredas, que pareciam infernais e devoraram o altar-mor onde estava o tabernáculo, não destruíram o cibório nem as hóstias consagradas que estavam dentro, as quais foram resgatadas pelos bombeiros.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Santa Teresinha (3): perfeição que tem no Santo Sudário seu modelo acabado

Luis Dufaur
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CONCLUSÕES: A infância meditativa

Ela tinha o costume de subir a uma parte mais alta da casa, para ver as estrelas à noite, etc. E a “História de uma alma” ‒ que equivale a suas Memórias” ‒ fala das infinitudes que havia no pensamento dela.

Santa Teresinha tinha em si toda a doutrina contrarrevolucionária, mas não tinha a missão de explicitá-la. Ela tinha a missão de morrer pelos contrarrevolucionário, de viver, de traçar a Pequena Via que torna a Contra-Revolução acessível ao grosso dos que a seguem. Mas havia todo um firmamento de ideias nela, o qual já desde essa idade se prenuncia.

Era uma criança altamente meditativa. No fim da vida, quando estava madura para o Céu, e portanto quando tinha atingido a santidade a que a havia destinado o desígnio da Providência, ela contava que quando tinha por volta dos dez anos ‒ quer dizer, um pouquinho mais velha do que está aqui ‒ ia com a irmã a um belvedere lá dos Buissonnets, e tinham conversas em que ela recebia tantas ou mais graças do que as que receberam Santo Agostinho e Santa Mônica no famoso colóquio da hospedaria de Óstia, pouco antes de Santa Mônica morrer. Portanto, quando a santidade de Santa Mônica estava consumada, e ela estava para ir para o Céu.

No fundo, nota-se isso no olhar dela. Não se pode descrever um olhar.

Se se perguntasse a São Pedro o que lhe disse o olhar de Nosso Senhor, o que poderia ele responder? Responderia:

“Ele disse algo por onde eu chorei a vida inteira. As lágrimas mais amargas e mais doces que jamais se choraram, depois das de Nossa Senhora, chorei-as eu”.

E não teria outra coisa para dizer, pois o olhar é algo de inefável. Ou se vê aqui esse olhar e se sente, ou não se o vê, e não posso fazer nada.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Santa Teresinha (2): perfeição que tem no Santo Sudário seu modelo acabado

Luis Dufaur
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Continuação da postagem anterior: Santa Teresinha e a “infância espiritual”(1)




5ª) O sorriso

Numa parte mais delicada da análise, percebemos que a boca é reta, com os lábios finos e muito firmes. É uma firmeza na qual não existe uma gota de amargura.

Pelo contrário, há um certo sorriso indefinível. Falam tanto do sorriso da Gioconda, mas isto é que é sorriso! Ela não está nem um pouco sorridente, mas há um sorriso indefinível nos lábios dela. Há qualquer coisa nela que sorri, sem que se possa propriamente dizer que ela está sorrindo.

Tem-se a impressão de que o fotógrafo disse a ela para sorrir, e ela, para não desatender a ele, esboçou qualquer coisa vagamente à maneira de sorriso.

Há algo de sorriso espalhado no rosto dela: está um pouco nos olhos, um pouco nos lábios, está numa afabilidade geral da pessoa. Ela está numa posição muito afável e muito acolhedora, numa posição de muito boa vontade em relação a todo mundo.

No entanto, é uma atitude risonha que indica ao mesmo tempo força de alma e caráter, no sentido próprio da palavra.

É o contrário dessas imagens sulpicianas de Santa Teresinha que se encontram por aí: derramando rosas, e sorrindo não se sabe de que jeito. Não têm nada deste sorriso.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Santa Teresinha e a “infância espiritual”(1)

Luis Dufaur
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A família Martin foi uma das muitas famílias católicas que se inscreveram nas confrarias de oração para atender os pedidos de reparação e penitência feitos por Nossa Senhora em La Salette.

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez parte delas.

No inicio de outubro, a festa desta grande santa que quis se fazer “pequena” é ocasião propícia para estas postagens em dias sucessivos.

A personalidade de Santa Teresinha numa fotografia

A esta magnífica fotografia de Santa Teresinha do Menino Jesus falta apenas o relevo, para se dizer que ela está viva.

Para comentar essa alma, procurarei explicitar as a impressões que esta fotografia produz.

Primeira impressão

A primeira impressão, ao olhar para ela, é a seguinte:

Que menina! A primeira explicitação, o primeiro jorro, deve ser assim.

Ela é ainda menininha, cheia de vida, de frescor, saltitante, e com essa espécie de extroversão própria de uma menina ainda na infância.

Aí se vê a beleza de uma alma de criança, na delicadeza, na fragilidade, na louçania da natureza feminina. Como essa fotografia é bem apanhada, e como pegou bem essa menina!

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Etiqueta e protocolo em ambiente aristocrático tranqüilizam as crianças

Luis Dufaur
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O Alvear Palace Hotel de Buenos Aires inaugurou um curso intensivo de etiqueta, protocolo e boa educação para 30 crianças de 8 a 13 anos.

Elas se sentam adequadamente em mesas com louça de porcelana, copos de cristal e talheres de prata.

Assistem a palestras de comportamento em sociedade, enquanto garçons de luvas brancas servem água, sucos e delicados sanduíches.

A professora Karina Vilella ensina como uma pessoa educada deve pegar os talheres, cumprimentar, dizer “por favor”, agradecer, ser pontual, etc.

As crianças aprendem a montar uma “mesa inglesa” e uma “mesa francesa” e o modo de distribuir nelas os convidados.

terça-feira, 28 de julho de 2020

O “croissant”: símbolo do Islã,
esmagado pelos padeiros de Viena

Meia-lua comemora a vitória sobre o Crescente islâmico
Meia-lua comemora a vitória sobre o Crescente islâmico
Luis Dufaur
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Uma delícia que todo o mundo conhece é a meia-lua, ou croissant em seu célebre nome francês.

Não há padaria ou confeitaria que não os ofereça muitas vezes com peculiaridades “da casa” que os tornam mais atraentes e deliciosos, dentro de sua relativa simplicidade.

O ritual dos croissants quase não tem limites e não conhece classes sociais.

Pode se degustar em um dos “templos” modernos de um fast food em qualquer parte do mundo, na praça de alimentação de um shopping center, numa padaria da periferia urbana, numa mesinha de uma padaria choisie ou chic ou no ambiente luxuoso de um hotel cinco estrelas de Paris, Londres ou Nova Iorque, para citar poucos exemplos.

Em geral virá acompanhando de uma xícara fumegante de café com leite, um bom cappuccino, um chocolate vienense ou um modesto café encomendado às presas.

Poderá ser crocante ou amanteigado. Parecerá mais rechonchudo ou macio, mais seco ou perfumado, recheado ou não na sua nobre simplicidade.

Em qualquer caso, simples ou caprichado, terá sempre algo de invariável: sua forma de lua crescente. Seu nome deriva do francês “croissant” porque eles o popularizaram no mundo.

E quem vai a Paris e não prova um croissant não esteve em Paris. Todos sabem disso.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Jesus Cristo, família e monarquia tradicional, um mútuo espelhar-se

Cristo Rei, Hans Memling
Cristo Rei, Hans Memling
Luis Dufaur
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Entre Jesus Cristo, a família e um regime familiar de governo – por exemplo, o monárquico tradicional – existe uma relação profunda.

O  padre Eric Iborra, da paróquia de Santo Eugênio, em Paris, lembrou brilhantemente essa relação profunda por ocasião de uma missa de réquiem pelo repouso da alma do rei Luís XVI da França, guilhotinado em 1793.

O sacerdote postou sua homilia no site da paróquia onde serve, como é costume na França.

Eis alguns excertos dessa homilia:

Imagino que vocês eram muitos, há oito dias, a pisar na grama do Champ-de-Mars [manifestação contra o “casamento” homossexual em 13.01.2013]. Numerosos também, talvez, há vinte anos, a fazê-lo em outro lugar emblemático da antiga França, a Praça da Concórdia.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Nossa Senhora do Carmo vitoriosa até o Fim dos Tempos

Nossa Senhora do Carmo. Espanha
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Continuamos com a história dos carmelitanos “filhos dos profetas” no Novo Testamento, como anunciamos no post anterior.


Na segunda metade do século XII, um grupo de cruzados adotou a vida eremita no Monte Carmelo, ao redor da “fonte de Elias” se consagrando a Nossa Senhora à imitação do grande profeta do Antigo Testamento.

O primeiro superior geral no Novo Testamento foi São Bertoldo de Malefaida. O segundo, São Brocardo († 1220), inspirou a Regra Carmelita aprovada por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, no início do século XIII.

Mas, os carmelitanos só têm como fundador a Santo Elias. Na Basílica de San Pedro, entre as estátuas dos santos fundadores, está a de Santo Elias como pai e chefe do Carmo.

Sete papas – Sisto IV, João XXII, Júlio III, São Pio V, Gregório XIII, Sisto V e Clemente VIII – em respectivas Bulas, dizem que os Carmelitas “preservam a sucessão hereditária dos santos profetas Elias e Eliseu e dos outros pais que moravam perto da fonte de Elias no santo monte Carmelo”.

Sisto V autorizou o culto de Elias e Eliseu como patronos da Ordem, dias de festa em sua honra e Ofícios em sua memória (cf. RP Cornelio a Lapide SJ, Commentaria in Scripturam Sacram, In librum III Regum - cap. XVIII, Ludovicus Vivès Bibliopola Editor, Paris).

Nossa Senhora do Carmo, guia da luta dos profetas

Nossa Senhora do Carmo, Filipinas. Fundo: Monte Carmelo
Nossa Senhora do Carmo, Filipinas. Fundo: Monte Carmelo
Luis Dufaur
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No 16 de julho a Igreja comemora a festa de Nossa Senhora do Carmo.

Sua invocação Virgem Flor do Carmo é a mais antiga e remonta a oito séculos antes de seu feliz natalício.

Como pode ser que a Mãe de Deus fosse venerada oitocentos anos antes de nascer?

A história é maravilhosa e intimamente ligada à montanha do Carmelo em Terra Santa.

Para aparentemente complicar mais as coisas, arqueólogos e historiadores registram que civilizações pagãs também cultuavam uma virgem que daria à luz o salvador do mundo.

Na elevação onde fica a cidade de Chartres, França, sede de uma das mais belas catedrais de Nossa Senhora, em tempos pré-cristãos, os bruxos dos pagãos druidas, ditos charnuts, tinham essa crença e a chamavam “Virgo Paritura” (“A virgem que dará a luz”).

De onde viera essa noção e quem a levou?

terça-feira, 14 de julho de 2020

Forte como um guerreiro, bondosa como a melhor das mães

S.Francisco de Assis, Ouro Preto: forte como guerreiro, bondosa como mãe
São Francisco de Assis, Ouro Preto:
forte como guerreiro, bondosa como mãe
Luis Dufaur
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A foto apresenta uma vista noturna da igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto, obra de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Considerada por muitos a obra-prima do genial escultor mineiro, sua construção teve início em 1766.

O jogo de luzes, em contraste com o negrume da noite, causa a impressão de que o edifício acabou de descer do céu.

Impressão sugerida por uma ousada verticalidade desse conjunto rijamente fixado no solo granítico, acentuada pela sua leveza aristocrática, forte, banhada por nota de superior pureza.

As paredes brancas, enriquecidas pela obra de cantaria, convergem para a esplêndida porta principal, ponto monárquico do edifício, a partir da qual, como num jorro de chafariz, vai-se em linha reta até a cruz no alto.