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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Em Lourdes, os milagres não cessam

Em Lourdes, os milagres não cessam
Em Lourdes, os milagres não cessam



A série de acompanhamentos científicos dos milagres ocorridos em Lourdes começou a bem mais de um século.

O intrincado, longo e exigente processo de comprovação dos mesmos em mais de 7.000 casos perfeitamente individualizados concluiu que a medicina não tem explicação, conferiu a Fundação Cari Filii.

Cabe à Igreja, e não à ciência, a declaração do milagre, pois é um posicionamento religioso.

O dossiê completo de cada caso medicamente inexplicável é encaminhado ao bispo da diocese do beneficiário da cura. O prelado é quem deve proceder a proclamar o milagre.

Porém, até a presente data, os bispos só reconheceram 69 casos como intervenções miraculosas de Deus.

O Escritório Médico de Lourdes deixa por vezes transcorrer décadas no acompanhamento da cura até o reconhecimento final, para ficar claro que ela é verdadeira e definitiva.

O otorrino Michael Moran, natural de Belfast (Irlanda do Norte), é especialista em câncer e responsável do Escritório de Lourdes que analisa os milagres.

“Isto é um comitê científico. Não usamos a palavra ‘milagre’. Isso é algo que a Igreja tem que decidir”, explica.

“Os membros da comissão médica devem pôr de lado suas crenças, estejam ou não a favor de Lourdes. Isto é um grupo de profissionais que reúne as melhores evidências médicas e pode encomendar ainda mais exames para fundamentar o que o doente afirma”, acrescenta o Dr. Moran.

Uma das características típicas procuradas pelo médico é de se a cura foi repentina.

“Outro exemplo típico é o de um italiano [Vittorio Micheli, 22 anos em 1962, soldado dos Corpos Alpinos], que tinha um tumor no osso pélvico cuja destruição se pode ver nos raios-x. Mas o osso voltou a crescer, tanto na pélvis como no fêmur, de forma anatomicamente correta, que é muito difícil explicar”, explicou Moran à BBC.

Anna Santaniello: antes e depois.
Anna Santaniello: antes e depois.
Moran também destaca a capacidade de cura interior e a serenidade que Lourdes passa para uma multidão de doentes. “Muitas pessoas com doenças terminais chegam aqui e muito obtêm do ponto de vista espiritual, eles e seus acompanhantes”, afirma.

Eis os reconhecimentos canônicos mais recentes:

Anna Santaniello: malformação cardíaca; milagre reconhecido em 2005

Anna Santaniello, de Salerno (Itália), padecia desde a infância de uma malformação cardíaca, declarada incurável pelos médicos. Quando fez quarenta anos, sua saúde piorou gravemente e ela quis ir a Lourdes. A doença lhe impedia de caminhar e falar claramente.

Segundo ela contou ao jornal “La Città” de Salerno, “eu quase não conseguia respirar e falei a meu irmão que meu ultimo desejo era ir a Lourdes”, aonde chegou “viva, mas de maca”.

Foi tomar banho nas piscinas ajudada por religiosas. Ela conta assim:

“A água estava gelada, mas senti logo que algo que fervia no peito, como se me tivessem restituído a vida. Em poucos segundos, me levantei com minas próprias forças e comecei a caminhar, recusando a ajuda dos enfermeiros que olhavam com incredulidade”.

Quando voltou a sua casa, marcou consulta com um ilustre cardiologista da época, que “me disse que não tinha nada, que estava saníssima e que ele não podia explicar os certificados e exames feitos precedentemente”.

Anna Santaniello voltou a Lourdes para servir como voluntária e no atendimento dos doentes. O milagre foi reconhecido pela Igreja em 2005, quando ela tinha 90 anos.

Sóror Luigina não caminhava mais. Depois foi ajudar os doentes, empurrando macas e carrinhos.
Sóror Luigina não caminhava mais.
Depois foi ajudar os doentes, empurrando macas e carrinhos.
Sóror Luigina: paralisia e dor; milagre reconhecido em 2012

Sóror Luigina Traverso é uma religiosa salesiana italiana gravemente doente de ‘ciática paralisante em meningocele que em junho de 1965 participou de uma “romaria Oftal de Tortona’”.

Era levada de maca e havia muito que não caminhava. Foi operada muitas vezes sem resultado.

Sóror Luigina entrou na água das piscinas do santuário. Depois, durante procissão eucarística, quando o sacerdote passou diante dela com o Santíssimo Sacramento, a religiosa sentiu um “intenso calor no corpo e o desejo de se levantar”.

Percebeu que voltava a mexer o pé e que a dor desaparecia. No quarto falou com o Dr. Danillo Cebrelli e com o delegado do bispado, Mons. Lorenzo Ferrarazzo.

O padre lhe disse: “Sóror Luigina, se quiser receber a bênção, levante-se e venha ajoelhar-se para rezar”. E a paralítica conseguiu!

De volta para casa quatro dias depois, o professor Claudio Rinaldi confirmou: “Boas condições gerais […] Articulações inferiores completamente flexíveis com vigor igual e simetria […] Sensibilidade normal”.

Daniella Castelli foi a Lourdes para se despedir da Gruta
e encomendar seus filhos.
Estava desenganada e voltou curada.
Danila Castelli: hipertensão com risco de morte; milagre reconhecido em 2013

Em 1981, Danila Castelli, italiana de Bereguardo, casada, 35 anos e quatro filhos, teve diagnosticado um câncer extraordinariamente virulento, que produzia tumores em todo o corpo.

Passou por oito cirurgias e vivia sedada para suportar as dores.

Em 1989 os médicos a desenganaram. Ela foi então com seu marido a Lourdes, sem pensar num milagre, mas só para ficar diante da Virgem.

Ia morrer com 43 anos e queria pedir a Nossa Senhora “que Ela estivesse sempre perto de seus filhos”.

Após fazer a oração, sentiu imediatamente que a dor desaparecera, assim como toda a doença.

Após ter passado 24 anos com saúde e servindo assiduamente como voluntária para ajudar os doentes em Lourdes, a Igreja reconheceu o milagre.


Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Milionário atribuiu seu sucesso
a Nossa Senhora de Lourdes

O Padre Nicola Ventriglia Omi, mostra fotos de Michele Ferrero no Santuário de Lourdes
O Padre Nicola Ventriglia Omi, mostra fotos de Michele Ferrero
no Santuário de Lourdes



No dia de São Valentim, faleceu o mais bem-sucedido empresário de doces e bombons da Itália.

Nascido em 1924, Michele Ferrero possuía uma fortuna calculada em 20,5 bilhões de euros, a maior do país e a quarta da Europa.

Embora megamilionário, Ferrero era muito diferente do “jet-set”: um ativo devoto de Nossa Senhora de Lourdes, a quem atribuía a vertiginosa ascensão de sua empresa, segundo a Fundação Cari Filii.

Esse filho de chocolateiros da pequena cidade de Alba não se fez rico com malabarismos ou manobras confusas. Ele continuou com a tradição familiar, aplicando muito trabalho e inteligência, mas depositando suas esperanças em Nossa Senhora.

Em 1964, melhorando uma fórmula de seu pai, Ferrero criou Nutella. Lançou também o ovo de chocolate Kinder e as linhas Ferrero Rocher e Mon Cheri.

Sua empresa vendia o equivalente a oito bilhões de euros por ano, sendo superada somente pela Nestlé, que possui um leque muito mais vasto de produtos, no setor dos doces.

Na entrada de cada uma de suas 20 fábricas existentes no mundo ele mandou colocar uma coluna com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes.

Segundo o insuspeito quotidiano britânico The Guardian, a marca Rocher é uma alusão à pedra da Gruta de Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu para Santa Bernadette.

Michele: “o sucesso da Ferrero é mérito da Virgem de Lourdes.
Sem ela, nós pouco podemos”
Michele foi um exemplo vivo de que ninguém é ruim por ser rico, e que a riqueza é dada por Deus para fazer o bem.

Michele organizava todo ano uma peregrinação de seus empregados franceses ao Santuário de Lourdes, onde ele próprio costumava presidir a procissão das velas no final do dia.

E levava altos diretores de sua holding para participarem do ato religioso, invocando a intercessão de Santa Bernadette ante Nossa Senhora.

“As estratégias do grupo se debatiam entre terços e orações”, garante Giuseppe Rossetto, prefeito da cidade de Alba durante dez anos.

“O sucesso da Ferrero é mérito da Virgem de Lourdes. Sem ela, nós pouco podemos”, defendeu o multibilionário em uma de suas raríssimas declarações públicas, pois era muito reservado: não concedia entrevistas e há muito poucas fotos dele na mídia ou na Internet.

Giacomo, seu segundo filho, garantirá a continuidade do grupo familiar, que emprega 36.000 pessoas em todo o mundo.

Na Itália as greves são frequentes, mas elas não existiam em suas fábricas.O fato impressionava.

Michele Ferrero criou em 1983 uma Fundação que leva o nome de sua mulher e de seus filhos. Ela proporciona bolsas para estudantes, serviço de saúde, aposentadoria, conferências, exposições e concertos.

Sempre sob o sinal harmonizador emanado d’Aquela a cujos pés ele deve agora eternamente encontrar-se e sobre a qual canta uma antífona: “Eu moro no mais alto dos céus e meu trono está sobre uma coluna de nuvens”: Nossa Senhora de Lourdes.



terça-feira, 31 de março de 2015

461 sacerdotes britânicos pedem ao Sínodo
uma “clara e firme proclamação” da doutrina
e da pastoral milenar da Igreja

461 sacerdotes ingleses pediram ao Sínodo sobre a Família,
uma “clara e firme proclamação” da doutrina e da
pastoral tradicional da Igreja sobre o casamento e a família.



461 sacerdotes da Inglaterra e de Gales assinaram uma carta aberta solicitando ao Sínodo sobre a Família, a realizar-se em outubro de 2015, uma “clara e firme proclamação” da doutrina e da pastoral milenar da Igreja sobre o casamento e a família.

A carta aberta foi publicada no semanário Catholic Herald, um dos mais antigos (1888) e mais respeitados daquele país ().

Eis o texto completo do documento:

Senhor,

Após o Sínodo Extraordinário dos Bispos em Roma, em outubro de 2014, surgiu muita confusão a respeito do ensinamento moral católico. Nesta situação, nós queremos, enquanto sacerdotes católicos, reafirmar a nossa fidelidade inabalável às doutrinas tradicionais relativas ao casamento e ao verdadeiro significado da sexualidade humana, fundamentadas na Palavra de Deus e ensinadas pelo Magistério da Igreja durante dois milênios.

Nós nos engajamos mais uma vez na tarefa de apresentar esse ensinamento na sua integridade, abordando com a compaixão do Senhor aqueles que lutam para obedecer às exigências e aos desafios do Evangelho numa sociedade crescentemente secularizada.

Cardeal Kasper: suas propostas sobre moral familiar
perturbaram intensamente os fiéis
Além do mais, afirmamos a importância de manter a disciplina tradicional da Igreja sobre a recepção dos sacramentos, e queremos que a doutrina e a pastoral permaneçam em harmonia firme e indissociável.

Urgimos todos aqueles que participarão do segundo Sínodo em outubro de 2015 a fazerem uma proclamação clara e firme do ensinamento moral imutável da Igreja, de maneira que a confusão seja posta de lado e a Fé seja confirmada.

Atenciosamente, (seguem as assinaturas)

A polêmica sobre a comunhão aos divorciados “recasados” foi aberta no último Sínodo por uma proposta do cardeal alemão aposentado Walter Kasper.

A iniciativa dos 461 sacerdotes de Inglaterra e de Gales visa resistir a essa proposta, diz o “Catholic Herald”.

Um signatário que pediu para ficar no anonimato, disse que “houve uma boa dose de pressão para não assinar a carta e, mais ainda, certo grau de intimidação por parte de elevados eclesiásticos”.

Um outro, que fez análogo pedido, afirmou que a questão dos divorciados “recasados” é “matéria de engajamento pastoral e de fidelidade ao Evangelho”.

“A misericórdia requer tanto o amor quanto a verdade. Há muita coisa em jogo. Nem todos os sacerdotes se sentem à vontade manifestando-se por meio de uma carta aberta, mas ficariam muito mais preocupados se fossem do número daqueles sacerdotes que discordam dos sentimentos que ela contém.

Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo:
461 padres ingleses pedem ao Sínodo
não romper com o Evangelho e 2000 anos de Magistério infalível.
“A carta é um apelo à fidelidade ao ensinamento católico, e para que a pastoral permaneça em inseparável harmonia com a doutrina.

“Os sacerdotes afirmam que continuam engajados na ajuda ‘àqueles que lutam para obedecer ao Evangelho numa sociedade crescentemente secularizada’, mas pressupõe que os casais e famílias que permanecem fiéis não estão sendo adequadamente apoiados ou encorajados”, disse.

Entre as notabilidades que assinaram figuram os teólogos Pe. Aidan Nichols e o Pe. John Saward; o Pe. Andrew Pinsent, físico de Oxford; os padres Robert Billing, porta-voz da diocese de Lancaster, Tim Finigan, blogueiro e colunista do “Catholic Herald”, e Julian Large, reitor do Oratório de Londres.

Num artigo posterior (“Por que assinei a carta urgindo o Sínodo a se manter firme sobre o casamento”) o Pe. Alexander Lucie-Smith explicou a razão pela qual ele não teve a menor hesitação na hora de assinar a carta.

Segundo ele a tolerância para com o divórcio por motivos “pastorais” provoca o desaparecimento da instituição do matrimônio e da doutrina em que ele se fundamenta. O Pe. Alexander é Doutor em Teologia Moral e consultor do Catholic Herald, onde apresentou seus argumentos.

Ele exemplificou com o testemunho de um amigo cristão não-católico, em cuja denominação o pastor diz que o casamento é para toda a vida, embora todo mundo saiba que é um conceito abstrato e que na prática aquela união vai acabar quando o casal bem entender.

O amigo do Pe. Alexander ironizou a hipocrisia: “Cada casamento é indissolúvel até nós dizermos que está dissolvido”.

Acolhida a 'segunda união', depois ninguém segura a enxurrada de dissoluções conjugais
O Pe. Alexander teme que este seja o futuro que o progressismo prepara ao fazer sofismas para uma distinção ou fratura errônea entre a pastoral e a doutrina sobre a família.

À medida que o Sínodo se aproxima, aumenta a atividade dos propugnadores de um afrouxamento da pastoral familiar, que terá como consequência uma inevitável mudança de doutrinas reveladas, dogmas e verdades incontestáveis.

A ofensiva que solapa a moral vem suscitando respostas crescentes e cada vez mais angustiadas em favor da manutenção dos ensinamentos de Jesus Cristo e de vinte séculos de Magistério, Doutores e Santos da Igreja.

Iniciativas análogas em defesa da Fé e da pastoral tradicional poderão aparecer nos próximos meses em diversos países e continentes.


domingo, 29 de março de 2015

Semana Santa: acompanhando a Paixão de Cristo




A Via Sacra ‒ também conhecida como Via Crucis, Estações da Cruz ou Via Dolorosa ‒ é uma devoção que consiste numa peregrinação espiritual ajudada por uma série de quadros ou imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.

A Via Sacra mais conhecida hoje é a rezada no Coliseu de Roma, na Sexta-Feira santa, com a participação do próprio Papa.

As imagens representando as cenas da Paixão podem ser de pedra, madeira ou metal, pinturas ou gravuras.

Elas estão dispostas a intervalos nas paredes ou nas colunas da igreja.

Mas, às vezes podem se encontrar ao ar livre, especialmente nas estradas que conduzem a uma igreja ou santuário.

Uma Via Sacra muito conhecida é a do santuário de Lourdes, França.

Nos mosteiros as imagens são muitas vezes colocadas nos claustros.

O exercício da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram espiritualmente o percurso de Jesus carregando a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando à Paixão de Cristo.


Dados históricos da devoção

A tradição afirma que a Virgem Santíssima costumava visitar diariamente os locais da Paixão de Cristo.

A Via Dolorosa de Jerusalém foi reverentemente sinalizada desde os primeiros tempos e foi uma meta dos piedosos peregrinos desde os dias do imperador Constantino.

São Jerônimo fala das multidões de peregrinos de todos os países que costumavam visitar os lugares santos e percorriam piedosamente a Via da Paixão de Cristo.

O desejo de reproduzir os lugares sagrados em outras terras, a fim de satisfazer a devoção daqueles que estavam impedidos de fazer a verdadeira peregrinação, apareceu muito cedo.

No século V, São Petrônio, bispo de Bolonha erigiu no mosteiro de São Estévão (Santo Stefano em italiano) um conjunto de capelas com as estações.

O mosteiro ficou familiarmente conhecido como “Hierusalem”.

Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve forte expansão na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII).

O romeiro inglês William Wey que visitou a Terra Santa em 1458, em 1462 descreveu a maneira usual para seguir as pegadas de Cristo em Sua jornada de dores redentores.


As 14 Estações

A Via Sacra se tornou uma das mais populares devoções católicas.

O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus.

O número de estações, passos ou etapas, da dolorosa procissão do Bom Jesus, nosso Redentor, foi definido paulatinamente chegando à forma atual, de quatorze estações, ou passos, no século XVI.

As 14 estações são as seguintes: (CLIQUE PARA VER)



1ª Estação: Jesus é condenado à morte


2ª Estação: Jesus carrega a cruz às costas


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez


4ª Estação: Jesus encontra a sua Mãe


5ª Estação: Simão Cirineu ajuda a Jesus


6ª Estação: A Verônica limpa o rosto de Jesus


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez


8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém


9ª Estação: Terceira queda de Jesus


10ª Estação: Jesus é despojado de suas vestes


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz


12ª Estação: Jesus morre na cruz


13ª Estação: Jesus morto nos braços de sua Mãe


14ª Estação: Jesus é enterrado


Em cada estação é feita uma meditação sobre o passo e o costume é rezar também um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Padre.

O percurso da Via Sacra não deve ter interrupções. Mas é permitido assistir a uma Missa, confessar e comungar em meio ao piedoso exercício.



A indulgência plenária

Não existe uma devoção mais ricamente dotada de indulgências do que a Via Sacra.

As indulgências estão ligadas à cruz posta sobre as imagens que devem ser canonicamente erigidas.

Condições para ganhar a indulgência

Concede-se indulgência plenária a quem pratique o exercício da Via Sacra. Para que este se possa realizar, requerem-se quatorze cruzes postas em série (com alguma imagem ou inscrição, se possível) e devidamente bentas. O cristão deve percorrer essas cruzes, meditando a Paixão e a Morte do Senhor (não é necessário que siga as cenas das quatorze clássicas estações; pode utilizar algum livro de meditação). Caso o exercício da Via Sacra se faça na igreja, com grande afluência de fiéis, de modo a impossibilitar a locomoção de todos, basta que o dirigente do sagrado exercício se locomova de estação a estação.

Quem não possa realizar a Via Sacra nas condições acima, lucra indulgência plenária lendo e meditando a Paixão do Senhor pelo espaço de meia-hora ao menos.

(cfr. d. Estevão Bettencourt, Catálogo das Indulgências)

Ver também: O que é uma Indulgência, e as condições para ganhar a Indulgência Plenária.







terça-feira, 24 de março de 2015

Anunciação e Encarnação do Verbo

Anunciação, Santa Maria delle Grazie, S. Giovanni Valdarno, Arezzo, Itália. Beato Fra Angélico (1395 – 1455)
Anunciação, Santa Maria delle Grazie, S. Giovanni Valdarno, Arezzo, Itália.
Beato Fra Angélico (1395 – 1455)






“O Anjo do Senhor anunciou a Maria”


No dia 25 de março a Igreja celebra este fato incomparável: a Anunciação!

Fra Angélico pintou um quadro da Anunciação: a Virgem Maria encontra-se numa casinha pequena, modesta, limpíssima e em inteira ordem, num claustro composto de umas arcadazinhas.

Ela está sentada com um livrinho de meditação no colo. Uma atmosfera de paz impregna todo o ambiente, quando o arcanjo São Gabriel aparece e se ajoelha diante d´Ela.

E Maria aparece um pouco inclinada ouvindo o anjo falar.

É o fato extraordinário que se deu naquela ocasião. Ela não pensava na possibilidade de um anjo visitá-La, nem na mensagem que ele vinha trazendo.

Há milênios a humanidade esperava Aquele que deveria vir ao mundo — aquela criatura perfeita que seria o centro de todas as coisas.

Em virtude do pecado original, os homens estavam imersos num caos. Na pior das formas da desordem encontravam-se os povos pagãos e também o povo eleito.

O povo judaico, que tinha sido escolhido para a promessa, estava na maior decadência e no maior afastamento de Deus. Na Terra nada mais se salvava.

Entretanto, uma Virgem concebida sem pecado original — nascida de Santa Ana e de São Joaquim, e que depois se casaria virginalmente com São José — meditava.

Ela percebia que a única solução para a salvação dos homens era a vinda do Messias a fim de redimir o gênero humano. Ela meditava, lia a Bíblia com uma inteligência maior do que jamais ninguém teve e pensava a respeito do Messias.

Anunciação, Museu del Prado, Madri. Beato Fra Angélico (1395 – 1455)
Anunciação, Museu del Prado, Madri. Beato Fra Angélico (1395 – 1455)
Assim meditando, Ela foi levada pelo desejo de que nascesse o Messias e pedia por essa vinda.

Ela foi compondo a figura do Messias, com base nas Escrituras e em conjecturas, até imaginar como Ele seria. Sua sabedoria, virtude e amor de Deus auxiliaram-na nessa composição.

Na paz da sua meditação, quando Ela acabava de pôr o último traço na imaginação de como Nosso Senhor Jesus Cristo seria, uma iluminação dentro do jardim!

Aparece o anjo e lhe diz: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres.”

Ela se perturbou, pois não sabia qual era a finalidade dessa saudação.

O anjo, então, explicou-Lhe que Ela seria Mãe do Filho de Deus e que o Verbo de Deus, o Messias, nasceria d’Ela.

Pode-se imaginar a surpresa, pois Ela se julgava indigna de ser a escrava da Mãe do Messias e pedia a graça de poder conhecer a Mãe do Messias e de servi-la. Era o que aspirava.

Entretanto, mesmo considerando esse favor arrojado, o anjo anuncia que Ela própria seria a Mãe do Messias!

(Autor: excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 24 de março de 1984. Sem revisão do autor.)

quarta-feira, 18 de março de 2015

A morte de São José

São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro
São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro

Gregório Vivanco Lopes

No dia 19 de março comemora-se a festa de São José. A propósito, é oportuno reproduzir o Conto inspirado no conjunto escultural representando São José em agonia (foto), que se venera na igreja de São José, no centro do Rio de Janeiro, ao lado da Assembleia Legislativa.

São José chegara ao fim de seus dias. Ninguém como ele, entre tantos varões veneráveis que o precederam na santidade, fora incumbido de missão tão alta. Ele era o guarda e protetor do Filho de Deus feito homem e de sua Mãe santíssima.

Deus Pai o escolhera pessoalmente para esse mister elevado entre todos. E São José cumprira sua missão com tanta perfeição, tanta dignidade, tanta humildade junto a seus inefáveis protegidos, tanta força e astúcia contra os inimigos de Jesus, insuflados por toda parte pelo demônio, que esteve inteiramente à altura dos desígnios divinos.

Tanto quanto é possível a uma simples criatura, ele teve proporção com o sublime encargo de ser esposo da Santíssima Virgem e pai adotivo do Verbo de Deus encarnado.

Quanto isto significa!

São José, altar mor da igreja de São José, Rio de Janeiro
São José, altar mor da igreja de São José,
Rio de Janeiro
Aproximava-se, porém, o tempo em que Jesus iria iniciar sua missão pública; a Virgem Maria não mais se encontrava na situação de uma jovem mãe que precisa de proteção diante de um mundo hostil e de línguas aleivosas.

A missão de São José chegara magnificamente a seu termo, e ele agonizava placidamente.

De um lado e de outro da cama, Nosso Senhor e Nossa Senhora, emocionados, o contemplavam com amor e gratidão, tristes porque ele partia, mas supremamente consolados por saber que o aguardava a melhor das recompensas celestes.

Do lado de fora, como quer uma antiga tradição, a morte impaciente mas temerosa não ousava entrar para recolher sua presa, pois esperava um sinal do Altíssimo, postado ao lado do moribundo.

São José tivera sempre tal veneração pela Virgem Santíssima, uma ideia tão elevada de seus méritos e virtudes, tal respeito por sua virgindade imaculada, que jamais ousara tocar sequer um fio de seu cabelo.

Agora, posto ele em seu leito de morte, a Santíssima Virgem, como recompensa por tanta dedicação lhe segura a mão, num supremo ato de reconhecimento e amizade.

Aquele toque quase divino comunicou a São José, ainda lúcido, tal alegria sobrenatural, que ele, varão castíssimo, sentiu sua alma invadida por uma graça de superior virginalidade, como se a inundasse um rio de águas puríssimas, cristalinas e benfazejas.

Essa sensação inefável –– até então para ele desconhecida, porque acima do que a natureza humana pode alcançar –– o elevou a um patamar de indizível união com Deus, inacessível à nossa compreensão atual, mas que um dia no Céu ele poderá nos contar.

Estava São José nesse verdadeiro êxtase, quando sentiu pousar sobre seu ombro direito a mão amiga do Filho de Deus. Incontinenti, viu-se submerso em Deus, e Deus nele.

Era a visão beatífica, não concedida até então a nenhum mortal, pois o acesso ao Céu fora fechado pelo pecado de Adão, e lhe era comunicada por antecipação, ainda que fugazmente.

São José notou em seguida que uma coorte de pessoas se aproximava dele. Reconheceu na primeira fila o patriarca Abraão e o profeta Moisés, seguidos de todos os justos que o haviam precedido com o sinal da fé.

Só então ele se deu conta de que não estava mais nesta Terra, e que adentrara os umbrais do Limbo.

São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro, detalhe
São José em agonia, igreja de São José, Rio de Janeiro, detalhe
Todos os habitantes daquele lugar o interrogavam atropeladamente: Quando se consumará a Redenção?

Quando nos será aberto o Paraíso celeste que tanto esperamos, alguns há milhares de anos?

Como é o Filho de Deus? E sua Mãe Santíssima, como é a sua presença?

São José a todos respondia com atenção e bondade, mas já começando a sentir uma saudade imensa daqueles dois seres perfeitíssimos, com quem conviveu tão proximamente nesta Terra de exílio.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Criminoso prefere voltar ao cárcere
a fazer vida de capuchinho

Frade franciscano numa velha rua medieval
Frade franciscano numa velha rua medieval




O criminoso David Catalano, 31, foi condenado pela Justiça italiana.

Esta prevê, entretanto, uma prisão alternativa. E no mês de novembro último o réu foi enviado ao convento capuchinho de Santa Maria degli Angeli, perto de Enna, na Sicília, para ali servir e viver num regime especial regido pelos frades, informou o jornal britânico “The Daily Mail”.

Porém, ele não resistiu à austeridade e pobreza dos religiosos capuchinhos, ordem à qual pertenceram muitos santos famosos. E fugiu duas vezes da vida conventual, pedindo para ser confinado num cárcere comum que ele, aliás, já conhecia.

Após uma primeira fuga, havia sido preso de novo pela polícia e reconduzido ao convento.

Mas fugiu de novo seis semanas depois e se apresentou à delegacia pedindo para ser levado de volta à cela que ocupava no cárcere da cidade de Nicósia.

David Catalano, foto da polícia de Caltanissetta:
cárcere comum é menos duro que vida religiosa.
Ele disse aos policiais surpresos: “A prisão é melhor do que ficar numa casa regida por monges”.

Um policial explicou: “Catalano chegou fora de si e disse que não havia jeito de ficar com os frades.

“Ele disse que era duro demais e que queria voltar à prisão pública. Então nos o pegamos e ele agora está detrás das grades pagando o resto da pena”.

“A vida dos monges pode ser muito severa – não há comodidades, eles acordam cedo e vão dormir cedo. Não há luxos e a cassa dos monges funciona com um regime muito severo”, queixou-se o réu.

O mosteiro acolhe há mais de 12 anos cerca de 60 prisioneiros, que nele permanecem até pagarem a pena devida.

Os capuchinhos são um ramo dos Franciscanos que praticam rigorosamente a via do Santo Fundador, especialmente em matéria de pobreza e austeridade de vida.

Apesar de nessa vida monástica a caridade prover às necessidades materiais, o bandido achou o cárcere público mais atraente.

De fato, o homem com todas as suas forças naturais não aguenta levar seriamente a vida de um frade.

É a graça divina que faz com que os religiosos e religiosas possam carregar, e até com alegria espiritual, uma vida de tanta penitência e renúncia material.

E essa graça só age, e de modo maravilhoso, nos mosteiros da Igreja Católica, produzindo os mais altos frutos de santidade, como foi o caso, para dar apenas um exemplo, do santo Padre Pio de Pietrelcina, ele próprio um capuchinho.