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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Bispo lituano narra sua odisseia de fidelidade no cárcere comunista

Dom Sigitas Tamkevicius, bispo de Kaunas conta sofrimentos e consolações na prisão comunista
Dom Sigitas Tamkevicius, bispo de Kaunas conta
sofrimentos e consolações na prisão comunista


Dom Sigitas Tamkevicius, bispo de Kaunas, Lituânia, narrou em recente livro os sofrimentos de seu cativeiro nos cárceres soviéticos comunistas, segundo noticiou a agência “Aleteia”.

“Nunca rezei tão intensamente como naqueles momentos. Jesus não me deixou sozinho”, disse, comentando a graça de celebrar a Missa na cela, às escondidas dos algozes.

O padre Sigitas foi preso em 1983 e levado em uma caminhonete da polícia política KGB até um porão escuro que servia de cárcere. Os corredores tinham teto alto, eram estreitos, mal iluminados e sujos.

O policial que o deteve exultou quando soube que tinha preso o sacerdote jesuíta Sigitas, do Comitê de Defesa dos Crentes.

O Comitê redigia a “Crônica da Igreja Católica na Lituânia”. Ela revelava o sistema de opressão e terror antirreligioso no país e era enviada ao exterior. O governo a qualificava de propaganda soviética e só queria prender os redatores.

A “Crônica” nasceu nos anos 70, quando cinco sacerdotes decidiram distribuir textos que confortassem os católicos lituanos e dessem a conhecer ao Ocidente sua situação de opressão. Os sacerdotes informavam tudo ao bispo Dom Vicentas Sladkevicius.

Dom Sigitas Tamkevicius, foto de prisioneiro tirada pela polícia comunista
Eles não podiam de modo algum catequizar, ensinar e evangelizar. Nas poucas Missas permitidas pelo governo, este infiltrava espiões que tomavam nota dos sermões e registravam as pessoas que não fossem as anciãs habituais.

Não era possível construir nem restaurar as igrejas.

Por certo, a Secretaria de Estado do Vaticano devia receber as informações, mas sua política de distensão com o comunismo, ou Ostpolitik vaticana, estava mais preocupada em manter boas relações com os tiranos marxistas do que com o grave dano que estes causavam aos fiéis.

O Pe. Sigitas foi interrogado horas a fio por oito agentes socialistas, dia sim, dia não. Esse regime enlouquecedor se prolongou durante seis meses.

“Deus me deu forças para não delatar ninguém naquele momento terrível, nem mesmo nos momentos em que sentia maior fraqueza.

Porta de uma cela, Museu do genocídio em Vilnius
Porta de uma cela, Museu do genocídio em Vilnius
“‘Não entendo como o senhor pôde aguentar’, comentam as pessoas, achando que eu pude superar aquilo pelas minhas próprias forças”, explica.

“No cárcere, eu pude comprar uns pãezinhos e verifiquei que eram feitos de trigo. Só faltava o vinho. Pedi passas secas à minha família.

“Quando chegaram, precisei encontrar um momento oportuno, pois eu sabia que meu companheiro de cela, como a polícia comunista costumava fazer, era um criminoso comum cujas penas prometeram reduzir caso ele fornecesse informações comprometedoras sobre a minha pessoa.

“Eu ficava de costas para a porta, com uma funda de plástico amarelo para óculos sobre a mesa, onde guardava um pedaço de pão e um pequeno recipiente com passas. Aguardava que o outro estivesse dormindo.

“Então começava a espremer as passas com meus dedos até obter umas gotas de um vinho que, em casos excepcionais, é válido para a Consagração.

Monte das Cruzes, Siauliai, Lituânia
Monte das Cruzes, Siauliai, Lituânia
“Eu me lembrava de cor das orações da Missa. Após consagrar, na hora de consumir o Corpo e o Sangue de Cristo, um gozo indescritível tomava conta de mim.

“Eu experimentava uma alegria maior do que a que senti a primeira vez em que celebrei Missa na catedral de Kaunas. Deus me confortava e me consolava. Eu O sentia ali, a meu lado, de maneira inefável.

“Celebrar Missa naquelas circunstâncias me dava uma fortaleza especial; sem ela, não teria podido resistir. Em certas ocasiões, precisava celebrar deitado na cama, a altas horas da noite, com as Sagradas Espécies sobre o meu peito, convertido em altar.

“Nunca rezei tão intensamente como nesses momentos. Foi um dom de Deus. Eu não pedia a Ele para me libertar, mas punha n’Ele a minha confiança.

Nossa Senhora Porta da Aurora, Vilnius, é uma das grandes devoções dos lituanos
Nossa Senhora Porta da Aurora, Vilnius,
é uma das grandes devoções dos lituanos
“Os braços de Jesus me sustentavam; não me deixou sozinho. Ele foi sempre minha Esperança”, acrescentou o atual bispo de Kaunas.

Seu emocionante relato sai a público junto com o de outros religiosos católicos que padeceram nos sórdidos cárceres marxistas.

Infelizmente, naquela época, enquanto esses Confessores da Fé sofriam horrores, quantos e quantos sacerdotes e bispos entre nós colaboravam com os seus algozes, com a Teologia da Libertação e os inimigos do catolicismo!

Os depoimentos vêm providencialmente a lume numa hora em que tudo parece conspirar contra os bons sacerdotes realmente fiéis a Jesus Cristo e à sua Santa Igreja.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Olhar retrospectivo de 2014:
“Maio de 68 conservador” cresceu no mundo

Em Paris, juventude contra o 'casamento' homossexual
Em Paris, juventude contra o 'casamento' homossexual


(Excertos de “2014: Na orla da III Guerra Mundial?” publicado na revista CATOLICISMO, janeiro de 2015, http://catolicismo.com.br/)

Em 2014 nem tudo foi mal. Sob certos pontos de vista o ano trouxe sinais esperançosos.

Enquanto a degringolada pelas vias do caos desagregava o mundo e a subversão eclesiástica avançava e dividia a Igreja Católica, a estratégia militar russa — apoiada pelas esquerdas dos respectivos países e por algumas direitas equivocadas por um falso nacionalismo — empurrava o mundo para a orla da III Guerra Mundial.

Porém, definiu-se também uma tendência visceralmente oposta, com anelos de hierarquia, ordem, família tradicional e honestidade.

França — Exemplo típico disso tomou corpo na França, onde se tornou comum assistir cenas em que o presidente Hollande e seus ministros são vituperados por pequenas, médias e imensas manifestações contra a Revolução sexual e o sectarismo ideológico socialista.

Em janeiro, mais de 40.000 franceses compareceram a uma manifestação contra o aborto em Paris (Terra.com.br, 19-1-14).

Em outubro, mais de meio milhão protestou na capital francesa e em Bordeaux contra a atuação imoral do governo, o “aluguel de ventres”, a inseminação artificial em “casais” de lésbicas, a “ideologia de gênero”, o ensino socialista sobre a família nas escolas, e o “casamento” homossexual (El País, 5-10-14).

Multidões em Paris pelo casamento tradicional
Multidões em Paris pelo casamento tradicional
Quando o ex-presidente Nicolas Sarkozy propôs em seu partido reformar a lei de “casamento” homossexual, foi esmagado pelas vaias. Os presentes exigiram aos brados a abrogação pura e simples da odiada lei.

Nas eleições municipais de março, o Front National (FN) progrediu bastante. E em 25 de maio, num escrutínio para o Parlamento Europeu, o mesmo FN foi o partido mais votado na França (Le Figaro, 25-5-14).

A vitória da “extrema direita” foi inconteste em toda a Europa. Na Grã-Bretanha, o partido UKIP, contrário à União Europeia, obteve o primeiro lugar com 29% dos votos.

Na Dinamarca e nos Países Baixos, na Polônia e na Áustria, a ascensão marcante dos que resistem ao desfazimento de seus países pelo centralismo abusivo da União Europeia, que não aprovam uma imigração imprudente e a invasão de Europa pelo Islã abalou o establishment político-midiático (O Estado de S.Paulo, 25-5-14).

O vaticanista Jean-Paul Guénois constatou que os bispos franceses, após terem perdido no passado sua influência sobre o operariado — que propende agora para o Front National — perde hoje a juventude.

A juventude se afasta das vias esquerdizantes e se engaja em prol da família, mediante atitudes de “direita” e até de “extrema direita”, congregando-se em torno de movimentos como a Manif pour tous (Figaro Magazine, 18-4-14).

Segundo o sociólogo socialista francês Gaël Brustier, está em curso um “Maio de 68 conservador”, o qual torna obsoleto o discurso das esquerdas.

Brustier definiu o fenômeno como um “conservadorismo renovado”, engajado “num verdadeiro combate cultural”, que não responde a nenhum esquema sócio-político-religioso pré-existente, que contesta as tendências igualitárias e sensuais que predominaram no último meio século à sombra do Concílio Vaticano II e da revolução anárquica de Maio de 68 na Sorbonne (La Croix, 6-11-14).

Como todo ano: imensa manifestação pela vida em Washington DC
Como todo ano: imensa manifestação pela vida em Washington DC
Suíça — um referendo popular aprovou limitar a imigração desconsiderada, inclusive de europeus, e obrigou o governo a renegociar os acordos com a UE sobre a livre circulação de pessoas que servem como instrumentos desses abusos.

A preocupação é causada pelo aumento da criminalidade e com os problemas econômicos ligados à presença de estrangeiros, que perfazem quase um quarto da população (Folha de S.Paulo, 10-2-14).

“A Suíça mete medo na Europa”, comentou o jornalista Gilles Lapouge, pois a votação suíça prenunciou decisões similares no continente contra a ideia de uma república universal e contra a imigração, sobretudo a muçulmana.

A Suíça pragmática e pacífica privilegiou as ideias, a identidade nacional e a moral social (O Estado de S.Paulo, 12-2-14).

Na mesma ocasião, o povo suíço recusou o financiamento do aborto pelo sistema público de saúde, atendendo ao convite de movimentos pela vida (Settimo Cielo, 18-2-14).

Escócia — Em 18 de outubro, através de plebiscito, a Escócia decidiu continuar unida à Grã-Bretanha. Na Catalunha, em Flandres, na Córsega, na região norte da Itália, e até no leste da Ucrânia e no Texas, por exemplo, imaginava-se que prevaleceria o voto separatista, o qual daria ensejo a dilacerações análogas nesses lugares.

Escócia recusou o perigoso separatismo e reafirmou suas tradições sociais e familiares
Escócia recusou o perigoso separatismo e reafirmou suas tradições sociais e familiares
A mídia e os púlpitos das igrejas pregaram uma secessão que abalaria um dos países mais conservadores da Europa e o maior aliado dos EUA, colocando a nova Escócia de joelhos diante da União Europeia.

Contudo, apesar de historicamente tem enfrentado os ingleses, o povo escocês optou pelo bom senso e manteve a união (Folha de S.Paulo, 19-9-4).

A rainha Elizabete II, que em qualquer hipótese teria continuado rainha da Escócia, manifestou satisfação quando foi informada sobre o resultado do plebiscito pelo primeiro-ministro David Cameron.

A influente nobreza escocesa, embora tenha dado outrora sua vida nos campos de batalha pela independência da Escócia, comemorou o resultado, pois, do contrário, ter-se-ia instalado ali um governo antinobiliárquico e partidário de uma reforma agrária socialista e confiscatória.

Surtos análogos de ressurreição católica ocorreram ao longo do ano em países e contextos diferentes.

China — Na imensa rede social chinesa Weibo, semelhante ao Twitter, Jesus passou a ser mais procurado do que o onipotente secretário-geral do Partido Comunista, Xi Jinping; a palavra Bíblia rendia em abril mais de 17 milhões de respostas, enquanto o Livro Vermelho de Mao tsé-Tung, fundador do comunismo chinês, não alcançava 60 mil.

Na China, Jesus é muito mais procurado que os ditadores comunistas
Na China, Jesus é muito mais procurado que os ditadores comunistas
Se o termo “congregação cristã” rendia 41,8 milhões de endereços, a sigla “PC” só obtinha 5,3 milhões (O Estado de S.Paulo, 11-4-14).

A perspectiva estatística é de que por volta de 2030 o mais numeroso bloco de cristãos do mundo seja o chinês.

Amedrontada, a ditadura comunista ordenou uma “limpeza” visual de igrejas e de cruzes, desencadeando para isso uma violenta campanha que vem sendo respondida a altura pelos fiéis, colocando assim à prova as forças policiais e militares.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Festa da Epifania: quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), Jacques-Joseph Tissot (1836-1902), pintor francês.
Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém.

A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”.

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna com as relíquias dos Reis Magos na catedral de Colônia
Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo. O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes. Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes: quem foram ao certo, os Reis Magos? Foram três? Quais eram seus nomes? De onde vieram? Por quê?

Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos hoje sem contestação.

O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

Três Reis Magos, mosaico em S. Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades. Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museus Vaticanos.
Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, vêem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David: “Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11)

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em recente livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.

A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

 Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros. A reação popular suscita um amável sorriso.


O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos, Andrea Mantegna (1431-1506). Representam todas as raças.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas à capital imperial Constantinopla. Depois foram transferidas a outra capital imperial – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Por que eram "Magos"?


Há grande dificuldade em identificar com plena exatidão geográfica os países de procedência dos Reis Magos, além dos dados da Escritura e de São Beda.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

O nome “mago” provinha do fato de os sacerdotes dessa área serem muito voltados para a consideração dos astros e significava "sábio". A eles devemos o início da ciência astronômica.

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos, ou Sábios, teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reinado.

Porém, na Antiguidade, muitas vezes os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão. E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no “apócrifo” entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos venerado na catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitia uma profecia, talvez ouvida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o “apócrifo” diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por um outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.


domingo, 28 de dezembro de 2014

Reis Magos e pastores: santa harmonia social aos pés do Menino-Deus



Os medievais tinham uma devoção encantada pelos Reis Magos. Essa devoção tem seu fundamento nos Evangelhos, mas eles a desenvolveram com uma força que chega até nossos dias.

A catedral de Colônia exibe a urna que conteria os restos dos três reis, venerados como santos.

Quis a Providência que o Menino Jesus recebesse a visita de três sábios — que segundo uma venerável tradição eram também reis — e alguns pastores.

Precisamente os dois extremos da escala humana dos valores.

Pois o rei está de direito no ápice do prestígio social, da autoridade política e do poder econômico, e o sábio é a mais alta expressão da capacidade intelectual.

Na escala dos valores o pastor se encontra, em matéria de prestígio, poder e ciência, no grau mínimo, no rés-do-chão.

Ora, a graça divina, que chamou ao presépio os Reis Magos do fundo de seus longínquos países, chamou também os pastores do fundo de sua ignorância.

A graça nada faz de errado ou incompleto. Se ela os chamou e lhes mostrou como ir, há de lhes ter ensinado também como apresentar-se ante o Filho de Deus.

E como se apresentaram eles? Bem caracteristicamente como eram.

Os pastores lá foram levando seu gado, sem passar antes por Belém para uma “toilette” que disfarçasse sua condição humilde.

Os Magos se apresentaram com seus tesouros — ouro, incenso e mirra — sem procurar ocultar sua grandeza que destoava do ambiente supremamente humilde em que se encontrava o Divino Infante.

A piedade cristã, expressa numa iconografia abundantíssima, entendeu durante séculos, e ainda entende, que os Reis Magos se dirigiram para a gruta com todas as suas insígnias.

Quer isto dizer que ao pé do presépio cada qual se deve apresentar tal qual é, sem disfarces nem atenuações.

Pois há lugar para todos, grandes e pequenos, fortes e fracos, sábios e ignorantes.

É questão apenas, para cada qual, de conhecer-se, para saber onde se pôr junto de Jesus.


Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Catolicismo, dezembro/1955


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Origens e significados da Missa do Galo

Missa do Galo é aquela que se celebra na Véspera de Natal
Missa do Galo é aquela que se celebra na Véspera de Natal
A Missa do Galo é aquela que se celebra na Véspera de Natal, começando à meia noite de 24 para 25 de dezembro.

O nome “Missa do Galo” deriva da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou como nunca se tinha ouvido de outro animal semelhante, anunciando a vinda do Messias, filho de Deus vivo, Jesus Cristo.

Um costume da província de Toledo, na Espanha, consistia em que, antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador matava um galo em memória daquele que cantou três vezes quando Pedro negou Jesus.

A ave era depois levada para a Igreja a fim de ser oferecida aos pobres, que viam assim o seu Natal melhorado.

Era costume, em algumas aldeias espanholas e portuguesas, levar o galo para a igreja, a fim de que este cantasse durante a missa, significando um prenúncio de boas colheitas.

A Missa do Galo foi instituída no século V, após o Concílio de Éfeso (431 d.C.), começando a ser celebrada na basílica do monte Esquilino, erigida pelo o papa Sisto III em honra de Nossa Senhora.

Trata-se da famosíssima Basílica de Santa Maria Maggiore. O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque representa vigilância, fidelidade e testemunho cristão.

Nos primeiros séculos, as vigílias festivas eram dias de jejum. Os fiéis reuniam-se na igreja e passavam a noite rezando e cantando. A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas.

Para iluminar a Missa havia círios e tochas junto ao altar, enquanto as paredes eram revestidas de panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta. Em alguns locais mais frios, era costume deitar palha no chão para aquecer o ambiente.

Dada a sua importância, pois anuncia o nascimento do Deus vivo – eis que o verbo se fez carne (Jo, 1:14) –, o próprio Papa, bispo de Roma, deve conduzir a celebração pessoalmente, pois ele é sucessor de Pedro, o apóstolo que Jesus mesmo designou como primeiro dirigente da Igreja (Mt 16:18).
Incensação do Menino Jesus
Incensação do Menino Jesus.

Ao entrar na Igreja, a grande curiosidade era o presépio. A vigília de Natal começava com uma oração, com a leitura das Sagradas Escrituras, pregação e com um canto. Antes de o sol nascer, rezava-se a Missa do Galo ou da aurora.

Após seguia-se a representação de um auto de Natal, dentro da igreja. Na metade da manhã do dia 25, celebrava-se a missa da festa.

A missa de Natal começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor.

No fim da missa, todos iam oscular o Menino. Em algumas igrejas, o presépio estava velado até à altura do cântico.

Hoje, tradicionalmente, depois da missa, as famílias voltam para suas casas, colocam a imagem do Menino Jesus no Presépio, realizam cânticos e orações em memória do Messias, Filho de Deus, confraternizam-se e compartilham a Ceia de Natal, com eventual distribuição de presentes.


domingo, 14 de dezembro de 2014

Árvore de Natal: uma tradição medieval
criada por Santos e reis católicos



O costume de ornar um pinheiro nas festas de Natal data dos tempos do Papa São Gregório Magno (540-604), que impulsionou a cristianização das tribos germânicas no início da época medieval.

Estas tribos tinham o costume esdrúxulo de adorarem árvores e lhes oferecerem sacrifícios.

Os missionários e monges aproveitaram então a forma triangular do pinheiro para explicar aos bárbaros o mistério da Santíssima Trindade.

Mas as coisas não eram fáceis.

A primeira árvore de Natal remonta ao longínquo ano 615. São Columbano, monge irlandês fora à França para abrir mosteiros.

Mas a indiferença dos habitantes era tal que ele estava quase desanimando.

Numa noite de Natal, teve ele a idéia de cortar um pinheiro, única árvore verde nessa época do ano e iluminá-lo com tochas.


Todo mundo ficou intrigado.

A aldeia correu em peso a ver a maravilha.

Então o santo monge pregou o nascimento do Menino Jesus!

Mas são muitas as cidades que disputam a autoria da encantadora árvore.

Segundo muitos, ela nasceu na Alsácia. Lá, na cidade amuralhada de Sélestat, o imperador Carlomagno passou a Santa Noite do ano 775.

Teria sido ele o inspirador da primeira árvore de Natal.

Posteriormente, os habitantes da cidade deram forma definitiva à arvore natalina católica.

Porém, o documento mais antigo que há em Sélestat é de 1521.

A cidade de Riga, na Letônia, diz ter sido a primeira em expor uma árvore de Natal no ano do Senhor de 1510.

É certo que no século XVI a árvore de Natal era montada no coro das igrejas da Alsácia representando a árvore do Paraíso.

Ela era ornamentada com maçãs para lembrar o fruto da tentação dos primeiros pais.

Mas tinha também representações de hóstias figurando os frutos da Redenção.

Elas também contavam com anjos, estrelas de papel e muitas outras decorações.

Escolhendo a árvore do Paraíso como símbolo das festividades do Natal, a Igreja Católica estabeleceu uma ponte entre o pecado de Adão e Eva numa extremidade, e a vinda de Jesus, o novo Adão que veio regenerar a humanidade nascendo do seio virginal da nova Eva, Nossa Senhora, na outra.

É fato assente que o costume generalizou-se na França quando a princesa Hélène de Mecklembourg o trouxe a Paris em 1837, após seu casamento com o duque d’Orléans.

Em 1841, o príncipe consorte Alberto, esposo da rainha Vitória da Inglaterra, ergueu uma árvore de Natal no castelo de Windsor.

A partir da corte inglesa, então a mais influente da terra, o católico costume propagou-se para todo o povo inglês, e de ali para o mundo inteiro.


domingo, 7 de dezembro de 2014

A Imaculada Conceição glorificada à revelia até por ...
um diabo!

Imaculada Conceição,São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição,
São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Luis Dufaur


No dia 8 de dezembro de 1854, o Bem-aventurado Papa Pio IX promulgou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E no dia 25 de março de 1858, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem se manifestou em Lourdes a Santa Bernadete.

Nesse dia Ela confirmou o dogma, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. E inaugurou uma torrente de milagres que não cessa até hoje!

Poucas pessoas sabem que em 1823, trinta anos antes da proclamação desse magnífico dogma, dois sacerdotes exorcistas obrigaram um demônio que possuía um rapaz a cantar o louvor dessa santa verdade.

E o demônio teve que fazê-lo, obviamente a contragosto, mas com uma rima poética que reverenciou a glória de Nossa Senhora.

O demônio é “espírito de mentira”, mas o exorcismo pode obrigá-lo a dizer a verdade, inclusive sobre matérias de Fé, como a divindade de Jesus Cristo, as virtudes da Imaculada Virgem, a existência do Paraíso, do inferno, etc.

Foi o que aconteceu com o demônio que tinha entrado num jovem analfabeto de apenas doze anos, residente em Adriano di Puglia, Itália, hoje Ariano Irpino, na província e diocese de Avellino.

Os exorcistas foram dois religiosos dominicanos, o Pe. Gassiti e o Pe. Pignataro, que estavam na cidade pregando uma missão.

Eles haviam recebido o “placet”, ou autorização do bispo, para fazer o exorcismo.

E obrigaram então aquele demônio a responder a muitas perguntas, entre as quais, uma sobre a Imaculada Conceição.

Apesar de o diabo dar sinais de máxima contrariedade, os exorcistas lhe impuseram que falasse sobre o especialíssimo privilégio concedido por Deus a Maria Santíssima.

O demônio então confessou que a Virgem de Nazareth jamais esteve sob seu poder, nem mesmo por um só instante. Pelo contrário, confessou que desde o primeiro instante de sua vida Ela sempre esteve “cheia de graça” e foi toda de Deus.

Os dois exorcistas obrigaram o espírito das trevas a testemunhar a Imaculada Conceição sob a forma de versos poéticos.

E o diabo pôs em verso a glória da Imaculada que o esmaga eternamente.
Santa Maria de los Reyes, Laguardia, Espanha
E o demônio, que se perdeu por culpa própria e conhecendo perfeitamente as coisas, compôs na língua italiana um soneto impecável, perfeito como construção poética e como teologia.

Como a tradução para o português prejudica a rima, nós o reproduzimos no em italiano final do post:
Eu sou Mãe verdadeira de um Deus que é Filho
e sou filha dEle, embora seja sua Mãe;
Ele nasceu ab aeterno e é meu Filho,
Eu nasci no tempo e, entretanto, sou sua Mãe.

Ele é meu criador, porém é meu Filho,
Eu sou sua criatura, porém sou sua Mãe;
Foi um prodígio divino Ele ser meu Filho
Um Deus eterno me ter por Mãe.

A vida é comum entre a Mãe e o Filho
Porque o Filho recebe o ser da Mãe,
E a Mãe recebeu o ser do Filho.

Ora, se o Filho recebeu o ser da Mãe,
Ou se diz que o Filho nasceu com mancha,
Ou foi a Mãe que foi concebida sem mancha.

Imaculada Conceição em Lourdes, França
Imaculada Conceição em Lourdes, França
Se não formos piores que esse demônio do inferno, ajoelhemo-nos diante da Imaculada Virgem e veneremo-la pelos séculos dos séculos, dizendo:

“Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Em italiano:
Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.

Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.

L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre

Fonte: “Chiesa viva”, Maio 2012

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Árvore de Cristo

Árvore de Natal, Mittenwald, Baviera, Alemanha
Árvore de Natal, Mittenwald, Baviera, Alemanha
Depois do Presépio, a Árvore de Natal é o símbolo mais expressivo da época natalina — sobretudo em tempos passados, nos quais o aspecto comercial do Natal não era tão protuberante e agressivo.

O inventor da árvore de Natal foi São Bonifácio, o apóstolo e evangelizador da Alemanha.

Em 723 São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar.

Para convencer o povo e os druidas de que não era uma árvore sagrada, ele abateu-a.

Esse acontecimento é considerado o início formal da cristianização da Alemanha.

Na queda, o carvalho destruiu tudo o que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro.

Segundo a tradição, São Bonifácio interpretou esse fato como um milagre.

Era o período do Advento e, como ele pregava sobre o Natal, declarou:

São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.  Emil Doepler (1855 – 1922).  Uma santa truculência atraiu a bênção da árvore de Natal.
São Bonifácio derruba árvore sagrada pagã.
Emil Doepler (1855 – 1922).
Uma santa truculência atraiu essa bênção natalina.
“Doravante, nós chamaremos esta árvore de árvore do Menino Jesus”.

O costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus começou e estendeu- se pela Alemanha.

E no século XIX, a Árvore de Natal — também conhecida em alguns países europeus como a “Árvore de Cristo” — espalhou-se pelo mundo inteiro como símbolo da alegria própria ao Natal para se festejar o nascimento do Divino Infante.


(Fonte: Guia de Curiosidades Católicas, Evaristo Eduardo de Miranda)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Jovens pela vida
frustam evento da “cultura da morte” na Argentina

Catedral de Salta que a "cultura da morte" visava profanar
Catedral de Salta que a "cultura da morte" visava profanar
Luis Dufaur


O governo argentino promoveu o “29º Encontro Nacional de Mulheres” que se repete todos os anos. O evento reúne anualmente centenas de militantes feministas em prol do aborto, LGBT, e até prostituição.

Esses encontros costumam concluir com uma passeata que vai até a catedral local, visando profaná-la, quiçá invadi-la e sujá-la.

A Revolução Sexual foi adotada pelo “bolivarianismo” e é uma de suas facetas mais dinâmicas.

Desta vez, o encontro aconteceu na cidade de Salta, norte da Argentina. Porém, já alertados contra essas iniciativas agressivamente anticristãs, os movimentos católicos e pela vida reagiram dentro da lei com notável sucesso.

Martín Patrito, presidente da plataforma ArgentinosAlerta, declarou à agência ACIPrensa que “ao chegarem em Salta, as militantes do aborto acharam uma cidade cheia de cartazes pela vida espalhados pelos grupos que defendem a vida e a família”.

A organização católica também impossibilitou que a militância anti-vida sequer se aproximasse da catedral: “Desta vez, sequer uma gota de tinta sujou a Catedral”, explicou Martín.

Como o regulamento do “Encontro” patrocinado pelo governo o permitia, muitas moças e mulheres ingressaram legal e pacificamente nas salas onde as feministas faziam seus debates. Ali elas pediam votação de propostas e venciam numericamente, aprovando decisões favoráveis à vida.

Obviamente, a ousadia e a inteligência dessas católicas desataram a cólera das agitadoras profissionais. Máxime quando isto já tinha acontecido em mais de um “Encontro” anterior.

Por exemplo, a organização “Argentinos por la Vida” publicou no Facebook as conclusões de uma das comissões denominada “Taller de Mujer, Aborto y Anticoncepción”. A medida aprovada afirma que “a maioria desta comissão está a favor da vida da criança que vai nascer e nós somos a voz dos que não têm voz”.

Dita organização comemorou a vitória e abriu uma faixa no local do “Encontro”. Nela estava escrito: “Enchemos o encontro delas!”.

ArgentinosAlerta promoveu, através da plataforma CitizenGO, um abaixo assinado eletrônico pedindo às autoridades locais proteção policial contra o previsível vandalismo das feministas.

As moças pela vida argentinas foram mais espertas e corajosas
As moças pela vida argentinas foram mais espertas e corajosas
Na Catedral se veneram duas das mais belas e famosas imagens da Argentina, objeto de procissões e romarias em que participam centenas de milhares de fiéis nas festas principais: o Jesus do Milagre e a Virgem do Milagre.

“Milhares de cidadãos enviaram por meio de CitizenGO cartas às autoridades estaduais e municipais pedindo que garantam a segurança e protejam a cidade. E assim aconteceu. Pois quando as militantes da violência anticristã chegaram, encontraram ruas, igrejas e prédios ameaçados bem protegidos pela polícia”, não podendo se aproximar, disse Martín.

As organizadoras do provocativo evento anual se autoproclamam soberanas, democráticas, pluralistas e igualitárias, mas seu verdadeiro objetivo “ficou evidente na sessão de abertura: ‘queremos despenalizar o aborto’.

“Na verdade, as opiniões contrarias ao aborto não eram escutadas por essas ativistas agressivas e violentas. Mas isso, que já se sabia por antecipação, não impediu que a mensagem pela vida e pela família se fizesse ouvir com força”, disse Martín.

Martín Patrito que o “Encontro” fracassou em seus objetivos sacrílegos em Salta.

Entre os agitadores figuravam “militantes do Partido Obrero (agrupação da extrema esquerda), que enquanto denunciavam a discriminação e a violência se despiram, proferindo toda espécie de blasfêmias contra a Igreja Católica e os fiéis que se reuniram em frente da Catedral para protegê-la”.

“Esse é o grau de intolerância das que reclamam ‘tolerância’ e ‘abertura’: só praticam agressão e violência contra os que não pensam como elas”.

Isto se deve ao fato de que “o aborto é violência, e só se pode impor com mentira e violência”, concluiu Martín.