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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Kiev: Nossa Senhora intacta sob grande órgão incendiado

Imagem de Nossa Senhora da Porta da Aurora resgatada das ruinas ardentes, em Kiev, Ucrânia
Imagem de Nossa Senhora da Porta da Aurora resgatada das ruínas ardentes, em Kiev, Ucrânia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O muito prezado grande órgão da Catedral Católica Romana de São Nicolau em Kiev, segunda igreja católica romana mais antiga da cidade, pegou fogo numa madrugada e foi reduzido a cinzas, porém sem vítimas, segundo o Serviço de Emergência do Estado citado pelo “Kyiv Post”.

A Catedral de São Nicolau em Kiev foi construída no início do século 20 em estilo neogótico, mas nos tempos soviéticos foi fechada e usada como oficina pública.

A grande negligência comunista lhe provocou graves danos e a deixou em péssimas condições, não sendo restaurada devidamente pelos governos pós-comunistas.

Bem no centro do muito prezado órgão usado para concertos estava exposta a imagem de Nossa Senhora da Porta da Aurora no momento que o incêndio enfureceu, explicou a agência Catholic News.

Nossa Senhora da Porta da Aurora em Kiev, antes do incêndio
Nossa Senhora da Porta da Aurora em Kiev, antes do incêndio
As chamas consumiram o grande instrumento, mas a imagem que tem as características de um ícone pitado a óleo sobre tela permaneceu intacto.

Os fiéis agradeceram a Deus e à Bem-Aventurada Virgem Maria pelo milagre do resgate inexplicável da imagem do fogo.

Andriy Afanasyev restaurador de obras de arte, e da imagem em questão, disse estar convencido de que a sobrevivência do ícone sagrado não pode ser explicada racionalmente.

No dia da comemoração de Nossa Senhora da Porta da Aurora, 16 de novembro 2022, foi celebrada uma missa de ação de graças, também pelo milagre, presidida pelo Núncio Apostólico na Ucrânia, Arcebispo Visvaldas Kulbokas, numa igreja próxima, em Kiev.

O pároco, padre Pawel Wyszkowski, OMI, expressou sua gratidão: “Agradecemos especialmente à Bem-Aventurada Virgem Maria por sua presença entre nós”.

De fato, o fogo consumiu todo o órgão, mas a pintura permaneceu ilesa, quando pinturas artísticas não sobrevivem a um incêndio dessas proporções.

Catedral Católica Romana de São Nicolau em Kiev pegando fogo
Catedral Católica Romana de São Nicolau em Kiev pegando fogo
A imagem de Nossa Senhora pintada no final do século XIX e restaurada mais recentemente, estava bem preservada quando estourou o incêndio.

“É simplesmente um milagre”, disse o restaurador, “porque mesmo em temperaturas moderadamente altas, a tinta a óleo sempre derrete e se desintegra”.

O restaurador Afanasyev encontrou manchas prateadas no verso da pintura e verificou que se tratava de metal proveniente dos tubos do órgão fundidos pelas temperaturas muito elevadas a que o local foi submetido.

O metal dos tubos fundido acentua o caráter inexplicável da sobrevivência íntegra do frágil quadro.

Afanasyev constatou-se serem fragmentos dos tubos de órgãos derretidos que ficaram colados na parte de trás da pintura. E acrescentou estar convencido de que a intervenção divina estava envolvida.


Afanasyev, perguntou com espanto: “Quão alta deve ter sido a temperatura para que o metal derretido dos tubos do órgão cobrisse quase completamente o verso da pintura e até mesmo a frente?”

Segundo pesquisas, a pintura de Nossa Senhora da Porta da Aurora é tão antiga quanto a igreja de São Nicolau.

Após 1991, ano da independência da Ucrânia e separação da União Soviética, os fiéis católicos rezavam nos degraus em frente à igreja trancada aguardando que a igreja fosse devolvida à paróquia católica.

Fragmentos dos tubos derretidos colados na parte de atrás da imagem
Fragmentos dos tubos derretidos colados na parte de atrás da imagem
A imagem ficou indene da profanação comunista
que começou em 1938, quando os marxistas fecharam a igreja “porque foi escondida do saque bolchevique e posteriormente doada a uma paróquia vizinha”, segundo disse o Pe. John Krapan, então pároco da paróquia de São Alexandre que a restituiu à paróquia original.

O quadro retrata o glorioso ícone da Bem-Aventurada Virgem Maria cujo original está na bela capelinha da Porta da Aurora em Vilnius, Lituânia.

Sua presença em Kiev é um eco do tempo em que a Lituânia, a Polônia e a Ucrânia formavam um reino unido sob a coroa da família real lituana dos Jagelons, que conseguiram manter pacificamente unidos esses povos tão diversos.

A unidade foi perpetuada anos depois pela coroa da família dos Habsburgos, que reinaram no Império Austro-Húngaro, até sua dissolução e a invasão russa comunista após a I Guerra Mundial

A igreja de São Nicolau foi restituída ao culto católico em novembro de 2021, pelas autoridades que hoje governam a Ucrânia devendo enfrentar a ferocidade agressiva e assassina dos bombardeios ordenados por Vladimir Putin continuador e renovador do regime comunista russo.



Nossa Senhora do Portal da Aurora presidindo apresentação antes do incêndio e preservação miraculosa





terça-feira, 5 de abril de 2022

O soldado que recebeu Deus antes de enfrentar a morte

Momento da recepção dos sacramentos por Wenceslao Viacheslav antes de enfrentar o ateísmo russo, igreja greco-católica castrense de São Pedro e São Paulo, Lviv
Momento da recepção dos sacramentos por Wenceslao Viacheslav
antes de enfrentar o ateísmo russo,
igreja greco-católica castrense de São Pedro e São Paulo, Lviv
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Na igreja greco-católica castrense de São Pedro e São Paulo, em Lviv, Ucrânia, o soldado fardado Viacheslav recebeu os sacramentos do Batismo e da Crisma logo antes de partir para a guerra, segundo testemunho pessoal do enviado do “La Nación”.

Ele é um pedreiro, órfão, da cidade de Mykolayiv onde predominam os cismáticos a 700 quilômetros de Lviv a cidade marcada pelo catolicismo.

Morava no sétimo andar de um prédio popular quando as bombas russas o fizeram tremer.

Ele queria se enrolar no exército na sua cidade, mas o escritório não dava abasto. Então viajou até Lviv levando sua jovem mulher e filho, pensando em deixá-los na fronteira da Polônia antes de partir para o combate.

Nesse meio tempo um vizinho lhe enviou uma foto por celular mostrando que seu monobloco havia sido arrasado pelos ataques russos e sua casa havia ficado calcinada.

Sua decisão permaneceu imutável.

Os dois padrinhos da cerimônia de Viacheslav foram outros dois militares fardados que acompanharam o rito grego-católico de São João Damasceno tão belo e tão diferente do latino, mas igualmente válido.

O capelão militar ungiu-o com o óleo bento na mão primeiro, na testa depois, para que sua mente “consiga compreender e aceitar os sacramentos da vida cristã”.

Depois no peito, “para que ame a Deus com o coração”; nos ombros, “para que carregue com alegria e amor a cruz do Senhor”; nos ouvidos, “para que possa acolher e ouvir a voz do Evangelho”; nas mãos, “para que faça o que é justo para Deus”; e nos pés, “para que ande nas pegadas de Cristo”.

Wenceslao, já batizado impõe a seu filho de 6 anos, o terço que usou no batismo
Wenceslao, já batizado impõe a seu filho de 6 anos, o terço que usou no batismo
O sacerdote fez o mesmo com a água benta e depositou nos ombros de Viacheslav um manto feito à mão, tipicamente ucraniano, símbolo da mudança de pele, da passagem de uma roupa de pecado para outra livre de pecado.

Ele recebeu uma vela acesa símbolo “da luz de Cristo que agora ilumina sua vida” e um exemplar do Evangelho.

A igreja foi feita pelos jesuítas no século XVII, mas suas estátuas mais valiosas estão embrulhadas por proteção das brutais bombas russas símbolo do ódio do inferno contra a Igreja Católica.

A igreja estava cheia de fiéis que foram a rezar por razões pessoais e alguns choravam de emoção.

Na primeira fila estava Katarina, a esposa de Viacheslav, o filho do casal Stanislaw, de 6 anos, sua irmã Olga, sua sobrinha Tatiana e outros parentes que também tinham fugido providencialmente da bombardeada Mykolayiv.

Viacheslav usou sempre um terço no pescoço durante as cerimônias. No fim o tirou e o impôs a seu filho que não sabia se voltaria a ver.

Sem dúvida o pequeno Stanislaw nunca mais esquecerá esse momento. Seu pai tinha mais um terço que colocou nele para que nunca falte.

Foto do batismo de Wenceslao com a família antes de partir para a guerra
Foto do batismo de Wenceslao com a família antes de partir para a guerra
Katarina, a esposa de 32 anos, chapéu de lã e casaco azul claro, longos cabelos loiros e olhos resignados, explicou: “meu marido, desde o início da guerra, a única coisa que queria era se juntar às fileiras do nosso exército para combater o inimigo e defender nossa terra”.

Daí à pouco ela partiria ao exílio na Europa, porque “quando estivermos lá fora, o meu marido vai conseguir ficar mais tranquilo na hora de ir para a frente”, acrescentou.

Ela trabalhava numa base de reparo de aeronaves do Ministério da Defesa de Mykolayiv, que também foi alvo da artilharia russa.

Katarina suspirava enquanto prosseguia: “o irmão dele, meu cunhado, também se inscreveu e já está na frente. Ele também quer ir para a frente e eu entendo isso. Quem vai nos defender da invasão russa, se não?”, perguntou.

“Desde o primeiro dia, Viacheslav quis se alistar para defender sua pátria. Está no coração dele”, acrescentou.

O que disse Viacheslav ao filho quando lhe colocava o rosário no pescoço?

“Eu não disse a ele que vou para a guerra, mas que vou trabalhar”, respondeu com os olhos úmidos.

Viacheslav nunca disparou uma arma em sua vida ou lutou, mas nunca hesitou em responder positivamente ao chamado às armas.

Ele não tem medo de morrer? “Todos nós, responde, mais cedo ou mais tarde, temos que morrer, é o Senhor quem decide. E agora sinto-me em paz porque estou nas mãos de Deus”, garantiu o novo soldado de Cristo.

E o que ele acha dessa guerra? “Isso vai continuar enquanto Putin esteja no comando. Mas acho que vamos vencer. Estou convencido”.

Incontáveis episódios comovedores como esse fazem a grandeza de um povo, garantem seu futuro e, o que é mais importante, a bênção de Deus e de Maria Santíssima. E permanecem para toda a eternidade.


segunda-feira, 7 de março de 2022

Por ruas e estradas da Ucrânia, o Santíssimo Sacramento passa abençoando os fiéis

CLIQUE NA FOTO EMBAIXO PARA VER O VIDEO



Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A história do menino que sonhava em ser sacerdote
sob a perseguição comunista

Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do rito greco-católico,
o maior dos ritos orientais da Igreja Católica

Em entrevista para a Catholic Radio and Television Network, o Arcebispo-mor de Kiev-Galícia e de toda a Rússia, Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do Rito greco-católico na Ucrânia, fez reveladoras confidências sobre sua formação eclesiástica acontecida sob o socialismo soviético. “Zenit”.

O rito greco-católico é o maior dos ritos orientais da Igreja Católica: mais de 10 milhões de fiéis, incluindo a Ucrânia e a diáspora. Cerca de meio milhão deles reside no Brasil, especialmente no Paraná e em Santa Catarina.

Dom Sviatoslav explicou que cresceu numa sociedade totalmente ateia. Na escola “nos ensinavam que Deus não existia”. Só a família transmitia a fé crista.

O jovem arcebispo disse que a primeira vez que viu um padre foi por ocasião de um enterro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Arcebispo católico exorta soldados ucranianos
a combater com Cristo pela pátria

Metropolita (arcebispo) greco-católico de Lviv, D. Ihor Voznyak.
Metropolita (arcebispo) greco-católico de Lviv, D. Ihor Voznyak.

O Metropolita (arcebispo) greco-católico de Lviv, D. Ihor Voznyak, deu a conhecer uma carta de apoio aos militares ucranianos em serviço ativo, na qual ele sublinha:

“Nós testemunhamos o advento de uma nova geração de heróis, prestes a sacrificar suas vidas e a esquecer todo conforto e sossego, heróis que são os primeiros a responder ao clamor de ajuda vindo de sua terra.

“Estou me dirigindo a vós, bravos defensores de nossa nação! Para muitos ucranianos, vossa fortaleza, vossa paciência e vossa prudência têm sido um modelo de como se deve amar o próprio país, de como não fugir aos deveres para com ele, e de como orgulhar-se da própria história, de sua origem, e preparar-lhe um futuro resplandecente...

“Estou vendo com entusiasmo como vós, a mais jovem geração de ucranianos, se transformou para todo o nosso povo em verdadeiro rochedo, que não será quebrado pelo medo, pela intimidação e pelas ameaças.