terça-feira, 27 de julho de 2021

O sacrifício indispensável

Não é dado a qualquer um ser pescador de pérolas
Não é dado a qualquer um ser pescador de pérolas




Não é dado a qualquer pessoa exercer o duro ofício de pescador de pérolas.

As compleições fortes são capazes de resistir à pressão da água e às agressões dos polvos, para descer até o fundo do mar e colher a pérola alvíssima que procuram.

Mas os organismos débeis se sentem asfixiados quando se aprofundam um pouco nas águas verdes do oceano, e são forçados a retroceder com as mãos vazias, para respirar a brisa amena e retornar a pressões fracas, longe das quais são incapazes de viver.

Do mesmo modo, certas almas são capazes de se aprofundar nas mais sérias cogitações, onde vão buscar a pérola inestimável da verdade.

Outras, porém, se sentem asfixiadas quando as ideias se tornam um pouco mais densas, e retrocedem imediatamente, de mãos vazias, à banalidade estéril, único ambiente que conseguem suportar.

O sacrifício que se requer [de nossa geração] não é o do sangue; a morte não é o perigo supremo que se impõe ao moço de hoje enfrentar, mas a própria vida.

Não é mais o tempo de os crentes atestarem a sua fé pelo testemunho sangrento do martírio.

f:\Graficos\000GSanta Isabel, rainha de Hungria. Edward Blair Leighton
Caridade de Santa Isabel, rainha de Hungria.
Edward Blair Leighton (1853 — 1922), col.priv.
O que a Igreja pede aos seus fiéis é o testemunho de uma vida exemplar, o sacrifício generoso de toda a nossa personalidade à grande causa pela qual é mister lutar.

Esse sacrifício é o dos bens temporais; é o sacrifício do tempo que se emprega no apostolado, quando poderia ser utilizado na caça ao dinheiro; é o sacrifício das atitudes que se tomam para salvar as almas, com prejuízo da reputação social, das mais caras relações de família ou de amizade, das mais preciosas simpatias.

Sobretudo esse sacrifício é o da alma, que se purifica pela prática da virtude, que se imola no sofrimento interior, que sobe espontaneamente ao altar das mais dolorosas provas espirituais, com aquela resolução magnânima com que os primeiros cristãos caminhavam para o martírio.

O mundo atual foi perdido pelo pecado, e só pela virtude se há de resgatá-lo. Aos olhos de Deus, nada vale a mais útil das obras de apostolado, quando na alma o apóstolo leva aquele mesmo espírito do mundo que procura combater por suas ações.




terça-feira, 20 de julho de 2021

Milagre Eucarístico de Gorkum, Holanda – El Escorial, Espanha, 1572

Milagre eucarístico de Gorkum, custodiado no El Escorial
Milagre eucarístico de Gorkum, custodiado no El Escorial
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Relíquia deste Milagre Eucarístico pode ser venerada em Espanha no Real Mosteiro do Escorial, mas o prodígio ocorreu em Gorkum, Holanda, em 1572.

Alguns mercenários protestantes entraram na catedral da cidade e a saquearam.

Em sinal de desprezo, um dos mercenários que usava uma bota com pregos pisoteou uma Hóstia consagrada, abrindo nela três furos, que imediatamente começaram a sangrar.

Eram seguidores de Zwinglio (os chamados “Guex de la Mer”) mercenários do príncipe de Orange que como seu heresiarca-mor negavam a presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.

Esses indivíduos, depois de ter invadido e saqueado a cidade, foram à Catedral e assim que entraram forçaram o Tabernáculo com uma barra de ferro e pegaram o Ostensório com o Santíssimo Sacramento.

Assim que começou a sair Sangue dos furos na Hóstia formaram-se três pequenas feridas redondas.

Ainda hoje podem se ver as marcas da bota do soldado rodeadas por difusas manchas de cor avermelhado. Porque a Hóstia permanece inteira e é venerada na sacristia do Real Mosteiro de São Lourenço do Escorial (perto de Madri)

Um dos profanadores, arrependido e transtornado, foi avisar o cônego Jean van der Delf que recuperou a Hóstia. O arrependido se converteu ao catolicismo e mais tarde se fez religioso franciscano.

A Relíquia passou de mão em mão. Ela foi trasladada a Viena por Fernando Weidmer, capitão do exército do imperador Rodolfo II.

Seus descendentes a enviaram a Espanha, onde finalmente em 1594 foi doada ao rei Felipe II.

O rei mandou que fosse custodiada no Mosteiro de São Lourenço no Escorial. Cfr. Catholic.net.

O rei Carlos II adora a Sagrada Forma. Claudio Coello (1642-1693) Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial, detalhe
O rei Carlos II adora a Sagrada Forma. Claudio Coello (1642-1693)
Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial, detalhe
Em cima do altar onde a Hóstia Milagrosa está guardada incorrupta após 400 anos, o artista italiano Filippo Filippini confeccionou quatro baixos-relevos de mármore e bronze que representam os eventos do Milagre.

Todos os anos no Escorial, nos dias 29 de setembro (festa de São Miguel) e 28 de outubro (festa de São Simão e São Judas), realizam-se solenidades em memória do Milagre.

A Partícula Milagrosa, conhecida como a “Sagrada Forma”, é exposta e sai pelas ruas em procissão.

Quem tenha a oportunidade de venerá-la, repare que hoje as heresias que assolam o mundo não são menos graves que as de Zwinglio.

Nem menores são os sacrilégios que se cometem com tanta frequência não só na Holanda protestante, mas nas nações católicas em nossos tristes dias.


terça-feira, 13 de julho de 2021

Americanos procuram charme e história das árvores antigas

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Uma árvore anosa no jardim costuma estar ligada a eventos familiares, e até sociais ou de um país, sendo em muitos casos um testemunho vivo da história e da tradição que a modernidade recusa, incompatível com os novos estilos arquitetônicos.

Acontece que nos tempos atuais cresce a apetência de fazer casas novas com estilos tradicionais.

As novas técnicas e um vasto leque de restauradores ou artesãos produtores de objetos antigos, prosperam procurados pelos proprietários sedentos de passado e fugitivos da modernidade.

A tendência é forte nos EUA, mas enfrenta dificuldades. Entre elas, o fato de o jardim de uma casa nova não tem árvores anosas que aportam seu prestigioso charme de tradição. E até sua ausência denuncia uma modernidade não palatável.

A solução, entretanto, apareceu: Walter Acree um jovem rebelde que cortava a grama sem sapatos e cujos cabelos caiam até os ombros, segundo reportagem de “La Nación”.

Há poucos anos, ele criou uma empresa de paisagismo em Deerfield Beach, Flórida, cujo sucesso nunca imaginou: transplantar árvores velhas que haviam passado a ser símbolo de tradição e não mais coisa antiga a ser derrubada.

Obviamente isso não só parecia inviável, mas podia custar muito. Mas a tradição valia o preço para muitos americanos.

Desejo de uma árvore anosa foi até uma de 23 metros em Miami.
Desejo de uma árvore anosa foi até uma de 23 metros em Miami.
Acree hoje dirige a Green Integrity e conduz seus clientes pela Flórida em busca de árvores que darão o tom definitivo à nova casa em estilo tradicional.

Ele descobriu uma maneira de transplantar até a propriedade do cliente uma árvore enorme que às vezes pode pesar até 300 toneladas. Para isso usa caminhão e guindaste, cabos de aço, cintas de catraca e parafusos e, em alguns casos, barcos e até helicópteros para poupar as copas frondosas.

“Este negócio nunca foi tão ativo, estamos fazendo coisas em uma escala impressionante”, disse ele. Até clientes compraram as casas próximas para derrubá-las e construir jardins maiores que falassem de história e tradição.

Um carvalho com um tronco de quase 14 metros chegou a custar um preço astronômico. Mas, suas proporções perfeitas, seu caráter, a forma dos galhos faziam dele o carvalho perfeito.

Raymond Jungles, arquiteto paisagista de Miami, diz que uma árvore única ou particularmente antiga é como uma obra de arte.

Árvores antigas trazem charme à moradia
Árvores antigas trazem charme à moradia
E não são só idosos que gostam, os jovens também querem.

Quiçá a maior habilidade de Acree esteja em convencer os proprietários de grandes árvores a vender porque não acreditam que isso seja possível ou têm uma ligação sentimental com a árvore, em geral familiar.

“Não há como você fazer isso”, diziam para Acree, mas já transportou centenas de árvores usando sua técnica.

Se a árvore morrer é como uma punhalada, mas ele tem uma forte habilidade para muda-las vivas e consegue.

Um incorporador imobiliário de Los Angeles gastou muito dinheiro, tempo e um trabalho enorme, inclusive na burocracia local, para replantar o que ele chama uma “árvore da vida”.

Oliveira de 150 anos viajou da Toscana até Beverly Hills na Califórnia
Oliveira de 150 anos viajou da Toscana até Beverly Hills na Califórnia
É uma grande oliveira de 150 anos importada da Toscana, Itália, que instalou no centro da nova casa, rodeada por um espelho d'água raso e tendo como pano de fundo um mármore impecável.

A paisagista Deborah Nevins constata a mesma tendência em Nova York. Também grandes empresas querem reforçar sua imagem de solidez com prestigiosas árvores.

Andre Radandt, ex-CEO da Bolthouse Farms, contratou Acree para transplantar um fícus para o jardim de sua nova mansão e a árvore tornou-se uma nota tônica da propriedade. 

Quando foi a vez de vender, contribuiu a elevar o preço.


terça-feira, 6 de julho de 2021

Senso cristão, familiar e patriótico impede mortes com arma de fogo na Suíça

Este soldado suíço deve guardar bem
todo este equipamento... em casa!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A posse de armas, inclusive para uso militar, está generalizada na Suíça, porém os crimes com arma de fogo são tão poucos que nem sequer há estatísticas sobre eles, noticiou já há muito a BBC e a situação pouco mudou, graças a Deus.

O país tem seis milhões de habitantes e há pelo menos dois milhões de armas de fogo privadas, entre as quais se incluem por volta de 600.000 fuzis automáticos e 500.000 pistolas.

A Suíça possui um sistema de defesa nacional único no mundo, que ela desenvolveu ao longo dos séculos numa autêntica tradição.

O país exige que cada homem pertença a uma milícia regional e receba treinamento durante alguns dias ou semanas durante quase toda sua vida. 

Entre 21 e 32 anos, os homens servem na tropa regular e recebem um fuzil de assalto M-57 e 24 pentes de munição, que devem conservar em casa. Posteriormente passam a fazer parte das milícias regionais que também exigem certo treino, além da posse e manutenção das armas em casa.

Além das armas fornecidas pelo governo, quase não há restrição à sua compra e venda, embora alguns cantões limitem seu porte em certos casos.

Fuzil de assalto Sturmgewehr 90 é propriedade pessoal do soldado suíço

O governo vende ao público o excesso de armas, sobretudo quando o exército adota novos modelos.

Os prédios públicos têm escassa vigilância policial.

Mas, a despeito da propriedade e disponibilidade massiva de armas de fogo, o crime praticado com elas é extremamente raro.

Mark Eisenecker, sociólogo da Universidade de Zurique, explica que as armas de fogo estão “ancoradas” na sociedade suíça a ponto de o controle delas nem ser um problema ou uma questão pública.

A realidade suíça prova que a posse de armas de fogo não é a causa dos crimes cometidos com elas, da mesma maneira como a posse de uma faca de cozinha não é a causa de algum crime de sangue praticado com ela.

Pistola semi-automatica SIG220: também é propriedade
de cada soldado, mas não há crimes com ela


Para diversos comentaristas, a explicação do caso suíço radica em que na Suíça não há os problemas sociais relacionados com os crimes com armas de fogo em outros países. 

Não há o consumo de drogas ou a depravação urbana nas proporções existentes em outros países, inclusive ricos e industrializados.

Um senso de responsabilidade coletiva dispensa a necessidade de leis sobre as armas. 

Acresce que a Suíça também preservou grande unidade de índole familiar, social e histórico-cultural.

Desde a mais tenra idade os jovens suíços, homens e mulheres, são educados na ideia de que as armas só foram feitas para defender o próprio país.

Essas explicações naturais adquiriram toda sua relevância atual após séculos de influência da Civilização Cristã, que modelou profundamente a alma nacional do povo helvético.

O dia em que essa influência cessar sob os golpes do laicismo rompante, a Suíça passará a sofrer os males provenientes do crime e do estatismo invasor que afligem os países descristianizados.