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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Espanha: não há outeiro
de onde não se aviste um santuário

Basílica do Sagrado Coração, Tibidabo, Barcelona
Basílica do Sagrado Coração, Tibidabo, Barcelona
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Fazer a conta dos santuários existentes na Espanha ficou tão difícil que agora apareceu um livro que aventura uma cifra com fundamento no estudo.

É Santuários, guia de turismo e peregrinação, de Salvador Batalla Gardella, ex-diretor do departamento de Pastoral de Turismo, Santuário e Peregrinações da Conferência Episcopal espanhola, segundo divulgaram oportunamente os sites espanhóis Infocatólica e Religión en Libertad.

O autor afirma que se pode contabilizar “mais de 12.300 santuários e ermidas” no território espanhol.

Para se fazer uma ideia do que isso significa, o autor explica que “não há montanha, morro ou colina de onde não se possa ver no horizonte um santuário, uma ermida ou uma capela dedicada a Jesus Cristo, à Mãe de Deus, ou a algum santo ou santa”.

Aqueles dedicados a Nosso Senhor são pelo menos 1.200 (10% do total), os dedicados à Virgem Maria ou a alguma invocação mariana são 4.300 (35%); e os dedicados a santos e santas são 6.800 (55%).

Capela nos Pirineus
Capela nos Pirineus, Aragão, Espanha
Há assim quase o triplo de santuários dedicados a Nossa Senhora do que a Seu Divino Filho, cálculo que faz muito protestante espernear, mas que entusiasma os verdadeiros católicos e Nosso Senhor, glorificado na pessoa de Sua Santíssima Mãe.

Os santuários, capelas e ermidas dedicados a santos e santas são largamente majoritários, outro fato que faz protestantes saírem de dentro da própria pele para falar mal da católica Espanha.

A proporção dos santuários não se reflete no número dos romeiros, pois alguns santuários atraem milhões de pessoas, como o da Virgen del Pilar em Zaragoza ou do Apóstolo Santiago em Compostela.

Mais longa ou menos, com características diversas, as romarias vão sempre a um desses santuários, e costumam estar relacionadas com o campo e a vida rural, sendo muito menos intensas nos centros urbanos.

Procissão de Nossa Senhora da Montanha, Cáceres, Espanha
A ereção e manutenção dos santuários é quase sempre iniciativa de confrarias e associações locais formadas por leigos. Os mantidos pelas ordens religiosas são quase exceção.

É a graça divina que chama os romeiros a peregrinarem a tantos locais sagrados e em tal número.

Infelizmente o clero não exorta, na proporção merecida, os fiéis a comparecerem a esses atos de piedade que marcam uma vida e talvez decidam a salvação eterna.

Em lugar disso, ouvem-se com insistência pregações de caráter terreno, quando não de incitamento à revolução social e de desestímulo a essas devoções “antigas” e até “medievais”.


quarta-feira, 9 de junho de 2021

Nomes sagrados de cidades brasileiras

Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga).
Nesse local - em que foi proclamada a Independência do Brasil -
a cidade de São Paulo recebeu o nome do Apóstolo dos Gentios,
por ter sido fundada na festa comemorativa de sua conversão.


Carlos Sodré Lanna (*)




O espírito religioso do povo português encontrou no Brasil um clima fecundo para sua natural expansão.

O costume de se designar os acidentes geográficos pelos nomes de Deus, da Virgem Maria, dos santos e santas teve origem com o Descobrimento, a partir de suas primeiras denominações: Terra de Vera Cruz e de Santa Cruz.

Essa tradição é responsável pelos nomes sagrados dados a centenas de cidades, distritos e vilas de nossa Pátria, nos mais diversos quadrantes, como também a regiões, rios, lagos, montanhas e pontes, todos extraídos da religiosidade católica.

Nossa Senhora, na igreja do Bonfim, Salvador
Assim, em primeiro lugar, os nomes de Deus e de Jesus Cristo aparecem em formações compostas: Menino Deus, no Pará e Cristo-Rei, no Paraná.

Salvador foi atribuído à capital da Bahia, bem como a cidades de vários outros Estados. Senhor do Bonfim é uma cidade baiana.

A denominação Bom Jesus é difundida em diversas regiões, como, por exemplo, Bom Jesus do Galho (MG).

Divino, como a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, aparece em Divino das Laranjeiras (MG).

Espírito Santo, além de designar o Estado que leva tal nome, figura em Espírito Santo do Pinhal (SP) e outras localidades.

Em relação a Nossa Senhora, são numerosas as invocações que figuram como nomes de cidades: Nossa Senhora Aparecida (SP), Nossa Senhora da Glória (SE), etc.

Uma antiga devoção mariana consagrada a Nossa Senhora da Conceição é igualmente bastante difundida em cidades brasileiras: Conceição do Araguaia (PA), Conceição do Coité (BA) e várias outras.

Além dessas, é grande o número de expressões relativas à Mãe de Deus existentes em todo o território nacional: Virgem da Lapa (MG), Madre de Deus (MA), Amparo da Serra (MG), Carmo da Mata (MG), Dores do Rio Preto (ES), Piedade de Ponte Nova (MG), etc.

Com o adjetivo "bom", aparece Bom Sucesso (MG), Bom Conselho (PE), Boa Morte (MG), provenientes de invocações de Nossa Senhora.

Ocupa lugar de destaque a designação de Santa Maria, em vários Estados, e seus compostos como Santa Maria da Vitória (BA).

Quanto aos nomes de santos aplicados a cidades, a preferência recai em São José e Santo Antonio, como, por exemplo, São José do Rio Preto (SP), São José do Ouro (RS), Santo Antonio de Lisboa (PI), Santo Antonio do Leverger (MT) e muitas outras localidades.

Podem ser lembrados ainda, na formação dos nomes de municípios, vários outros santos como São Benedito do Sul (PE), São Bento do Norte (RN), São Bernardo do Campo (SP), São Caetano do Sul (SP), São Domingos do Prata (MG), São Félix do Xingu (PA), São Francisco do Sul (SC), São Gabriel da Cachoeira AM), São João da Barra (RJ), São Joaquim (SC), São Luís (MA), São Mateus (ES), São Pedro dos Ferros (MG), São Vicente Ferrer (MA) etc. São Paulo, a capital paulista, recebeu o nome do Apóstolo dos Gentios por ter sido fundada na festa comemorativa de sua conversão, em 25 de janeiro.

Quanto ao emprego dos nomes de santas, a preferência recai sobre Santana ou seus compostos, como Santana do Livramento (RS), vindo logo em seguida as designações de Santa Rita e Santa Rosa, com seus complementos, em diversos Estados.

Seguem-se Santa Luzia, Santa Bárbara e Santa Isabel. Para designar os cultos às padroeiras, cabe lembrar Santa Adélia (SP), Santa Amélia (PR), Santa Brígida (BA), Santa Clara (AP), Santa Inês (MA), Santa Quitéria (CE), Santa Teresa (ES), Santa Vitória (MG) etc.

Com a designação Cruz, é expressivo o número de municípios, seja na forma simples de Santa Cruz (SE), ou composta, como Santa Cruz do Sul (RS), Primeira Cruz (MA), além de seus derivados como Cruzeiro (SP), Cruzália (SP), Cruzeta (RN), Cruzília (MG).

Toda essa série de designações, consistindo em nomes de santos e santas, concedidas às cidades brasileiras, tão ampla e variada, constitui o reflexo do primeiro símbolo católico implantado e frutificado em nosso País, que foi a cruz.

Para concluir, reproduzimos um pertinente comentário do conceituado historiador Pe. Serafim Leite SJ:  

“A Cruz de Cristo estava na bandeira da nação evangelizadora [Portugal], e no passado e no presente, numa forma ou noutra, é o objeto mais visível do culto no Brasil, como o certifica no Rio de Janeiro a estátua do Cristo Redentor a iluminar e a abençoar o Brasil em que a própria imagem de braços abertos, é a Cruz” (Suma histórica da Companhia de Jesus no Brasil, Livraria Portugalia, Lisboa, 1965, p. 138). 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O gênio artístico da Itália: riqueza e diversidade


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O espírito italiano comporta duas facetas:

Uma consiste em imaginar um mundo como poderia ser. É o mundo dos sonhos.

Outra faceta se volta para a realidade concreta, dentro da qual os italianos ingressam com muito senso.

O senso da arte e o senso do comércio formam na Bella Peninsola uma composição em que não se sabe bem qual é o vencedor.

Depois de ter dado uma tacada na indústria, o peninsular cantarola.

Depois examina se o bolso está cheio e se empenha em novos negócios!

Há um duplo movimento de vivacidade, que não é o velho estilo imperial romano.

Analisando a canção e a arte italiana, elas manifestam uma forma muito particular de leveza.