quinta-feira, 30 de abril de 2020

Festa de São José: príncipe da casa de David

São José, Mosteiro da Luz, São Paulo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O grande São José, nascido de família ilustre, arrasta no entanto uma existência obscura que, contrastando com o brilho da sua origem, o colocou na mais baixa camada da sociedade de seu tempo.

Escasseiam-lhe os dotes naturais com que os homens se fazem grandes.

Não dispõe de exércitos nem de súditos, que levem ao longe a glória de seu nome.

Não dispõe do dinheiro para galgar as altas posições.

Vive humilde e desconhecido, à sombra do Templo majestoso que erguera David, no próprio país em que reinara a sabedoria de Salomão.

São José, escola de Cusco, século XVIII
No entanto, brilha nele a chama da caridade.

Um intenso amor de Deus, uma espiritualidade e uma vida interior admiráveis fazem de sua alma objeto da complacência da Santíssima Trindade.

E este homem humilde é chamado a co-participar de modo direto em acontecimentos dos quais decorreriam os mais notáveis fatos da História — por exemplo, na Redenção do mundo.




segunda-feira, 27 de abril de 2020

São Luis Grignion de Montfort e a escravidão de amor a Nossa Senhora

Estatueta representa ao Santo escrevendo o Tratado  sobre a escrivaninha que ele usou. St-Laurent-sur Sèvre
Estatueta representa ao Santo escrevendo o Tratado
sobre a escrivaninha que ele usou. St-Laurent-sur Sèvre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O Tratado da Verdadeira Devoção é geralmente reconhecido como um dos mais importantes trabalhos que jamais se tenha escrito sobre Nossa Senhora.

A Santa Sé declarou de forma expressa, explícita e oficial, nada ter aquele livro que colida com o pensamento da Igreja.

É, pois, com apoio nessa garantia de supremo valor que se deve considerar e examinar a grande obra daquele grande Santo. (...)

É raro encontrar um livro que, de modo mais patente, tenha os dois predicados, o de esclarecer a inteligência, e o de estimular a sensibilidade, do que o de São Luis Grignion de Montfort.

Seu Tratado é uma verdadeira tese, com lampejo de polêmica.

A argumentação é sólida, substancial, profunda.

Jamais se nota nele que um arroubo de amor venha perturbar a indefectível serenidade e justeza do pensamento.

Sua profundidade chega a ser tal que frequentemente os leitores não iniciados na Teologia têm de fazer um sério esforço de inteligência, para o compreender.

Mas em compensação não há uma só frase inútil ou sem sentido em seu livro.

Todas as palavras têm seu valor exato e calculado.

E todos os conceitos geram convicções claras e profundas, que não despertam apenas sobressaltos de sensibilidade em momentos em que nosso temperamento se mostra propício a isto, mas ideias luminosas e substanciosas, que geram aquele amor sério e sólido, capaz de sobreviver heroicamente às mais implacáveis aridezes da vida espiritual.

Em cada ponta de frase, o Beato Grignion de Montfort deixou gotejantes o suor de sua inteligência e o sangue de seu coração.

Sua argumentação, se é lúcida, está longe de ser fleumática.

Pelo contrário, é apaixonada, ardente, comunicativa.

São Luis Grignion de Montfort
São Luis Grignion de Montfort
A cada demonstração vitoriosa, seu escrito toma acentos de gritos de triunfo e de júbilo. Sua linguagem lembra a de São Paulo.

E por isto o grande Faber disse da obra de Grignion de Montfort que depois das Escrituras Sagradas, nada se escreveu de mais candente do que sua famosa oração pedindo missionários de Maria (a “Oração Abrasada”, n.d.c.).

Se há um trabalho em que se compreende aquela luz intelectual cheia de amor, de que fala Dante, esse é o de Grignion de Montfort.

Lê-lo é facilitar poderosamente o progresso na vida espiritual. Difundi-lo é acumular coroas de méritos no Reino dos Céus. (...)

São Tomás de Aquino diz que Nossa Senhora recebeu de Deus todas as qualidades com que seria possível a Deus cumular uma criatura.

De sorte que Ela se encontra no ápice da criação, firmando seu trono acima dos mais altos coros angélicos, e sendo inferior apenas ao próprio Deus, que, sendo só Ele infinito, está infinitamente acima de todos os seres, inclusive de Nossa Senhora.

Costuma-se dizer que Nossa Senhora brilha mais do que o sol, tem a suavidade da lua, a beleza da aurora, a pureza dos lírios, e a majestade do firmamento inteiro.

Muita gente supõe que tudo isto não passa de hipérboles, estas comparações pecam por sua irremediável deficiência.

O sol, a lua, a aurora, e todo o firmamento são seres inanimados, e estão, portanto, colocados na última escala da criação.

A estatueta sobre a escrivaninha e um fac-símile do Tratado
Não é admissível que Deus os fizesse tão formosos, dando ao homem dons menores.

E, por isto mesmo, a mais apagada das almas mortas em paz com Deus, tem uma formosura que excede incomparavelmente a de todas as criaturas materiais.

Que dizer-se, então, de Nossa Senhora, colocada incalculadamente acima não só dos maiores Santos, mais ainda dos Anjos mais elevados em dignidade junto ao trono de Deus?

Um caipira que fosse assistir à solenidade da coroação do Rei da Inglaterra, voltando aos seus pagos natais, possivelmente não encontrasse outros termos para explicar a magnificência daquilo que viu, senão afirmando que foi mais belo do que as festas em casa do Nhô Tonico, o homem menos pobre da zona.

Se o Rei da Inglaterra ouvisse isto, que outra coisa poderia fazer senão sorrir?

Pois nós, quando procuramos descrever a formosura de Nossa Senhora com os termos escassos da linguagem humana, fazemos o mesmo papel... e Ela também sorri.

Não espanta, pois, que seja verdade de Fé que Deus se compraz tanto em Nossa Senhora que um pedido feito por meio dEla é sempre atendido, ainda que não conte senão com o apoio dEla.

E que se todos os Santos pedissem alguma coisa sem ser por meio dEla nada conseguiriam.

O túmulo do Santo na basílica a ele consagrada
em St-Laurent sur Sèvre, França
Porque, como diz Dante, querer rezar sem Ela é o mesmo que querer voar sem asas...

Assim, pois, todas as graças nos vêm de Nossa Senhora, e é Ela a medianeira universal de todos os homens, junto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, se todas as graças nos vêm dEla, e se nossa vida espiritual não é senão uma longa sucessão de graças a que correspondemos, ou renunciamos a ter vida espiritual, ou devemos compreender que esta será tanto mais suave, mais intensa e mais perfeita, quanto mais próximos estivermos junto daquele único canal de graça que é Nossa Senhora.

Deus é a fonte da graça, Nossa Senhora o único canal necessário, e os Santos meras ramificações, aliás veneráveis e dignas de grande amor, do grande canal que é Nossa Senhora.

Queremos ter a graça inestimável do senso católico?

Queremos ter a virtude inapreciável da pureza? Queremos ter o tesouro sem preço, que é o dom da Fortaleza, queremos ser ao mesmo tempo mansos e enérgicos, humildes e dignos, piedosos e ativos, meticulosos em nossos deveres e inimigos do escrúpulo, pobres de espírito se bem que jungidos às riquezas do mundo, em uma palavra, fiéis e devotos servidores de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Dirijamo-nos ao trono que Deus deu a Nossa Senhora, e, no recesso amoroso da Igreja Católica, nossa Mãe, peçamos a Nossa Senhora, também nossa Mãe, que nos faça semelhantes a seu Divino Filho.

Foi isto que depreendi do livro de Grignion de Montfort. Mas meu artigo diante do livro serve apenas para dar uma longínqua ideia do que ele é.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Legionário, 26 de novembro de 1939, N. 376; Legionário, 10 de dezembro de 1939, N. 378)








Introdução

Finalidade do “Tratado da Verdadeira Devoção”

Maria Santíssima é insuficientemente conhecida

Excelências das faculdades da alma de Nossa Senhora

Outras qualidades de Maria Santíssima

Devoção a Nossa Senhora: característica da santidade

Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante

Necessidade da devoção à Santíssima Virgem

Papel de Nossa Senhora na Encarnação

O poder da oração de Nossa Senhora e a nossa vida espiritual

A cooperação de Nossa Senhora com Deus Filho

Devoção a Nossa Senhora e apostolado

A intimidade entre Nosso Senhor e Nossa Senhora aplicada à nossa vida espiritual

A confiança total em Nossa Senhora

A cooperação de Nossa Senhora com o Espírito Santo

Deus quer servir-se de Maria na santificação das almas

Necessidade da devoção a Nossa Senhora para a nossa salvação

Aplicações para o apostolado

Maria no mistério da Igreja. Primeira consequência: Maria é a rainha dos corações

Segunda consequência: Maria é necessária aos homens para chegarem ao seu último fim

Os apóstolos dos últimos tempos e o demônio

Maria, a mais terrível inimiga de Lúcifer

Os Santos dos Últimos Tempos

Os Apóstolos dos Últimos Tempos

Verdades fundamentais da devoção à Santíssima Virgem

A pretexto de não ofender a Nosso Senhor, destroem a devoção a Nossa Senhorar

Apresentar Nossa Senhora de um modo terno, forte e persuasivo

Características da escravidão a Nossa Senhora

Seremos escravos, ou de Deus ou do demônio

Por que ser escravo de Maria, que é escrava de Deus?

A Mediação Universal de Nossa Senhora na obra de São Luís Grignion

Fatos que mostram a necessidade de protegermos de nosso fundo de maldade

A consciência da própria maldade, condição indispensável para a santificação

Escolha da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Os falsos devotos e as falsas devoções à Santíssima Virgem

A perfeita devoção à Santíssima Virgem ou a perfeita consagração a Jesus Cristo

Motivos que nos recomendam esta devoção

A devoção a Nossa Senhora aumenta nossas virtudes, unindo-nos sempre mais a Nosso Senhor

A graça de possuir uma grande intimidade com Nossa Senhora

A escravidão a Nossa Senhora dá valor incalculável às nossas boas obras

Figura bíblica desta perfeita devoção: Rebeca e Jacó

“Filho, dá-me o teu coração”



terça-feira, 21 de abril de 2020

Três imagens que escaparam da destruição
pelos pagãos em Nagasaki

A 'Virgem Milagrosa', ou Mater Boni Consilii, de Badoc, Filipinas, chegou boiando milagrosamente pelo ma num caixa
A 'Virgem Milagrosa', ou Mater Boni Consilii, de Badoc, Filipinas,
chegou boiando milagrosamente pelo mar numa caixa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Imagens sagradas que resistem inexplicavelmente a terremotos, tsunamis, grandes e pequenos incêndios, ou atentados dolosos, vêm sendo publicadas por nós, na medida em que fontes idôneas fornecem informações sérias.

Não corremos atrás dessas informações, apenas publicamos aquelas que nos chegam pela sua repercussão ou efeito natural.

E isso porque temos a certeza de que essas proteções milagrosas são muito mais comuns do que imaginamos e do que chegamos a ter notícia.

A Divina Providência, Nosso Senhor, Nossa Senhora, santos e anjos, estão a todo momento protegendo, resguardando, salvando, fazendo maravilhas, talvez em muitas ocasiões sem serem percebidos pelos homens.

Recebemos meses atrás uma prova disso.

Trata-se de um fato acontecido há mais de quatro séculos, e no longínquo Japão!

Nesse importante país do Oriente, a chegada de São Francisco Xavier, S.J., em 1549, abriu uma era de heroicas missões e numerosas conversões.

Infelizmente, essa época gloriosa foi interrompida em 27 de janeiro de 1614, quando o Tokugawa Shogun ordenou a expulsão de todos os missionários cristãos, além da destruição das igrejas já edificadas.

A descrição dos fatos a seguir foi extraída do blog Blessed Justo Takayama Ukon.

O Shogun era uma espécie de generalíssimo do exército imperial, que de fato exercia poderes de governo, pois o imperador não se ocupava disso.

O Beato Justo Takayama Ukon e 350 católicos deportados para as Filipinas. O Beato levava escondida a Nossa Senhora do Rosário
O Beato Justo Takayama Ukon e 350 católicos deportados para as Filipinas.
O Beato levava escondida a Nossa Senhora do Rosário
Aconteceu de a maioria dos daimyos católicos ter apostatado. Os daimyo eram senhores feudais de grandes extensões de terras e com enorme influência local, algo parecido aos senhores feudais medievais da Europa e aos “coronéis” no Brasil.

Esses daimyos renegados forçaram seus súditos a apostatar também, com exceções gloriosas, como a do nobre Beato Justo Ukon Takayama (1552-1615), e a do samurai Joan Tadatoshi Naitō (falecido em 1626), senhor do castelo de Yagi.

Porque eram nobres esses potentados não foram mortos, mas exilados nas Filipinas, onde faleceram.

O povo foi objeto de uma brutal campanha de extermínio, com milhares de pessoas martirizadas em Kyushu e outras partes do país, ademais de torturadas ou forçadas a renunciar à nossa religião.

Chega-se a se supor que os mártires japoneses nos séculos da perseguição superaram em número os mártires romanos.

Em 1614 o daimyo Beato Justo Ukon Takayama liderou o primeiro barco de 350 exilados para Manila, Filipinas.

O Shogun decretou a destruição de todos os locais de culto cristão e a expulsão de todos os missionários, estrangeiros ou nascidos no Japão.

Para tal mudança teriam influído muito as intrigas dos protestantes holandeses, que cobiçavam o monopólio comercial com o Império do Sol Nascente.

A fúria assassina do Shogun visou especialmente a destruição de todas as igrejas em Nagasaki. Com os esforços evangélicos dos jesuítas (desde 1549), franciscanos (1593), dominicanos (1602) e agostinianos (1602), havia muitas comunidades católicas em Kyoto, Osaka, Sakai e na Península de Noto.

Nossa Senhora do Rosário, dita 'La Japona', salva pelo Beato Justo Takayama Ukon do ódio pagão
Nossa Senhora do Rosário, dita 'La Japona',
salva pelo Beato Justo Takayama Ukon do ódio pagão
Mas, o maior número se encontrava em Nagasaki, que em 1614 contava com 14 igrejas e santuários. Todos foram destruídos.

Na onda profanadora pagã resistiram, contudo, três imagens religiosas do maior valor que hoje se encontram nas Filipinas, de onde tinham sido levadas originariamente pelos missionários.

A primeira é a de Nossa Senhora do Santo Rosário, conhecida como “La Japona”, levada para Satsuma pelos dominicanos em 1602.

Esta imagem foi confiada ao daimyo Beato Justo Takayama que na hora de embarcar para o exílio a ocultou numa cabine que lhe foi reservada, enquanto os missionários deportados dormiam no convés, ao relento.

Ela provinha da Igreja de Santo Domingo de Nagasaki, e hoje se encontra na igreja de São Domingos, na cidade de Quezon.

A segunda delas é o Santo Cristo levado ao Japão por missionários agostinianos em 1612. A estátua de Santo Cristo é de um Nazareno Negro crucificado, semelhante a outro de origem mexicana que está na Basílica Menor do Nazareno Negro, em Quiapo, Manila.

A terceira imagem é a de Nossa Senhora do Bom Conselho (Mater boni Consilii), levada pelos agostinianos em 1612.

Presumivelmente, essas duas últimas foram postas numa caixa por dois mártires japoneses antes de caírem nas mãos dos pagãos.

A caixa foi impelida pela “corrente (marítima) do Japão” e resgatada por pescadores filipinos, felizmente católicos. Ao abrirem a caixa, ficaram surpresos diante da estátua de Jesus Nazareno, dito “Negro”, e uma imagem de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus.

Imediatamente eles consideraram as estátuas como um sinal da Providência, verdadeiro presente do Céu.

Aconteceu de os pescadores serem de cidades diversas: os de Sinait não conseguiam mover a estátua da Bem-Aventurada Virgem Maria, mas não tiveram dificuldade em mover a estátua do Nazareno Negro.

Santo Cristo de Sinait, igreja de San Nicolas de Tolentino, Ilocos Sur, Filipinas.
Chegou flutuando na mesma caixa da 'Virgem Milagrosaa'
Por sua vez, os pescadores de Badoc conseguiam mover a estátua da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe do Bom Conselho com facilidade, mas não conseguiam mover a imagem do Nazareno Negro.

Por isso cada grupo levou a imagem que podia carregar para sua respectiva cidade, onde se tornaram os santos padroeiros.

A imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, hoje mais conhecida como “A Virgem Milagrosa” se encontra na igreja da paróquia de São João Batista em Badoc, onde recebeu coroação canônica pelo episcopado e pelo Papa. A imagem estava na igreja de Santo Agostinho em Nagasaki até a fuga.

Pouco se sabe como ela foi parar no caixote e como pela corrente marítima atingiu o mar das Filipinas. Sabe-se que no Japão o pároco da igreja, Pe. Fernando de São José e o catequista Andrew Yoshida foram decapitados em 1617.

Em Nagasaki continuou a prática do catolicismo, ainda que clandestino. Ali morreram mártires 24 frades cujos nomes são conhecidos; 57 membros da Ordem Terceira e 47 membros da Arquiconfraria da Cintura.

Talvez alguns agostinianos escondidos em “missões clandestinas”, que sentindo à morte, e não tendo onde guardar as imagens, as embalaram numa caixa e a colocaram no mar para que Deus as conduzisse a bom porto.

Até hoje, anualmente, a imagem da Mãe do Bom Conselho é conduzida em procissão até o local onde o caixote foi resgatado.

Cfr.: Descobertas capelas dos católicos japoneses perseguidos durante séculos
Arqueólogos revelam perseverança heroica dos católicos japoneses perseguidos durante séculos
Maravilhosa predileção de Deus para com o Japão


terça-feira, 14 de abril de 2020

Milionário atribuiu seu sucesso
a Nossa Senhora de Lourdes

O Padre Nicola Ventriglia Omi, mostra fotos de Michele Ferrero no Santuário de Lourdes
O Padre Nicola Ventriglia Omi, mostra fotos de Michele Ferrero
no Santuário de Lourdes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No dia de São Valentim de 2015, faleceu o mais bem-sucedido empresário de doces e bombons da Itália.

Nascido em 1924, Michele Ferrero possuía uma fortuna calculada em 20,5 bilhões de euros, a maior do país e a quarta da Europa.

Embora megamilionário, Ferrero era muito diferente do “jet-set”: um ativo devoto de Nossa Senhora de Lourdes, a quem atribuía a vertiginosa ascensão de sua empresa, segundo a Fundação Cari Filii.

Esse filho de chocolateiros da pequena cidade de Alba não se fez rico com malabarismos ou manobras confusas. Ele continuou com a tradição familiar, aplicando muito trabalho e inteligência, mas depositando suas esperanças em Nossa Senhora.

Em 1964, melhorando uma fórmula de seu pai, Ferrero criou Nutella. Lançou também o ovo de chocolate Kinder e as linhas Ferrero Rocher e Mon Cheri.

Sua empresa vendia o equivalente a oito bilhões de euros por ano, sendo superada somente pela Nestlé, que possui um leque muito mais vasto de produtos, no setor dos doces.

Na entrada de cada uma de suas 20 fábricas existentes no mundo ele mandou colocar uma coluna com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes.

Segundo o insuspeito quotidiano britânico The Guardian, a marca Rocher é uma alusão à pedra da Gruta de Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu para Santa Bernadette.

Michele: “o sucesso da Ferrero é mérito da Virgem de Lourdes.
Sem ela, nós pouco podemos”
Michele foi um exemplo vivo de que ninguém é ruim por ser rico, e que a riqueza é dada por Deus para fazer o bem.

Michele organizava todo ano uma peregrinação de seus empregados franceses ao Santuário de Lourdes, onde ele próprio costumava presidir a procissão das velas no final do dia.

E levava altos diretores de sua holding para participarem do ato religioso, invocando a intercessão de Santa Bernadette ante Nossa Senhora.

“As estratégias do grupo se debatiam entre terços e orações”, garante Giuseppe Rossetto, prefeito da cidade de Alba durante dez anos.

“O sucesso da Ferrero é mérito da Virgem de Lourdes. Sem ela, nós pouco podemos”, defendeu o multibilionário em uma de suas raríssimas declarações públicas, pois era muito reservado: não concedia entrevistas e há muito poucas fotos dele na mídia ou na Internet.

Giacomo, seu segundo filho, garantirá a continuidade do grupo familiar, que emprega 36.000 pessoas em todo o mundo.

Na Itália as greves são frequentes, mas elas não existiam em suas fábricas. O fato impressionava.

Michele Ferrero criou em 1983 uma Fundação que leva o nome de sua mulher e de seus filhos. Ela proporciona bolsas para estudantes, serviço de saúde, aposentadoria, conferências, exposições e concertos.

Sempre sob o sinal harmonizador emanado d’Aquela a cujos pés ele deve agora eternamente encontrar-se e sobre a qual canta uma antífona: “Eu moro no mais alto dos céus e meu trono está sobre uma coluna de nuvens”: Nossa Senhora de Lourdes.



sábado, 11 de abril de 2020

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio- dia.

Comemorava-se a Ressurreição.

Nas ruas, os moleques malhavam bonecos de Judas.

Aleluia cantava-se por toda parte.

As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa.

As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.

A dor do Calvário cedia ante a imensa alegria da Páscoa.

A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.

Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante.

Pelo contrário, quando Ele desvia sua Face, os homens atraem épocas de castigo.

É como o sol que desaparece.

Em que estado estamos nós, o mundo todo?

Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade.


Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.

Que pelos méritos de vossa Ressurreição se congreguem os bons.

Que o Divino Espírito Santo lhes comunique força e valor para derrotar os inimigos da vossa Igreja.

Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã.

Nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.


Vídeo: Domingo de Ressurreição em Cartagena (Espanha)



quinta-feira, 9 de abril de 2020

Semana Santa: sublimidade da fisionomia de Nosso Senhor Jesus Cristo

Bom Jesus de Pirapora
Bom Jesus de Pirapora
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Jesus Cristo se manifestou mais plenamente no sofrimento


Há um traço de Nosso Senhor Jesus Cristo em que apareceu toda a grandeza d’Ele, como um fruto que se parte e exala o seu melhor aroma, dá seu melhor sabor e mostra melhor sua beleza: Ele enquanto sofredor.

A dor é a circunstância da vida em que a miséria humana mais aparece.

Esmagado pela dor, o homem geme, foge, chora, protesta, aniquila-se, revolta-se. Habitualmente, a dor causa no homem verdadeiro pavor.

Por outro lado, o homem que enfrenta a dor nas suas várias modalidades adquire uma extraordinária formosura de alma.

Não há verdadeira formosura de alma num homem que nunca sofreu.

Às vezes vejo certas fisionomias “em branco” em matéria de sofrimento e fico com pena, porque os dias de vida do homem se contam pelos dias que ele soube sofrer santamente.

A plenitude da vida do homem reside no sacrifício.

Mas há várias modalidades de sofrimento.

Elas tocam cordas diversas na alma humana e despertam várias formas de beleza.

Por exemplo, o sofrimento do guerreiro; o sofrimento do homem que assiste um doente; o sofrimento do próprio doente; o sofrimento do diplomata dedicado; o sofrimento do pai ou da mãe que vê seu filho partir para o campo de batalha; o sofrimento do amigo injustamente traído por outro amigo.

Cristo na Oração no Horto das Oliveiras.
Cristo na Oração no Horto das Oliveiras.
Há tantas formas santas de sofrimento, cada uma delas configura a alma humana com uma beleza própria.

Nosso Senhor Jesus Cristo não teve um sofrimento.

Ele foi o Sofredor, Ele foi o Varão das dores.

Considerando a vida d’Ele, percebemos que sofreu todas as formas de dor que pode um homem sofrer, o que deu ocasião para manifestar belezas insondáveis — as celestes belezas da dor!

Ele foi triunfante do modo mais belo que se possa imaginar.

Ele foi o mais glorificado, mas também o mais desprezado.

O mais amado e o mais invejado.

Ele reuniu em Si contrastes harmônicos inimagináveis.

Como não ter receio de se apresentar diante de Nosso Senhor?


Em nossos dias estabeleceu-se o princípio execrável segundo o qual quando existe uma pessoa muito elevada, muito galardoada, com muita grandeza, deve-se ter medo de ser desprezado por ela. onde o receio de se apresentar diante de Jesus Cristo.

São Pedro, diante d´Ele, disse: “Afastai-Vos de mim, Senhor, porque eu sou um homem pecador”.

Como quem diz: “Entre Vós e mim não há congruência, não há continuidade, e não é possível espécie alguma de relação. Vós estais numa desproporção comigo a tal ponto, que diante de Vós o meu papel é sumir, é não existir”.

Isto significa não compreender exatamente Nosso Senhor.

Porque como Ele possui em Si todos os graus e formas possíveis de perfeição, ama necessariamente todos os graus e formas possíveis de virtudes existentes.

Ele odeia o pecado, mas tudo aquilo que não é pecado, por pequeno e modesto que seja, é uma cintilação e uma expressão d’Ele, tem harmonia com Ele. Tal cintilação O encanta e n’Ele repercute em ternura e afeto.

É da ordem humana das coisas que amemos o grande porque é grande, e amemos o pequeno porque é pequeno.

Nosso Pai Jesus da Sentença, condenado por Pilatos, Sevilha.
Nosso Pai Jesus da Sentença, condenado por Pilatos, Sevilha.
Exemplo: encantamo-nos vendo uma águia voando com toda aquela beleza, mas vendo um beija-flor, sorrimos, como que exclamando: “Que joia, que maravilha!”.

Ninguém imagina um “beija-florzão” gigantesco, assim como não se imagina uma águia pequenina.

Jesus Cristo odeia severamente o pecado, com total intransigência. Tendo todas as perfeições, Ele exclui todas as formas de imperfeições, mas ama o bem, mesmo nos menores graus.

Ele criou também as almas com poucas qualidades, criou também os menos inteligentes.

Assim, Ele se compraz em considerar uma pequena inteligência, pois ela participa da inteligência incriada!

Apresentar-se com suma confiança diante do Divino Criador


Se Ele ama todos os graus e formas de inteligência e de virtude, ama também os resíduos, ama os restos conspurcados, pisados no meio do vício, mais ou menos como uma flor que medrou no meio de uma porção de ervas daninhas.

Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Cabeça da Igreja, não ama seus membros?

Há no Antigo Testamento uma afirmação que me impressionou muito: “Não desprezes a tua própria carne”.

Ele haveria de desprezar uma alma que Ele próprio criou?

Assim compreendemos que em presença de Jesus Cristo até o pecador, não considerado enquanto pecador, mas enquanto nele existindo resíduos de virtude, é digno do amor d’Ele.

Compreendemos por que tantos e tantos pecadores arrependidos se aproximavam d’Ele com confiança.

Maria Madalena e o Bom Ladrão são exemplos disso. Em vez de ficarem aterrorizados diante d’Ele, encantaram-se.

O homem é ordenadíssimo a Deus, mas precisa do auxílio d’Ele para suportar a sua grandeza.

Jesus cura o cego
Jesus cura o cego
Mais ou menos como o sol: fomos feitos para viver sob o sol, mas não conseguimos fixá-lo diretamente por longo tempo.

Por isso Nosso Senhor velou suas qualidades durante sua vida terrena, e só aos poucos Se foi revelando aos homens.

Compreendamos com quanta confiança devemos nos dirigir a Jesus Cristo, certo de que Ele olha para nós e nos ama.

Ele que apreciou a fé de São Pedro, apreciará qualquer um que afirme com fé: “Vós sois o Filho de Deus vivo!”

Assim, com toda tranquilidade e confiança, podemos nos colocar na presença de nosso Divino Salvador.

Quando meditamos os diversos passos do Rosário, nos Mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, devemos nos colocar com confiança na presença d’Ele.

Desse modo, a meditação dos fatos de sua vida se ilumina, e O amaremos e compreenderemos melhor.

Sublime relação da Santíssima Virgem com Nosso Senhor


São Bernardo dizia que a relação entre Nossa Senhora e seu Divino Filho é como da lua em relação ao sol.

A lua é para nossos olhos o esplendor da luz do sol, ela reflete o sol. A Virgem Santíssima é o reflexo perfeitíssimo de Jesus Cristo.

Nossa Senhora da Consolação, Cracóvia, Polônia
Nossa Senhora da Consolação, Cracóvia, Polônia
Nossa Senhora também não deixou transparecer toda a sua beleza em sua vida terrena. Ela foi se manifestando aos poucos, para consolar os homens após a morte de Nosso Senhor.

Eu submeto o que exponho ao juízo da Igreja, mas creio que Ele é tão superabundantemente rico em belezas, que seus contemporâneos não viram tudo.

E que grande parte dessa beleza a graça foi depois se revelando sucessivamente aos santos nas várias eras da História da Igreja.

Os santos dos tempos dos mártires, dos tempos dos confessores, dos tempos dos Doutores, e depois os da Idade Média e assim por diante, cada época foi acrescentando algo a mais à figura do Redentor Divino.

Desse modo, quando se chegar ao Reino do Imaculado Coração de Maria — como previsto por São Luís Maria Grignion de Montfort e confirmado em Fátima —, a figura de Nosso Senhor vai brilhar em toda a sua plenitude.

Quando o último santo na Terra tiver visto o último esplendor em Nosso Senhor e o tiver reproduzido em sua alma tanto quanto alcança a natureza humana, a História do mundo terá terminado.

Essa lenta manifestação, adoração e reprodução da beleza moral da santidade de Jesus Cristo é a própria História da humanidade!

Terá chegado o momento do Juízo Final, a missão d’Ele estará completamente concluída e a História estará encerrada.

Considerando assim a figura do Salvador da humanidade, a meditação de sua vida, contemplando os mistérios do Rosário, adquire uma verdadeira luz.

Então, desde o primeiro Mistério, a “Agonia no Horto das Oliveiras” até o último, a “Coroação de Nossa Senhora no Céu”, passo a passo vai se manifestando a beleza da fisionomia de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, Revista Catolicismo, nº 796, abril/2017)



sábado, 4 de abril de 2020

Domingo de Ramos: Jesus entrou em Jerusalém

Jesus entrou num humilde burrico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No Domingo de Ramos, comemora-se a entrada triunfante de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém.

No andor principal Nosso Senhor entra sobre um burrico na Cidade Santa.

No andor seguinte, a Mãe de Deus contempla a tragédia que se avoluma.

A entrada de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, patenteia quanto o povo O apreciava incompletamente.

Aclamavam-No, é verdade, mas Ele merecia aclamações incomensuravelmente superiores, e uma adoração bem diversa!

Humildemente sentado num burrico, Ele atravessava aquele povo, impulsionando todos ao amor de Deus.

Em geral, as pinturas e gravuras O apresentam olhando pesaroso e quase severo para a multidão.

Para Ele, o interior das almas não oferecia segredo.

Ele percebia a insuficiência e a precariedade daquela ovação.

Nossa Senhora acompanhava passo a passo a tragédia
Nossa Senhora percebia tudo o que acontecia, e oferecia a Nosso Senhor a reparação do seu amor puríssimo.

Que requinte de glória para Nosso Senhor!

Porque Nossa Senhora vale incomparavelmente mais do que todo o resto da Criação.

Este é o lado misterioso da trama dos acontecimentos da Semana Santa.

Maria representava todas as almas piedosas que, meditando a Paixão, haveriam de ter pena d’Ele e lamentariam não terem vivido naquele tempo para tomar posição a seu lado.


VÍDEO: ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM

Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI




Palm Sunday: triumphal entrance of Our Lord Jesus Christ in Jerusalem.
(english version)

>

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, abril de 2003)