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terça-feira, 2 de junho de 2020

Esplendor e elevação nos trajes nobres


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




As vestes das cortes diferenciavam-se por uma sapiencial gradação, desde as que se usavam nas grandes cerimônias até às vestes para os afazeres ou despachos quotidianos.

A etiqueta e o protocolo respeitavam essa variedade de circunstâncias.


Exemplos de roupa de corte para a vida diária são as de veludo verde com guarnições douradas, portada pelo imperador russo Alexandre I, e as do mesmo imperador no tempo em que era príncipe herdeiro, em vermelho coral [foto].

Seguiam a moda da França nos tempos de Luís XVI. Também servem como exemplo as roupas de caça oferecidas por Luís XV a Cristian VII, rei da Dinamarca, em 1768.

Não só os grandes nobres participavam desse deslumbramento.

Beneficiavam-se também os membros dos diversos graus da nobreza e da burguesia européia, e ainda as incipientes nobrezas americanas.

Um exemplo é a robe parée encomendada em Paris por uma dama canadense em 1780 [foto ao lado].

O esplendor das cortes descia para todas as classes sociais, numa cascata de beleza e dignidade que as elevava.

Um exemplo comezinho disso são as librés concedidas a criados e funcionários dos palácios, como a libré da casa real francesa, em uso quatro anos antes que a Revolução Francesa, movida pelo ódio contra toda hierarquia e nobreza, a abolisse em nome da igualdade.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Alunos de Oxford não abrem mão de uniforme académico semelhante ao fraque

Alunos querem o subfusc todos os dias em Oxford
Alunos querem o subfusc todos os dias em Oxford



Tradição é tradição e as novas gerações gostam dela.

Um fato característico aconteceu na Universidade de Oxford, Grã-Bretanha, fundada na Idade Média, onde nas ocasiões importantes os alunos usam obrigatoriamente o academic dress, e no quotidiano o subfusc, semelhante ao fraque.

O jornal dos estudantes The Oxford Student entrevistou os alunos sobre a oportunidade de abolir esse vestígio medieval, adaptado através dos séculos. Sete de cada dez responderam que não querem renunciar ao uniforme escuro tradicional.

Em 2006 um grupo tentou aboli-lo através de um referendo, mas a proposta foi recusada por 81% dos alunos.

Oxford é um laboratório do futuro, da modernidade e do progresso, mas continua sendo um zeloso cultor do antigo bom tom, comentou o jornal de Milão Il Corriere della Sera.

Chegaram o Facebook e o Twitter, e ainda continua chegando toda espécie de coisa moderna. Porém, o uniforme subfusc não é abandonado, seja por nostalgia, orgulho ou alegria.

Quem disse – pergunta  Il Corriere della Sera – que as novas gerações são alérgicas à tradição?

Os estudantes se mostram assim tradicionalistas, responde o jornal. E também revolucionários, porque hoje a tradição com raízes na Idade Média inverte as tendências.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Retorno de costumes tradicionais
ameniza a vida do lar

Ilustração do Le Figaro Madame "O triunfo da dona de casa" - É melhor que ir no shopping, não é? - Sim! - Sim! Na mesa: bolos e suco feitos em casa.
Ilustração do Le Figaro Madame "O triunfo da dona de casa"
- É melhor que ir no shopping, não é?
- Sim!
- Sim!
Na mesa: bolos e suco feitos em casa.


Como deixar brilhante a prataria com bicarbonato de sódio, preparar um inesquecível mil folhas ou tricotar um cachecol único?

Esses temas voltaram de forma palpitante entre as mulheres do III Milênio na França, amantes das lojas de grife, profissionais graduadas em universidades.

As “novas fadas do lar” derrotaram as “working girls”, que nos anos 80 e 90 teriam morrido de vergonha em manifestar qualquer interesse pelo ambiente doméstico.

Segundo Le Figaro Madame, toda uma geração feminina jovem e bem-sucedida se delicia com as artes domésticas. Os produtos com ar “vintage”, ou de uma outra época, fazem furor no país que chegou a ser a pátria de Maio de 68.

A tendência veio dos EUA, onde o movimento das retro wives (algo como esposas que retrocedem no tempo) está florescendo. O fenômeno foi longamente analisado com preocupação pelo cotado jornal The New York Times, habitualmente púlpito midiático do feminismo mais ao vento.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

No Ceilão, fiéis pedem mais moral nas vestimentas na igreja

Após sucessivos apelos dos fiéis, os sacerdotes da catedral de Santa Lúcia, em Colombo, capital do Ceilão (Siri Lanka), estão instruindo as mulheres a usarem véus e mantilhas nas Missas.

A tendência agora é os fiéis se vestirem adequadamente para as cerimônias religiosas.

Muitos católicos protestam contra o uso de camisetas, shorts, minissaias e roupas moralmente censuráveis dentro das igrejas, porque tais trajes são menos religiosos e moralizados do que as roupas de pagãos hinduístas, budistas e muçulmanos.

Há crescente desejo do uso de véus e mantilhas. Numerosos modelos tradicionais estão sendo colocados à venda pela Internet.

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Popularidade da monarquía inglesa agita até a China

 
O casamento do príncipe William, herdeiro da Coroa inglesa, e Kate Middleton será em 29 de abril, mas as lembranças já venderam 30 vezes mais do esperado.

Para as porcelanas, cuja peça mais em conta é um porta-anéis de R$ 67, o prazo de entrega pode passar de três semanas, segundo o site da Coleção Real.

Na China, dezenas de fábricas de contrafações em Yiwu, na província de Zhejiang, produzem e exportam a ritmo acelerado cópias do anel de compromisso do casal, por preços que vão de R$ 0,75 a R$ 13, segundo o jornal oficial China Daily.

As encomendas vêm do Reino Unido, Estados Unidos e Europa, e a demanda continua crescendo.

As fábricas chinesas também imitam lembranças de casamento como xícaras, pratos e chaveiros.

Estes sintomas mostram a popularidade da monarquia inglesa, muito mais que aquelas enquetes que mais parecem pré-fabricadas para agradar ao governante do momento.

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Modelos clássicos: última palavra em Nova Iorque

Coleção "heritage" ("Herança")
Grandes griffes de New York reeditaram para o verão, modelos de 1910, 1949 e 1957.

A casa Eddie Bauer relançou jaquetas para pilotos e alpinistas de 1950. A L.L. Bean vende, entre outras, roupas para caça modelo 1914.

As grandes casas vasculham seus arquivos, escreveu “The New York Times”, na esperança de reeditar modelos clássicos que atendam as exigências dos consumidores e aumentem as vendas.

“É quando as pessoas estão insatisfeitas com o presente que elas começam a apreciar o passado ou sentir nostalgia dele”, disse Nigel Hollis, analista chefe da firma de pesquisas Millward Brown.

As empresas confirmam que os produtos “vintage” vendem-se mais que o projetado embora os preços desses sejam mais altos.

“Algo importante ocorre no mercado e na mentalidade dos consumidores dos EUA e leva as pessoas a aderir às marcas que remetem ao passado”, disse Neil S. Fiske, executivo-chefe da Eddie Bauer, que lançou artigos “heritage”. “As pessoas querem coisas que tenham longevidade.”

Segundo as grifes, este procedimento já foi tentado antes, mas nunca antes na escala atual.


A L.L. Bean guarda na velha casa vitoriana do fundador da empresa, em Maine, salas repletas de roupas, botas e catálogos da empresa num século de existência.

E agora esses modelos voltam à venda.

O presidente da Land’s End, Nick Coe, explica que “os hábitos mudaram seriamente em relação ao consumo desenfreado da década passada. Não se procura necessariamente economizar, mas artigos de valor real.”
A tendência atinge também a decoração

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Esplendor e catolicidade das vestimentas das cortes reais

Paris ‒‒ A mão é de um adolescente apenas saído da infância. Delicada e régia, franzina e forte, envolvida em rendas e sedas, pérolas e pedras preciosas, esboçando um gesto discreto mas soberano, a mão de Luís XIV na idade de assumir o trono foi o símbolo escolhido pelos organizadores da exposição “Fastos de corte e cerimônias reais”, que teve lugar no palácio de Versalhes [foto].

A mostra ressaltou o espírito aristocrático na Europa dos séculos XVII e XVIII, expondo desde vestimentas para grandes ocasiões, como coroação de reis e bodas reais, até peças usadas por monarcas, nobres e ricos-homens, passando por uma variedade sutil de situações intermediárias.

Mistura de vida de família e de atividade pública de governo, a vida de corte era refinada e exigente.

Eis logo na entrada as roupas usadas por Jorge III da Inglaterra no dia de sua coroação em 1761, graciosamente emprestadas a Versalhes pela sua descendente, a rainha Elisabeth II [foto].


O traje é todo bordado com fios de ouro, eclipsado pela impressionante cauda em veludo vermelho e arminho.

O conjunto é de uma pompa soberana, e só foi usado para a cerimônia religiosa e temporal da unção do rei, realizada na abadia de Westminster soberbamente enfeitada, repleta de nobres, autoridades e representantes dos órgãos sociais intermediários do reino.

Nesses trajes, coroado e levando nas mãos o cetro e o globo, o novo rei era como um hífen entre Deus, fonte de todo poder, e o povo inglês. Nenhuma proporção com a esquálida cerimônia de posse de um presidente da República nos dias de hoje...

* * *

No mesmo salão foram expostas, lado a lado, as vestimentas do príncipe herdeiro da Suécia, Gustavo III, e de sua consorte, a rainha Sofia Madalena, no dia da coroação, 29 de maio de 1772.


Ambas ornadas de ouro e prata, as do novo rei vinham do garde-robe de seus antepassados, mas reformadas segundo um estilo aproximado ao de Luís XIV [foto ao lado]; e as da nova rainha também provinham de uma reforma de modelos antigos, com forte influência espanhola.

As cores branca e prateada representavam a luz divina, a pureza, a inocência e a perfeição. No vestido da rainha sobressai uma cauda de 5 metros, presa ao corpo com botões de prata maciça.



Outro grande acontecimento da vida de corte eram as reuniões periódicas das Ordens de Cavalaria.

Ainda hoje ocorre anualmente a da Ordem da Jarreteira, na Grã-Bretanha, em que se usam uniformes como o do rei Jorge III, porém com adaptações.


Pomposo é o uniforme da Ordem do Espírito Santo, criada pela Casa real da França.

Porém nenhuma Ordem real atingiu a categoria e o prestígio da Ordem do Tosão de Ouro[foto].

Criada em 1430 por Filipe o Bom, duque de Borgonha, tinha como finalidade suprema a defesa da fé cristã.

continua no próximo post


(Fonte: Marcelo Dufaur, "Catolicismo", outubro 2009)

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