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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Padre Anchieta autor do primeiro Presépio do Brasil

Presepio em tela encolada. Antiga técnica colonial de barro iberoamericano. Fundo Mata Atlantica
Presepio em tela encolada. Antiga técnica colonial
de barro ibero-americano. Fundo Mata Atlântica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








São José de Anchieta foi pioneiro de muitas artes no Brasil, inclusive da representação do Natal. 

Em 1553, em São Vicente (SP), quando era noviço jesuíta, apresentou pela primeira vez no País o Presépio aos índios e filhos de colonos, segundo consciencioso relato do Santuário Nacional São José de Anchieta, na cidade de Anchieta (ES).

Ele confeccionou o Presépio engajando os índios locais e suas técnicas em cerâmica. Assim, transmitiu ao catolicismo nascente no Brasil a tradição natalina medieval inaugurada por São Francisco de Assis na cidade italiana de Greccio em 1223.

Essa se prolonga até os nossos dias, apesar da trágica crise religiosa provocada pelo Concílio Vaticano II.

O Padre Anchieta, a pedido do Padre Manuel da Nóbrega, também escreveu uma peça teatral para o Natal adaptada aos índios de São Lourenço, atual cidade de Niterói.

Nela, o grande Apóstolo do Brasil não deixou de increpar o triste estado desses indígenas e imaginou o diálogo entre um pecador — o silvícola — que se aproxima do Presépio e do Menino-Deus, “o menino mui formoso, santo menino, nas palhinhas deitado para salvação do pecado”.

São José de Anchieta SJ, Acervo do Museu Paulista da USP
São José de Anchieta SJ, Acervo do Museu Paulista da USP
No ‘Poema à Virgem Maria’ incluiu os seguintes versos a respeito do Natal:

“Ó noite, na qual a escuridão sombria é repelida, e a sua cor

É retirada das coisas nesse imenso mundo,

Noite em que Deus se eleva revolvido em um corpo de criança,

Ele que a arca da Virgem resguardou por nove meses!

Ó feliz Virgem, rogo-lhe aquela grande alegria

Que, silenciando-se a noite, tocou o fundo do teu coração,

Quando ante o teu olhar repousou o pequenino bebê, aquele que

Emanou do Verbo do Pai, perante a nova estrela da manhã”.

Fonte: Santuário Nacional São José de Anchieta, em Anchieta, ES.

São Vicente. (Benedito Calixto 1853 — 1927).
Fundação de São Vicente. (Benedito Calixto 1853 — 1927).


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Milagre de Nossa Senhora da Escada
nas origens de Barueri – SP

Nossa Senhora da Escada, Barueri - SP
Nossa Senhora da Escada, Barueri - SP
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O início do aldeamento de Barueri remonta ao ano de 1560.

Em 18 de agosto desse ano, a Fazenda Baruery foi doada por Jerônimo Leitão. Acusado por proteger índios, o fazendeiro doou as terras aos jesuítas, entre eles o Beato José de Anchieta SJ, o Apóstolo do Brasil.

O santo jesuíta de posse de uma carta de sesmaria, fundou, em 11 de novembro de 1560, o Aldeamento de Baruery, com índios Guaianazes (do litoral de São Vicente) e Guaicurús (do Planalto de Piratininga).

Uma capela foi erguida onde existe o bairro da Aldeia de Barueri, e a primeira missa realizada por Anchieta data de 21 de novembro de 1560.

Foi quando o Bem-aventurado considerou Nossa Senhora da Escada como padroeira do aldeamento.

A imagem da santa, esculpida em cerâmica, foi trazida de Portugal. Com a fundação do vilarejo de Sant’Ana de Parnayba, em 1580, a harmonia entre índios e jesuítas ficou ameaçada pelas constantes investidas dos bandeirantes, que capturavam índios para utilizar como mão-de-obra.

Para reconstituir a população que estava sendo dizimada, o padre Affonso Gago, no início do século XVII, começou a fazer expedições pelo sul do país, trazendo para Baruery, índios Carijós. Baruery era a mais importante aldeia jesuítica do Brasil.