terça-feira, 31 de agosto de 2021

Santa Catarina de Bolonha:
sorriso de desdém para as coisas desta vida

Santa Catarina de Bolonha: corpo incorrupto no altar
Santa Catarina de Bolonha: corpo incorrupto no altar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Tive a oportunidade de ver algo singular e raro: uma santa canonizada em carne e osso. E isso, sem que houvesse qualquer aparição ou fenômeno místico.

Ela estava sentada num troneto sobre um altar. Era Santa Catarina de Bolonha.

Ela morreu há mais de 5 séculos, entretanto seu cadáver conserva-se  intacto até hoje numa igreja em Bolonha, na Itália.

Durante a II Guerra Mundial, por causa do perigo de bombardeios, o corpo da santa foi transportado para um porão da igreja; e ali, devido à umidade, a cor dele mudou, adquiriu tonalidade verde-azeitona. Entretanto, a carnatura está perfeita.

A fisionomia da santa é distendida. Apesar de estar com olhos fechados, a fisionomia tem muita expressão.

O mais expressivo manifesta-se nos lábios: longos, finos e cerrados, externando um meio sorriso que é, ao mesmo tempo, de afabilidade e acolhida.

Um sorriso de quem, com muita suavidade, mas muito de cima e com enorme transcendência, sorri com desdém para as coisas desta vida.

Como quem diz:

"Olhe, tudo isso não é nada, tudo passa, não tem importância.

"As coisas terrenas passam, só a eternidade fica.

"Eu passei por tudo, sofri todas as dores, tive todas as provações.

"Agora sorrio para tudo isso.

"Porque aquilo que foram mares encapelados, precipícios temíveis, montanhas inescaláveis, tudo isso ficou para trás.

"Percebo hoje que tudo que passou foi nada. A vida não é nada, só a eternidade é séria."

Nela se vê ao mesmo tempo a bondade, mas também lucidez, ordem, estabilidade e decisão extraordinária. Eis a santa que vi em carne e osso!

Hoje se fala tanto de experiência, e esta foi para mim uma experiência raríssima. Só não compreendo por que tantas pessoas não se dispõem a ver esta santa em Bolonha.

Plinio Corrêa de Oliveira ("Catolicismo", agosto 2008)


SANTOS INCORRUPTOS VEJA MAIS AQUI


terça-feira, 24 de agosto de 2021

O astronauta que levou o Santíssimo para o espaço

Coronel e astronauta Michael S Hopkins.
Coronel e astronauta Michael S. Hopkins.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Na Estação Espacial Internacional, apesar de estar cheia de equipamentos robóticos, há um ambiente especialmente procurado.

Trata-se da “Cúpula”, um pequeno módulo com sete janelas, de onde os membros da tripulação podem apreciar espetaculares vistas panorâmicas do nosso planeta, noticiou a agência Aleteia.

O astronauta americano Michael S. Hopkins, “Mike”, coronel católico pertencente à Força Aérea, desejava ansiosamente ir à Cúpula, porque o que via lá o deixava maravilhado.

“Quando você vê a Terra daquela perspectiva e observa toda a beleza natural que existe, é difícil não querer ficar lá e concluir que tem que haver uma força suprema que criou tudo isso“, declarou.

E, para surpresa de muitos, em 2013, na Cúpula, Mike rezava e… comungava!

Isso porque, graças a um acordo especial com a arquidiocese de Galveston-Houston e a ajuda do Pe. James H. Kuczynski, pároco da igreja de Santa Maria Rainha em Friendswood, Texas, o astronauta, que é fiel daquela paróquia, pôde levar consigo uma píxide com seis hóstias consagradas, explicou Aleteia.

Cada uma delas estava partida em quatro pedaços, de modo que ele pudesse comungar uma vez em cada uma das 24 semanas de sua permanência na Estação Espacial Internacional.

“Era extremamente, extremamente importante para mim”, enfatiza Mike, hoje com 47 anos de idade.

O astronauta cresceu em uma área rural nos arredores de Richland, Missouri, filho de pais metodistas. Pouco antes de viajar para o espaço, após aprender o Catecismo, Mike tornou-se católico.

Sua conversão, segundo ele, foi motivada não só porque sua esposa e suas duas filhas adolescentes são católicas, mas porque “eu sentia que faltava algo na minha vida”.

Mike fez duas caminhadas espaciais para trocar uma bomba do módulo, junto com o colega Rick Mastracchio.

Antes de sair da estação, ele comungou.

“O nível de estresse nessas atividades pode ser muito alto”, continua ele, em conversa com a agência Catholic News Service. “Saber que Jesus estava lá comigo, no vazio do espaço, era importante para mim”.

A 'Cúpula' da Estação Espacial Internacional onde o astronauta comungava.
A 'Cúpula' da Estação Espacial Internacional onde o astronauta comungava.
Mike relata que as práticas de fé na estação espacial são comuns, especialmente entre os astronautas católicos, e que existe respeito por elas.

“Meus colegas sabiam que eu tinha a Eucaristia comigo”, reforça ele.

“Eu me coordenava com o meu comandante russo. Ele sabia o que era. Todos sabiam, mas eu não fazia alarde. Eles respeitavam a minha fé e o meu desejo de vivê-la, mesmo lá, na órbita espacial”.

A agência Zenit comentou que as fotos do astronauta rezando naquela “capela espacial”, dentro da “cúpula” que servia de átrio tecnológico de cristal se espalharam pela rede.

O fato lembrou a muitos da Noite de Natal de 1968, quando o astronauta americano Frank Borman, a bordo da Apolo 8 em órbita em torno da Lua, leu ao vivo pela televisão o livro do Gênesis.

Em 1994, os astronautas Sid Gutiérrez, Thomas Jones y Kevin Chilton rezaram juntos no Shuttle, voando a 125 milhas por cima do Oceano Pacífico.

O astronauta Mike Massimino, no ano 2000, quis se confessar antes de partir. Além do mais, levou consigo uma bandeira da Cidade do Vaticano, a qual, de regresso à Terra, entregou ao Papa João Paulo II, reinante nesse momento.

A Sagrada Eucaristia, os Sacramentos e os símbolos católicos, em graus diversos que vão do divino ao humano, têm um valor tal que inspiraram todas as formas de devotamento imagináveis (e inimagináveis) ao longo dos séculos.

Diante dessas manifestações de fé, o que dizer dos que pretendem justificar a distribuição da Eucaristia a quem não está em condições de recebê-la, com grave profanação, sacrilégio e desrespeito?


terça-feira, 17 de agosto de 2021

A menina mártir da Eucaristia

A menina chinesa que inspirou Mons. Fulton Sheen
A menina chinesa que inspirou a Mons. Fulton Sheen
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O arcebispo Fulton J. Sheen foi um apologeta católico de fama mundial na era da TV nascente. Numa entrevista em rede nacional de televisão meses antes da sua morte, em 1979, perguntaram-lhe:

‘Bispo Sheen, o senhor inspirou milhares de pessoas em todo o mundo. Quem inspirou o senhor? Foi acaso um Papa?’

O arcebispo surpreendeu dizendo que sua maior inspiração não foi um Papa, nem um Cardeal, nem outro bispo, e nem sequer um sacerdote ou monja. Foi uma menininha chinesa.

O arcebispo relatou que o martírio pela Eucaristia dessa menina foi a maior fonte de inspiração em sua vida.

Aconteceu assim: quando os comunistas se apossaram da China pela metade do século XX, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria e invadiram a igreja.

Eles então atiraram no chão a âmbula espalhando 32 hóstias consagradas, sendo observados por uma menina que aparentava ter entre nove ou onze anos e que rezava.

Meninas chinesas em Pequim, no Natal de 2016 antes da atual onda persecutória
Meninas chinesas em Pequim, no Natal de 2016 antes da atual onda persecutória
À noite, a pequena entrou no templo, e eludindo o guardião marxista às voltas com o sono, fez uma hora santa de oração reparando o sacrilégio.

Depois, ajoelhou-se e com sua língua comungou uma das Sagradas Hóstias. Naquele tempo, os leigos por respeito e norma não tocavam a Eucaristia com as mãos.

Ela regressou a cada noite para fazer sua hora santa e receber Jesus Eucarístico da mesma maneira.

Na trigésima segunda noite, depois de consumir a última hóstia, tropeçou e despertou o guarda. Esse correu atrás dela, agarrou-a e golpeou-a até matá-la com a culatra do fuzil.

O sacerdote assistiu desde a prisão a esse heroico martírio. 

Quando o arcebispo Mons. Sheen ouviu o relato, ficou de tal forma impressionado que prometeu a Deus que faria uma hora santa diária diante de Jesus Sacramentado pelo resto de sua vida.

Ninguém conhece o nome da menininha, mas como diz um ditado espanhol: “diante de Deus não há heróis anônimos”.

Guardas vermelhos profanam igrejas
Guardas vermelhos profanam igrejas
O que diríamos hoje quando da própria Santa Sé desce a norma aos bispos norte-americanos de não proibir a Santa Comunhão a políticos abortistas – como o presidente Joe Biden e a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA Nancy Pelosi – portanto que a Eucaristia seja jogada num lamaçal de pecado muito mais nauseabundo que o chão da paróquia chinesa profanada?

Essa imensa ofensa se repete em inúmeras igrejas e países, praticada desde as mais altas autoridades políticas até os mais ínfimos dos fiéis...

Ainda hoje se desconhece o nome daquela menininha, mas certamente, esperamos, resplandece na glória do Céu.

Pela misericórdia de Nossa Senhora um dia iremos conhece-la e louvar seu exemplo por toda a eternidade, quiçá acompanhados por muitas outras almas santas agradecidas.

Excertos do artigo “Let the Son Shine Out” do Pe. Martin Lucia, diretor do Apostolado da Adoração Perpétua, publicado pela Fundação Cardeal Kung em dezembro de 1995.


A menina chinesa mártir da Eucaristía (espanhol)




terça-feira, 3 de agosto de 2021

“Pharmacia Granado”: tradição impulsionando o progresso

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A “Pharmacia Oficial da Família Imperial Brasileira”, título concedido por Dom Pedro II, foi criada em 1870 no Rio de Janeiro pelo imigrante português José Antônio Coxito Granado.

Foi à venda em 1994 sem que ninguém quisesse assumi-la. O vendedor foi o consultor inglês Christopher Freeman que não encontrando interessado, juntou suas economias e ficou com ela, segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”.

A Granado cultivava suas próprias plantas medicinais em uma chácara em Teresópolis, para a produção de águas de colônia, cremes e talcos no gosto da nobreza imperial e tinha ficado parada no tempo. 

Sem computador fazia a contabilidade manualmente.

Mas era relativamente sólida, sem dívidas e suas marcas e produtos agradavam aos consumidores, como o polvilho antisséptico Granado criado em 1903.

Em 2004 Freeman adquiriu outra marca brasileira tradicional: a Phebo, criada em 1930, no Pará.

Sua filha Sissi Freeman valorizou o lado “vintage” da marca, por exemplo com a palavra “Pharmácia” que remete à época da fundação.

“Procuramos mostrar a tradição e a história dos nossos produtos. Qualquer empresa pode ser uma farmácia, mas poucas com ‘ph’”, diz Sissi.

Diante das gigantes dos cosméticos, a Granado era minúscula. 

Mas, nas lojas ela apontou à decoração retrô, aos móveis clássicos, quadros antigos e peças publicitárias originais, recriando o ambiente de uma botica do início do século passado.

Hoje tem 82 unidades dessas em bairros nobres. Pulou de 60 itens de produtos para mais de 800 resgatando a tradição da marca e um legado acumulado em 150 anos.

A pandemia não pôs em negativo as receitas que em 2020 subiram 5% a mais que em 2019.

A empresa agora tem três lojas em Paris, e Freeman sonha abrir outra em seu país de origem: a Inglaterra.

Modernizar sem abrir mão da tradição é a fórmula certa porque como ensinaram os Papas a tradição não é um salto no escuro.

A Granado avança com o tesouro acumulado em 150 anos de história para um futuro prometedor sem romper com seu passado.

Uma lição de verdadeiro progresso.