quarta-feira, 30 de junho de 2021

Nossa Senhora nem treme com carro bomba

Virgem da Proteção: foto permite ver proximidade do carro bomba
Virgem da Proteção: foto permite ver proximidade do carro bomba
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Um carro bomba foi feito explodir diante da sede da 30º Brigada do exército colombiano na cidade de Cúcuta em região fronteiriça com a Venezuela, muito flagelada por guerrilhas comunistas e bandas narcotraficantes.

No total, houve que lamentar 36 feridos e importantes danos materiais. Os seis feridos graves evolucionaram bem rapidamente e estão fora de perigo.

Porém a imagem de Nossa Senhora que havia sido concluída havia poucos meses pelos próprios soldados e instalada num nicho de vidro inteiramente exposta na frente do quartel ficou intacta, segundo reportagem de ACIPrensa e muitos outros órgãos de informação e redes sociais.

É chocante o contraste entre os restos do carro carbonizado a 20 metros da imagem e os fragmentos do vidro protetor, com a imagem perfeitamente conservada inclusive suas delicadas rendas brancas.

Ela foi analisada pelo bispado castrense da Colômbia quem julgou que consideradas as circunstâncias a imagem deixou a sensação de “milagre, vida e fé” após as detonações que atingiram a base militar.

terça-feira, 29 de junho de 2021

1º de julho: Procissão do Preciosíssimo Sangue de Jesus

Procissão do Preciosíssimo Sangue de Jesus na Alemanha
Procissão do Preciosíssimo Sangue de Jesus na Alemanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em anos normais se realiza a Blutritt [Procissão do Preciosíssimo Sangue].

É uma procissão a cavalo, em honra de uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Acontece na cidade de Weingarten, Baden-Württenberg, Alemanha, na 6ª feira após a Ascensão, ou Blutfreitag [Sexta-feira do Sangue].

A tradição manda que só os homens participem.

A Abadia de Weingarten conserva, há mais de 950 anos, uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ela é exposta uma vez ao ano na igreja do Mosteiro.

No dia da festa, um sacerdote ou ‘Cavaleiro do Sangue’ a leva pelas ruas da cidade.

É acompanhado por três mil cavalarianos, pertencentes a mais de cem grupos, em fraque e cartola.

Uma banda de 80 componentes desloca-se em torno ao Cavaleiro do Sangue.

A procissão é religiosa e civil. Romeiros de toda a Suábia Superior e da Baviera vêm à festa.

Esse Sangue foi colhido por São Longino após a cura de seu olho.

São Longino, o centurião miraculado foi um dos primeiros propagadores da Fé de Jesus Cristo. Procissão nas Filipinas
São Longino, o centurião miraculado foi um
dos primeiros propagadores da Fé de Jesus Cristo.
Procissão nas Filipinas
Longino foi o centurião romano que atravessou o lado de Nosso Senhor morto na Cruz.

Na hora de enfiar a lança no Sagrado Coração, saíram umas gotas que atingiram seus olhos e o curaram da cegueira.

Ele conservou esse Sangue, junto a uma porção de terra do Calvário, numa caixa de chumbo.

Batizado, partiu ele para Mântua, na Itália. Antes sofrer o martírio São Longino escondeu a caixa, e o local ficou esquecido.

No ano de 804, quando Carlos Magno imperava sobre o Ocidente, o local foi milagrosamente revelado ao cego Aldibero.

O cego se dirigiu ao duque de Mântua, ao Imperador e ao Papa.

Levado ao local da visão, a caixa foi encontrada e Aldibero recuperou a vista imediatamente.

Grande devoção passou a cercar a relíquia. O Papa São Leão III a venerou publicamente.

Porém, voltou a desaparecer durante as invasões húngaras e normandas.

Ela foi redescoberta em 1048, tendo sido solenemente reconhecida pelo Papa São Leão IX na presença do imperador Henrique III e muitos dignitários.

Judite, duquesa da Baviera, irmã do conde Balduíno V de Flandres e de Santa Adela da França, doou o relicário à abadia de Weingarten.

Ali, a relíquia é venerada há quase um milênio.

Ela está exposta numa capela ao lado da basílica de São Martinho.

A procissão a cavalo remonta à Idade Média. Porém, o primeiro escrito que faz menção dela, data de 1529.

A Sagrada Lança está conservada na Sainte Chapelle de Paris
A Sagrada Lança está conservada
na Sainte Chapelle de Paris
As festas começam na missa da Ascensão, com uma procissão das velas até a vizinha cidade de Kreuzberg.

A procissão equestre inicia-se no dia seguinte, após a missa dos cavalarianos às 6 da manhã.

Fanfarras e coros também fazem a romaria.

A procissão percorre as ruas da cidade acompanhada por mais de trinta mil romeiros.

Ela se detém em quatro estações do caminho e termina a meio-dia diante da basílica.

Ali, a relíquia é venerada pelos fiéis durante a tarde toda.

História da abadia


A abadia beneditina de Weingarten foi fundada em 1056, por Guelfo I, duque da Baviera.

Os monges elaboraram famosas iluminuras de manuscritos, a mais famosa das quais é o Sacramentário de Berthold, de 1217.

Em 1274, o mosteiro ganhou estatuto de feudo independente de qualquer poder temporal, exceto do imperador.

Seu território era de 306 km2, incluindo muitas florestas e vinhedos.

A primeira igreja românica foi construída entre 1124 e 1182.

Entre 1715–24 foi substituída por uma maior, em estilo barroco, ricamente decorada.

Em 1803, a revolução anticristã se voltou contra o Sacro Império e aboliu os estados menores independentes, como Weingarten.

A abadia foi dissolvida e suas propriedades confiscadas pelo principado de Nassau-Orange-Fulda, e depois pelo reino de Würtemberg.

Naquela ocasião os riquíssimos relicários de ouro e pedras preciosas foram roubados de modo sem vergonha pelo laicismo rompante.

Em 1812, sob os efeitos revolucionários das invasões de Napoleão, a procissão foi proibida.

Mas retomou em 1849 e continua até agora.

Em 1922, a abadia de Weingarten foi refundada por monges beneditinos da arquiabadia de Beuron e da abadia de Erdington, Inglaterra.

Em 1940, o nazismo expulsou os monges, mas eles voltaram após o fim da guerra.

Os monges pertencem em parte ao rito romano e em parte ao rito bizantino.

Mais dados em Wikipédia


Vídeo: Procissão do Preciosíssimo Sangue de Jesus
para ver clique na foto



terça-feira, 22 de junho de 2021

Lourdes: o milagre de Delizia Cirolli

Delizia com tumor maligno na perna.
Os pais fizeram tudo mas a medicina não curou.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O caso de Delizia Cirolli foi um dos mais acompanhados pela medicina moderna, notadamente pelo médico Theodore Mangiapan, diretor do Bureau Médico de Lourdes, encarregada de comprovar a ocorrência das curas inexplicáveis.

O Dr. Mangiapan acompanhou o caso e publicou um detalhado relato no seu livro Les Guérisons de Lourdes (ed. Oeuvre de la Grotte, 1994, 439 pp.)

Delizia nasceu em 17 de novembro de 1964, em Paternò, província de Catania, Itália. Mais velha de quatro irmãos, quando tinha 12 anos começou a se queixar de dores.

Em março de 1976, na escola, sentiu dores no joelho que preocuparam a professora. Os pais levaram a menina ao médico da família, que ordenou um tratamento analgésico de rotina. Como este não deu certo, os pais apelaram para uma “curandeira”, com resultados ainda piores.

Em abril, uma radiografia e uma série de tomografias mostraram sinais de um tumor ósseo na tíbia direita. Delizia foi encaminhada ao Prof. Q. Mollica, da Clínica Ortopédica da Universidade de Catania.

Ele a submeteu a diversos exames, até que uma biopsia revelou a “presença, na altura da metáfise da tíbia direita, uma metástase de neuroblastoma”. 

O neuroblastoma é um tumor que aparece na vida intrauterina, age como maligno, e seu prognóstico é quase sempre fatal.

Delizia hoje é mãe de 3 crianças,
mas vai ajudar os doentes em Lourdes

Muitos exames posteriores inclinaram para um “retículo-sarcoma de Ewing”, tumor ósseo que atinge crianças entre os oito e os 10 anos, altamente maligno e de prognóstico rigorosamente fatal.

Diante da gravidade do tumor, o Prof. Mollica propôs amputar toda a perna direita. A família se recusou. 

Ele encaminhou então Delizia ao Instituto de Radiologia Universitária de Catania.

Lá, ela foi internada isolada num quarto sem janelas, sentia-se abandonada e chorava toda a noite. 

Seus pais não suportaram a situação e a levaram de volta para casa.

A doença fazia Delizia sofrer cada vez mais. A família então se cotizou e os pais a levaram a Turim, cidade de famosos centros médicos.

 O pânico e o desespero da menina no hospital tornaram impossível sua internação na Clínica Universitária de Pediatria de Turim.

Foi então que nasceu a ideia de levá-la a Lourdes, onde mãe e filha estiveram de 7 a 11 de agosto de 1976.

Porém, nada aconteceu. Em 11 de setembro, o Prof. Mollica mandou fazer novas radiografias e constatou um “claro agravamento da extensão do processo mórbido”.

Delizia piorava a olhos vistos. Em dezembro pesava somente 22 quilos. Já não podia se levantar e acompanhava desde o leito as orações da família por ela.

Todos os dias, sua mãe lhe dava a beber água de Lourdes. Mas ao mesmo tempo já preparava o vestido mortuário com o qual o falecido é enterrado, segundo a tradição da Sicília.

E foi num dia de Natal...

Delizia voltou a Lourdes para análises clínicas
da cura inexplicável pela medicina.

Delizia sentia menos dores, até mesmo em seu joelho atingido pelo tumor. Pediu então licença para se levantar. 

A mãe achou que fosse um de seus derradeiros desejos e autorizou.

Delizia então se levantou, caminhou pela casa, e até foi dar alguns passos na rua!

O esforço, após meses de paralisia, a deixou esgotada. Voltou a deitar, dormiu. Porém, nos dias seguintes, os sinais de melhora foram cada vez mais evidentes. Em poucos meses recuperou 12 quilos.

Em maio de 1977 o médico ordenou novas radiografias. O diagnóstico foi “aparência de reparação ao mesmo tempo endo-ósssea e cortical, com um desaparecimento completo das reações periosteais.

 É preciso notar também, a existência de um importante genu valgum” (em termos correntes, uma cicatriz óssea).

Em outras palavras, o tumor maligno havia desaparecido!

A família peregrinou em ação de graças a Lourdes, no fim de julho de 1977. Na ocasião a apresentaram no Bureau Médico e marcaram consulta com o Dr. Mangiapan para o dia 28 daquele mês.

Foi assim que os médicos puderam analisar todos os resultados dos exames de que dispunha a família. Houve interrogatórios, exigência de mais laudos clínicos e realização de novos exames.

Delizia "benévola" de Lourdes

Em 1978 Delizia voltou a Lourdes e respondeu a novos interrogatórios e exames. 

O Dr. Christian Nezelof, especialista mundialmente famoso em tumores ósseos, viu as antigas radiografias e tomografias e seu veredito foi “sarcoma de Ewing”.

Delizia voltou por terceira vez a Lourdes em 1979. Ela tinha então 14 anos e 8 meses, adquirira a morfologia completa de uma mulher, pesava 58 quilos e media 1,57.

O único vestígio da doença era a cicatriz óssea que até dificultava seu caminhar.

Em julho de 1980 aconteceu seu quarto e último check-up em Lourdes.

Em 28 de julho desse ano, na presença de 20 médicos de diversos países, o caso foi debatido e Delizia foi demoradamente examinada.

Por fim, a grande maioria dos médicos aprovou declaração sobre a cura, dizendo que “nas condições em que ela aconteceu e se mantém... pode ser considerada como um fenômeno contrário às observações e às previsões da experiência médica e é cientificamente inexplicável”.

Na Catania foi criada uma Comissão Médica Diocesana, que também concluiu com larga maioria ser uma cura “cientificamente inexplicável”.

A seguir, toda a documentação do caso foi remetida ao Comité Médico Internacional em Paris, que após estudo e consulta decidiu por unanimidade, em 26 de setembro de 1982:

“A cura, sem qualquer tratamento, verificada após seis anos de evolução, da proliferação maligna da extremidade superior da tíbia direita que atingiu a jovem Delizia Cirolli, constitui um fenômeno totalmente excepcional no senso mais estrito do termo, contrária a toda observação e previsão da experiência médica e, além do mais, inexplicável.”

Entrementes, a miraculada completou sua formação escolar e iniciou estudos para obter um diploma de enfermeira. 

Casou-se em 1986 e a hoje Delizia Costa é mãe de três filhos. Após uma cirurgia bem-sucedida, foi-lhe tirada a “cicatriz óssea” que prejudicava seu caminhar.

A medicina tinha encerrado seus procedimentos atestando a cura cientificamente inexplicável.

Porém, não é a medicina a que proclama o milagre. Isto é atribuição exclusiva da Igreja e, em concreto, do bispo da diocese da beneficiada.

E aqui aparecem problemas. Há mais de sete mil curas declaradas inexplicáveis pela ciência, mas a respeito das quais os respectivos bispos não assumem nenhuma posição. 

Esta falta de atitude, aliás, causava desgosto a São Pio X, que instou os bispos envolvidos a se pronunciarem para o bem das almas.

No caso de Delizia foi diferente. Em 28 de junho de 1989, Mons. Luigi Bonmarito, arcebispo de Catania, assinou uma declaração em que dizia:


“Após tomar conhecimento dos relatórios da Comissão Médica e da Comissão Canônica diocesana, designadas para o estudo da cura de Delizia Cirolli, de Paternò, constato o fato de que tal cura, levadas em conta as condições em que aconteceu e se mantém, é ‘cientificamente inexplicável’ e, como Arcebispo de Catania, eu declaro a sua índole ‘milagrosa’. Ela se acrescenta a muitas outras que, há 130 anos, se verificam em Lourdes.”

A declaração do arcebispo foi entregue ao público no dia 6 de julho de 1989, simultaneamente em Catania e em Lourdes.

Delizia hoje vai regularmente a Lourdes como voluntária para ajudar aos doentes. Se o leitor esteve alguma vez lá, talvez tenha passado junto dela sem dar-se conta.


Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário. 

CLIQUE AQUI: WEBCAM



terça-feira, 15 de junho de 2021

Diferença de idades entre irmãos gera senso da hierarquia e da harmonia familiar

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A ordem dos nascimentos determina natural e espontaneamente uma hierarquia entre as crianças, respondeu um conjunto de cientistas consultados pelo jornal “La Nación”, de Buenos Aires.

Os investigadores noruegueses Petter Kristensen e Tor Bjerkedal, da Universidade de Oslo, constataram que o primogênito em geral possui um coeficiente intelectual superior ao dos irmãos.

O Dr. Luis Kancyper, da Asociación Psicológica Argentina (APA), defende a supremacia natural do primogênito, pelo fato de que “deve preservar as tradições e representar o modelo da responsabilidade”.

O estudo norueguês analisou 240.000 meninos noruegueses e concluiu que o fato de os maiores cuidarem dos irmãos menores “potencia sua capacidade intelectual”.

A expectativa depositada no primogênito não recai sobre os filhos intermediários, disse a especialista Stacy De Broff. Os pais são menos exigentes com eles e “por isso, muitos adotam atitudes mais relaxadas diante da vida”. Mas, ao mesmo tempo, favorecem o desenvolvimento de personalidades “voltadas para a criatividade”.

Já o benjamim é o mais mimado pelos pais e protegido pelos maiores, e “por isso sói ser mais carinhoso que o restante dos irmãos”, disse Stacy De Broff.

O senso da hierarquia se desenvolve assim natural e harmonicamente na família desde que as crianças vêm à luz.


quarta-feira, 9 de junho de 2021

Nomes sagrados de cidades brasileiras

Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga).
Nesse local - em que foi proclamada a Independência do Brasil -
a cidade de São Paulo recebeu o nome do Apóstolo dos Gentios,
por ter sido fundada na festa comemorativa de sua conversão.


Carlos Sodré Lanna (*)




O espírito religioso do povo português encontrou no Brasil um clima fecundo para sua natural expansão.

O costume de se designar os acidentes geográficos pelos nomes de Deus, da Virgem Maria, dos santos e santas teve origem com o Descobrimento, a partir de suas primeiras denominações: Terra de Vera Cruz e de Santa Cruz.

Essa tradição é responsável pelos nomes sagrados dados a centenas de cidades, distritos e vilas de nossa Pátria, nos mais diversos quadrantes, como também a regiões, rios, lagos, montanhas e pontes, todos extraídos da religiosidade católica.

Nossa Senhora, na igreja do Bonfim, Salvador
Assim, em primeiro lugar, os nomes de Deus e de Jesus Cristo aparecem em formações compostas: Menino Deus, no Pará e Cristo-Rei, no Paraná.

Salvador foi atribuído à capital da Bahia, bem como a cidades de vários outros Estados. Senhor do Bonfim é uma cidade baiana.

A denominação Bom Jesus é difundida em diversas regiões, como, por exemplo, Bom Jesus do Galho (MG).

Divino, como a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, aparece em Divino das Laranjeiras (MG).

Espírito Santo, além de designar o Estado que leva tal nome, figura em Espírito Santo do Pinhal (SP) e outras localidades.

Em relação a Nossa Senhora, são numerosas as invocações que figuram como nomes de cidades: Nossa Senhora Aparecida (SP), Nossa Senhora da Glória (SE), etc.

Uma antiga devoção mariana consagrada a Nossa Senhora da Conceição é igualmente bastante difundida em cidades brasileiras: Conceição do Araguaia (PA), Conceição do Coité (BA) e várias outras.

Além dessas, é grande o número de expressões relativas à Mãe de Deus existentes em todo o território nacional: Virgem da Lapa (MG), Madre de Deus (MA), Amparo da Serra (MG), Carmo da Mata (MG), Dores do Rio Preto (ES), Piedade de Ponte Nova (MG), etc.

Com o adjetivo "bom", aparece Bom Sucesso (MG), Bom Conselho (PE), Boa Morte (MG), provenientes de invocações de Nossa Senhora.

Ocupa lugar de destaque a designação de Santa Maria, em vários Estados, e seus compostos como Santa Maria da Vitória (BA).

Quanto aos nomes de santos aplicados a cidades, a preferência recai em São José e Santo Antonio, como, por exemplo, São José do Rio Preto (SP), São José do Ouro (RS), Santo Antonio de Lisboa (PI), Santo Antonio do Leverger (MT) e muitas outras localidades.

Podem ser lembrados ainda, na formação dos nomes de municípios, vários outros santos como São Benedito do Sul (PE), São Bento do Norte (RN), São Bernardo do Campo (SP), São Caetano do Sul (SP), São Domingos do Prata (MG), São Félix do Xingu (PA), São Francisco do Sul (SC), São Gabriel da Cachoeira AM), São João da Barra (RJ), São Joaquim (SC), São Luís (MA), São Mateus (ES), São Pedro dos Ferros (MG), São Vicente Ferrer (MA) etc. São Paulo, a capital paulista, recebeu o nome do Apóstolo dos Gentios por ter sido fundada na festa comemorativa de sua conversão, em 25 de janeiro.

Quanto ao emprego dos nomes de santas, a preferência recai sobre Santana ou seus compostos, como Santana do Livramento (RS), vindo logo em seguida as designações de Santa Rita e Santa Rosa, com seus complementos, em diversos Estados.

Seguem-se Santa Luzia, Santa Bárbara e Santa Isabel. Para designar os cultos às padroeiras, cabe lembrar Santa Adélia (SP), Santa Amélia (PR), Santa Brígida (BA), Santa Clara (AP), Santa Inês (MA), Santa Quitéria (CE), Santa Teresa (ES), Santa Vitória (MG) etc.

Com a designação Cruz, é expressivo o número de municípios, seja na forma simples de Santa Cruz (SE), ou composta, como Santa Cruz do Sul (RS), Primeira Cruz (MA), além de seus derivados como Cruzeiro (SP), Cruzália (SP), Cruzeta (RN), Cruzília (MG).

Toda essa série de designações, consistindo em nomes de santos e santas, concedidas às cidades brasileiras, tão ampla e variada, constitui o reflexo do primeiro símbolo católico implantado e frutificado em nosso País, que foi a cruz.

Para concluir, reproduzimos um pertinente comentário do conceituado historiador Pe. Serafim Leite SJ:  

“A Cruz de Cristo estava na bandeira da nação evangelizadora [Portugal], e no passado e no presente, numa forma ou noutra, é o objeto mais visível do culto no Brasil, como o certifica no Rio de Janeiro a estátua do Cristo Redentor a iluminar e a abençoar o Brasil em que a própria imagem de braços abertos, é a Cruz” (Suma histórica da Companhia de Jesus no Brasil, Livraria Portugalia, Lisboa, 1965, p. 138). 

terça-feira, 1 de junho de 2021

São Felipe Néri: firmeza do guerreiro católico dotado de coragem

São Felipe Neri. Óleo de Cristoforo Roncalli detto il Pomarancio
São Felipe Neri.
Óleo de Cristoforo Roncalli chamado il Pomarancio (1552–1626)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São Felipe Néri viveu na Itália no século XVI.

Fundou não propriamente uma ordem religiosa, mas uma obra que se chamava Oratório: grupos de padres que moravam juntos.

Não faziam os três votos – de pobreza, obediência e castidade — mas sujeitavam-se a um certo regulamento comum.

Era grande orador sacro e exímio teólogo. Conhecia soberbamente a doutrina católica.

Essa obra que São Felipe Néri fundou espalhou-se pela Europa, tendo sido muito perseguida.

Por quê?

Boa parte do clero do tempo dele antipatizava com a excelente orientação espiritual que o Santo proporcionava aos sacerdotes, e, através deles, aos jovens que procuravam os padres chamados oratorianos.

São Felipe Neri, Chiesa Nuova, Roma.Aparição da Virgem e túmulo
São Felipe Neri, Chiesa Nuova, Roma.
Quadro da aparição da Virgem e túmulo
Uma das grandes figuras do Oratório, em dias próximos aos nossos, foi o famoso Padre Faber, inglês convertido do anglicanismo, que lutou magnificamente contra os protestantes.

Foi também um grande propagador da obra de São Luís Maria Grignion de Montfort.

Qual era a acusação que lançavam contra São Felipe Néri?

Diziam que ele tinha fundado uma seita! Vê-se, assim, que nada de novo acontece neste mundo...

Esse quadro apresenta São Felipe Néri já idoso, barba inteiramente branca, sobrancelhas negras, com a fisionomia de um homem que lutou muito e que ainda está no combate.

Está olhando atento e desconfiado para um adversário não visível para nós.

Dir-se-ia que ele está percebendo formar-se uma trama a certa distância, e que está pensando na argumentação e na rasteira que empregará contra o inimigo.

O caráter de luta é manifesto, não tanto pelo olhar — de muita vigilância e pugnacidade — quanto pelo formato contorcido das sobrancelhas.

Assim como um batalhador fica marcado pelas características da guerra, dir-se-ia que, de tanto franzir as sobrancelhas, elas ficaram com o traçado de suas profundas preocupações.

Mas, se o olhar é vigilante, toda a atitude do rosto é plácida.

É a firmeza do guerreiro católico dotado de coragem.



(Autor: excertos de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 17-01-1986. Sem revisão do autor. Apud PlinioCorreadeOliveira.info, publicado em CATOLICISMO, março 2003)