terça-feira, 31 de outubro de 2023

Kiev: Nossa Senhora intacta sob grande órgão incendiado

Imagem de Nossa Senhora da Porta da Aurora resgatada das ruinas ardentes, em Kiev, Ucrânia
Imagem de Nossa Senhora da Porta da Aurora resgatada das ruínas ardentes, em Kiev, Ucrânia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O muito prezado grande órgão da Catedral Católica Romana de São Nicolau em Kiev, segunda igreja católica romana mais antiga da cidade, pegou fogo numa madrugada e foi reduzido a cinzas, porém sem vítimas, segundo o Serviço de Emergência do Estado citado pelo “Kyiv Post”.

A Catedral de São Nicolau em Kiev foi construída no início do século 20 em estilo neogótico, mas nos tempos soviéticos foi fechada e usada como oficina pública.

A grande negligência comunista lhe provocou graves danos e a deixou em péssimas condições, não sendo restaurada devidamente pelos governos pós-comunistas.

Bem no centro do muito prezado órgão usado para concertos estava exposta a imagem de Nossa Senhora da Porta da Aurora no momento que o incêndio enfureceu, explicou a agência Catholic News.

Nossa Senhora da Porta da Aurora em Kiev, antes do incêndio
Nossa Senhora da Porta da Aurora em Kiev, antes do incêndio
As chamas consumiram o grande instrumento, mas a imagem que tem as características de um ícone pitado a óleo sobre tela permaneceu intacto.

Os fiéis agradeceram a Deus e à Bem-Aventurada Virgem Maria pelo milagre do resgate inexplicável da imagem do fogo.

Andriy Afanasyev restaurador de obras de arte, e da imagem em questão, disse estar convencido de que a sobrevivência do ícone sagrado não pode ser explicada racionalmente.

No dia da comemoração de Nossa Senhora da Porta da Aurora, 16 de novembro 2022, foi celebrada uma missa de ação de graças, também pelo milagre, presidida pelo Núncio Apostólico na Ucrânia, Arcebispo Visvaldas Kulbokas, numa igreja próxima, em Kiev.

O pároco, padre Pawel Wyszkowski, OMI, expressou sua gratidão: “Agradecemos especialmente à Bem-Aventurada Virgem Maria por sua presença entre nós”.

De fato, o fogo consumiu todo o órgão, mas a pintura permaneceu ilesa, quando pinturas artísticas não sobrevivem a um incêndio dessas proporções.

Catedral Católica Romana de São Nicolau em Kiev pegando fogo
Catedral Católica Romana de São Nicolau em Kiev pegando fogo
A imagem de Nossa Senhora pintada no final do século XIX e restaurada mais recentemente, estava bem preservada quando estourou o incêndio.

“É simplesmente um milagre”, disse o restaurador, “porque mesmo em temperaturas moderadamente altas, a tinta a óleo sempre derrete e se desintegra”.

O restaurador Afanasyev encontrou manchas prateadas no verso da pintura e verificou que se tratava de metal proveniente dos tubos do órgão fundidos pelas temperaturas muito elevadas a que o local foi submetido.

O metal dos tubos fundido acentua o caráter inexplicável da sobrevivência íntegra do frágil quadro.

Afanasyev constatou-se serem fragmentos dos tubos de órgãos derretidos que ficaram colados na parte de trás da pintura. E acrescentou estar convencido de que a intervenção divina estava envolvida.


Afanasyev, perguntou com espanto: “Quão alta deve ter sido a temperatura para que o metal derretido dos tubos do órgão cobrisse quase completamente o verso da pintura e até mesmo a frente?”

Segundo pesquisas, a pintura de Nossa Senhora da Porta da Aurora é tão antiga quanto a igreja de São Nicolau.

Após 1991, ano da independência da Ucrânia e separação da União Soviética, os fiéis católicos rezavam nos degraus em frente à igreja trancada aguardando que a igreja fosse devolvida à paróquia católica.

Fragmentos dos tubos derretidos colados na parte de atrás da imagem
Fragmentos dos tubos derretidos colados na parte de atrás da imagem
A imagem ficou indene da profanação comunista
que começou em 1938, quando os marxistas fecharam a igreja “porque foi escondida do saque bolchevique e posteriormente doada a uma paróquia vizinha”, segundo disse o Pe. John Krapan, então pároco da paróquia de São Alexandre que a restituiu à paróquia original.

O quadro retrata o glorioso ícone da Bem-Aventurada Virgem Maria cujo original está na bela capelinha da Porta da Aurora em Vilnius, Lituânia.

Sua presença em Kiev é um eco do tempo em que a Lituânia, a Polônia e a Ucrânia formavam um reino unido sob a coroa da família real lituana dos Jagelons, que conseguiram manter pacificamente unidos esses povos tão diversos.

A unidade foi perpetuada anos depois pela coroa da família dos Habsburgos, que reinaram no Império Austro-Húngaro, até sua dissolução e a invasão russa comunista após a I Guerra Mundial

A igreja de São Nicolau foi restituída ao culto católico em novembro de 2021, pelas autoridades que hoje governam a Ucrânia devendo enfrentar a ferocidade agressiva e assassina dos bombardeios ordenados por Vladimir Putin continuador e renovador do regime comunista russo.



Nossa Senhora do Portal da Aurora presidindo apresentação antes do incêndio e preservação miraculosa





terça-feira, 17 de outubro de 2023

Tufão veio do mar e Nossa Senhora dos Navegantes ficou de pé!

Nossa Senhora dos Navegantes, Roca Sales, RS, tufão setembro 2023
Nossa Senhora dos Navegantes, Roca Sales, RS, tufão setembro 2023
Luis Dufaur
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“Pra ti que eu sei que tem fé Nela!” – diz o gaúcho que gravou um vídeo para enviar a seu primo e que foi muito divulgado pelas redes sociais.

É que nos 88 municípios de Rio Grande do Sul batidos pela grande calamidade de um ciclone extratropical quase 15 mil pessoas ficaram desalojadas e muitas já não tinham casa para voltar.

O ciclone fez subir o nível do rio Taquari mais de 13 metros em menos de 12 horas causando os piores estragos

Uma das cidades mais atingidas foi Roca Sales, cerca de 140 km de Porto Alegre, que com 10,5 mil habitantes, contabilizou 14 mortos e 4 desaparecidos.

Mas Nossa Senhora dos Navegantes deixou claro que ela comanda nas tempestades e nas águas borrascosas ficando em pé na sua igreja cuja mobília, altares e teto foram arrasadas. O teto até caiu parcialmente sobre ela sem lhe fazer dano algum como ficou registrado em vídeo e fotos.

Após as águas baixarem os móveis da igreja estavam todos completamente destruídos pela enxurrada, mas Ela podia repetir com a Igreja toda que já virá outras tempestades e outros tufões de que Ela é senhora e rainha dos mares e águas doces!

Nossa Senhora dos Navegantes tem sua festa o dia 2 de fevereiro, o mesmo de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Quito, diz Wikipedia.

A sua devoção foi difundida no século XV com a navegação dos espanhóis e, especialmente, dos portugueses engajados na tarefa bendita da descoberta e evangelização das Américas e alhures. Os viajantes imploravam a proteção de Nossa Senhora contra as tempestades e perigos que mar e rios oferecem.

A primeira estátua foi trazida da Espanha enquanto que Pedro Álvares Cabral levou em sua nau capitânia uma imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança até a Índia, onde uma capela em sua homenagem foi erguida e ali ficou até o século XVII. Atualmente, está na Igreja da Sagrada Família, em Belmonte, Portugal.

Nossa Senhora dos Navegantes é também Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Boa Viagem; Nossa Senhora da Boa Esperança e Nossa Senhora da Esperança.

Nossa Senhora dos Navegantes é a padroeira de Porto Alegre onde todos os anos se realiza uma procissão fluvial em sua honra no Rio Guaíba e que em 2008 reuniu mais de 100 mil pessoas.


Em Roca Sales, RS, Nossa Senhora dos Navegantes ficou de pé quando o ciclone arrasou a cidade



terça-feira, 3 de outubro de 2023

Paróquia católica e imagens de Nossa Senhora ilesas em incêndios históricos no Havaí

Igreja de Maria Lanakila ilesa no incendio de Havai, agosto 2023
Igreja de Maria Lanakila ilesa no incêndio de Havaí, agosto 2023
Luis Dufaur
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Devorador incêndio florestal, provocado pelos fortes ventos da seca e do furacão Dora, consumiu a cidade histórica de Lahaina, na ilha havaiana de Maui.

Porém objetos sagrados católicos ficaram inexplicavelmente ilesos, segundo documentaram muitos meios, como Aleteia, além de redes sociais.

O incêndio foi o segundo desastre mais mortal dos últimos 100 anos nos EUA, depois do Camp Fire na Califórnia em 2018. O número de vítimas fatais foi de aproximadamente 114 pessoas e cerca de mil pessoas estão desaparecidas.

Em primeiro lugar, a igreja católica de Maria Lanakila, o principal prédio religioso católico e o mais antigo da cidade. Vídeos chocantes o demonstram.

A igreja católica tem o nome de “Maria Lanakila” que significa “Maria Vitoriosa” ou “Nossa Senhora da Vitória” na língua havaiana.

Não só ela e a casa paroquial permaneceram em pé, mas a imagem de Nossa Senhora de Lourdes em meio a um belo gramado ficaram como se nada tivesse acontecido em forte contraste com os edifícios e a vegetação contíguos reduzidos a cinzas.

“Para nós, é como um milagre”, declarou ao jornal “Honolulu Star Advertiser” monsenhor Terrence Watanabe, pároco de Santo Antônio de Pádua.

Não foi essa a sorte da capela protestante de Waiola no mesmo local e que serve de túmulo dos antigos reis de Havai.

Embora seja cedo para falar tecnicamente em milagre de primeira grandeza o fato é surpreendente podendo se lhe aplicar o termo “milagre” no sentido de algo que maravilha aos homens.

A igreja de “Nossa Senhora da Vitória” intacta após a devastação de um grande incêndio é um “sinal”, cujo “significado” sugere uma intervenção sobrenatural.

Para quem não crê em Deus tudo é e será mero acaso. Mas para os sensatos que acreditam em Sua presença e proteção sobrenatural, Deus faz sempre milagres, testemunhados pela abundância de sinais repletos de sentido.

“Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos” (Salmo 18, 2).

A Igreja Católica tem uma história rica no Havaí. A paróquia de Maria Lanakila foi fundada logo após a chegada dos padres católicos a Maui em 1846. E a igreja atual foi construída sobre a fundação da igreja original em 1927. Cerca de 800 famílias frequentam a igreja regularmente.

No total a igreja católica existe há 177 anos e muitos moradores locais consideram a “resistência” do templo um milagre, noticiou a MSN.

Monsenhor Terrence Watanabe confessou à mídia local que demorou a acreditar que a igreja houvesse sobrevivido. “Quando vimos o campanário da igreja erguer-se acima da cidade, ficamos surpresos”, disse.

Segundo a Fox News e o USA Today, a igreja dedicada a Nossa Senhora da Vitória teve apenas alguns danos no telhado.

A Igreja Batista da Graça, a 3 quilômetros de distância do santuário católico, acabou devorada pelas chamas e o pastor responsável pelo templo, Arza Brown, passou a oficiar cultos numa cafeteria, ambiente que não difere tanto de um templo protestante.

A razão exata da sobrevivência da igreja católica permanece um mistério humanamente falando, observou “La Nación”.

A igreja de Nossa Senhora das Vitórias preservada



Em um bairro de Lahaina, o repórter e âncora Jordan Segundo da CBS News em Sacramento, Califórnia levou mais uma surpresa: uma estátua de Nossa Senhora das Graças permaneceu perfeitamente intacta enquanto as casas atrás dela queimaram até o chão, comentou ‘ChurchPop’

Também as casas frente à estátua que olhavam para ela permaneceram de pé. “O incrível deste bairro, porém, é do outro lado da rua, essas casas estão todas de pé”, começa o repórter.

Na Sra das Graças salva entre casas calcinada
Na Sra das Graças salva entre casas calcinadas
“Falamos com [uma moradora] lá, e ela disse: 'Sim, minha casa está de pé, mas minha vista é de Santa Maria”.

Vários usuários responderam às fotos e vídeos de Jordan. Por exemplo:

Mãe Bem-Aventurada, obrigado por este milagre. Deus está com seu povo”, disse um usuário de Instagram.

“É incrível como Deus nos dá esperança nestes tempos. Em orações constantes, meus amigos”, acrescentou Shelley Rodgers Martell.

O âncora do noticiário da CBS News, Tony Lopez, acrescentou que ver Nossa Senhora de pé lhe deu arrepios.

“Aposto que muitos de nossos espectadores experimentaram o que eu senti: calafrios”, diz Lopez. “Fiquei arrepiado só de ver aquela estátua.”

Sobrevivente procura o que sobrou e acha Nossa Senhora




terça-feira, 26 de setembro de 2023

Provas confirmam estigmas da Serva de Deus Sor Patrocinio

Livro publica a história dos estigmas e fotos dos panos com que a religiosa os encubria
Livro publica a história dos estigmas e fotos
dos panos com que a religiosa os encobria
Luis Dufaur
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Javier Paredes, professor emérito da Universidade de Alcalá, revelou em livro a descoberta de 43 luvas que Sor Patrocinio, conceicionista franciscana, usava para enxugar o sangue dos estigmas, faixas na cabeça pela Coroa de Espinhos e panos laterais.

Panos manchados pelo sangue dos estigmas de Sor Patrocinio
Panos manchados pelo sangue dos estigmas de Sor Patrocinio

Ela não queria mostrar os estigmas nem às freiras dos 19 conventos que fundou nem à rainha Isabel II de quem era confidente.

Mas após fazer incontáveis milagres e sofrer muitos ataques do demônio, o governo anticristão a torturou selvagemmente, a enviou ao exílio e a qualificou de embusteira que enganava o povo.

Ela anteviu a vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos e o ressurgir da Igreja.



terça-feira, 12 de setembro de 2023

A Rainha Isabel a Católica pode ser beatificada

Isabel de Castela, a Católica
Isabel de Castela, a Católica
Luis Dufaur
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A causa de canonização da Rainha Isabel de Castela, a Católica, aguarda “a oportunidade de sua beatificação”, disse o padre José Luis Rubio Willen, responsável por seu processo, a “Infocatólica”.

A causa foi aberta em 1967 em Valladolid e acumula mais de 20 volumes de documentação histórica e de narrações de favores concedidos.

Entre eles o prodígio que permitiria sua beatificação: um padre com câncer pancreático muito avançado se recuperou por um milagre atribuído a Isabel”, conforme relatou Juan Luis Vázquez Díaz-Mayordomo.

A canonização só aguarda a aprovação do Papa. Por sua vez, a Comissão Isabel la Católica continua a promover o seu culto entre os fiéis.

«Temos distribuído impressos e editado livros e vídeos, e temos realizado simpósios para a tornar mais conhecida. Nosso objetivo é que as pessoas vejam que foi uma santa, a venerem e aproveitem sua intercessão”, afirma Rubio Willen, que afirma que sua própria conversão é obra da rainha.

Pouco a pouco, continuam a chegar o relato de favores, como o enviado a Roma por um jovem com cancro do pulmão que, quando ia ser operado, os médicos descobriram que não tinha nenhum tumor.

Isabel a Católica na rendiição do rei mouro de Granada Abu Abdullah Muhammad XII. Francisco Pradilla y Ortiz (1848–1921) Senado, Madri
Isabel a Católica na rendição do rei mouro de Granada Abu Abdullah Muhammad XII.
Francisco Pradilla y Ortiz (1848–1921) Senado, Madri
A causa é muito hostilizada pois a Rainha Isabel la Católica liderou a cruzada para expulsar os últimos mouros que mantinham invadido o reino de Granada, que sempre foi parte preciosa da Espanha.

Essa cruzada no dia de hoje em que se abrem imprudentemente todas as portas da Europa é obviamente aborrecida por ser antiecuménica.

A rainha também baniu os judeus que não queriam abandonar suas falsas crenças.

Ela também assumiu os custos da expedição de Cristovão Colombo que descobriu América, mas que os comuno-tribalistas abominam pela consequente cristianização e civilização do nosso continente americano.

Por tudo isso, se a causa tiver um desfecho feliz, “a maior rainha da história universal será beatificada”, defende o eclesiástico promotor da causa.

Isabel a Católica preside a educação de seus filhos, Isidoro Lozano  (1826–1895) Museo del Prado
Isabel a Católica preside a educação de seus filhos,
Isidoro Lozano  (1826–1895) Museo del Prado
Não há outra mulher como ela embora houve outras rainhas santas. Com Isabel, a história mudou e os mapas mudaram com evangelização de América, acrescente.

Para o responsável pelo seu processo, a rainha “nunca trabalhou para si mesma nem para se engrandecer ou enriquecer, mas para engrandecer e distribuir suas riquezas em obras que beneficiaram grandemente todos os seus súditos, inclusive os índios, que ela queria igualar em direitos aos espanhóis”.

Sua importância foi “capital”, pois “fez uma reforma do clero secular e da vida consagrada que a tornou precursora do Concílio de Trento”.

Com tudo isso, o Pe. Rubio Willen aponta como os cristãos de hoje podem imitá-la:

“Ela sempre foi ela mesma e estava com a verdade à frente. Ela não tinha uma vida dupla, ela era uma mulher de uma peça só”.


terça-feira, 29 de agosto de 2023

12.000 valencianos bordaram um Manto para a Virgem dos Desamparados, sua padroeira

O novo manto da Virgem dos Desamparados, bordado por 12.000 valencianos
O novo manto da Virgem dos Desamparados,
bordado por 12.000 valencianos
Luis Dufaur
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Enquanto as igrejas se esvaziam abandonadas por uma humanidade que esquece a religião católica e seus abençoados costumes e tradições de piedade, em Valência, Espanha, 12.000 fiéis deram comovedor exemplo filial bordando um novo manto para a padroeira da cidade a Virgen de los Desamparados, segundo relatou o jornal espanhol “La Razón”, entre outros.

Quando o manto foi apresentado para apreciação do público no Salão Nobre da Associação Mercantil foi recebido com uma aclamação.

O manto da Virgen de los Desamparados foi depois oferecido oficialmente à Virgem e benzido na Basílica da cidade na data de comemoração do Centenário da Coroação da Virgem.

A apresentação, dita “Descobrição” do manto, aconteceu após um jantar e um leilão beneficente com cerca de 400 comensais que reuniram os fundos para pagar a maravilhosa obra e mais uma coroa para Nossa Senhora denominada Coroa da Caridade.

Filas de voluntários para bordar o novo manto da Virgem dos Desamparados
Filas de voluntários para bordar o novo manto da Virgem dos Desamparados
As mais de 12.000 pessoas que participaram na prodigiosa costura deste manto histórico “choraram, ficaram comovidas” como filhos que se rejubilam com o presente que adorna a Mãe amada.

O diretor dos trabalhos, Jaime Guillem, recorda que um cego participou no bordado e até incentivava a outros dizendo: “se eu sou cego e vou bordar, com certeza você também pode fazer”.

O manto, antes da dedicação, percorreu diferentes pontos de Valência e da província, incluindo a prisão de Picassent. Os presos a receberam “cantando e rezando num dia único, de muita alegria”.

Presentação do novo manto da Virgem dos Desamparados
Presentação do novo manto da Virgem dos Desamparados

A base do manto é de seda e prata. E os bordados foram feitos com fio de ouro fino. Alfaiates supervisionaram os trabalhos para garantir que o manto encaixasse exatamente na imagem.

As doações cobriram todas as despesas do Manto e ainda sobrou para a Coroa da Caridade. As pessoas chegaram a ficar na fila por até duas horas só para participar do bordado chorando emocionadas.



terça-feira, 15 de agosto de 2023

Jovem católico impediu com sua mochila o apunhalamento de quatro crianças

Imigrante árabe tenta matar crianças e rapaz da mochila reage
Imigrante árabe tenta matar crianças e rapaz da mochila reage
Luis Dufaur
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Abdalmasih H., imigrante do Meio Oriente de 31 anos, esfaqueou selvagenmente quatro criancinhas que estavam em seus carrinhos passeando em Annecy, turística cidade dos Alpes franceses, egundo descreveu “La Nación”.

Um jovem francês de 24 anos de nome Henri que passava casualmente pela praça usou sua mochila para enfrentar o agressor e pô-lo em fuga.

Muitos franceses depositaram flores na área de jogos infantis, e a mídia, sempre acobertadora dos atentados islâmicos, desta vez se encheu de elogios a Henri, apelidado “o héroe da mochila” – “le héros au sac a dos”, em francês.

O imigrante feriu gravemente a quatro crianças de entre 22 meses e 3 anos de idade, e também a dois adultos.

Até o presidente Emmanuel Macron, muito criticado pelo seu laxismo diante da criminalidade islâmica foi à cidade alpina de Annecy, para agradecer a médicos, policiais, bombeiros e até a Henri!

Henri se defendia com uma mochila na mao enquanto o atacante tentava esfaqueá-lo. Mas Henri o perseguiu até se afastar.

Imigrante tenta apunhalar crianças em playgroun de Annecy
Imigrante tenta apunhalar crianças em playground de Annecy
O jovem, que estuda filosofia e administração explicou que reagiu desse modo porque era vontade de Deus que ele estivesse ali para intervir.

Como católico disse que uma força dentro dele, presumivelmente uma graça, o empurrou a reagir. “Deixei-me guiar pela Providencia e pela Virgem Maria. Pronunciei meu adeus à vida e deixei que eles decidissem o que aconteceria.

“Só sei que não foi por acaso. Em minha viagem às catedrais, encontrei esse homem e agi instintivamente. Era impensável não fazer nada”, declarou a CNEWS. “Tentei agir como todos os franceses deveriam ou iriam agir”.

Fez muito bem, mas infelizmente não são todos, neste mundo descristianizado, que reagem assim com espírito de Fé.

Momentos em que o jovem católico enfrenta assassino e o põe em fuga
Momentos em que o jovem católico enfrenta assassino e o põe em fuga
Henri tem o perfil de Instagram “Le chant des cathédrales” (“A canção das catedrais”), onde ele narra suas aventuras percorrendo a pé as 280 catedrais francesas.

O pai de Henri, François, contou que “ele não parou de correr atrás do agressor por muitos minutos, para evitar que ele voltasse e matasse ainda mais crianças. Acho que evitou a carnificina assustando-o. Realmente muito corajoso”.

François pediu que seu sobrenome não fosse publicado, para preservar a sua família aos olhos do público em um momento de choque e indignação na França provocado pela brutalidade do ataque e pelo desamparo das jovens vítimas, semelhante ao de outros casos análogos.

Catedral Notre Dame de Paris antes do incêndio
Catedral Notre Dame de Paris antes do incêndio.
O amor das catedrais vivia no jovem herói da mochila
“Atacar crianças é o ato mais bárbaro que se possa imaginar”, disse o chefe de Estado que, segundo a primeira-ministra Elisabeth Borne, quatro menores “foram submetidos a cirurgia e estão sob vigilância médica permanente”.

Abdalmasih obteve asilo na Suécia em 2013 e teria chegado à França no final de 2022.

Após ser submetido a exame psiquiátrico, o tribunal prorrogou a sua prisão preventiva. A promotoria de Annecy descartou um ato terrorista e disse que o agressor agiu sob efeito de álcool ou drogas.

Ainda que for verdade, o povo francês tende a achar que crimes com estas características são estimulados pelo Corão, ainda que os promotores do ecumenismo católico digam o contrário.


terça-feira, 20 de junho de 2023

Filme da Vendéia reacende polémica sobre a Revolução e a Contrarrevolução -2

Com o Sagrado Coração de Jesus no peito
Com o Sagrado Coração de Jesus no peito
Luis Dufaur
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O longa-metragem “Vencer ou morrer” focando a resistência católica e monarquista à Revolução Francesa deixou estarrecida à esquerda.

Ele constitui a primeira vez na história em que católicos assumem no cinema a defesa da França tradicional focando a luta entre os “partidários do terror jacobino” e os “contrarrevolucionários”, numa luta entre a Revolução gnóstica e igualitária e a Contra-Revolução hierárquica e anti-igualitária.

O historiador Loris Chavanette, autor de muitos livros em favor da Revolução Francesa, é um dos arautos da posição revolucionária.

E comenta que a atual polêmica por “Vencer ou morrer” acordou a velha divisão gerada pela Revolução Francesa que rachou o país em dois visões antagônicas do universo.

Os nostálgicos do antigo regime herdado da Idade Média denunciam – e o fazem no filme – um verdadeiro genocídio na Vendéia feito pelos autoproclamados defensores dos ideais igualitários que instalaram a ditadura revolucionária no país.

Até Alexis Corbière, deputado de extrema esquerda pela coalizão La France Insoumise e apologista de Robespierre, um dos cérebros sinistros do Terror, saiu nas colunas do “Le Monde” a deblaterar contra o filme.

A Revolução Francesa nunca foi um tema frio, mas hoje a esquerda política está mais unida atrás da figura de Robespierre, a quem pretende erigir um museu em sua cidade de Arras.

O grande jornal centrista de Paris “Le Figaro” deplora o renascer da “eterna guerra entre monarquistas e republicanos, entre brancos e azuis, entre os qualificados como partidários do Terror jacobino e os tachados de contrarrevolucionários”.

As tropas revolucionárias iam incendiado aldeias e campos
As tropas revolucionárias iam incendiado aldeias e campos
Durante muitas décadas os filmes sobre o tema provinham exclusivamente da esquerda. Mas, agora, tomou corpo uma reconstrução da história no campo oposto que sobressaiu com a publicação em 2008 do Livro Negro da Revolução Francesa, obra coletiva pilotada pelo dominicano Renaud Escande, e por Pierre Chaunu do Instituto.

A história da guerra de Vendée que fornece a ambientação de “Vencer ou morrer” é um caso clássico. Ela é contada à luz das atrocidades cometidas pelos exércitos republicanos em 1793.

O governo revolucionário, depois de levar a cabo um metódico extermínio de toda resistência do povo, propôs após o Terror e a queda de Robespierre, o Tratado de La Jaunaye, perto de Nantes, desmobilizando os monarquistas com promessas de garantias legais e econômicas.

O carismático líder Charette (personagem central no filme) acolheu os representantes da República, mas poucas semanas voltou a pegar em armas até ser baleado em 1796. O novo banho de sangue patenteou que o acordo era apenas uma fachada.

Na controvérsia atual os episódios conciliadores abafados ficaram esquecidos e se voltou à França terreno fértil de incessantes lutas internas entre Deus, Cristandade e monarquia e o inferno, a Revolução e a república encharcada de sangue.

Hoje, escreve o “Figaro” brigar como outrora é a regra, concordar é a exceção.

Homens e mulheres de todas as idades sacrificaram suas vidas pela Igreja e pelo rei
Homens e mulheres de todas as idades sacrificaram suas vidas pela Igreja e pelo rei
O historiador e resistente Marc Bloch definiu duas categorias de franceses: “aqueles que se recusam a vibrar com a lembrança da coroação de Reims; e aqueles que leem sem emoção o relato da festa da Federação”.

A revista cada vez mais lida de tendencia direitista “Valeurs Actuelles” constata que a imprensa de esquerda hoje mostra um ardor apaixonado pelo “romance republicano”.

Essa imprensa está enfurecida por “Vencer ou morrer” porque glorifica os gestos heroicos do líder militar contrarrevolucionário Charette.

O filme o suficiente para a esquerda sair da tocaia e mostrar na mídia o furor que caracterizou as massacres “republicanas” anti-monarquistas e anti-católicas e o genocídio dos vendeanos, camponeses amantes da Coroa e da Igreja Católica.

O jornal “Liberation” nascido nas barricadas extremistas de Maio de 1968 lhe dedicou-lhe espetacularmente a sua primeira página na véspera da estreia com uma manchete despectiva.

E explicou que o filme “não deve ser subestimado: porque é mais um indício que credencia a existência de uma ofensiva conservadora atualmente na França”, e prossegue com catilinárias insultantes.

O historiador da Revolução Thierry Lentz reconhece que “uma certa esquerda ainda não digeriu o sucesso de ‘Vencer ou morrer’”.

Poppulares de todas as classes sociais defenderam a Igreja e a monarquia
Populares de todas as classes sociais defenderam a Igreja e a monarquia
Pois, o que mais irrita essas esquerdas é que a “a direita católica transparece” e encontra lugar no grande cinema francês. Nos primeiros cinco dias foram vendidos 87.000 ingressos em 160 salas de cinema.

Nicolas de Villiers, presidente da produtora diz que o filme já é um fenômeno: “Nosso objetivo final era 100.000 lugares, chegamos a 87.000 em cinco dias. Uma média de 345 espectadores por sala dá para dizer que há fervor em torno do filme”. Houve espectadores que percorreram até 200 quilômetros para encontrar uma sala que exibisse o longa. E o aplauso ao final das sessões, foi a mais bela homenagem consagratória.

O site EcranLarge.com diz: “vendo “Vencer ou morrer” é quase de se desejar que o inferno realmente exista para ver com prazer ali queimarem os reacionários sejam líderes ou prosélitos”.

O ator Francis Renaud, protagonista no filme, ficou impressionado com a violência de certas reações: “Esperávamos críticas – faz parte do jogo – mas não tamanha onda de ódio e inverdades”, lamentou.

Segundo ele, a descida às chamas é mais maliciosa pelo fato de ser o primeiro longa-metragem rodado em dezoito dias com orçamento modesto, mas que encontrou seu público, contrariamente ao que fazem hoje a maioria dos filmes de bandeira revolucionária.

No “Le Monde”, os deputados de extrema esquerda Alexis Corbière e Matthias Tavel conclamam a que “os autênticos republicanos façam soar os sinos de guerra e se faça uma ampla mobilização de estudiosos, intelectuais e profissionais da cultura para erguer um baluarte contra o obscurantismo e a falsificação da história nacional”.

Tropas revolucionárfias massacram católicos em Lucs-sur-Boulogne. Vitral em Lucs-sur-Boulogne
'Colunas infernais' massacram católicos. Vitral em Lucs-sur-Boulogne
Eles acrescentam que olham com horror para o que está acontecendo nos EUA desde o filme “A Paixão de Cristo” e o aparecimento de parques temáticos com cenografias bíblicas, a proibição do ensino científico (leia-se o evolucionismo de Darwin), ao expurgo das bibliotecas escolares e a proibição do aborto.

Os deputados conclamaram para o alistamento dizendo que “estamos determinados a bloquear esta ofensiva ao lado de todas as inteligências que queiram contribuir para ela. Porque defender a Revolução Francesa é defender fundamentalmente a longa ação do povo pela sua emancipação” leia-se o comunismo extremo que eles postulam nas eleições.


terça-feira, 6 de junho de 2023

Filme da Vendéia reacende polêmica sobre a Revolução e a Contrarrevolução -1

'Vencer oumorrer' desperta o heroismo pela França católica-aristocrática
'Vencer ou morrer' desperta o heroísmo pela França católica-aristocrática
Luis Dufaur
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O grande estatista britânico Winston Churchill distinguiu com perspicácia duas Franças: uma que estava no poder plebeia, revolucionária, vulgar. Do outro lado está a França nobre, tradicional, mas oprimida pela outra. Ele via a segunda França separada da primeira por um rio de sangue, como aliás muitas nações da Europa.

Em parte alguma essa divisão dividiu tão fundo os dois lados. A França tradicional, observava Churchill, olha com saudade a Idade Média enquanto discerne na França revolucionária uma perfídia e uma malícia incomparável.

Nós podemos comparar o desentendimento entre as duas com o “proelium magnum” que se deu no Céu entre São Miguel e os anjos bons contra Lúcifer e os demônios revoltados contra a desigualdade celeste.

É por isso que os embates civis e religiosos havidos em torno da Revolução Francesa marcaram a ferro e fogo a doutrina e a psicologia de ambos os lados.

A paixão francesa nesse embate se comunicou ao mundo, e acabou produzindo um espetáculo tremendo. A Providência tal vez permitiu acontecer para que os homens pudessem entrever algo daquela batalha tremenda que houve no Céu entre os anjos da fidelidade e da hierarquia e os demônios da revolta e do igualitarismo.

Nesse sentido, a Revolução Francesa foi a mais magnífica, suntuosa e faustosa das parábolas históricas da revolta igualitária contra a ordem católica em que até os minores lances foram parabólicos.

'Vencer oumorrer' relembra os atrozes crimes da Revolução Francesa
'Vencer ou morrer' relembra os atrozes crimes da Revolução Francesa
Mas, com essa divisão no fundo das almas, os planos de constituir uma República Universal com um governo mundial anticristão ficavam inviáveis.

Entrou então soprado por antros infernais, o que poderíamos chamar de espírito de Morfeu, o deus do sono, para abafar o fogo da polêmica que põe em seus eixos a alma dos franceses.

Foram silenciados até os nomes de musicalidade aristocrática e sonora dos brilhantes personagens que a Revolução Francesa varreu e contra os quais o espírito Morfeu inoculou implicância e tédio.

Os nomes de revolucionários ferozes como Marat, Danton e Robespierre foram envolvidos nesse sono junto com seus espantosos crimes.

Espraiou-se o que a TFP francesa denunciou com um gemido de dor em manifesto: “a França estômago”.

Essa relegava aquele nobre embate espelho a luta de São Miguel e Lúcifer nos Céus, para endeusar de modo materialista o próprio carnalidade.

A obsessão por ter um “bom apetite” virou objetivo emblemático da União Europeia, induziu à diluição da cultura francesa num caldo com costumes pagãos de invasores africanos e muçulmanos, de vagalhões “culturais” anárquicos que promovem a agenda LGBT. Nesse caldo a filha primogênita da Igreja estava desaparecendo.

Dos antros dessa imensa Revolução Cultural, emanava como um vapor tóxico: os bons não pensem mais na Revolução Francesa! E os ruins se exaltem por ela a portas fechadas ou em solenidades sem graça.

Mas eis que no auge de Morfeu um filme sem pretensões hollywoodianas entrou nos cinemas e o fogo da prefigura da batalha celeste ressurgiu como a lava de uma explosão vulcânica.




terça-feira, 9 de maio de 2023

Árvore cai sobre Nossa Senhora, e não acontece nada!

Imagem de Nossa Senhora das Graças ficou intacta, mesmo com a queda da árvore
Imagem de Nossa Senhora das Graças ficou intacta, mesmo com a queda da árvore
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Nas proximidades da Maternidade Cândida Vargas, em João Pessoa, os passantes ficaram assombrados. Após um dia intenso de chuvas, uma grande árvore que fica em frente à unidade de saúde caiu direto sobre um nicho que continha uma imagem de Nossa Senhora das Graças no estacionamento do Hospital, como informou “Mais PB”.

Todo o espanto se concentrou no fato que o grande tronco da árvore se dividiu em dois – ou já o estava – caindo cada parte de um e outro lado da imagem, mas ela ficou ufanamente em pé.

Apenas o vidro protetor do nicho foi danificado.

Os galhos atingiram dois carros – um no teto e outro na porta – mas segundo a Prefeitura, a queda da árvore não causou danos às pessoas que atuam na unidade e nem nos frequentadores.

Nossa Senhora está sempre nos protegendo até quando menos o imaginamos, ou até quando menos percebemos que Ela nos está salvando. É preciso apenas maior atenção nossa e agradecimento.


Em João Pessoa, para espanto de muito incrédulo




terça-feira, 2 de maio de 2023

Tradição familiar das gôndolas
subsiste com orgulho em Veneza

Cada góndola é feita à medida do gondoleiro
Cada góndola é feita à medida do gondoleiro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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As gôndolas negras deslizam pelos canais de Veneza ostentando os sinais de um pequeno, mas requintado grupo de artesãos que mantêm vivos os métodos tradicionais de construção, informou a “Folha de S.Paulo”.

Cerca de 700 anos atrás, existiam 7.000 delas em Veneza, mas seu uso cotidiano foi suplantado pelo de barcos mais modernos. Restam 433, primordialmente turísticas.

O construtor de gôndolas Roberto Tramontin explica que uma gôndola demora dois meses para ser construída, leva 280 peças de madeiras diversas, como limoeiro, carvalho, mogno, nogueira, cerejeira, abeto, lárix e olmo, e custa cerca de € 38 mil (R$ 123 mil).

A madeira é tratada durante até um ano antes de ser modelada na forma cilíndrica ligeiramente assimétrica, o que permite a um único gondoleiro conduzir a embarcação em linha reta.

Os construtores de gôndolas praticam durante vários anos, antes de começar a construí-las sob medida para o peso do gondoleiro.

Quem viajou de gôndola terá observado que ela é torta, em geral enviesada para um lado. Mas quando o gondoleiro ocupa seu lugar, ela fica perfeitamente equilibrada.

Acresce-se que o gondoleiro rema de um só lado: o direito. Isso faria a gôndola girar em torno de si. O viés à esquerda compensa essa tendência, e a pequena barca de sonho vai numa reta perfeita pelos estreitos canais.

Camadas de verniz preto são aplicadas, mas a ornamentação é limitada desde que um dos doges – espécie de duques soberanos eletivos que governavam a cidade em seus tempos de glória – decretou no século 18 que as gôndolas estavam enfeitadas demais.

É preciso notar que a gôndola era para uso popular e corriqueiro.

Os nobres, eclesiásticos, ricos-homens e pessoas constituídas em dignidade tinham barcos semelhantes, mas muito mais pomposos, com dourados e tapetes flutuantes que acompanhavam seu deslizar sobre as águas.

O mais rico e belo desses navios particulares era o Bucentauro de ouro, destinado aos doges. Ele exigia muitos remadores e levava uma pequena corte e músicos.

Uma réplica navega hoje no Grande Canal nos dias de festa.

Réplica do Bucentauro numa festividade em Veneza
Réplica do Bucentauro numa festividade em Veneza
“Trabalho ao velho estilo. Tudo é feito à mão”, diz Lorenzo Della Toffola, 48, construtor da oficina San Trovaso, que produz uma ou duas embarcações por ano, usando as técnicas do passado.

A arte que cerca as gôndolas deve ser preservada, apesar das mudanças de comportamento, diz Giorgio Orsoni, prefeito de Veneza.

Os gondoleiros precisam possuir uma gôndola para obterem uma licença, e os que não herdam o negócio de seus pais compram, no começo de carreira, um barco usado e só depois financiam um novo.

A família é o veículo da tradição e a propriedade é o fundamento sólido da transmissão cultural.