domingo, 19 de janeiro de 2020

Nossa Senhora do Milagre e a conversão do judeu Ratisbonne, 20 de janeiro

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um dos fatos marcantes da história religiosa do século XIX foi a aparição de Nossa Senhora ao judeu Afonso Ratisbonne e sua retumbante conversão ao catolicismo.

A aparição está intimamente ligada à série de manifestações extraordinárias ao mundo, iniciada com a Medalha Milagrosa na rue du Bac (Paris, 1820), e continuada de um modo mais destacado em La Salette (1846) e Lourdes (1858).

Ratisbonne fez-se padre
e fundou a Ordem de Sion para converter os judeus
Muito distante da fé católica vivia o jovem banqueiro Afonso Ratisbonne, natural de Estrasburgo, nascido em 1814, de riquíssima família israelita.

No dia 20 de janeiro de 1842, em viagem turística a Roma, por curiosidade meramente artística ele acedeu entrar na Igreja de Sant’Andrea delle Fratte, acompanhado de um amigo, o Barão de Bussières.

Enquanto este foi à sacristia, a fim de encomendar uma missa, o jovem judeu apreciava as obras de arte daquele templo.

Quando se encontrava diante do altar consagrado a Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa (hoje conhecido como altar da Madonna del Miracolo — Nossa Senhora do Milagre), Ela apareceu-lhe e o converteu instantaneamente de inimigo da Igreja católica em seu fervoroso apóstolo.

O quadro

O quadro da Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre) aparece com a fronte encimada por uma coroa e por um resplendor em forma de círculo de 12 estrelas que evoca a Mulher do Apocalipse.

A fisionomia é discretamente sorridente, com o olhar voltado para quem estiver ajoelhado diante d’Ela. Muito afável, mas ao mesmo tempo muito régia.

Pelo porte, dá impressão de uma pessoa alta, esguia sem ser magra, muito bem proporcionada e com algo de imponderável da consciência de sua própria dignidade.

Tem-se a impressão de uma rainha, muito menos pela coroa do que pelo todo d’Ela, pelo misto de grandeza e de misericórdia.

A pessoa que a contempla tende a ficar apaziguada, serenada, tranquilizada, como quem sente acalmadas as suas más paixões em agitação.

Como se Ela dissesse: “Meu filho, eu arranjo tudo, não se atormente, estou aqui ouvindo a você que precisa de tudo, mas eu posso tudo, e o meu desejo é de dar-lhe tudo. Portanto, não tenha dúvida, espere mais um pouco, mas atendê-lo-ei abundantemente”.

A pintura tem um certo ar de mistério, mas um mistério suave e diáfano. Seria como o mistério de um dia com um céu muito azul, em que se pergunta o que haverá para além do azul.

Altar da aparição, igreja de Sant'Andrea delle Frate, Roma
Mas não é um mistério carregado, é um mistério que fica por detrás do azul e não por detrás das nuvens.

Notem a impressão de pureza que o quadro transmite.

Ele comunica algo do prazer de ser puro, fazendo compreender que a felicidade não está na impureza, ao invés do que muita gente pensa. É o contrário.

Possuindo verdadeiramente a pureza, compreende-se a inefável felicidade que ela concede, perto da qual toda a pseudo felicidade da impureza é lixo, tormento e aflição.

Notem também a humildade. Ela revela uma atitude de rainha, mas fazendo abstração de toda superioridade sobre a pessoa que reza diante d’Ela. Trata a pessoa como se tivesse proporção com Ela; quando nenhum de nós tem essa proporção, nem mesmo os santos.

Entretanto, se aparecesse Nosso Senhor Jesus Cristo, Ela ajoelhar-se-ia para adorar Aquele que é infinitamente mais. Ela tem a felicidade inefável da despretensão e da pureza.

Diante de um mundo que o demônio vai arrastando para o mal, pelo prazer da impureza e do orgulho, a Madonna del Miracolo comunica-nos esse prazer da despretensão e da pureza.

Oração à Madonna del Miracolo

“Ó Imaculada Mãe de Deus, Madonna del Miracolo, que quisestes conquistar com um singular prodígio de vossa misericórdia o israelita Afonso Ratisbonne, acolhei as súplicas que vos apresentamos com confiança, como um dia acolhestes as súplicas daqueles que a Vós recorreram pedindo a conversão do filho judeu.

“Obtende-nos também uma sincera e total conversão à graça e todos os bens da alma e do corpo.

“Vossa clemência triunfou sobre Ratisbonne, persuadindo-o a receber o batismo e a empenhar-se com vontade séria na observância dos Mandamentos.

“Por esta conquista do vosso amor, obtende-nos a perseverança no cumprimento das promessas do batismo. Fazei com que nenhum obstáculo se interponha à nossa observância dos preceitos de Deus e da Igreja.

“Vossas mãos resplandecentes são símbolo das inumeráveis graças que com maternal bondade dispensais profusamente sobre a Terra. Fazei resplandecer também sobre nós um raio da vossa misericórdia”.

Vídeo: O local da aparição



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, janeiro 2006; e “Catolicismo”, janeiro 2007)

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A tiara e as chaves no brasão da Cidade do Vaticano

Brasão do Estado da Cidade do Vaticano
Brasão do Estado da Cidade do Vaticano
Luis Dufaur
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O Estado da Cidade do Vaticano tem um brasão. O jornal vaticano "L'Osservatore Romano" há anos nos relembrou a origem dele, enquanto vai sendo relegado em importância, infelizmente.

Ele se compõe com duas chaves cruzadas, a tiara pontifícia sobre fundo vermelho e a inscrição “Estado da Cidade do Vaticano” e uma estrela de oito pontas.

A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.

É a coroa própria dos Papas.

É uma coroa única no mundo.

Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.

Tiara de Pio VII
Tiara de Pio VII
O Antigo Testamento ensina que Deus disse a Moisés:

“Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’.

“E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice.

“E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).

Aarão, irmão de Moisés é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura os Papas instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, e continuado por seus sucessores de Roma.

O Papa Sérgio III (904-911) fez cunhar moedas com a imagem de São Pedro com tiara. Na basílica inferior de São Clemente, em Roma, um fresco do fim do século XI apresenta o Papa Adriano II (867-872) com a tiara.

A primeira coroa da tiara reúne simbolicamente a jurisdição eclesiástica do Papa e a coroa do governo temporal sobre os feudos pontifícios.

Bonifacio VIII (1294-1303), que sofria execrável revolta do rei da França Filipe o Belo, acrescentou a segunda coroa, para sublinhar que a autoridade espiritual do Papa está por cima da autoridade temporal dos reis.

Tiara de Gregório XVI (1834)
Bento XII (1334-1342) acrescentou a terceira coroa para simbolizar a autoridade efetiva do Papa sobre todos os soberanos, o que inclui o poder de instituí-los (como fez São Leão III com Carlos Magno imperador) ou destituí-los (como São Gregório VII com o imperador Henrique IV).

As três coroas representam também a potestade máxima na Ordem do Sacerdócio, na Jurisdição (ou poder de mando) Universal e no Magistério Supremo, exclusivos do Sumo Pontífice.

No século XIII foram acrescentadas as fitas posteriores. Elas evocam as fitas que na Antiguidade cingiam a cabeça dos sacerdotes.

A tiara era imposta ao novo Papa pelo Cardeal protodiacono pronunciando a seguinte fórmula:

“Recebe a tiara ornada com três coroas e sabe que és o pai dos príncipes e dos reis, o reitor do mundo, o vigário na terra do Salvador nosso Jesus Cristo, ao qual se deve todo honor e toda glória pelos séculos dos séculos”.

Em virtude destes significados, a tiara foi particularmente odiada pelos inimigos da Igreja e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, em sentido contrário, ela foi amada até a efusão do sangue pelos santos e pelos fiéis especialmente devotados ao sucessor de Cristo.

Nações e dioceses fizeram questão de doar mais ricas e esplendorosas tiaras ao Pai comum da Cristandade.

Por isso há várias tiaras. Elas competem em arte, beleza e riqueza.

Alguns Pontífices sobremaneira amados ganharam mais de uma, como o bem-aventurado Pio IX. Várias se conservam no Vaticano.

A tiara não era usada no dia-a-dia, mas nas solenidades. O último a usá-la de público foi S.S. Paulo VI na basílica de São Pedro no dia 30 de junho de 1963.

Em 13 de novembro de 1964, na terceira sessão do Concílio Vaticano II, o secretário do mesmo, Mons. Pericle Felici, anunciou que o Papa Paulo VI doava sua tiara aos pobres.

Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
Então Paulo VI desceu do trono e depôs a tiara sobre a mesa do altar em meio às aclamações dos padres conciliares.

Aquela tiara lhe fora presenteada pela arquidiocese de Milão, da qual ele foi arcebispo, com a contribuição dos fiéis até dos mais humildes e sacrificados.

Desde então, nem ele nem seus sucessores, nunca mais a usaram.

Desde a eleição de S.S. João Paulo I, em agosto de 1978, a cerimônia da coroação foi substituída pela simples imposição do pálio.

A mais antiga representação das chaves cruzadas tendo sobre si a tiara é tempo do pontificado de Martinho V (1417-1431).

O sucessor, Eugenio IV (1431-1447), cunhou esse emblema numa moeda de prata, conhecida como o “grosso papale”.

As chaves simbolizam os poderes dados ao Papa por Nosso Senhor Jesus Cristo Evangelho (Mat, 16-19).

Uma chave é dourada e significa que o Papa tem o poder supremo na ordem espiritual.

A chave de prata indica que o Poder supremo do Papa sobre a ordem temporal é circunscrito a tudo aquilo que se refere à Fé e à Moral, conservando a ordem temporal sua autonomia naquilo que excede esses campos superiores. A chave dourada passa por cima da chave de prata.

As duas chaves condensam todos os poderes do Papa.

Há pelo menos oito séculos, os Papas têm seu próprio brasão pessoal. No atual de S.S. Bento XVI figura uma concha, a cabeça de moro e um urso.

Ficaram as chaves, mas a tiara desapareceu, no seu lugar há uma mitra e também o pálio.

(Fonte: L'Osservatore Romano, 10 agosto 2008)


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A capital financeira da Europa reverencia Carlos Magno no Natal

Na sacada do prédio central era apresentado o imperador que acabava de ser eleito
Na sacada do prédio central era apresentado
o imperador que acabava de ser eleito
Luis Dufaur
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No Römer (Paço Municipal) de Frankfurt am Main se realizava outrora a eleição dos Imperadores do Sacro Império Romano-Alemão.

Hoje o centro financeiro de Europa, com um dos maiores aeroportos da Alemanha, 240 bancos e os arranha-céus mais altos do continente.

O Römer é a sede histórica da Prefeitura da cidade cujos fundamentos remontam à época do domínio romano.

Mas, por ser o prédio mais antigo passou a acolher a sessão de eleição do imperador do Sacro Império Romano-Alemão.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Natal de Colônia degusta gastronomia carolíngia, simples e abundante

A catedral acolhe maternalmente o Mercado de Natal
A catedral acolhe maternalmente o Mercado de Natal
Luis Dufaur
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Perto de Aachen (Aquisgrão, Aix-la-Chapelle), a grande cidade de Colônia também está muito associada à memória de Carlos o incomparável imperador, mas com costumes bem diferenciados.

As cervejarias tradicionais conservam sua arquitetura original, sendo adentradas através de arcos de madeira para nelas encontrar a lareira acesa, as paredes de lambri e as dependências aconchegantes.

O Rheinische Sauerbraten mais uma truculência no gosto carolíngio
O Rheinische Sauerbraten mais uma truculência no gosto carolíngio
Os copos para a cerveja são pequenos, mas constantemente renovados.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Por que se faz a “Missa do Galo” na noite de Natal?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
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“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Costumes católicos do Natal: uma arca de tesouros espirituais, culturais e até gastronómicos!

Luis Dufaur
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Na lista de links que segue a continuação, clicando o leitor encontrará um rica explicação de cada um desses santos e deliciosos costumes católicos natalinos.











segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O Natal perfumado da capital de Carlos Magno

Natal, nas ruas estreitas da Aachen medieval
Natal, nas ruas estreitas da Aachen medieval
Luis Dufaur
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No Natal, nas ruas estreitas da Aachen (Aquisgrão, Aix-la-Chapelle) medieval se respira o perfume de canela, cardamomo, coentro, anis, cravo, pimenta, gengibre.

Dezenas de padarias, pastelarias e chocolatarias preparam as bolachas Aachener Printen, enquanto no mercado de Natal se bebe o Glühwein (quentão com muitas especiarias) e se comem tradicionais castanhas recém-assadas, informou reportagem de “La Nación”.

As comemorações começam na festa de São Martinho de Tours (11 de novembro) e Santa Catarina (25 de novembro).

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: ensinamentos sobre a glória de Nossa Senhora

Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição, São Francisco da Penitência,
Rio de Janeiro
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma




O dogma da Imaculada Conceição ensina que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original desde o primeiro instante de seu ser.

Ela em momento algum teve qualquer nódoa do pecado original.

A lei inflexível pela qual todos os descendentes de Adão e Eva, até o fim do mundo, teriam o pecado original, se suspendeu em Nossa Senhora.

E naturalmente na humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora não ficou sujeita às misérias a que estão sujeitos os homens.

Não ficou sujeita aos impulsos, inclinações e tendências más que os homens tem.

Tudo nEla corria harmonicamente para a verdade, para o bem; tudo nEla era o movimento para Deus.

Nossa Senhora foi exemplo perfeito da liberdade da razão iluminada pela fé.

Ela queria inteiramente tudo o que era perfeito e não encontrava em si nenhuma espécie de obstáculo interior.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

No âmago das cancões de Natal perfeitas: fé, coragem, ternura

É a noite de Natal.

A Missa de Galo vai começar.

Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.

Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno...

É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.

O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo embaixo).

“Noite tranquila, noite silenciosa, noite santa.

“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!

domingo, 1 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: Pio IX e a glória do dogma

O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição. Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.
Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
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Em 8 de dezembro de 1854 rodeado o bem-aventurado Papa Pio IX se levantou para definir o dogma da Imaculada Conceição no esplendor da basílica de São Pedro.

Nesse momento o Santo Padre sobre quem teria descido um discreto mas perceptível raio de luz sobrenatural proclamou com voz solene e cadenciada:


”41. ... depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador.

“Por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade,

“para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus,

“para exaltação da fé católica, e

“para incremento da religião cristã,

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Na festa da Medalha milagrosa: aparições a Santa Catarina Labouré

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Santa Catarina Labouré, no dia 21 de abril de 1830, transpôs os umbrais do noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

Ela chegou, sem sabé-lo, conduzida pela mão de São Vicente de Paula.

Primeira aparição: Nossa Senhora mostra que o mundo caminha para um desastre

Na noite anterior ao dia da festa de São Vicente, 19 de julho, Catarina ouviu uma voz que a acordava. Assim contou ela:

“Enfim, às onze e meia da noite, ouvi que me chamavam pelo nome: ‘Minha irmã! Minha irmã!’ Acordando, corro a cortina e vejo um menino de quatro a cinco anos vestido de branco que me diz: ‘Vinde à Capela; a Santíssima Virgem vos espera’.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Rimini: onde até a mula se ajoelhou ante a Eucaristia

Santo Antonio de Pádua e o milagre da mula, Joseph Heintz o jovem (1600-1678)
Basilica dei Santi Giovanni e Paolo, Veneza
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Santo Antônio de Pádua (1195 — 1231) pregou enfrentando grandes contrariedades e lutas.

A Igreja era fortemente contestada por movimentos heréticos que não aceitavam a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, segundo lembrou a agência Zenit.

Entre esses opositores militavam hereges cátaros, patarines e valdenses.

Na cidade italiana de Rimini, o líder do erro cátaro, de nome Bonovillo, foi particularmente insultante.

Por volta do ano 1227 ele desafiou a Santo Antônio que provasse com um milagre a presença real do Corpo de Cristo na Eucaristia.

A provocação resultou no famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou “milagre da mula”, acontecido nessa capital da Emília-Romagna.

O desafio e o milagre conseguinte ficaram consignados em vários livros históricos – entre os quais o Benignitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Toulouse e em Bourges.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Imagem de Nossa Senhora Aparecida
inexplicavelmente ilesa em incêndio

Dono de oficina destruída crê em milagre após imagem de Nossa Senhora resistir a incêndio
Dono de oficina destruída crê em milagre após imagem de Nossa Senhora resistir a incêndio
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Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi a única peça que resistiu ao incêndio que destruiu uma oficina mecânica na noite de segunda-feira 4 de novembro (2019), em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), a 340 km de São Paulo, informou G1 da Globo.

Para Marco Roberto Pellegatti, 58, dono da oficina, o fato de a estatueta sair ilesa das chamas reforça sua fé em um milagre.

Ele lembra que até um extintor de incêndio próximo à imagem acabou derretido com o calor.

Havia também um botijão de gás que, apesar do fogo intenso, não explodiu. “Seria uma tragédia bem maior, a explosão do botijão faria vítimas no quarteirão”, afirma.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Melk, o berço da Áustria




Carlos Eduardo Schaffer, Correspondente - Áustria




Parece uma fortaleza ou um palácio, que surpreende e encanta a quem o vê repentinamente no alto de um penhasco.

Fixando mais atentamente a vista, parece no entanto distinguir-se junto ao parapeito alguma pessoa com hábito religioso, que meditativamente contempla o Danúbio no vale vizinho, as colinas e os campos. Estamos diante da abadia beneditina de Melk, considerada o berço da Áustria.

Em 976, Leopoldo I, da estirpe bávara dos Babenberg, recebeu do imperador Oto II, em recompensa por seus serviços, o território denominado Marca de Ostarrichi.

Leopoldo escolheu Melk como sede do governo, e enquanto ele regia o território, a seu lado os monges oravam.

A grandeza abacial e sua sabedoria irradiaram sua influência sobre vastas regiões circunvizinhas. Vinte e oito paróquias são ainda hoje atendidas por seus monges.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

A “escada milagrosa” de São José
é verdadeiramente miraculosa?

A escada inexplicável cuja construção a piedade atribui a a São José
A escada inexplicável
cuja construção a piedade atribui a São José
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Há na cidade de Santa Fé, no Estado do Novo México, EUA, uma capela conhecida como Loretto Chapel.

Nela destaca-se uma bela e despretensiosa escada.

A piedade tradicional atribui a construção a São José.

Mas, quem a fez? Como a fez? Ninguém consegue descifrar o mistério da "escada milagrosa".

A piedosa tradição

Em 1898 a Capela passou por uma reforma. Um novo piso superior foi feito, porém faltava a escada para subir.

As Irmãs consultaram os carpinteiros da região e todos acharam difícil fazer uma escada numa Capela tão pequena.

As religiosas, então, rezaram uma novena a São José para pedir uma solução.

No último dia da novena, apareceu um homem com um jumento e uma caixa de ferramentas. Ele aceitou fazer a escada, porém exigiu que fosse com as portas fechadas.

Meses depois a escada estava construída como queriam as Irmãs. No momento de pagar o serviço, o homem desapareceu sem deixar vestígios.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Alatri: milagre da Hóstia Encarnada ratificou o dogma da Transubstanciação

Restos da Hóstia profanada e restituída duram até hoje
Restos da Hóstia profanada e restituída duram até hoje
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Em Alatri, Itália, o 13 março de 1228 se comemorou com nota especial o solene ato em que o Papa Inocêncio III, acompanhado pelo IV Concilio Lateranense, proclamou o dogma da Transubstanciação usando, por vez primeira, esse termo especifico e hoje obrigatório.

Naquele ano de 1228, o Papa Gregório IX publicou a Bula “Fraternitatis tuae” (13.3.1228) recolhendo os elementos essenciais do milagre eucarístico acontecido em Alatri.

Esse foi uma confirmação sobrenatural da proclamação do dogma da transubstanciação.

Um milagre que teve um efeito comparável à aparição de Nossa Senhora em Lourdes confirmando o dogma da Imaculada Conceição.

Esta verdade de Fé da transubstanciação ensina que a fórmula da consagração, pronunciada pelo sacerdote celebrante segundo prescreve o Missal, muda eficazmente a substância do pão e do vinho que passam a ser o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo.

Essa definição condenou a heresia de Berengário (filósofo e teólogo de Tours, França) que negava a transubstanciação e foi condenado por diversos Concílios.

No fim, Berengário se arrependeu e morreu reconciliado com a Igreja, mas muitos de seus sequazes continuaram com a heresia causando escândalos, lutas, cismas e desordens.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Na festa de Santa Teresinha:
impressões de um rosto inocente

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A família Martin foi uma das muitas famílias católicas que se inscreveram nas confrarias de oração para atender os pedidos de reparação e penitência feitos por Nossa Senhora em La Salette.

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez parte delas.

No inicio de outubro, a festa desta grande santa que quis se fazer “pequena” é ocasião propícia para estas postagens em dias sucessivos.

A personalidade de Santa Teresinha numa fotografia

A esta magnífica fotografia de Santa Teresinha do Menino Jesus falta apenas o relevo, para se dizer que ela está viva.

domingo, 29 de setembro de 2019

Os Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael
na Corte Celeste

Santos Anjos, catedral de Leeds, Inglaterra
Santos Anjos, catedral de Leeds, Inglaterra
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Na festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael (29 de setembro), o primeiro se destaca como aquele que liderou a luta contra o demônio e o precipitou no inferno.

São Miguel, chefe das legiões angélicas

Ele é o chefe dos Anjos da Guarda dos indivíduos e o chefe também dos Anjos da Guarda das instituições, especialmente da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Ele tem uma função tutelar dos homens nesse vale de lágrimas e nessa arena de luta que é a vida.

Deus quis servir-se dele como de seu escudo contra o demônio e quer que ele seja o escudo da Santa Igreja Católica contra o chefe infernal.

Mas um escudo que é gládio também.

Portanto, tem uma missão dupla e era considerado na Idade Média, o primeiro dos cavaleiros.

O cavaleiro celeste, leal, forte, puro e vitorioso como deve ser o cavaleiro que põe toda sua confiança em Deus e também em Nossa Senhora.

São Miguel é o nosso aliado natural nas lutas para defender a Civilização Cristã.

Dom Guéranger apresenta São Miguel como “o mediador da prece litúrgica. Deus que distribui, com uma ordem admirável, as hierarquias visíveis e invisíveis, emprega por opulência, para louvor de sua glória, o ministério desses espíritos celestes que contemplam sem cessar a face adorável do Pai, e que sabem, melhor do que os homens, adorar e contemplar a beleza de suas perfeições infinitas”.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A serena onipotência de Maria Auxiliadora

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Esta imagem de Maria Auxiliadora transmite uma serenidade interior toda ela decorrente da temperança.

A temperança é a virtude cardeal pela qual se tem por cada coisa o grau de apego ou o grau de repúdio proporcional.

De maneira que se é inteiramente adequado e proporcional a todas as circunstâncias e situações.

Nunca se quer nada exageradamente, ou menos do que merece; nunca se detesta algo exageradamente ou menos do que merece.

A inteira execração das coisas execráveis é ditada pela virtude da temperança.

A serenidade de alma decorrente da temperança reluz muito nesta imagem.

Mas, discretamente.

Ela é tão calma, senhora de si, pronta a tomar atitude diante de qualquer coisa; tão desapegada de si que é um símbolo do equilíbrio dado pela virtude da temperança.

Por isso mesmo tem algo de virginal.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

173 anos depois: é a ressurreição de La Salette?

Vitral na Basílica de Lourdes
Vitral na Basílica de Lourdes
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Cumprem-se hoje 173 anos do anúncio solene feito por Nossa Senhora em La Salette em 19 de setembro de 1846.

Ela falou de uma grande e terrível purificação que adviria sobre o mundo, se esse antes não se arrependia e fazia penitência.

“Vinde meus filhos, disse Ela, não tenhais medo, estou aqui para vos anunciar uma grande notícia”.

“Se meu povo não quiser se submeter, fico obrigada a deixar o braço de meu Filho golpear: não posso mais segurá-lo”.

Nossa Senhora apontou como mais necessitada de emenda aquela parte do clero que afundava em assustadora decadência moral e periclitava na fé. Dessa parte da qual chovem dolorosamente cada vez mais escândalos:

Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela sua má vida, sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, pelo amor do dinheiro, das honrarias e dos prazeres, tornaram-se cloacas de impureza”.

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças. Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!”

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança.

“E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo”.  
Mas Nossa Senhora não ficou nisso. Ela apontou em segundo lugar a infiltração dos inimigos de Cristo na sociedade temporal e nos postos de direção dos governos e organizações mundiais:

“Os chefes, os condutores do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência.

“E o demônio obscureceu suas inteligências.

“Transformaram-se nessas estrelas errantes, que o velho diabo arrastará com sua cauda para fazê-las perecer”.

“Deus permitirá à velha serpente introduzir divisões entre os que reinam, em todas as sociedades e em todas as famílias. Sofrer-se-ão tormentos físicos e morais”.