terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

São Pedro Julião Eymard e o amor apaixonado pela Eucaristia

São Pedro Julião Eymard , fundador dos padres sacramentinos
São Pedro Julião Eymard , fundador dos padres sacramentinos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Nosso Senhor quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele.

“Toda virtude, todo pensamento que não se termina em uma paixão, que não acaba por tornar-se uma paixão, nada de grande produzirá jamais. (...).

“O amor só triunfa quando é em nós uma paixão vital. Sem isso, podem produzir-se atos isolados de amor, mais ou menos frequentes; a vida não é tomada, não é dada. (...).

“Na Sagrada Eucaristia, decerto, Nosso Senhor ama-nos com paixão, ama-nos cegamente, sem pensar em Si, devotando-Se inteiramente por nós: é preciso corresponder-Lhe.

“Nosso amor, para ser uma paixão, deve sofrer as leis das paixões humanas.

“Falo das paixões honestas, naturalmente boas; pois as paixões são indiferentes em si mesmas; nós as tornamos más quando as dirigimos para o mal, mas só de nós depende utilizá-las para o bem.

“Ora, a paixão que domina um homem, concentra-o.

“Tal homem quer chegar a uma determinada posição honrosa e elevada. Só para isso trabalhará: dez, vinte anos, não importa.

“Chegarei, diz ele; faz unidade: tudo se acha reduzido a servir esse pensamento, esse desejo, deixa de lado tudo quanto não o conduzisse a seu objetivo.

“Eis como se chega no mundo ao que se deseja; essas paixões podem tornar-se más, e ai! muitas vezes não são mais que um crime contínuo; mas enfim podem ser e são ainda honoríficas.

“Sem uma paixão, nada se alcança: a vida carece de objetivo; arrasta-se uma vida inútil.

“Pois bem, na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera.

“Amai tal virtude, tal verdade, tal mistério apaixonadamente.

“Devotai-lhe a vossa vida, consagrai-lhe os vossos pensamentos e trabalhos; sem isso, nada alcançareis jamais, sereis apenas um assalariado, jamais um herói!

“Tende um amor apaixonado pela Eucaristia. Amai Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento com todo o ardor com que se ama no mundo, mas por motivos sobrenaturais. (...).

“Considerai os santos; seu amor os transporta, abrasa, faz sofrer; é um fogo que os consome, despende as suas forças e acaba por lhes causar a morte.

“Morte feliz!

“Mas, se não chegamos todos a esse ponto, ao menos podemos amar apaixonadamente a Nosso Senhor, deixar que nos domine o seu amor.

“Há pessoas que amam até à loucura os pais, os amigos, e não sabem amar o bom Deus!

“Mas o que se faz com a criatura, é o que se deve fazer com Deus: somente, ao bom Deus, é preciso amá-Lo sem medida, e cada vez mais. (...).

“Mas poderíamos dizer: Somos então obrigados a amar assim?

“Bem sei que o preceito de amar assim não se acha escrito; não há necessidade! Nada o diz, tudo o clama: a lei está em nosso coração. (...).

“A Eucaristia é a mais nobre aspiração de nosso coração: amemo-la pois apaixonadamente.

“Dizem: Mas é exagero tudo isso.

“Mas que é o amor, senão exagero? Exagerar é ultrapassar a lei; pois bem, o amor deve exagerar!

“O amor que nos testemunha Nosso Senhor permanecendo conosco sem honras, sem servidores, não é também exagerado?

“Quem se limita ao que é absolutamente de seu dever, não ama. - Só se ama quando se sente interiormente a paixão do amor.

“E tereis a paixão da Eucaristia quando Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento for o vosso pensamento habitual; a vossa felicidade, a de achar-se a seus pés; e vosso constante desejo, o de Lhe causar prazer.

“Vamos! Entremos em Nosso Senhor! Amemo-lO um pouco por Ele; saibamos esquecer-nos e dar-nos a esse bom Salvador! Imolemo-nos um pouco!

“Considerai estes círios, esta lâmpada, que se consomem sem deixar vestígios, sem nada reservar”


(São Pedro Julião Eymard, O Santíssimo Sacramento, Coleção “Os grandes Autores Espirituais”, nº 24, Edições Paulinas, São Paulo, 1956, pp. 27 a 32 / Pode imprimir-se: Mons. Caruso, Pró-Vigário geral, Rio, 8-7-1953).

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