segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Como nasceu o Panetone: sorriso da alma católica medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O Panettone, como tantos outros costumes católicos ligados ao Natal, teve sua origem em plena Idade Média, na Lombardia, Itália.

Tipicamente ele tem uma base cilíndrica com cerca de 30 cm de altura, a qual termina numa espécie de cúpula como que extravasando de sua forma original.

Composto de água, farinha, manteiga, ovos, frutas cristalizadas, cascas de laranja e cedro, além de uvas passa e muita imaginação, a tradição lhe atribui diversas origens.

Uma das versões mais respeitadas atribui a origem da receita aos tempos que governava Milão o turbulento duque Ludovico Maria Sforza, dito o Mouro (1452 – 1508).

O belicoso Ludovico, já renascentista em espírito, encomendou um suntuoso jantar de Natal que devia coroar sua glória como duque da poderosa cidade de Milão.

Para o evento convidou toda a nobreza das cidades vizinhas.

O cozinheiro fez tudo quanto de mais fabuloso lhe ocorreu. E nada lhe faltou para isso.

Só falhou num pormenor: esqueceu o bolo da sobremesa no forno, e este acabou carbonizado.

O cozinheiro entrou em desespero, pois talvez sua cabeça estivesse em jogo com tão imprevisível patrão.

Essa foi a hora em que surgiu um pobre ajudante de cozinha, do qual só se conhece o nome de Toni.

Com o pouco que tinha sobrado na despesa, Toni propôs fazer um pão doce de acordo com uma receita que possuía. Dito e feito, o pão foi servido na mesa dos magnatas, espionados pelo aterrorizado cozinheiro.



O entusiasmo dos potentados não teve igual. O cozinheiro foi chamado no ato para explicar a iguaria. Sem saber o que dizer ele balbuciou:

– “É o pão de Toni...”.

E assim nasceu o termo “panetone” (o pão de Toni). Sua receita já tem mais de 500 anos e é apreciada no mundo inteiro.

Um costume medieval existente já no século IX animava as festas natalinas no território milanês.

Todas as famílias se reuniam em volta da lareira, aguardando que o pater familias – o fundador ou herdeiro do fundador da família – dividisse “un pane grande” e oferecesse um pedaço a todos os presentes em sinal de união familiar.

Esse pão tinha também sua história impregnada de caridade católica.

Na época, o pão de farinha branca era raro e caro, quase exclusivo dos nobres. Porém, no Natal, aristocratas e plebeus ganhavam de graça o mesmo pão de farinha branca, enriquecido com frutas e outros elementos, oferecido graciosamente pelos padeiros da região.

Era o “pão de Toni”!



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O que falavam a mula e o boi há dois mil anos – Conto de Natal

“Pobrezinho. Ele está numa situação bem pior do que a nossa.  Façamos a única coisa que podemos para ajudá-lo”, disseram a mula e o boi.  Presépio da abadia de Lorsch. Aquisgrão, Alemanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Pobrezinho. Ele está numa situação bem pior do que a nossa.
Façamos a única coisa que podemos para ajudá-lo”, disseram a mula e o boi.
Presépio da abadia de Lorsch. Aquisgrão, Alemanha.


Há cerca de dois mil anos, estavam num estábulo uma mula e um boi. Como sempre acontece quando bons amigos estão juntos, comentavam notícias boas e más.

Um tema habitual era o tempo, particularmente frio naquele inverno, com as abundantes nevadas — pouco frequentes, mas não anormais — perto de Jerusalém.

Outro tema habitual entre eles era a quantidade de pessoas que afluíam à pequena cidade de Belém.

Nunca tinham visto antes tanta gente junta. A explicação era porque de Roma um edito de César Augusto mandara realizar um censo, em que as pessoas deveriam apresentar-se em seus lugares de origem.

Assim, numerosos judeus haviam se dirigido a este esquecido povoado para ali se inscrever. E embora alguns viessem a pé, outros se transportavam em cavalos ou camelos.

É compreensível que os habitantes do lugar assistissem interessadíssimos a este ir e vir de pessoas.

Presépio bizantino em marfim. Museus Vaticanos
Presépio bizantino em marfim. Museus Vaticanos
O que é comum num povoado tranquilo, onde nunca ocorre nada. Além do mais, os recém-chegados eram em geral pessoas que viviam ou em Jerusalém ou em outros lugares mais interessantes do que a pequena Belém.

E, como era habitual, depois de conversarem com os parentes, as crianças e os jovens se dirigiam aos estábulos para admirar os cavalos, touros, camelos, enfim, todos os animais considerados mais atraentes.

Mas esse entrar e sair de crianças e jovens ocorria no estábulo ao lado, e não naquele onde se encontravam a mula e o boi.

Ninguém vinha vê-los, salvo excepcionalmente alguém para dar-lhes de comer e levá-los ao trabalho. E ambos suportavam tudo isso sem ressentimentos nem complexos. Simplesmente lhes parecia que o mundo era assim.

“Claro — dizia o boi —, o que é que as crianças querem ver? Elas gostam da força, que tantas pessoas elogiam. Mas a força aliada à brutalidade. Por isso preferem ver os touros, que com sua agressividade chamam a atenção daqueles que imaginam que tudo se resolve pela força.

“Entretanto, não as atrai o trabalho, contínuo, regular e monótono de arar os campos, que eu realizo. E como, além do mais, os bois são engordados para serem sacrificados, isso é ainda menos atraente. Ninguém quer saber de sacrifícios, de vida dura, de trabalho incessante”.

“É assim mesmo” — completava a mula. “Os cavalos, indômitos, que correm, que dão coices, que dominam pela velocidade e chamam a atenção por sua beleza, estão no centro das atenções.

“O mundo os admira. Mas o trabalho que eu realizo, como o de tirar água dos poços ou levar cargas, quem o admira? Quando me elogiam é porque tenho algumas qualidades que possuem os cavalos, como o vigor, a força ou o valor. Ou a sobriedade, a paciência, a resistência e o passo seguro dos burros.

“Mas a ideia que associam a mim é a de uma vida dura, mansa e dedicada aos demais. Exatamente aquilo do que as pessoas não querem nem ouvir falar”.

*     *     *

Quando a noite terminava e eles já se dispunham a dormir, o boi e a mula viram entrar no estábulo um senhor e uma jovem em avançado estado de gravidez.

Com muita distinção ela se sentou num canto do estábulo, enquanto ele se dedicava a arrumar com máximo desvelo um pouco de palha para que ela descansasse melhor.

Os animais ficaram com pena vendo-os em lugar tão pobre, mas o augusto casal não se queixava nem murmurava.

Certamente ele havia pedido para pousar na casa de algum dos parentes que tinham no povoado, mas por serem pobres, apesar do parentesco e de sua alta dignidade, não lhes fora concedida hospedagem.

É verdade que as casas desses parentes possivelmente estivessem cheias, mas caso se tratasse de parentes ricos, sem dúvida lhes teriam fornecido hospedagem.

E não tendo aonde ir, tinham vindo a este estábulo, o menos visitado. E, por isso mesmo, o único que oferecia certa privacidade.

A mula e o boi fizeram apenas o que podiam, ou seja, afastarem-se para dar-lhes um pouco mais de espaço. E foram dormir.

À meia-noite, despertou-os um som inusual.

Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano
Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano
Era o choro de uma criança. A jovem Senhora havia dado à luz um filho. O recém-nascido chorava de frio.

“Pobrezinho” — exclamaram a mula e o boi. “Ele está numa situação bem pior do que a nossa. Afinal de contas, Deus nos deu uma pele grossa e pelos para nos proteger do frio, e estamos bem alimentados, mas este pobre menino nasce em um lugar inóspito para tanta debilidade. Façamos a única coisa que podemos para ajudá-lo”.

E, aproximando-se, passaram a respirar fortemente, para que a sua respiração e o calor de seus corpos dessem ao recém-chegado um pouquinho de aquecimento.

Aos poucos o Menino deixou de chorar, e sentindo o frio afastar-se, moveu as mãozinhas, colocando-as carinhosamente sobre a cabeça do boi e da mula, para lhes agradecer por sua boa vontade.

A mula e o boi se retiraram, para deixar o Menino dormir. E o Senhor que cuidava da jovem Senhora e do Menino deu aos animais um pouco de erva para que comessem, e de água para que bebessem.

* * *

Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano
Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano
Os dois animais imaginaram que poderiam ir dormir, mas em pouco tempo começou a chegar todo tipo de pessoas.

Primeiro eram uns pastores, que já de longe vinham cantando. Admirados eles rodearam o Menino, e O ficaram contemplando longamente.

Depois vieram outros pastores, depois outros e mais outros. Apareceram também pessoas simples, mas de fé robusta, que foram saudar o Menino.

Mais tarde chegou uma rica e importante caravana de reis e súditos montados em camelos belamente ajaezados. Vinham oferecer ouro, incenso e mirra ao Menino.

E enquanto executavam a cerimônia de entrega dos presentes, admirados a mula e o boi contemplavam o espetáculo, escutando as músicas que cantavam em honra do recém-nascido.

Mas chegaram também a seus ouvidos as reclamações de outros animais. Acostumados a ser o centro das atenções, sentiam-se contrariados por terem sido preteridos.

E diziam que o boi e a mula eram um par de arrivistas que estavam ali por pura sorte, que se tivessem um pouco de conhecimento do mundo deveriam sair e deixar-lhes o lugar, pois obviamente eles estavam mais capacitados para ocupá-lo.

Em suma, pura inveja. A mula e o boi não se preocuparam com esses comentários, e continuaram a cumprir seu discreto e eficaz papel de, na ausência de visitas, acercarem-se do Menino para ajudar a aquecê-lo.

Por fim, certo dia, o Senhor, a Senhora e o encantador Menino preparavam-se para sair. Mas antes, voltando-se para a mula e o boi, disse-lhes a bela Senhora:

Presépio chinês
Presépio chinês
“Como vocês foram bons e generosos para com o meu filho, faço-lhes uma promessa. Até o fim do mundo, sempre que se representar uma cena de seu nascimento, vocês estarão presentes.

“Porque Ele veio para dar exemplo de luta contra o mal, mas também exemplo de bondade. Veio para ajudar os homens de boa vontade a vencerem os homens de má vontade, que não querem a glória de Deus”.

* * *

Esta promessa vem se cumprindo até os presentes dias, e assim continuará enquanto o mundo existir.

Muitas vezes, adornamos com ovelhas, pastores, camelos e reis os presépios que montamos.

Contudo, por mais pobres que eles sejam, sempre há uma mula e um boi.

Ali nasceu o Redentor, Aquele Divino Infante louvado pelos anjos na Noite Feliz com o cântico narrado por São Lucas:

“Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na Terra aos homens de boa vontade!”.

(Fonte: Valdis Grinsteins, apud CATOLICISMO)


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sinos de Notre Dame voltarão a tocar como nos tempos da Cristandade

O grande sino da catedral Notre Dame de Paris, batizado “Maria”, voltara a tocar no 850º aniversario da fundação do máximo templo da capital francesa, noticiou “Catholic Online”.

De fato, o “Maria” original foi selvagemente destruído durante os lutuosos episódios da Revolução Francesa.

Os revolucionários que sonhavam derrubar as igrejas ao mesmo tempo em que aboliam a monarquia e massacravam a nobreza, destruíram quase todos os sinos da catedral Notre Dame.

Eles pretextaram que precisavam do bronze dos sinos para fazer balas de canhão e salvar a Revolução em perigo.

Os sinos foram então jogados do alto das torres e espatifados no chão.