segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

No post anterior referimos a tese do astrônomo Mark Thompson, da Royal Astronomical Society de Londres e apresentador científico da BBC, noticiada por "The Telegraph".

Cabe ponderar que essa tese não é a única nos meios científicos. Há anos, Werner Keller, num livro muito divulgado mas que sofre por falta de atualização do ponto de vista científico (Werner Keller, “E a Bíblia tinha razão”, Melhoramentos, SP, 18ª ed., 1992) reproduz afirmações avalizadas de cientistas de fama universal.

Pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro de 1603, o famoso matemático imperial e astrônomo da corte, Johannes Kepler (ao lado), estava em Praga observando, com seu modesto telescópio, a “conjunção” de Saturno e Júpiter na constelação de Peixes.



Kepler lembrou que segundo o rabino Abarbanel (1437-1508) para os astrólogos judeus o Messias viria por ocasião de uma conjunção de Saturno e Júpiter na constelação dos Peixes.

Após muitos cálculos, Kepler decidiu-se pela idéia que aquela “conjunção” aconteceu no ano 6 a.C. Mas, a época de Kepler era a dos “filósofos das Luzes”, laicistas e agnósticos, que recusavam a priori tudo o que falasse em favor do cristianismo, e não prestou ouvidos à hipótese do cientista.

Em 1925, o assiriólogo alemão Paul Schnabel decifrou as anotações cuneiformes da escola astrológica de Sippar, na Babilônia. Nelas encontrou uma nota sobre a conjunção de Júpiter e Saturno cuidadosamente registrada durante cinco meses no ano 7 antes do nascimento de Cristo!

Para o caldeus, Peixes representava Ocidente e para a tradição judaica, simbolizava Israel e o Messias. Júpiter foi considerado por todos os povos e em todos os tempos a estrela da sorte e da realeza.

O céu de Jerusalém no 12 de novembro do ano 7 a.C., direção sul
Segundo a velha tradição judaica, Saturno deveria proteger Israel; Tácito comparava-o ao Deus dos judeus. A astrologia babilônia considerava o planeta dos anéis como astro especial das vizinhas Síria e Palestina.

Uma aproximação esplendorosa de Júpiter com Saturno, protetor de Israel, na constelação do “Ocidente”, do Messias, significava o aparecimento de um rei poderoso no Ocidente, na terra de Israel. E esse foi o motivo da viagem dos magos do Oriente, conhecedores das estrelas!

Assim como eles podiam prever os futuros eclipses do Sol e da Lua, souberam prever com exatidão a data da “conjunção” seguinte: o 3 de outubro, data da festa judaica da propiciação.

Os magos devem ter entrado em Jerusalém em fins de novembro.

“Onde está o rei dos judeus, que nasceu? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo. E, ouvindo isso, o Rei Herodes turbou-se, e toda a Jerusalém com ele” (Mateus 2.2, 3). Para os conhecedores dos astros do Oriente, essa devia ser a primeira e natural pergunta, e era lógico que produzisse espanto em Jerusalém.

Caravana dos Reis Magos, Benozzo Gozzoli, detalhe.
Herodes era um tirano odiado, fora posto no trono pelos romanos, não era propriamente judeu, e sim idumeu. O anúncio de um rei recém nascido fê-lo temer pela sua soberania. O historiador judeu Flávio Josefo informa que, por essa época, correu entre o povo o rumor de que um sinal divino anunciara o advento de um soberano judeu.

Herodes consultou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo para indagar onde havia de nascer o Cristo. Estes encontraram no livro do profeta Miquéias: “E tu, Belém Efrata, tu és pequenina entre milhares de Judá; mas de ti é que me há de sair aquele que há de reinar em Israel...” (Miquéias 5.2).

Ouvindo isso, Herodes mandou chamar os magos “e enviou-os a Belém” (Mateus 2.4 a 8). Como em 4 de dezembro Júpiter e Saturno se reuniram pela terceira vez na constelação de Peixes, eles “...ficaram possuídos de grandíssima alegria” e partiram para Belém, “e eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles” (Mateus 2.10 e 9).

Na terceira conjunção, Júpiter e Saturno pareciam fundidos numa grande e rutilante estrela e, no crepúsculo do anoitecer, apareciam no sul, isto apontando o caminho de Jerusalém para Belém. Desta maneira, tinham a brilhante estrela sempre diante dos olhos, e, como diz o Evangelho, a estrala ia “adiante deles”.

Afinal, temos vontade de perguntar: com o quê foi a conjunção de Júpiter: com Saturno, como diz Kepler, ou com Regulus, como diz Thompson?

A pergunta só poderá ser respondida em definitivo pelos cientistas.

O mesmo pode se dizer sobre a relativa disparidade das datas. As avançadas hoje por Mark Thompson têm em seu favor a precisão de computadores que Kepler e os astrônomos da Babilônia não dispunham.

Nós, como simples leigos, entretanto, tiramos uma certeza: é que segundo o que a ciência pôde apurar, uma grande conjunção de astros formou a famosa “estrela de Belém” que conduziu os três Reis até Belém como narra o Evangelho.

A fé fica pois confortada pela ciência.

Sobre se foi Saturno ou Regulus, e se os babilônios, Kepler ou os computadores acertaram melhor as datas, os cientistas algum dia se porão de acordo.

Mas, qualquer que for a solução final, não mudará o fato histórico essencial: a estrela existiu bela e esplendorosa apontando para o local onde o Salvador do mundo haveria de nascer.

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