segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Beija-Flor: jóia criada por Deus para nos incutir o desejo do Céu


“Certa vez, no terracinho de uma fazenda em Amparo, de repente um beija-flor parou no ar e começou a sugar o néctar das flores de uma trepadeira. Ele osculou flor por flor.

Com seu vôo semelhante ao trajeto de uma seta, ostentando um biquinho pontudo, o beija-flor descia e parava.

Tão inflexível e retilíneo no voar, ficava trêmulo na hora de sugar.

Começava com uma série de pequenos movimentos, esvoaçando em torno da flor e haurindo dela o mel que conseguia.

No seu bater de asas, nenhuma das vibrações repetia as outras. Dir-se-ia um instrumento musical tocando músicas sempre novas, uma composição nova que caracterizava o estilo beija-flor.


Refleti que ele tem lá suas regras que não conheço, e me perguntei quando cessaria essa movimentação. De repente, de modo inopinado, ele largava a flor.

Nesse abandonar tão completo, parecia que aquela flor nunca existira para ele, e sem a menor vacilação dirigia-se para outra.

Era a própria imagem da decisão: quando é hora de escolher, não hesita; quando é o momento de sugar, empenha-se e suga; quando é a ocasião de partir, abandona e rejeita.

Tão brasileiro nos movimentos, o beija-flor não conhece o sentimento nacional das saudades. Abandona a flor sem saudosismos, mas também sem rancor.


Tem-se a impressão de que, quando extraiu o último néctar, ficou liberado e voa como um foguete para outro lugar.

Tudo isso é realizado com tanta leveza, tanta delicadeza, tanta distinção, que dir-se-ia uma dança. De fato, é muito mais do que dança, é vôo.

Nessa espécie de “filmagem” em câmara lenta, cada um pode rememorar as impressões que conservou, vendo novamente o esvoaçar de um beija-flor.

Ficamos encantados ao observar que no universo dos animais há dois lindos exemplos de movimentos: um, o do leão que anda; outro, o do beija-flor que voa. Como são diversos! Quantos seres Deus criou para nos entreter!

O beija-flor azul e verde é uma jóia preciosa que Deus criou para o homem poder olhar, nunca segurar, e sentir o encanto da coisa fugidia que passa.

Neste vale de lágrimas, representa bem a esperança e nosso desejo do Céu.

A Providência divina criou nesta Terra de exílio vários seres fugazes, ótimos, mas que deixariam de ser ótimos se não fossem fugazes, para assim nos apresentar umas tintas do Céu.

Porque a Terra, sendo um lugar de exílio, não pode oferecer essa impressão celeste estavelmente. Deus teve pena de nós, e enviou-nos assim uns vaga-lumes do paraíso celeste, para acenderem e apagarem, e desse modo vislumbrarmos a felicidade celestial”.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, novembro 2009)


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